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The Pólis

The Pólis

Não Chega de loucura?

Terão os partidos mais antigos feito assim tanto mal, para que os portugueses deem carta branca a todas as loucuras de um partido "anti-sistema"?

Este fim de semana tivemos a convenção do Chega, amplamente acompanhada pela comunicação social, até demais se me perguntarem, tendo em conta que é um partido de 1 só deputado, e ontem ficámos a saber algumas das propostas mais chocantes, propostas pelos militantes.

Veio a público uma das moções apresentadas na convenção, da autoria de Rui Roque, ex membro do PNR e do Aliança. A moção certamente deve ter sido apenas alterada visualmente, pois as propostas encaixam na perfeição no programa político do PNR.
A  que mais está a dar de falar, é a proposta de retirar os ovários às mulheres que interrompam voluntariamente a gravidez, isto é, que abortem. Esta medida, para o Sr. Roque, deve ser aplicada se o aborto não for efetuado nas situações que este considera aceitáveis - violação, risco de vida para a mulher e malformações.

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O Sr. Roque coloca todo o ónus do aborto na mulher, castigando-a pelo que fez. Sendo o Chega uma religião, que se fundou com religiosos evangélicos e outros, ou o Sr. Roque acredita que as mulheres engravidam por obra do espírito santo, ou é um pulha que quer apenas castigar mulheres.
Caso contrário, teria toda a capacidade para propor algo do mesmo tom para o homem, co-responsável pela gravidez da mulher que aborta.
Ser contra o aborto é uma posição com a qual se pode ou não concordar. Isto é so abjecto. Não é de um partido cujo líder se diz inspirado em Sá Carneiro.

Depois de discutirem a pena de morte, serem anti-máscaras, proporem a castração química, agora temos a remoção forçada dos ovários às mulheres. O Chega tem um forte lobby interno afecto ou às agências funerárias ou ao Hannibal Lecter. Ou se mata ou se mutila.
E mesmo com estas provas de que o partido está a conseguir reunir um grande grupo de gente bárbara, que só propõe violência nas suas mais variadas formas, o partido vai de vento em popa. Estão os portugueses a querer castigar tanto os partidos habituais, que cegaram e não conseguem ver o monstro que criam? Ou devemos temer a sociedade que temos e dexar a abstenção como está, cuidando que poderá estar pejada destes monstros?

Campanha "anti-democrática", dizem eles.

O PCP que tem acusado todos os que se opõem à realização da Festa do Avante!, de reaccionarismo, fascismo e comportament anti-democrático, deu ontem mais um tiro no pé.
Se já por si é uma piada ter um partido Comunista a queixar-se de comportamentos anti-democráticos, reforçaram a piada quando no próprio dia em que falam no "ódio fascizante" de que são alvos, alguns dos seus fiéis devotos foram destruir o outdoor da Juventude Popular.

Logicamente que negam o feito e até chegam a supor que foi a própria JP que o destruiu. Mas bem sabemos, porque foi amplamente noticiado, que as finanças no Caldas não estão para campanhas "reaccionárias" tão maquiavélicas e dispendiosas. Para além disso, a ideia só tem cabimento na cabeça de comunistas,  que vivem diariamente a falar em conspirações imperialistas. É disso que se alimentam.

Ficam os registos do seu comportamento muito democrático, ao estilo Soviético.

ANTES

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DEPOIS

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Coisas que o Avante conseguiu até agora

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O famigerado festival comunista Avante! tem estado na ribalta, com maior intensidade de há uns dias para cá, mas praticamente desde que os comunistas anunciaram que o iam manter apesar da pandemia.
Há semelhança do que fizeram com as celebrações do 1º de maio, o PCP justificou dizendo que a luta não para durante a pandemia e como tal, mais que nunca estas celebrações são necessárias.
Desde aí, por teimosia, orgulho ou fanatismo cego o PCP tem insistido em marrar contra a parede. Esta habitual firmeza na sua posição, colocou-os numa posição de "lose-lose". Tanto insistiram em esticar a corda, que agora qualquer que seja o desfecho, será sempre negativo para o PCP. A sua rigidez é característica da forma como encaram a atividade política, no entanto este foi um caso em que essa rigidez foi a sua pior inimiga.

Um partido dito "normal" não poderia tapar os ouvidos, ignorar a população e avançar com posições que demonstram que olham para o país através do partido em vez de olharem para o partido através do país.

