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The Pólis

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  • A CDU vai ser destronada em Setúbal?

    Ao longo das últimas semanas têm sido levantados os véus acerca do que os partidos se preparam para fazer relativamente às autárquicas em Setúbal. Quando falo em partidos, cinjo-me exclusivamente aos tradicionais, porque as autárquicas são normalmente dominadas por eles.

    Sem qualquer outra informação disponível que demonstre o contrários, estas não serão diferentes.

    O PSD foi o primeiro a revelar que o candidato escolhido é o repetente Fernando Negrão. O juiz, ex-deputado, ex-ministro que poderia ter sido presidente da Assembleia da República na legislatura passada caso a Geringonça não rompesse com todas as convenções informais até então, volta a atacar no meu concelho.

    Posso dizer que foi uma escolha surpreendente, pois o deputado Nuno Carvalho parecia-me o mais encaminhado para tal. Não que participe muito na vida da cidade mas, têm investido significativamente na sua carreira política. É um dos novos "deputados premium" no Facebook (um artigo que hei de escrever), ou seja paga para que os seus posts cheguem a mais gente. Uma nova dinâmica de democracia a que ainda não me habituei. Para além disso ainda é, alegadamente, vereador na Câmara Municipal de Setúbal - conseguiu o lugar apesar de ter levado o PSD ao pior resultado eleitoral em autárquicas, no concelho, desde há 40 anos.

    Com a aposta em Fernando Negrão, e com o anúncio antecipado da aposta, o PSD demonstra que quer apostar forte e encurrala o CDS. Os centristas em Setúbal não têm opção senão negociar uma coligação, primeiro porque tem sido essa a conduta do seu presidente (um erro crasso em Lisboa), segundo porque não têm protagonistas à altura para contrabalancear com Fernando Negrão. A única pessoa que o poderia fazer era Nuno Magalhães, que é sabido ser desalinhado com as atuais estruturas apoiantes de Chicão.


    Ao PS, cheirou-lhes a sangue. É o partido que está de melhor saúde em Portugal, que é Governo e que se contarmos apenas com autárquicas, vem com um balanço poderosíssimo na reconquista de câmaras aos comunistas.
    Os socialistas empurram uma peso-pesada do partido: Ana Catarina Mendes.

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    A política mais arguta do aparelho socialista, e uma das mais reconhecidas caras do Costismo.
    Esta aposta pode ser observada de vários prismas:

    - A saída de Maria Dores Meira (o sangue de que falei), é vista no PS com uma excelente oportunidade de recuperar a câmara e decidiram simplesmente não facilitar, daí enviarem uma superstar.

    -
    Enviar Ana Catarina Mendes para o plano autárquico poderá ser uma forma de afastar das lides aparelhistas e de uma futura liderança do PS. Algo que agradará e muito a Pedro Nuno Santos e a Fernando Medina. Estes dois serão os que mais desejarão que sua camarada vença as eleições em Setúbal.

    -Apostar em Ana Catarina Mendes é uma situação win-win, se visto de um prisma em que se pretende alavancar a socialista: Se ganhar, ganha a câmara mais importante do distrito e torna-se num dos maiores "desfalques" efetuados aos bastiões comunistas. Seria um ganho importantíssimo para a imagem do PS.
    Se perder, teve cobertura mediática extra (já tem imensa), de certeza absoluta que enfraquece a posição da CDU em Setúbal e ainda se consolida como protagonista chave no panorama nacional, e como mais uma potencial líder do Partido Socialista.


