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The Pólis

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No Bolso

Setúbal e as Medalhas de Honra

Ontem, em Setúbal, celebrou-se o dia da cidade e de Bocage. Como em todos os anos, há celebrações protocolares impulsionadas pela autarquia. Umas dessas celebrações passa pela entrega de medalhas de mérito a setubalenses que se destacaram continuamente e a antigos funcionários da autarquia.
No entanto, talvez por receio dos resultados do PCP nas últimas eleições autárquicas, em que perdeu a liderança de Câmaras no distrito de Setúbal, o executivo de Maria Dores Meira tem operado um crescente operação de charme juntos dos setubalenses. Ontem foi mais um exemplo disso mesmo.
A tradicional entrega de medalhas de honra este ano foi completamente desacreditada, com a entrega desta condecoração honorífica a mais de cem pessoas(!).
No site da Câmara podemos ler que esta condecoração é dada a "personalidades ou entidades que se destaquem por serviços prestados em prol do concelho de Setúbal, a personalidades de projeção nacional ou internacional que visitem o Concelho ou a personalidades a cuja homenagem o Município deseja expressamente associar-se. É sempre de bronze dourado e atribuída de acordo com várias classes: “Paz e Liberdade”, “Associativismo”, “Desporto”, entre outras."
Aqui a parte que parece ter mais relevância são sem dúvida as duas últimas palavras: entre outras. Através destas, o Executivo pôde criar mais umas quantas categorias, de forma a conseguir encaixar mais umas quantas personalidades condecoradas, de forma a conseguir encaixar mais uns quantos votos...
Esta atribuição desmesurada de condecorações, desqualifica o valor das mesmas e diminui o mérito de quem realmente as merecia. Não me vou prestar ao exercício de dar exemplos, até porque a lista é demasiado longa, e porque no nosso Portugal criticar medalhados e campeões é ser invejoso.
É uma estratégia que está tão na cara, é tão ensurdecedora, que é estranho como tão pouca gente a vê e ouve. Recentemete também tivemos as prestações rídiculas face à descida do Vitória FC. Num momento onde se discute a separação entre futebol e política, a presidente da Câmara de Setúbal, para além de andar a comprar terrenos a um clube de futebol para o salvar, com o dinheiro de todos, ainda envia uma carta ao presidente da liga de futebol, Pedro Proença, para se manifestar contra a descida do Vitória.
Os vitorianos, derretidos com esta demonstração de amor ao clube por por parte da edil, bradam aos céus pela sorte que têm e enchem-na de elogios. Ninguém acha estranho uma Câmara Municipal se prestar a este papel mesmo sabendo que não tem qualquer influência em liga nenhuma de desporto nenhum, e ninguém acha estranho uma Câmara se prestar a este papel para proteger (fingir que) 1 clube de futebol.


Os eleitos da CDU têm feito um grande trabalho no sentido de colocar vários setores no "bolso": o associativismo, que o vereador Carlos Rabaçal já dizia mais importante que certas juntas de freguesia e declarava então a importância do PC se misturar com este, está no bolso vivendo de subsídios e adubo para a vaidade.

Os vitorianos voltaram para o bolso, transição que recomeçou aquando da retoma pública de relações entre a CMS e o Vitória, e se consumou finalmente com esta carta a Pedro Proença.


A classe dos condecorados, é anualmente colocada no bolso, e ao que se vê, cada vez com mais intensidade, chegando às centenas num só dia. A Câmara até já inventou mais umas condecorações para não ficar limitada ao dia da cidade. A Gala do Desporto e os novíssimos "Embaixadores da Cidade", onde colocam desde gente que não é da cidade até aos jornalistas (um jornalista embaixador duma cidade tem muito que se lhe diga).

Os restantes, olham para as obras públicas como dádivas, esquecendo-se que é umas das funções mais básicas de uma autarquia, e ainda se deixam levar pelas magníficas iniciativas de voluntariado em que o Executivo fornece o material e o cidadão trabalha - O dinheiro de contratações de mais funcionários tem de ser poupado para as obras de final de mandato.