Com isto, a Festa ainda nem se realizou e o Partido Comunista já conseguiu bastantes feitos, não propriamente agradáveis para os objetivos do partido.

- Depois de nas últimas Autárquicas ter perdido Câmaras Municipais no distrito de Setúbal, conseguiu colocar mais uma na corda bamba, tendo a população do Seixal a manifestar-se publicamente contra o partido e o "Avante!". As eleições são já em 2021;


- Aumentando mais o alcance geográfico da indignação, pode-se mesmo dizer que em todo o distrito, que tanto foi afetado pelas medidas escíficas do Governo ao longo da pandemia, não há grande apoio ao PCP nesta matéria. Se se fizessem aquelas sondagens de popularidade, aposto que seriam o partido a perder mais pontos;

-A tal situação "lose-lose" de que falei: Neste momento, se cancelassem a festa, seria uma derrota e demonstraria fraqueza ao mesmo tempo que passavam a imagem de que não tinham razão quanto aos motivos para a realizarem. Ao prosseguirem com a usa realização, demonstram-se frios perante crise sanitária envolvente e que afeta bastante o Seixal, passando a imagem de casmurrice e cegueira ideológica - cenário que só tende a piorar se os casos aumentarem a seguir ao evento;

-Conseguiu lançar uma bomba de oxigénio aos partidos à direita e até mesmo ao PS a nível local. A política não é para meninos, e estes partidos sentiram o "cheiro a sangue" vindo do partido que não desgruda das câmaras do distrito. Têm estado unidos e focados em não deixar cair este tema, pois já se aperceberam de que deste modo conseguem fragilizar seriamente a imagem do PCP junto do eleitorado. Esta semana a direita só compete pela liderança da luta contra o PCP e o "Avante!", pois quem a liderar ganha um maior ímpeto para as Autárquicas;

- Reforçam a ideia de que à esquerda do PS, há uma alternativa responsável e ponderada chamada Bloco de Esquerda. O BE durante muito tempo esteve atrás do PCP por não usufruir do seu prestígio, mas agora cada vez mais se distancia dos clássicos comunistas, passando uma imagem de Esquerda Moderna vs Esquerda Retrógada (Não esquecer que a defesa do PCP face às críticas do Avante se têm limitado às mesmas acusações de anticomunismo e fascismo de sempre) O Partido Comunista se voltar a apanhar o BE em termos de resultados eleitorais, será única e exclusivamente por demérito do Bloco.

Futuramente, o PCP poderá ainda vir a conseguir abraçar a imagem de oportunista, se aprovar o Orçamento de Estado ao Partido Socialista, pois este último tem sido estranhamente brando quanto à Festa do "Avante!" e às caricatas posições dos comunistas durante esta pandemia. Toda a gente já suspeita de uma operação de charme de António Costa. Só o tempo o dirá.

Galambing, a arte da soberba

Lembram-se há "muito muito tempo" de um ministro chamado João Soares, reza a lenda, ministro da cultura? Talvez tenha sido o último membro do Governo de António Costa, com alguma decência e sentido de Estado. Talvez, calma.

Corria o longínquo mês de abril, do ano de dois mil e dezasseis. João Soares demitia-se no seguimento de um post no Facebook, onde oferecia umas "salutares bofetadas" a Augusto Seabra e a Vasco Pulido Valente. Na altura, o primeiro-ministro referiu que os ministros tinham de ter consciência do lugar que ocupam.

Podia discorrer se, agora passados 4 anos, a sua demissão nos seguimento desse post fez sentido, tendo em conta tudo o que veio a acontecer até hoje, com os membros do Governo.
Mas gostava de me cingir a um caso particular, tão particular que diria até especial. E não no bom sentido.

João Galambra é Secretário de Estado Adjunto e da Energia, mas já era conhecido da maior parte dos portugueses atentos a política. Um aficionado de José Sócrates, João foi escalando a hierarquia do PS com uns spins e algum mediatismo. No entanto, umas das características que o governante nunca fez questão de esconder foi a sua arrogância e má criação.

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Antes de ser nomeado para o Governo de António Costa, era já um hábito identificado pelos internautas, o de ofender quem o criticava ou de mandar estudar gente que, em muitos casos, tinha um currículo bastante superior ao seu.