    Já a CDU, deu um tiro no pé ao não seguir a indicação de Maria Dores Meira. A atual presidente, que já agora convém referir tinha dito no ínicio do mandato que seria o seu último e depois voltaria à sua vida particular normal, já está confirmada como candidata a Almada (Inês de Medeiros que se cuide!). Ainda que não saiba oficialmente, toda a gente sabe que Maria das Dores estava num processo de promoção da sua indicação e escolha para a suceder. Falo do vereador do Desporto e Juventude, Pedro Pina.
    Todos o que acompanham a atividade política em Setúbal já tinham notado que o Vereador substituia a presidente em inúmeras situações, fazendo a representação que se poderia considerar pertencer ao âmbito de um vice-presidente.
    No entanto o Partido Comunista não seguiu o que a presidente quis, e optou por um protagonista que tem tudo menos de protagonista. André Martins, o atual presidente da Assembleia Municipal, é uma nulidade política, muitas vezes gozado pelos seus parceiros e adversários, assim como pela população atenta ao que este senhor diz e faz. Só com muita dificuldade e um fervoroso apoio dos militantes comunistas, André Martins conseguirá evitar sucumbir à avalanche que o PS e o PSD se preparam para lançar.
    André Martins tem o carisma de uma porta e o reconhecimento público de chefe dos escuteiros. Colocado junto de Ana Catarina Mendes e de Fernando Negrão, estes handicaps apenas serão realçados. Avizinham-se umas excelentes autárquicas para socialistas e coligação social-democrata/centristas... Com ajuda do excesso de confiança da CDU.

    Miguel "Posta" Matos

    Cruzei-me há pouco tempo, virtualmente, com um trecho de vídeo de campanha do candidato a Secretário-Geral da Juventude Socialista, Miguel Costa Matos. Fazendo a minha própria pesquisa pessoal, dentro das limitações de um usuário normal de internet, posso resumir a conversa deste jovem em uma palavra: embuste.

    É o mais jovem deputado na Assembleia da República e agora quer liderar a juventude partidária do Partido Socialista. Porquê? Porque diz que é "Tempo de Agir", porque considera que os sonhos dos jovens estão novamente em perigo.

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    Novamente? Mas deixaram de estar em algum momento, Miguel?
    Ele acha que sim, e explica no trecho que vi, que em 2015 "virámos a página da austeridade". Como assim, virámos? Está o Miguel a copiar a retórica do Primeiro-Ministro e a querer dar a entender que o PS nos salvou do malvado Passos Coelho, personificação da austeridade?

    Tão jovem e tão bem alinhadinho, o Miguel na verdadade pode referir-se ao que quiser quando diz "Virámos", menos a ele próprio. É que o candidato a secretário-geral da JS, não estava em Portugal nessa altura...

    Pois é, Miguel Matos conta, no seu blogue pessoal, que entre 2013 e 2015 andou a brincar aos clubes de política no Reino Unido, junto do Partido Trabalhista de Jeremy Corbyn. Ele na verdade não faz ideia do que foi viver a crise.

    Mas se ao ler isto acha que estou a ser injusto, explico-me melhor : Ele não faz ideia do que é viver em crise, nem faz ideia do que é viver no mundo real de um jovem português.
    Não sou apologista de que nascer num ambiente familiar privilegiado tenha de ser um handicap para se poder fazer algo pelos que não tiveram a mesma sorte, mas com o Miguel torna-se difícil contornar alguns factos da sua vida e contrapô-los com o seu discurso.

    O jovem prodígido do PS, que chegou ao Parlamento tão novo e não quer ver corrompidas as expetativas dos jovens, seja de que contexto for, passou a maioria da sua idade juvenil numa autêntica bolha anti-pobres.

    Entrou aos 4 anos para o colégio mais caro do país, o St.Julians, onde um ano de matrícula ronda os 10,000,00€, e saiu apenas aos 18.
    É portanto compreensível, que tendo passado a juventude a observar tanta miséria e dificuldade à sua volta, tenha decidido fazer algo! E esse algo passava somente por se inscrever no partido mais parasita do sistema.

    É portanto compreesível, que tenhamos de gramar com o Miguel a falar de oportunidades para os jovens, pois ele sempre teve imensas dificuldades para singrar. Deve ser mera coincidência, ter conseguido ir parar ao Parlamento tão novo.

