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The Pólis

The Pólis

Para recordar - a visão de João Galambra acerca do Banco Alimentar contra a Fome

Quando raspas um socialista, também sai um velhaco

Da próxima vez que levarem o saquinho do Banco Alimentar, ajudarem um velhote a passar a estrada ou pensarem em dar uma moeda a um mendigo pensem no quão prejudicial é o vosso ato para a construção de extraordinário Estado Social.
É assim que se distinguem os grandes vultos da História: pensar mais além, propormo-nos a objetivos maiores. Alguns mortos por fome não podem ser impedimento para o objetivo final - O Estado Social que se pretende atingir. Que chegue a todos e para todos. 

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Manuel Moisés

Separar as águas para não ir a lado nenhum

O CDS anunciou com pompa e circunstância o regresso de Manuel Monteiro, ex-presidente do partido. Muitas eram as almas que já suspiravam pelo seu regresso, como se isso viesse realmente acrescentar algo ao partido.

Um "regresso a casa" diz-se. Resta saber com que propósito, pois o MM é capaz de ser um forte acrescento à Tendência Esperança em Movimento de Abel Matos Santos, que muita pouca esperança dá ao partido.

E para dar prova de que continua o mesmo Manuel Monteiro de sempre, já deu uma belíssima entrevista da qual, bem espremido, só se aproveitam as propostas que considera que um verdadeiro liberal faria - relativo aos descontos e ao direito sucessório.

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De resto, um conjunto de banalidades como se esperava de um professor doutor da Lusíada.

Destaque para o apuramento do "pedigree" da Direita: O Manuel veio tal e qual Moisés fazer a revelação do que é uma "verdadeira" direita, e declara categoricamente que defender coisas como casamento entre pessoas do mesmo sexo ou a eutanásia, é de uma direita que não leva o selo de autenticidade do dr.

Acabadinho de entrar em jogo, já demonstra ao que veio. E não é para unir ninguém no CDS.


A fábrica de sapatos do deputado Rui Rio

Quando o sr. deputado Rui Rio comparou a comunicação social a uma fábrica de sapatos, no início de maio, a minha primeira reacção foi imediatamente repugnar tais declarações que, na minha ótica, revelavam uma tremenda ignorância para com um setor muito característivo e essencial à democracia.

Agora, com mais algum tempo passado e novo registo de uma declaração pública de ignorância por parte do alegado (só para quem é ingénuo) pretendente a primeiro-ministro sobre a comunicação social, só me resta dizer que é triste.

É trsite quando um político para mostrar força, sente necessidade de atacar a comunicação social. Não é inédito, mas não me permite ainda assim retirar o adjetivo.

Rui tem repetidamente dado sinais estranhos, por momentos interpretados como propostidados, enquanto face da Oposição. No entanto, este comportamento para com os orgãos de comunicação social, só revelam cada vez mais que é uma Oposição capada. E nessa condição só lhe resta "bater" no bode expiatório de todos os males do mundo: o jornalismo.
Compare-se, a título de curiosidade,acerca da notícia sobre a recente tirada de RR no Twitter, nessa rede social o número de "tuítes" que escreve sobre o dinheiro que vai ser canalizado para a Comunicação Social (15 milhões) com o que foi canalizado para o ruinoso Novo Banco (850 milhões).

É esta a estratégia de Rui Rio para se mostrar alternativa ao PS de António Costa - não provocar o Governo, desprezar e achincalhar a comunicação social e combater a sua oposição interna publicamente.

A Oposição, liderada por Rui Rio é também ela como uma fábrica de sapatos. Ambas não fazem oposição a nenhum Governo.

"Fazer publicidade de caridade é esquisito para todos"

A frase é de um sacerdote de Oeiras e foi proferida a propósito de uma iniciativa do CHEGA, que ofereceu produtos de higiene básica a um lar mas "esqueceu-se" de informar que o ia fazer em âmbito institucional - ou seja para poder publicar nas redes sociais. Ao que parece o sacerdote mão gostou e declarou sentir-se enganado, proferindo a sábia frase para quem mais tarde o entrevistou.

 

Não é uma prática inédita, muito menos original, no entanto a frase tem-me ecoado na cabeça sempre que, durante este período de crise pandémica, leio uma notícia deste cariz. Alguma universidade que ofereça três pares de alcóol gel e têm alguém de posar sorridente com os frascos na mão. Algum café que decide fazer umas refeições para oferecer aos enfermeiros do Hospital X, e lá vão todos juntar-se na fotogénica meia-lua com as embalagens na mão.Em linguagem adolescente contemporânea, que "cringe"! 

 

Em Setúbal, tenho verificado também, como seria de esperar, este triste fenómeno:

 

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Para entregar uma caixa de alimentos, são necessárias três pessoas: uma para tocar a campainha (imagino que seja a pessoa que realmente costuma fazer o trabalho), o presidente da junta para "surpreender" (infelizmente reforçam o preconceito de qe os políticos não fazem nenhum e por isso é que surpreendem) sorridente com a caixinha na mão e, claro, o fotógrafo de serviço, a captar o momento. No fundo, o presidente não vai apenas entregar uma caixa de alimentos a um freguês, vai entregá-la a toda a gente que o segue nas redes sociais.