Houve aliás uma brincadeira de um dirigente da IL, Ricardo Pais Oliveira, que fez uma lista de gente a quem o agora Sec.de Estado mandou estudar antes de falar. Na lista, que é ilustrada para que não sobrem dúvidas, encontramos nomes como Miguel Poiares Maduro, Ricardo Costa (irmão de António Costa), Jorge Moreira da Silva ou Camilo Lourenço.

A bazófia do socialista era bastante reputada. Recentemente esta postura fermentou novamente no meio mediático devido ao projeto do Hidrogénio em Sines, que o Sr. Secretário de Estado diz ser muito positivo, mas que dezenas de pessoas que estudaram o tema, dizem ser um embuste. João Galamba não tem tido qualquer pudor em chamar de mentirosos todos os que criticam a estratégia do Hidrogénio, tal como aconteceu com Clemente Pedro Nunes, um professor universitário jubilado e especialista em energia. O-bvi-a-mente que tem de ir estudar!

A situação aliás, levou a que Jorge Barreto Xavier dedicasse uma das suas crónicas ao assunto, considerando que este não tem tido a atenção devida. Subscrevo e posso dizer que vale a pena ler - é muito melhor que o meu.

O que surpreende é que não só já era expectável que João Galambra destilasse a sua arrogância para cima de tudo e todos, pois o seu percurso assim o fazia prever, enquanto governante, foi ainda assim nomeado para Secretário de Estado. E, igualmente supreendente e caricato, tem sido o silêncio do governo face ao comportamento de João Galamba. Os Secretários de Estado também não têm "de ter consciência dos lugares que ocupam"?

Poço de Tristeza

Desde a saída de Passos Coelho que o PSD foi invadido por desconhecidos, afetos a Rui Rio, tornando um partido onde outrora se reconheciam vários potenciais futuros líderes, numa organização partidária de amigos do líder, onde que recorrentemente tem necessidade de "bater" nos oposicionistas. Este é um pequeníssimo resumo, visto de fora, do alegado maior partido da oposição.

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Já quanto à sua juventude partidária, o calvário tem sido muito mais longo.  A JSD tornou-se numa juventude partidária irrelevante, de lideranças medíocres que apenas procuram cimentar o seu lugar no parlamento. A que considero mais inócua, nos tempos mais recentes, é a de Cristovão Simão Ribeiro (quem é esse, devem estar a perguntar), cujo ponto mais mediático da sua liderança foi o adiantamento das eleições na JSD para que ainda pudesse concorrer a mais um mandato antes de perfazer os 30 anos de idade. De seguida veio Margarida Balseio Lopes, que no mês passado disse sair com um sentido de dever cumprido, apesar de não se perceber muito bem em quê.

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Com a saída da deputada Margarida, aparece então o deputado Alexandre Poço. Este jovem que aparenta tudo menos juventude, tem conseguido bastante mediatismo no último mês. Aquando das votações para o fim dos debates qunizenais, recebeu toda uma avalanche de elogios por ter sido um dos poucos deputados do PSD a votar contra. Aí, leram-se bela toadas de como este representava o futuro e a esperança do partido laranja. O então declarado candidato à liderança da JSD, saltou assim para a ribalta fazendo algumas manchetes.

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Infelizmente, esse foi o último ato elogiável de Alexandre, O Poço. Desde a sua eleição, o recém eleito líder da juventude social democrata tem-nos presenciado com belíssimos tiros no pé - vamos acreditar que são erros e não escolhas ponderadas.


O primeiro, o lançamento de um concurso para renovar a sua imagem. Este concurso, é direccionado, segundo o texto da JSD, para jovens designers e tem como objetivo alertar para as dificuldades dos jovens na procura de emprego.


A JSD irá então receber propostas de alteração da sua imagem até uma determinada data, escolhe a que mais gosta e entregará um prémio de 1500€ ao vencedor.
Agora trocado por miúdos: Uma juventude partidária quer alertar para as dificuldades dos jovens em movimentarem-se no mercado de trabalho, lançando um concurso onde pede um trabalho especializado a vários jovens, para depois pagar a apenas um, que recebido o pagamento, afloreado de "prémio", pode muito bem continuar desempregado e seguir a sua vida.