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    Por último, detetei um laivo de honestidade no jovem socialista, quando ontem escreveu um tweet e se descaiu. Ele tem o seu público-alvo bem definido: São os jovens cosmopolitas... Tal como diria Mário Lino, o resto é deserto.

    O Miguel Costa Matos representa com exímia distinção a esquerda caviar portuguesa. Não são do povo, não têm nada a ver com o povo, não sabem como vive o povo, mas têm imensas postas de pescada para atirar sobre como é que vão salvar o povo.

    Este é daqueles socialistas que cheiram a Bloco de Esquerda - bem pensantes, bem falantes, sabem como resolver tudo sem conhecerem nada, a apartir dos seus sofás, num T4 em Lisboa oferecido como prenda de aniversário.

    O que tem João Galamba para ser tão protegido?

    Já aqui (post sobre o assunto aqui) tinha discorrido acerca da falta de sentido institucional e má educação do Secretário de Estado João Galamba. Hoje, na comunicação social foi noticiado que ele e o Ministro Siza Vieira estão a ser investigados por corrupção no projeto do Hidrogénio em Sines.

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    Relembro mais uma vez, que este Governo já demitiu um Ministro por ter feito um post no Facebook. Relembro agora que o último Ministro investigado por corrupção durante o exercício do cargo, foi Miguel Macedo do PSD. À época, demitiu-se imediatamente para permitir "ser investigado o que tiver de ser investigado»" e permitir a separação de poderes.

    Veremos se uma suspeita de corrupção, instiga nestes governantes o mesmo sentido de Estado e os consciencializa de que se devem demitir.
    Especialmente o João Galamba, ou será que nem uma suspeita de corrupção é suficiente para o primeiro-ministro o colocar na rua? Se assim for, é legítimo que nos comecemos a indagar o que terá o Secretário de Estado que o torna tão intocável?

    Vídeo - Sérgio Sousa Pinto, o último representante digno do PS

    (No Parlamento)

    Ontem a Sic Notícias proporcionou-nos um belo momento televisivo: um debate entre Daniel Oliveira e Sérgio Sousa Pinto, acerca das famosas aulas de Cidadania.

    Recomendo vivamente a visualização deste debate, primeiro porque concordo em absoluto com a ideal definição de "Aulas de Cidadania" que Sérgio Sousa Pinto apresenta, e segundo, porque se vê como balbucia um (ex)bloquista quando tem contraditório.

    A democracia no nosso país perdeu muito quando deixou de ter um PS que promovia militantes como o Sérgio Sousa Pinto, para passar a  ter um PS de Pedros Nunos Santos e Joões Galambas.

     

    Se acha que o RSI é assim tão bom, despeça-se

    Este fim-de-semana surgiu nos media, a proposta do Chega de aumentar a fiscalização a quem recebe o Rendimento Social de Inserção (RSI) e obrigar os beneficiários a exercer serviço comunitário.
    Apesar da proposta não ser totalmente nova, no meu pouco tempo de observação nas redes sociais pude constatar dezenas de reacções. E são algo surpreendentes.

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    Não tinha a noção que tanta gente inveja o RSI ou considera que quem o recebe é um malandro que se quer aproveitar do sistema. É claro que esta proposta, vindo do partido que vem, é apenas um prolongamento natural da sua agenda de assimilação dos ciganos, utilizando um ideia de senso-comum de que todos eles recebem RSI, mantendo paralelamente os seus negócios de comércio ambulante.
    Não tenho conhecimento sobre estatísticas onde se tenha aferido tal comportamento, por parte desta comunidade em particular, no entanto fiquei surpreendido com a aparente positividade com que foi recebida a proposta. Ao que parece, através dos comentários que fui lendo, a minha "sondagem" pessoal, indica que há toda uma franja populacional que considera que se tem de fiscalizar mais estas pessoas que recebem centena e meia de euros do Estado, e exigir-lhes trabalho para merecerem o que recebem...