No final, o setubalense recebe uma fatura alta em impostos municipais e é corrido do centro da cidade pois cada vez tem menos capacidade de acompanhar as rendas altas, mas fica feliz por ver, de medalha ao pescoço e vaidade a escorrer da boca, a sua presidente de câmara defender o Vitória e apresentar obras a uns meses das eleições.

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O protótipo ideal

Voltou à baila, não sei por quem, nem se foi propositado, a notícia de 2014, do Correio da Manhã, acerca da presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria Dores Meira, em que se referem os 14 imóveis do quais era proprietária à data ( não sei se agora são menos ou mais), assim como a sua declaração de rendimentos.

Rapidamente esta velha notícia foi espalhada por vários grupos do Distrito, nos quais para uns foi novidade, para outros não. Incluo-me nos que já conheciam a notícia, assim como a resposta da edil à epóca.

Acontece que, Maria das Dores Meira anunciou há relativamente pouco tempo a sua putativa candidatura à Câmara Municipal de Almada. Isto é, como já não tem possibilidade de continuar em Setúbal, já veio dizer publicamente que não se importa nada de saltar para outra Câmara.

Ora tendo a presidente ambições de se candidatar a uma Câmara, na qual não tem a certeza que consegue ganhar, não podia deixar que andasse novamente a circular a notícia de 2014. Prontamente, já se pronunciou sobre o tema no seu Facebook, recuperando também o post que publicou naquele ano, para responder à notícia.

A presidente começa o seu novo texto sobre o sucedido, dizendo que "o povo não é estúpido". Não é mesmo, e por isso é que gostaria de dizer que os esclarecimentos de Maria Dores Meira são uma, passo a expressão, "chachada".  Vem dar um ar de ofendida, negando aquilo que lhe interessa e rebatendo que os imóveis foram adquiridos "ANTES" de ser autarca.

Isso é completamente irrelevante. Maria Dores Meira quer desviar as atenções de algo que considero, se não mais, pelo menos tão grave como aquilo que a acusam. Esta incoerência entre o que se é e aquilo pelo qual se diz mover.

A presidente da Câmara de Setúbal é, na verdade o protótipo ideal do comunista português. Um burguês refastelado que para atingir o poder, se faz de defensor dos pobres e oprimidos.
O PCP, sendo o partido que mais vomita contra os monopólios, o lucro desmedido e a acumulação de capital, é também o partido que mais põe mais em prática aquilo que critica. E os seus dirigentes fazem também jus a essa regra.

O que é espantoso é que "o povo não é estúpido" mas acha que alguém com 14 imóveis está com ele, no mesmo barco, na luta contra o grande capital. Ache que alguém que diz que gostava de "ter dinheiro para tanto [colocar em contas nas ilhas Caimão]", é uma lutadora pelos direitos do proletariado e que se interessa pelas dificuldades dos trabalhadores. Que alguém que acumula capital é contra quem acumula capital.

Não há problema nenhum em um comunista ter dinheiro, podem é de vez, abandonar a retórica hipócrita e assumir que não se importam de enriquecer ilimitadamente, e que não se importam de cavar um fosso entre o seu dinheiro e os que têm falta dele, e que tanto juram defender.

Os pseudo comunistas, dirigentes do PCP, quando estão na mó de cima, ou quando como neste caso já vêm da mó de cima, estão se marimbando para a distribuição de riqueza. Estão, assim como o seu partido, interessados na acumulação de riqueza. O PCP, aqui personificado em Maria Dores Meira, é rico, gordo e capitalista. A presidente sabe, o partido sabe, e o povo que "não é estúpido" tem de começar a saber.

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A Autarquia sou Eu

Não há Oposição política em Setúbal. O Partido Comunista, sob a fachada de coligação CDU, governa a cidade à vontade e à vontadinha. A população tem a capacidade de análise política de "um quarto sem serventia de cozinha", pedindo um empréstimo mal empregue a Lobo Antunes pela expressão, fruto dos planos educativos pobres em formação cívica ministrados nas nossas escolas, temos gente que mal se governa mas que se deixa governar - mas essa não é uma característica afeta apenas aos setubalenses.