 

Mas o caricato (cringe) mais desconfortável dos últimos dias, foi para mim este:

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A Casa Ermelinda Fretias oferece, e bem, uma enorme quantidade de alcóol gel à Câmara Municipal de Setúbal, para que o distribua conforme seja mais necessário. Qual é a primeira coisa a fazer?

Colocar cuidadosamente, garrafão a garrafão, quiçá sobre orientação do decorador-môr do reino João Maria, em grupos de formação triangular e com os respetivos selos todos virados na mesma direção. Depois, toda uma comitiva dos bombeiros e da Protecção Civil têm de aguardar que a Sra. Presidente vista o seu brilhante colete (dá um ar de maior preocupação e envolvimento) e dê umas palavras para a câmara de filmar que um funcionário trazido para o efeito manobra. Findo o registo, há que iniciar todo um Book fotográfico, com todos os presidentes de junta, em pose junto aos garrafões - como se o mérito de terem aquele material fosse de alguma forma daquela gente - e depois claro, o carregar dos garrafões e repare-se que, na galeria publicada no Facebook oficial, cada presidente de Junta tem uma foto em que aparece sozinho, a carregar garrafões (mais uma vez têm de dar um ar de que fazem alguma coisa e mais uma vez é tão forçado que só reforça preconceitos) para que possam também eles publicar nas suas redes sociais. 

 

Agora imagine-se todo este arraial cada vez que ha uma doação de material neste país. O tempo que perde e se desaproveita, com Bombeiros, Protecção Civil e outros funcionários acionados para colaborar nesta fanfarronice. Triste fadinho e triste (para não dizer ofensiva) gestão de prioridades em tempo de crise.

 

 

Faz o que eu digo, não faças o que eu faço

 


“Há uma grande maioria neste Parlamento que quer celebrar o 25 de abril e vamos celebrar o 25 de abril”. Foi este o contributo deplorável do Presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, no úlitmo debate parlamentar, depois da intervenção do deputado João Almeida que apontou o quão errado era fazer a celebração do 25 de abril em pleno Estado de Emergência.

Tem-se observado durante a gestão desta crise pandémica, um esforço de membros do Governo, deputados e militantes socialistas, para passar a ideia de que é indigno querer “fazer política” em tempo de crise. Não é uma estratégia nova, mas atualmente tem sido recorrente. Depois da tragédia de Pedrogão, também era indigno “fazer política” criticando o Governo pela gestão do problema. E era comum ouvir, antes da pandemia, respostas de membros do Governo a críticas, dizendo que quem criticava estava a tentar desestabilizar os portugueses, que alegadamente viviam um período de recuperação de qualidade de vida e estabilidade política.
No fundo, tem-nos sido lentamente administrada uma subtil dose de “não se deve criticar o Governo”, e portanto o PS.

Agora, durante o Estado de Emergência, querem-nos fazer crer que não criticar a governação, é ser superior, é estar acima da intriga mesquinha, é ser patriota, como o deputado Rui Rio diz. Foi pena só nos ter informado agora, que quando se candidatou a líder do PSD pretendia iniciar um longo período de exercício de patriotismo.

O Partido Socialista, se há coisa que faz bem, é a “politiquice”, e como especialista tem-nos dado uma MasterClass em como fazer política dizendo que não se deve fazer política.
Aprovar as comemorações do 25 de abril e permitir as manifestações que a sindicalista de nascença, Sra. Isabel Camarinha considera que “têm de ser feitas”, no dia 1 de maio, é da mais subtil arte da politiquice.

Numa teatral demonstração de amor à liberdade e aos direitos dos trabalhadores, está em curso uma ratoeira de se lhe tirar o chapéu. Era óbvio que alguém se iria opor. Não há uma justificação séria e de bom senso para se dizer aos portugueses que não se podem juntar nem sequer para enterrar condignamente um familiar, mas que não há vírus que pare uma bela grandolada no Parlamento.

O PS sabe disso, e as bancadas à querda, onde o PSD de Rui Rio não se importa de se incluir de vez em quando, sabem disso. A Ministra de sangue ministerial, Mariana Vieira da Silva, quando disse que as ações de rua da CGTP seriam feitas cumprindo todas as normas de segurança da DGS

 

(que hoje são uma coisa e amanhã outra), sabe isso. E era óbvio que a direita, apesar de ter toda a razão para criticar, como de resto já o fez, ia escorregar.

Que melhor presente podiam dar a toda à esquerda que lhe oferecer mais uma vez a oportunidade de poderem, demagogicamente como habitual, gritar que a direita está contra o 25 de abril? Que melhor soundbyte se poderia dar à Sra. Isabel Camarinha que poder dizer “ao contrário do que alguns queriam, estamos aqui a celebrar as conquistas dos trabalhadores” ?
Que melhor demonstração de como fazer política rasteira nos podia dar o PS, que por puro jogo, ignora tudo aquilo a que os portugueses se tem sujeitado nas últimas semanas?

Não se trata de estar contra a celebração do 25 de abril ou do 1º de maio, trata-se do esforço que todos temos feito, colocando a nossa vida em suspenso por um bem maior. No 25 de abril vão celebrar a Liberdade os mesmo que nos têm dito que devemos estar privados dela.