    Estas propostas claramente fazem vir ao de cima o portuguesinho mesquinho, que inveja sempre a galinha do vizinho, ainda que esta seja um pinto enfezado. Pergunto-me é, se há tanta gente que acha que receber o RSI é ter "boa vida", porque é que não se despedem e pedem-no também?

    Outro pormenor, ou pormaior se me perguntarem, é o facto de a proposta vir do partido cujo líder proclama deitar abaixo o sistema, destruir a corrupção e "fazer das tormentas boa esperança". Ora ligando estas suas vontades, por exemplo, a esta proposta, a coisa parece-me contraditória e algo caricata.

    Apresenta-se então o grande destruidor da corrupção, que faz tremer o PS e os interesses instalados... e começa pelos desempregados! Não vão estas pessoas, esta cambada de sanguessugas querer aproveitar-se do sistema para receber 200€, o salvador André já está no seu encalce.

    Os outros, os grandes, os Ricardos, os Joes e os Escárnias, ficam para o fim. Afinal até o povo concorda não é verdade? Não hão de dizer que somos mansos...

    Galambing, a arte da soberba

    Lembram-se há "muito muito tempo" de um ministro chamado João Soares, reza a lenda, ministro da cultura? Talvez tenha sido o último membro do Governo de António Costa, com alguma decência e sentido de Estado. Talvez, calma.

    Corria o longínquo mês de abril, do ano de dois mil e dezasseis. João Soares demitia-se no seguimento de um post no Facebook, onde oferecia umas "salutares bofetadas" a Augusto Seabra e a Vasco Pulido Valente. Na altura, o primeiro-ministro referiu que os ministros tinham de ter consciência do lugar que ocupam.

    Podia discorrer se, agora passados 4 anos, a sua demissão nos seguimento desse post fez sentido, tendo em conta tudo o que veio a acontecer até hoje, com os membros do Governo.
    Mas gostava de me cingir a um caso particular, tão particular que diria até especial. E não no bom sentido.

    João Galambra é Secretário de Estado Adjunto e da Energia, mas já era conhecido da maior parte dos portugueses atentos a política. Um aficionado de José Sócrates, João foi escalando a hierarquia do PS com uns spins e algum mediatismo. No entanto, umas das características que o governante nunca fez questão de esconder foi a sua arrogância e má criação.

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    Antes de ser nomeado para o Governo de António Costa, era já um hábito identificado pelos internautas, o de ofender quem o criticava ou de mandar estudar gente que, em muitos casos, tinha um currículo bastante superior ao seu.

    Houve aliás uma brincadeira de um dirigente da IL, Ricardo Pais Oliveira, que fez uma lista de gente a quem o agora Sec.de Estado mandou estudar antes de falar. Na lista, que é ilustrada para que não sobrem dúvidas, encontramos nomes como Miguel Poiares Maduro, Ricardo Costa (irmão de António Costa), Jorge Moreira da Silva ou Camilo Lourenço.

    A bazófia do socialista era bastante reputada. Recentemente esta postura fermentou novamente no meio mediático devido ao projeto do Hidrogénio em Sines, que o Sr. Secretário de Estado diz ser muito positivo, mas que dezenas de pessoas que estudaram o tema, dizem ser um embuste. João Galamba não tem tido qualquer pudor em chamar de mentirosos todos os que criticam a estratégia do Hidrogénio, tal como aconteceu com Clemente Pedro Nunes, um professor universitário jubilado e especialista em energia. O-bvi-a-mente que tem de ir estudar!

    A situação aliás, levou a que Jorge Barreto Xavier dedicasse uma das suas crónicas ao assunto, considerando que este não tem tido a atenção devida. Subscrevo e posso dizer que vale a pena ler - é muito melhor que o meu.