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Maria Dores Meira (e fosse ela ou qualquer outro) põem e dispõem na cidade, planeando obras com data de inauguração junto a eleições, comprando associações, perdão, apoiando associações e mantendo a participação cívica em níveis q.b. ao gosto do comité. Aparecem onde lhes convém, mostram o que querem e falam para quem gosta de os ouvir, mas sempre com uma estratégia de cobertura propagandística bem focada e empenhada. As redes sociais, o site da Câmara e das Juntas e até o jornal da cidade, são hoje boletins informativos dos "melhoramentos" que o Executivo Municipal efetua na vida dos seus munícipes.
A presidente que consegue aparentar as maiores incoerências entre o que defende e o que aplica na sua vida pessoal e profissional, e ninguém parece importar-se com o assunto. Temos um Partido Comunista com lugares privativos à porta, que liga imediatamente para o reboque assim que algum cidadão lá deixa o carro - quem os diria tão intolerantes à partilha?  E uma Câmara que exibe os melhores topos de gama para transportar a nossa Rainha de Copas.
Enquanto isso, os sem-abrigo e os pedintes proliferam, os setubalenses vão sendo empurrados para fora do centro da cidade pois não têm poder de compra para pagar rendas excessivamente caras e, os jovens qualificados ou aceitam empregos que não correspondem à sua qualificação ou veêm-se obrigados a tentar a sua sorte na metrópole - a câmara até participou no benéfico processo de redução do preço dos passes para facilitar este êxodo profissional.
Isto vem acontecendo não apenas pelo desinteresse da população, mas também pela incapacidade e inexistência de uma Oposição e pelo fraquíssimo jornalismo disponível.

Os partidos que se querem como alternativa ao PCP, têm uma mísera presença nas redes sociais, galgando um outro tema que a Câmara deixa passar "para fora" e escrevendo uns textos na comunicação social - pouco porque as redacções têm medo de ser mal interpretadas. O Partido Socialista, como fica sempre em 2º nas eleições, usufrui desse estatuto de Esquerda B e sonha vir a trocar com  PCP, ainda para mais depois dos últimos resultados nas Autárquicas a nível distrital. O PSD olha para Setúbal apenas como um trampolim para outros voos. Não pretendem ser alternativa nenhuma mas apenas ter a visibilidade suficiente para garantir eleitos nas Legislativas. O melhor exemplo disso é Nuno Carvalho, que tentou, primeiro nas Europeias e depois nas Legislativas, sair rapidamente de Setúbal. Lá conseguiu e agora empenha-se, com posts pagos por ele, em manter o lugar no Parlamento com uma máscara do Vitória e a falar no Sado cada vez que tem uma câmera para si virada.
Os restantes, PAN, BE e CDS, com poucos recursos vão tentando ter alguma visibilidade, mas pouco mais fazem que aparecer nas Assembleias Municipais. Com registo de uma maior dificuldade para o CDS, por Setúbal ser um daqueles territórios onde a ignorância relativamente aquilo que significa ser de Direita representa. Aqui, democratas são fascistas e comunistas são democratas.
Na sua maioria, estes partidos não compostos por gente que faça da política a sua principal atividade. Aliando falta de empenho e disponibilidade, temos um apertivo delicioso para quem governa. Não incomodam.


