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The Pólis

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  • A CDU vai ser destronada em Setúbal?

    Ao longo das últimas semanas têm sido levantados os véus acerca do que os partidos se preparam para fazer relativamente às autárquicas em Setúbal. Quando falo em partidos, cinjo-me exclusivamente aos tradicionais, porque as autárquicas são normalmente dominadas por eles.

    Sem qualquer outra informação disponível que demonstre o contrários, estas não serão diferentes.

    O PSD foi o primeiro a revelar que o candidato escolhido é o repetente Fernando Negrão. O juiz, ex-deputado, ex-ministro que poderia ter sido presidente da Assembleia da República na legislatura passada caso a Geringonça não rompesse com todas as convenções informais até então, volta a atacar no meu concelho.

    Posso dizer que foi uma escolha surpreendente, pois o deputado Nuno Carvalho parecia-me o mais encaminhado para tal. Não que participe muito na vida da cidade mas, têm investido significativamente na sua carreira política. É um dos novos "deputados premium" no Facebook (um artigo que hei de escrever), ou seja paga para que os seus posts cheguem a mais gente. Uma nova dinâmica de democracia a que ainda não me habituei. Para além disso ainda é, alegadamente, vereador na Câmara Municipal de Setúbal - conseguiu o lugar apesar de ter levado o PSD ao pior resultado eleitoral em autárquicas, no concelho, desde há 40 anos.

    Com a aposta em Fernando Negrão, e com o anúncio antecipado da aposta, o PSD demonstra que quer apostar forte e encurrala o CDS. Os centristas em Setúbal não têm opção senão negociar uma coligação, primeiro porque tem sido essa a conduta do seu presidente (um erro crasso em Lisboa), segundo porque não têm protagonistas à altura para contrabalancear com Fernando Negrão. A única pessoa que o poderia fazer era Nuno Magalhães, que é sabido ser desalinhado com as atuais estruturas apoiantes de Chicão.


    Ao PS, cheirou-lhes a sangue. É o partido que está de melhor saúde em Portugal, que é Governo e que se contarmos apenas com autárquicas, vem com um balanço poderosíssimo na reconquista de câmaras aos comunistas.
    Os socialistas empurram uma peso-pesada do partido: Ana Catarina Mendes.

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    A política mais arguta do aparelho socialista, e uma das mais reconhecidas caras do Costismo.
    Esta aposta pode ser observada de vários prismas:

    - A saída de Maria Dores Meira (o sangue de que falei), é vista no PS com uma excelente oportunidade de recuperar a câmara e decidiram simplesmente não facilitar, daí enviarem uma superstar.

    -
    Enviar Ana Catarina Mendes para o plano autárquico poderá ser uma forma de afastar das lides aparelhistas e de uma futura liderança do PS. Algo que agradará e muito a Pedro Nuno Santos e a Fernando Medina. Estes dois serão os que mais desejarão que sua camarada vença as eleições em Setúbal.

    -Apostar em Ana Catarina Mendes é uma situação win-win, se visto de um prisma em que se pretende alavancar a socialista: Se ganhar, ganha a câmara mais importante do distrito e torna-se num dos maiores "desfalques" efetuados aos bastiões comunistas. Seria um ganho importantíssimo para a imagem do PS.
    Se perder, teve cobertura mediática extra (já tem imensa), de certeza absoluta que enfraquece a posição da CDU em Setúbal e ainda se consolida como protagonista chave no panorama nacional, e como mais uma potencial líder do Partido Socialista.


    Já a CDU, deu um tiro no pé ao não seguir a indicação de Maria Dores Meira. A atual presidente, que já agora convém referir tinha dito no ínicio do mandato que seria o seu último e depois voltaria à sua vida particular normal, já está confirmada como candidata a Almada (Inês de Medeiros que se cuide!). Ainda que não saiba oficialmente, toda a gente sabe que Maria das Dores estava num processo de promoção da sua indicação e escolha para a suceder. Falo do vereador do Desporto e Juventude, Pedro Pina.
    Todos o que acompanham a atividade política em Setúbal já tinham notado que o Vereador substituia a presidente em inúmeras situações, fazendo a representação que se poderia considerar pertencer ao âmbito de um vice-presidente.
    No entanto o Partido Comunista não seguiu o que a presidente quis, e optou por um protagonista que tem tudo menos de protagonista. André Martins, o atual presidente da Assembleia Municipal, é uma nulidade política, muitas vezes gozado pelos seus parceiros e adversários, assim como pela população atenta ao que este senhor diz e faz. Só com muita dificuldade e um fervoroso apoio dos militantes comunistas, André Martins conseguirá evitar sucumbir à avalanche que o PS e o PSD se preparam para lançar.
    André Martins tem o carisma de uma porta e o reconhecimento público de chefe dos escuteiros. Colocado junto de Ana Catarina Mendes e de Fernando Negrão, estes handicaps apenas serão realçados. Avizinham-se umas excelentes autárquicas para socialistas e coligação social-democrata/centristas... Com ajuda do excesso de confiança da CDU.