    O que surpreende é que não só já era expectável que João Galambra destilasse a sua arrogância para cima de tudo e todos, pois o seu percurso assim o fazia prever, enquanto governante, foi ainda assim nomeado para Secretário de Estado. E, igualmente supreendente e caricato, tem sido o silêncio do governo face ao comportamento de João Galamba. Os Secretários de Estado também não têm "de ter consciência dos lugares que ocupam"?

    Um "meme" que traduz bem a atualidade

    Os memes geram-me um sentimento ambíguo: se por um lado exprimem posições, sentimentos e satirizam momentos com muita eficácia por se cingirem a uma imagem, por outro são espelho da nossa (in)capacidade e (in)disponibilidade para interpretar algo que vá além das duas linhas de texto.

    Enfim, fica para uma outra reflexão. Encontrei este meme na página de Instagram "InspetorMarx" e acho que sintetiza muito bem o que se passa em Portugal.

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    A personagem Thanos, dos filmes da Marvel Comics, na imagem é o PS. Tal como Thanos, vai acumulando pedras especiais (que aqui são os partidos) na sua luva de poder. Tendo todos sob a sua alçada, o poder é praticamente ilimitado e permite façanhas como a de ontem em que foram aprovadas medidas de puro ataque ao regime democrático - dificultar candidaturas independentes às autarquias, aumentar o número de assinaturas para uma petição ser leva à Assembleia da República e, a cereja no topo do bolo, diminuir a regularidade dos debates com o Primeiro Ministro.

    O PSD ESTÁ EM LIQUIDAÇÃO TOTAL

    Conheci nos meu tempos de 3º ciclo quando frequentava a explicação, um jovem mais velho que eu, que já estava provavelmente no 11º ou 12º ano. Vamos chamar-lhe Carlos.
    O Carlos não tinha uma personalidade particularmente carismática, aliás até era bastante calado. Tinha um estilo que é normalmente chamado de "gótico" e era sobrinho da explicadora. Ela, já idosa, como não tinha netos via-o como um neto e partilhava connosco, de vez em quando, alguns factos sobre ele como as notas ou a relação supostamente engraçada que tinha com o avô. Foi nesse último tema - a relação com o avô - que até hoje retive um "fun fact" da altura, relativamente ao Carlos. Ele era fã de bandas de Metal bem pesadas, e colecionava discos vinil das bandas. Tendo em vista esse objetivo, o Carlos, segundo a minha explicadora, tinha desenvolvido uma estratégia para aumentar a coleção às custas do avô.
    Sendo o senhor também um coleccionador de vinis, de outras bandas claro está, o Carlos aproveitava os aniversários do avô e o Natal, para lhe oferecer discos...de bandas de Metal.Como o avô não gostava daquele género musical, os discos acabavam por ficar para o Carlos. Assim o Carlos conseguia comprar mais discos para a sua coleção, usando como pretexto as prendas para o avô.

    Porque é que me lembrei do Carlos? Porque ontem depois da confirmação de que o PSD e o PS iam aprovar a nova regularidade dos debates parlamentares com o Primeiro-Ministro (PM), surgiram muitas teses acerca do porquê de Rui Rio querer diminuir o número de vezes que o PM é obrigado a ir prestar contas ao plenário. Uma delas a de que o deputado está a preparar o terreno para quando for ele a ocupar o lugar de António Costa. Tal como o Carlos, Rui Rio estará a dar prendas a António Costa, porque acha que vai ficar com elas.