Um dos estratagemas mais utilizados pelas empresas para se aproveitarem dos jovens, é repetido por uma organização que se diz defensora dos interesses dos jovens. A JSD promove uma estratégia de precariedade, para alertar para a precariedade. Mais caricato e confrangedor : a campanha que lançaram no Dia Internacional da Juventude com posts ilustrados por frases que representam situações comuns de precariedade jovem. Ou há muita falta de noção na JSD ou muito descaramento.
Claro que esta situação foi notada por várias pessoas, entre as quais os responsáveis pela plataforma de denúncias de abusos laborais, "TENHAM VERGONHA", que denunciou de imediato na sua página esta situação, enquadrando-a num caso de trabalho especulativo. A resposta da JSD? nenhuma. As perguntas dos jornalistas? Zero.

A segunda bigorna que lhe cai no pé (a ele ou a nós?), trata-se de parte de uma entrevista que concedeu à Revista Visão. Alexandre, um jovem, a "esperança" do PSD, que parecia demonstrar alguma irreverência positiva, com a recusa em aprovar a tonta medida de reduzir os debates quinzenais, faz um frete tremendo a Rui Rio e demonstra toda a cobardia perante as sondagens.


Na entrevista, quando questionado sobre uma possível relação com o Chega, o líder da JSD, acaba por, muito atabalhoadamente dizer o mesmo que Rui Rio. Refere que não pode colocar de parte o Chega, tendo em contra as sondagens, justifica que o PS também fez acordos com a extrema esquerda e logo de seguida diz que não se está a justificar nem a arranjar uma desculpa para essa nova intenção de relacionamento com partido de Ventura.

Quando menos se esperava, temos um jovem a prontificar-se para validar e dar entrada à extrem-direita no arco da governação. Mas claro, só e apenas se não ultrapassarem "linhas vermelhas". São estes os modelos que os jovens portugueses podem encontrar no PSD. Alexandre Poço demonstra ter a capacidade de percepção das preocupações juvenis de um seixo, e já vem deixando bem claro que com ele não contamos para nada além do mesmo.

A JSD continua nas ruas da irrelevância política e social, fortalecendo a sua posição, a par com a Juventude Socialista, de centro de emprego para caciques.

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Onde anda a Responsabilidade?

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 "expresso curto" (sem querer usurpar a rúbrica do Expresso) :

Acho caricato e sobretudo perigoso que, depois de sabermos que vamos claramente ter uma crise (mais uma) fortíssima sobre as nossas vidas, a comunicação social e a população em geral estejam mais interessados em andar atrás de quem não apresenta uma única solução, um único traço de planeamento para não nos vermos todos na miséria daqui a uns meses.

Bloco de Esquerda e Chega, sendo coerentes com a sua natureza radicalista, monopilzam a atenção nos últimos dias com a pífia discussão sobre se somos todos racistas ou não.

É com certeza a conclusão desse debate que nos vai proteger os rendimentos, os empregos e o futuro dos nossos jovens.
Como é possível que andemos tão alheados da realidade?

Impressionante e assustador

Sebastião Bugalho escreveu há uns dias um artigo de opinião no Observador, em que a ideia principal era a de que Rui Rio estava a cumprir escrupulosamente o seu plano, traçado algures na sua mente, para chegar à cadeira do poder. Nesse artigo, alude a um outro, de Francisco Assis. É sobre essa que escrevo.

Francisco Assis é um destacado militante do PS, que beneficia de uma admiração intelectual tanto à esquerda como à direita, e que no caso destes último, o consideram como o que seria o socialista ideal para se conversar - conversar no sentido de encontrar posições conjuntas com partidos à direita.
Não sei, nem tenho capacidade para tecer considerações acerca da inteligência do Francisco Assis.

O artigo, intitulado "Uma geringonça de direita", começa por parabenizar o livro "Linhas Direitas" (que reocmendo, já agora) por ser uma antologia do pensamento conservador e liberal português contemporâneo, de qualidade. Escreve o autor que  "(...)Vale a pena ler para se superar definitivamente a representação caricatural de uma direita obtusa que alguns sectores da extrema-esquerda procuram sistematicamente promover. ". Não podia concordar mais.

O que me impressionou no artigo, o qual desconhecia a existência, e que já é datado de fevereiro deste ano, foi a tese escrita a seguir. Francisco Assis colocou uma hipótese, que se alguma vez a mim me passou pela cabeça tal cenário, sempre o considerei uma divagação sem fundamento. No entanto, a realidade parece querer fazer-me engolir tal descrédito.