    O Streaming já enjoa

    Volta Pirataria

    Ainda me lembro de entrar num videoclube, ao fim-de-semana, com o meu pai, escolher um ou dois DVD´s para assistir em casa. Se entrei num no tempo do VHS, não me recordo.
    Mas gostava de ir, eram estabelecimentos cheios de cor graças às milhentas capas de filmes que os decoravam. Para uma criança era excelente.

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    Depois alguém aprendeu a "sacar os filmes" pela internet, lá em casa, e a visita ao videoclube acabou. A pirataria acabou por matar os videoclubes e, muito provavelmente, hoje em dia já ninguém compra um DVD, blu-ray ou VHS a não ser por revivalismo.

    Durante muitos anos convivi e usufrui desse modus operandi ilegal: a pirataria. Só mais tarde me vim a inteirar dos problemas em grande escala que isso representava para cinematografia. Eram bastante lógicos mas acho que a maioria das pessoas não pensa duas vezes quando lhe dão a oportunidade de usufruir de alguma coisa sem pagar.

    Surgiram então campanhas de sensibilização contra a pirataria, através da explicação dos seus efeitos mas também das consequências penais que podiam gerar para quem fosse cúmplice e não apenas para quem disponibilizava os filmes.

    Passaram-se alguns anos e chegou a Portugal a pirataria de filmes 2.0: sem recurso a dvd´s virgens ou pendrives USB. A pirataria em Streaming!
    Quem não se recorda do Wareztuga? Do Popcorn, TugaFlix e Mr.Piracy?

    Julgo que o primeiro a que acedi e do qual usufrui durante muito tempo foi o Wareztuga. Aspeto profissional, com milhares de filmes disponibilizados e prontos a ver na hora, legendados e a partir de vários servidores para o caso de algum não funcionar adequadamente.

    Tornámo-nos exigentes com a diversidade e penso que não é incorreto falar no plural se disser que no ato da escolha do filme a ver, começámos a pular de plataforma pirata em plataforma pirata à procura dos filmes mais recentes ou mais raros.

    Como seria de esperar, quem geria estes sites começou a querer mais do que a apenas disponibilizar cultura gratuitamente. Passou a ser necessário fazer um registo nos sites para se poder aceder aos filmes. Daí, saltamos para os anúncios e terminamos numa diabetes de anúncios interminável que nos fazia fechar 20 janelas de publicidade até conseguirmos finalmente carregar no "play" e disfrutar do filme eleito para o serão.

    Algumas das plataformas foram mais longe e começaram a pedir um pagamento anual ou mensal, à semelhança do que acontece hoje com uma Netflix, só quem em modo ilegal. Não sei se tiveram sucesso ou não, pois assim que isso acontecia eu abandonava o site para nunca mais voltar.

    Quando se anunciou que a Netflix estava brevemente a chegar a Portugal, coincidentemente começaram a desaparecer alguns sites piratas. Desconfiei na altura de que pudesse estar relacionado. Não acredito que a Netflix não saiba que também tem a concorrência do "mercado negro" e não me admirava que fizessem uma limpeza de terreno antes de aterrarem em novos mercados. Talvez uma oferta choruda de dinheiro aos gestores dos sites, talvez uma ajuda às autoridades a identificar os autores. Se alguém souber informe-me. Tenho curiosidade em saber se esteve relacionado ou não.

    Com o Wareztuga afastado e mais uns quantos sites piratas suspensos, a Netflix pousa em Portugal com toda a confiança e segurança. 30 dias grátis para novas contas. Não resisti, até porque tinha ficado sem alternativas, e criei conta. Foi uma desilusão. Muito pouco conteúdo e o pouco que tinha ou era da autoria da própria Netflix, que aos meus olhos ainda não tinha credibilidade suficiente para me merecer tempo, ou eram alguns filmes que qualquer pessoa já viu pelo menos uma vez na SIC ou na TVI. A única vantagem que na altuar identifiquei foi a de, aquando da visualização de uma série, não ter de avançar de episódio manualmente. O site avançava sozinho enquanto houvesse episódios para ver. Estava eu muito longe de saber que a prática tinha uma nomenclatura: Binge Watching.


    Durante algum tempo também nos era permitido "enganar" o site. Fazendo uso das maravilhas do MB Way, assim que terminavam os 30 dias de experiência, criava-se outra conta, outro cartão de data limitada a trinta dias et voilá, mais 1 mês "à pala". Provavelmente ninguém estava a enganar ninguém, e a plataforma de streaming americana estava a apenas a engordar a sua lista de contactos e dados, mas como bom português gostamos sempre da sensação que somos muito espertos. Se nos ficássemos pelos sites de filmes era bom, o problema é que aplicamos a chico-espertice como fórmula de sucesso para a vida. Enfim, outra conversa.