    É uma tese que tem alguma graça porque se imagina Rui Rio a achar que vai ser Primeiro Ministro. Tendo mais a acreditar que quem equaciona esta hipótese acredita mais na ideia que o presidente do PSD vai ser PM, que o próprio visado na tese. No entanto, havendo a hipótese de que Rio ache mesmo que vai chegar a chefe de governo, tiro-lhe o chapéu pela ambição mas lamento informar de percorrendo o calvário da Oposição da maneira que o está a percorrer, ninguém lhe reconhece capacidade para ganhar umas eleições ao PS, nem que o António Costa desta vez consiga mesmo agarrar-se ao pescoço de um idoso mentiroso.
    Mas há outro motivo que me leva a tirar-lhe o chapéu e que gostava de um dia ver esclarecido. A forma como anestesia toda a índole democrata e reformadora do partido que lidera. Como é que consegue convencer 78 deputados de um partido fundador da nossa democracia a concordarem com o fim dos debates quinzenais com Primeiro-Ministro. Ninguém se opõe, ninguém tem uma opinião divergente quanto "ao menos espetáculo e mais trabalho" do deputado Rui Rio? Ninguém se ofende com estas tiradas populistas ao nível do deputado do Chega?

    Cúmulo dos cúmulos, conseguiu colocar o PSD a suplantar a ideia do PS e apresentar uma proposta ainda pior! É que enquanto o PS queria colocar o PM a debater de 2 em 2 meses, o PSD propôs que apenas se debatesse 4 vezes por ano...
    Teve de ser o Partido Socialista a negociar e convencer o PSD a desistir dessa proposta e apoiar a dos 2 meses. Acabam por sair destas negociações como o partido mais sensato.
    Quão de pernas para o ar tem de estar o nosso Parlamento para termos o partido de Governo a pedir para que se escrutine menos o Governo, mas não tão pouco como o principal partido da Oposição quer?

    Li também hoje: "PS e PSD em mudar debates quinzenais". Não podia este título estar mais errado. Os isolados são todos os outros partidos que mesmo votando contra, não conseguem evitar este despejo de ácido sulfúrico sobre a nossa democracia. Os isolados somos todos nós que, chocados com esta promiscuidade entre PS e PSD, não podemos fazer nada para o evitar.


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    Estar é (muito) diferente de fazer

    No dicionário Priberam, da Língua Portuguesa, a palavra "estar" tem 34 significados possíveis. Já a palavra "fazer", tem 40. Em nenhum deles, conseguimos encontrar a ligeira semelhança para que possamos associar estes dois verbos. Estar não é fazer. E fazer nunca será o mesmo que estar.

    Vem isto a propósito do pequeno fait-diver que tem entretido alguns políticos e eleitores que apreciam a politiquice. Começou com a crítica do deputado Moisés Ferreira (BE) ao líder do Chega, de faltar várias vezes às reuniões das comissões parlamentares, e veio ululando até hoje, em que já podemos encontrar algumas peças jornalísticas sobre as faltas dos deputados na Assembleia da República.

    Não é que seja uma novidade, os jornais apresentarem estes dados, mas gerou-se alguma atenção por vir tão próxima do acima referido acontecimento. Como era de esperar cada partido e cada político tem pegado nos dados publicados e recortado à sua maneira, para fazer a devida auto-promoção ou acérrimo ataque.

    O Bloco de Esquerda insistiu nas faltas do deputado do Chega. O Chega inventou faltas à líder do Bloco de Esquerda. A Iniciativa Liberal aproveitou para propagandear as zero faltas do seu único deputado, Cotrim de Figueiredo.

    Depois, isoladamente, nos outros partidos, cada deputado que tem uma ficha de presenças "imaculada", faz a sua publicidade, conotando essas presenças com árduo trabalho em prol da população.

    Surpreende que tanta gente se deixe levar por esta conversa de chacha e que continuemos a ter discussões políticas tão infantis. Se os deputados acham que a produtividade se mede pelo tempo que passam no Parlamento, é muito mau sinal. Se nos estão a tentar ludibriar, utilizando estes dados premeditamente mesmo sabendo que não significam nada, é muito mau sinal também.

    Encontramo-nos no ano de 2020, e já é mais que certo e sabido que trabalhar mais ou estar mais tempo no local de trabalho, não significa ser-se mais produtivo. Então porque é que há quem ache que isto não se aplica aos deputados da Nação?
    Eu, por exemplo, escrevo este texto no meu trabalho, quando devia estar a executar aquilo para o qual me pagam. Estou aqui, mas não estou a trabalhar.