O ex-eurodeputado fala-nos da hipótese de Rui Rio querer efetivamente estabelecer pontes à direita, e replicar o que o PS fez à esquerda. Isto, se a estratégia de revelar que no fundo partilha muito mais valores com a esquerda do que com a direita ( e que o autor também acredita ser verdade) falhar. Diz Assis que "se não conseguir alcançar este objectivo o país continuará a contar com uma maioria de esquerda no Parlamento." e que como tal Rui Rio, terá de optar por outra via para alcançar o Governo.

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Essa via, não podendo ser pré-eleitoral, nas palavras do autor, apenas será tida em consideração depois de terminadas as eleições e contabilizado o peso de cada um. Francisco Assis considera que, se se verificar que toda a direita conjunta, mais o PSD, formarem conabilisticamente uma maioria, Rui Rio não hesitará em propôr um Governo apoiado pelo CDS, Iniciativa Liberal e Chega, replicando a ideia pioneira de António Costa.


Se esta ideia, em fevereiro, me parecia quase conspirativa, agora já não sei que diga. Assis chega mesmo a prever que o argumento que será utilizado então, quando acusarem o PSD de dar a mão à extrem-direita populista, passará por relembrar que "António Costa não hesitou em negociar com um partido que nunca condenou o totalitarismo soviético, que continua a falar da “alegada queda do Muro de Berlim” e que não esconde alguma simpatia pelo regime norte-coreano." .

Não só foi bem previsto, como até já acontece mais cedo que o pensávamos. O PSD já piscou o olho ao Chega, e há quem veja a possibilidade com bons olhos, correndo já nas redes imagens como a que ilustra este texto, ou posts escritos que consideram exatamente o mesmo.

Impressionou-me a capacidade de previsão de Francisco Assis, mas agora assusta-me que esta venha a ser uma realidade. O pior que poderia acontecer à Direita, e ao país, era acrescentar mais um radical a molhar os dedos no poder. Se, como diz o ex-eurodeputado, já existe uma representação caricatural da Direita em Portugal, aqui a caricatura passa a misturar-se com a realidade e perdemos de vez a esperança e a oportunidade de um dia termos uma Direita construtiva e democrática, à semelhança do Reino Unido ou da Alemanha, a contrabalancear com os socialistas.

Um "meme" que traduz bem a atualidade

Os memes geram-me um sentimento ambíguo: se por um lado exprimem posições, sentimentos e satirizam momentos com muita eficácia por se cingirem a uma imagem, por outro são espelho da nossa (in)capacidade e (in)disponibilidade para interpretar algo que vá além das duas linhas de texto.

Enfim, fica para uma outra reflexão. Encontrei este meme na página de Instagram "InspetorMarx" e acho que sintetiza muito bem o que se passa em Portugal.

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A personagem Thanos, dos filmes da Marvel Comics, na imagem é o PS. Tal como Thanos, vai acumulando pedras especiais (que aqui são os partidos) na sua luva de poder. Tendo todos sob a sua alçada, o poder é praticamente ilimitado e permite façanhas como a de ontem em que foram aprovadas medidas de puro ataque ao regime democrático - dificultar candidaturas independentes às autarquias, aumentar o número de assinaturas para uma petição ser leva à Assembleia da República e, a cereja no topo do bolo, diminuir a regularidade dos debates com o Primeiro Ministro.

O PSD ESTÁ EM LIQUIDAÇÃO TOTAL

Conheci nos meu tempos de 3º ciclo quando frequentava a explicação, um jovem mais velho que eu, que já estava provavelmente no 11º ou 12º ano. Vamos chamar-lhe Carlos.
O Carlos não tinha uma personalidade particularmente carismática, aliás até era bastante calado. Tinha um estilo que é normalmente chamado de "gótico" e era sobrinho da explicadora. Ela, já idosa, como não tinha netos via-o como um neto e partilhava connosco, de vez em quando, alguns factos sobre ele como as notas ou a relação supostamente engraçada que tinha com o avô. Foi nesse último tema - a relação com o avô - que até hoje retive um "fun fact" da altura, relativamente ao Carlos. Ele era fã de bandas de Metal bem pesadas, e colecionava discos vinil das bandas. Tendo em vista esse objetivo, o Carlos, segundo a minha explicadora, tinha desenvolvido uma estratégia para aumentar a coleção às custas do avô.
Sendo o senhor também um coleccionador de vinis, de outras bandas claro está, o Carlos aproveitava os aniversários do avô e o Natal, para lhe oferecer discos...de bandas de Metal.Como o avô não gostava daquele género musical, os discos acabavam por ficar para o Carlos. Assim o Carlos conseguia comprar mais discos para a sua coleção, usando como pretexto as prendas para o avô.