    Depois da Netflix desbravar o mato em Portugal, as suas concorrentes quiseram também entrar neste rectângulo à beira-mar plantado. Amazon Prime, Disney, Apple TV arrancaram há relativamente pouco tempo. Até a SIC já tem uma plataforma de Streaming!

    O que pareceu muito divertido e modernaço ao ínicio, acabou por se tornar um pesadelo. Imaginemos que quero ver "The Crown", tenho de criar uma conta e pagar na Netflix. Porém, se quiser ver "A Guerra dos Tronos" por exemplo, terei de criar uma outra conta na HBO e pagar. Terei de fazer o mesmo processo se quiser ver um filme ou série produzidos pela Disney. Criar conta e pagar à Disney. Para rever o programa do Ricardo Araújo Pereira, "Isto é Gozar com Quem Trabalha", toca de comprar um passe para a "Opto", a plataforma streaming da SIC.

    É como se entrasse num videoclube que está organizado por produtoras, e em que tenho de pagar cada vez que quero mudar de corredor. Simplesmente não compensa e é cansativo.
    Se criar conta em todos os sites de streaming disponíveis, de forma a conseguir aceder a todos os filmes e séries disponíveis, acabo com uma conta mensal parecida à da eletricidade ou de telecomunicações. Para não falar do processo de mudar de site...

    Numa alltura em que, mais que nunca, o nosso tempo e os nossos dados valem dinheiro, quando se diz que é o cliente que decide o que quer ver, os sites de visualização de filmes online estão a entupir o mercado e criar uma inflamação na minha paciência, e acredito que na de muitas outras pessoas.

    A ideia de pagar menos e ver mais subverteu-se. Fomos lentamente empurrados de volta para os videoclubes mas em formato digital. Mas para mim já chega. O que é demais enjoa e tanto streaming deixa-me com naúseas. Não quero pensar a quem pertence o filme Xpto e ter de pesquisar em qual das minhas contas é que o filme está disponível ou se tenho de subscrever e pagar uma nova. Quero ver, quero entreter-me, quero ususfruir dos filmes!

    O excesso de streaming empurrou-me de volta para os braços da pirataria. Olá de novo, meu caro Mr. Piracy. Desculpa ter-te deixado.

    O Conselho Nacional do CDS-PP

    O CDS não sabe o que quer. O Conselho Nacional do CDS-PP, marcado por pressão de Adolfo Mesquita Nunes, terminou ontem já para lá das cinco da manhã. 

    Foram quase 24 horas de discussão e debate sobre o estado do partido. No final, ficou tudo relativamente na mesma. 

    Digo relativamente na mesma porque a moção de confiança de "Chicão" foi aprovada sim, mas com uma vantagem de apenas 30 votos. 

    É pelo resultado da moção que declaro que os militantes centristas, ou pelo menos os que estavam mandatado para se pronunciar naquele órgão, estão às aranhas. 

    Todos os dirigentes que usufruem de palco mediático, seja pelas funções que ainda desempenham como é caso dos deputados, seja por serem figuras destacadas do tempo da PaF, fizeram valer bem o seu ponto de vista: o partido está mal, a direção não tem imaginação para mais e Adolfo Mesquita Nunes pode ser a solução. 

    Do outro lado, Francisco Rodrigues dos Santos teve o seu momento de "chefe", ao gosto da Direita, e dirigir-se aos adversários num tom áspero e irritado. A acompanhá-lo todo um eco de membros dos órgãos internos do CDS e demais conselheiros que o apoiaram no Congresso de Aveiro. A estratégia era apontar as falhas da Direção a que AMN pertenceu e fazer crer que mudar de presidente a meio de um mandato não era benéfico para o trabalho que se pretende ver realizado nas Autárquicas.

    Acontece que, o argumento das Autárquicas servia ambos os grupos. Pois se uns diziam que um congresso eletivo seria prejudicial, os outros alegavam que não o realizar é que levaria o partido ao precipício. 

    No final, nem "Chicão" conseguiu ser suficientemente convincente para conseguir uma verdadeira aprovação da sua moção de confiança, nem os mais reconhecidos membros do CDS foram suficientes para influenciar o voto dos conselheiros ao ponto de pedirem uma viragem no rumo. 

    Francisco teve uma vitória pífia, um "num". Dentro do partido talvez tenha sido motivo de festejo para os seus, mas o que sobra, o que o país viu, foi um CDS-PP profundamente dividido, em que players fundamentais como Cecília Meireles ou Telmo Correia não acreditam no líder do partido e não se inibem de o dizer. 

    O pior é que, no final, Francisco Rodrigues dos Santos declarou aos jornalistas que teve uma grande vitória, que o que lhe interessava era legitimar a sua liderança e que ouviu atentamente as críticas. 

    Não legitimou a liderança, longe disso (até porque quase toda a sua direção já se demitiu) e ainda repetiu a mesma frase com que terminou o último Conselho Nacional. Desde esse até ao de ontem muito pouco mudou. Até quando irá dizer que ouve as críticas sem que mude absolutamente nada, só ele e quem o aguenta na presidência do partido o podem dizer.