    O André Ventura tem cerca de 2 minutos para falar por debate, e no entanto consegue fazer mais barulho que alguns deputados que dispõem de muito mais tempo ou que estão lá há muitos anos, alguma vez vão fazer durante toda a sua carreira. Para os objetivos do partido dele (que passam por dar nas vistas) está a ser muito produtivo.
    Já o Ferro Rodrigues, quando foi líder da bancada parlamentar do PS, conseguia ter muito tempo e não acrescentar nada aos debates, entediando toda a gente à sua volta. O Jerónimo de Sousa consegue, há décadas, dizer sempre o mesmo independentemente do tempo que dispõe. (umas vezes mais, outras vezes menos, consoante os resultados das eleições). A deputada Isabel Moreira pinta as unhas nos debates. A produtividade da presença de cada um, depende da vontade e capacidade que têm, não do tempo.

    O trabalho de um deputado vai muito mais além do que discutir para entretenimento popular. E o seu trabalho não mensurável pelo número de presenças ou ausências que constam na sua ficha mecanográfica.

    É redutor e insultuoso que nos queiram passar um atestado de tolice, sugerindo que o melhor deputado é o que está de corpo presente em todas as reuniões plenárias.

    Nós queremos é que apresentem trabalho, não a folha de presenças.

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    Divagações políticas com limão e mel

    A seguir à crise sanitária que ainda experienciamos seguir-se-á uma crise económica. Os sintomas estão cá todos: Desempregados, atropelos aos direitos laborais, fecho de empresas e um Governo PS a garantir que não haverá austeridade.

     

    Ignorando o facto de que na realidade nunca saímos da austeridade, temos de ouvir um Governo dizer que tudo isto foi uma grande lição para quem desconfiava do Estado Social ou rir-se porque quem tem um negócio próprio( os malditos "privados"), agora pede ajuda ao Estado - patético argumento dado que foi o Estado que os forçou a fechar. 

    Tudo isto é dito com maior naturalidade, mesmo depois de ouvirmos o primeiro-ministro dizer na TV que "até agora não faltou nada, e seguramente não faltará" no combate à COVID, ainda que nas atas das reuniões do Estado de Emergência constassem intervenções de ministros a relatarem exatamente todos os problemas, ou por outras palavras "o que faltava". 

     

    Mas nem tudo é mau, ou pelo menos não para todos. Por exemplo, a onda de solidariedade que muitos portugueses têm protagonizado, inspirou também o Sec.de Estado do Desporto que, para o bem dos Municípios do Centro, insistiu para que comprassem testes à empresa de um amigo. Mas só porque essa empresa os produzia muito mais rápido - as más línguas dirão outras coisas a que me escuso. 

     

    Também quem fica muito a ganhar nesta crise, são alguns sindicatos, com a CGTP à cabeça. Como se deve calcular, crise é o ambiente preferido deste tipo de sindicatos. Quanto mais mal estiverem os portugueses, mais os líderes sindicais podem justificar o seu vencimento. Mas a CGTP, mais que reivindicar direitos, conquista regalias. A Sra. Isabel Camarinha começou o seu mandato em grande e conseguiu que os seus sindicalizados tivessem acesso ao Red Pass - não permite ver jogos do Benfica, mas dá imunidade a vírus e Operações Stop. 

     

    Outra leitura que se pode fazer é que o desconfinamento marca uma tentativa de se voltar à normalidade, e estes acontecimentos são um sinal disso mesmo, pois voltámos a ter os pastores da igualdade a pregarem uma coisa e a praticarem outra.

    Importa agora, fazer este regresso às rotinas  tendo em conta que, apesar de o Estado de Emergência ter terminado, continua gente a morrer com coronavírus. Ainda que uns achem que é boa ideia fazer finca-pé com o Avante, o bom senso pede que continuemos a levar avante o distanciamento social e uma assídua higienização.