O jornalismo regional também não ajuda. Não sei se o cenário será igual por todo o país, mas aqui jornalismo regional significa noticiar o que a Câmara Municipal diz e faz, de preferência com um adejtivo ou outro para poder vir a almejar um apoio ou uma preferência. Limitam-se a receber comunicados de imprensa oficiais e a entrevistar membros do executivo. Salpicam com uma outra entrevista ao PSD ou ao PS e julgam estar completo o seu trabalho. É o jornalismo mais enfadonho possível: nunca dão uma notícia ou uma reportagem com verdadeira novidade. Que resulte de investigação, que mostre perguntas incómodas.
Ora se o Executivo de tudo faz para manter os restantes partidos na penumbra, fornecendo o menor número de dados e documentos possível, prefere que os cidadãos se mantenham na ignorância continuando a não informar e transmitir decentemente as sessões públicas, e se o jornalismo não escrutina, como é que se faz Oposição nesta cidade?
Basta ver, a nível nacional, como decorrem as sessões parlamentares para perceber quão complicado pode ser fazer-se Oposição. Os Governos não respondem às questões ou respondem de forma irritantemente evasiva. Atrasam a entrega de dados para que os outros partidos não tenham tempo de os analisar devidamente e agora até parece que já nem querem debater. Se assim é a nível nacional, onde são gravados, escrutinados e difundidos por todo o país, imagine-se a nível concelhio. Sem qualquer holofote e com a certeza de que a maioria das pessoas não sabe quem são os membros do Executivo e aquilo que dizem ou fazem.


É um ciclo vicioso e viciado que perpetua quem está no poder e, em última análise só prejudica a população que continua a achar que tem a melhor liderança de Câmara possível, mesmo não sabendo o que faz ,o que fez e o que poderia ou deveria fazer. A Oposição só existe para cumprir protocolo, assim como os jornais. E Dores Meira, que já prepara o seu futuro profissional e a sucessão para a cadeira do poder em Setúbal, continua passear-se como uma grande reformadora e bajulada como excelente governante. 




Associações? Junto todas e construo um castelo

Mais uma associação domesticada com sucesso, em Setúbal

Ontem, a Câmara Municipal de Setúbal publicou na sua página oficial de Facebook, mais uma cerimónia de estabelecimento de protocolo, entre a autarquia e uma associação.
Mais uma operação de charme e compra de apoio, bem sucedida. Maria Dores Meira revela-se, mais uma vez, uma belíssima estratega que não deixa para mais tarde o cimentar da CDU nos Paços do Concelho.

E demontra-se, mais uma vez, algo para o qual já tinha questionado num post anterior. Que independência têm estas coletividades, quando as câmaras lá injetam dinheiro, ano após ano? Quando se tornam a principal fonte de receita das associações?

Neste caso, foi a Associação das Coletividades do Concelho de Setúbal, uma associação criada há menos de 4 anos. Já a sua criação, o intuito da mesma, desconfio que tenha sido exatamente para chamar a si o apoio da Câmara: Uma associação que representa as outras associações. Coisas à portuguesa. Mas obviamente que a CDU não podia, como de resto não o faz com nenhuma outra coletividade, deixá-la à deriva, sem que se tornasse em mais um pólo de propaganda à presidente.

É longa a lista das associações que recebem subsídios municipais e das juntas de freguesia. Estes subsídios não são inocentes, são a compra destas coletividades, que deixam de ser independentes e passam, em tudo o que fazem a publicitar a Câmara. Exemplo disso, a imagem da página do São Domingos Futebol Clubes, onde sem qualquer pudor se escreve "Obrigado à Ganda Presidente Maria das Dores Meira!" - claro está, mais uma coletividade que sobrevive graças ao dinheiro que a "ganda presidente" generosamente oferece, para incentivar e apoiar o movimento associativo, obviamente.
Diz muito, não só em Setúbal, do que é o espírito associativo português: juntar um grupo de amigos, dar um nome ao grupo, pedir apoio financeiro à autarquia e organizar um ou outro evento de quando a quando. Entidades que deveriam ser uma prova de valor da sociedade civil, da entreajuda e da capacidade de, em união, se construir algo independente e útil, em Portugal são, na sua grande maioria grupos subservientes ao poder político local, sem qualquer capacidade de representar nada senão a patuscada mensal no bairro.

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Reuniões Secretas de Câmara

Aproveitar um Estado de Emergência - que em rigor não vigora aquando da sessão - para experienciar o sonho molhado da esquerda: governar, em segredo, sem prestar contas, sem o povo que dizem representar a chatear , ou pior, a fazer perguntas e sugestões.

Fazem-no sem qualquer despudor, dado que utilizam com grande avidez as redes sociais para publicarem as suas produções propagandísticas - mensagens dos presidentes de junta, vídeos para entreter, ou como já aqui publicado levam a equipa de filmagens para todo o lado.

É impossível que achem que alguém acredita que não permitem a gravação das assembleias e reuniões de câmara, porque acham que estimula a "cidadania passiva" ou porque não têm meios para isso.

Não querem ser escrutinados. E o povo não reclama, porque anda dormente com a sedação da "união" administrada pelo PS, com um tempero de "patriotismo" do PSD. Não há uma única que voz que questione porque raio, agora que ninguém pode testemunhar presencialmente as reuniões, proíbem a presença de comunicação social e não se predispoem a gravar e transmiti-las online.

 

Democracia em segredo não é democracia. A Câmara Municipal não é o Comité Central.

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"Fazer publicidade de caridade é esquisito para todos"

A frase é de um sacerdote de Oeiras e foi proferida a propósito de uma iniciativa do CHEGA, que ofereceu produtos de higiene básica a um lar mas "esqueceu-se" de informar que o ia fazer em âmbito institucional - ou seja para poder publicar nas redes sociais. Ao que parece o sacerdote mão gostou e declarou sentir-se enganado, proferindo a sábia frase para quem mais tarde o entrevistou.

 

Não é uma prática inédita, muito menos original, no entanto a frase tem-me ecoado na cabeça sempre que, durante este período de crise pandémica, leio uma notícia deste cariz. Alguma universidade que ofereça três pares de alcóol gel e têm alguém de posar sorridente com os frascos na mão. Algum café que decide fazer umas refeições para oferecer aos enfermeiros do Hospital X, e lá vão todos juntar-se na fotogénica meia-lua com as embalagens na mão.Em linguagem adolescente contemporânea, que "cringe"! 

 

Em Setúbal, tenho verificado também, como seria de esperar, este triste fenómeno:

 

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Para entregar uma caixa de alimentos, são necessárias três pessoas: uma para tocar a campainha (imagino que seja a pessoa que realmente costuma fazer o trabalho), o presidente da junta para "surpreender" (infelizmente reforçam o preconceito de qe os políticos não fazem nenhum e por isso é que surpreendem) sorridente com a caixinha na mão e, claro, o fotógrafo de serviço, a captar o momento. No fundo, o presidente não vai apenas entregar uma caixa de alimentos a um freguês, vai entregá-la a toda a gente que o segue nas redes sociais.

 

Mas o caricato (cringe) mais desconfortável dos últimos dias, foi para mim este:

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A Casa Ermelinda Fretias oferece, e bem, uma enorme quantidade de alcóol gel à Câmara Municipal de Setúbal, para que o distribua conforme seja mais necessário. Qual é a primeira coisa a fazer?

Colocar cuidadosamente, garrafão a garrafão, quiçá sobre orientação do decorador-môr do reino João Maria, em grupos de formação triangular e com os respetivos selos todos virados na mesma direção. Depois, toda uma comitiva dos bombeiros e da Protecção Civil têm de aguardar que a Sra. Presidente vista o seu brilhante colete (dá um ar de maior preocupação e envolvimento) e dê umas palavras para a câmara de filmar que um funcionário trazido para o efeito manobra. Findo o registo, há que iniciar todo um Book fotográfico, com todos os presidentes de junta, em pose junto aos garrafões - como se o mérito de terem aquele material fosse de alguma forma daquela gente - e depois claro, o carregar dos garrafões e repare-se que, na galeria publicada no Facebook oficial, cada presidente de Junta tem uma foto em que aparece sozinho, a carregar garrafões (mais uma vez têm de dar um ar de que fazem alguma coisa e mais uma vez é tão forçado que só reforça preconceitos) para que possam também eles publicar nas suas redes sociais. 

 

Agora imagine-se todo este arraial cada vez que ha uma doação de material neste país. O tempo que perde e se desaproveita, com Bombeiros, Protecção Civil e outros funcionários acionados para colaborar nesta fanfarronice. Triste fadinho e triste (para não dizer ofensiva) gestão de prioridades em tempo de crise.