Porque é que me lembrei do Carlos? Porque ontem depois da confirmação de que o PSD e o PS iam aprovar a nova regularidade dos debates parlamentares com o Primeiro-Ministro (PM), surgiram muitas teses acerca do porquê de Rui Rio querer diminuir o número de vezes que o PM é obrigado a ir prestar contas ao plenário. Uma delas a de que o deputado está a preparar o terreno para quando for ele a ocupar o lugar de António Costa. Tal como o Carlos, Rui Rio estará a dar prendas a António Costa, porque acha que vai ficar com elas.


É uma tese que tem alguma graça porque se imagina Rui Rio a achar que vai ser Primeiro Ministro. Tendo mais a acreditar que quem equaciona esta hipótese acredita mais na ideia que o presidente do PSD vai ser PM, que o próprio visado na tese. No entanto, havendo a hipótese de que Rio ache mesmo que vai chegar a chefe de governo, tiro-lhe o chapéu pela ambição mas lamento informar de percorrendo o calvário da Oposição da maneira que o está a percorrer, ninguém lhe reconhece capacidade para ganhar umas eleições ao PS, nem que o António Costa desta vez consiga mesmo agarrar-se ao pescoço de um idoso mentiroso.
Mas há outro motivo que me leva a tirar-lhe o chapéu e que gostava de um dia ver esclarecido. A forma como anestesia toda a índole democrata e reformadora do partido que lidera. Como é que consegue convencer 78 deputados de um partido fundador da nossa democracia a concordarem com o fim dos debates quinzenais com Primeiro-Ministro. Ninguém se opõe, ninguém tem uma opinião divergente quanto "ao menos espetáculo e mais trabalho" do deputado Rui Rio? Ninguém se ofende com estas tiradas populistas ao nível do deputado do Chega?

Cúmulo dos cúmulos, conseguiu colocar o PSD a suplantar a ideia do PS e apresentar uma proposta ainda pior! É que enquanto o PS queria colocar o PM a debater de 2 em 2 meses, o PSD propôs que apenas se debatesse 4 vezes por ano...
Teve de ser o Partido Socialista a negociar e convencer o PSD a desistir dessa proposta e apoiar a dos 2 meses. Acabam por sair destas negociações como o partido mais sensato.
Quão de pernas para o ar tem de estar o nosso Parlamento para termos o partido de Governo a pedir para que se escrutine menos o Governo, mas não tão pouco como o principal partido da Oposição quer?

Li também hoje: "PS e PSD em mudar debates quinzenais". Não podia este título estar mais errado. Os isolados são todos os outros partidos que mesmo votando contra, não conseguem evitar este despejo de ácido sulfúrico sobre a nossa democracia. Os isolados somos todos nós que, chocados com esta promiscuidade entre PS e PSD, não podemos fazer nada para o evitar.


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Uma boa iniciativa

No Facebook está em "vigor" uma boa iniciativa por parte da Juventude Popular (JP) de Setúbal.

Trata-se de responder a questões sensíveis relativamente ao CDS, de forma a descontruir alguns preconceitos. Considero a inciativa boa porque me parece que em Portugal, a esquerda fica muitas vezes sem contraditório quando faz algumas acusações e aproveita a ignorância política da população para disseminar algumas inverdades.

Então, na página da JP Setúbal encontram-se respostas às questões:

- Porque é que ainda se continua a ouvir que a Direita é fascista?;
- A Direita só defende os ricos?;
- Por vontade da Direita não existia SNS?

Parecem-me questões relevantes.

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Estar é (muito) diferente de fazer

No dicionário Priberam, da Língua Portuguesa, a palavra "estar" tem 34 significados possíveis. Já a palavra "fazer", tem 40. Em nenhum deles, conseguimos encontrar a ligeira semelhança para que possamos associar estes dois verbos. Estar não é fazer. E fazer nunca será o mesmo que estar.

Vem isto a propósito do pequeno fait-diver que tem entretido alguns políticos e eleitores que apreciam a politiquice. Começou com a crítica do deputado Moisés Ferreira (BE) ao líder do Chega, de faltar várias vezes às reuniões das comissões parlamentares, e veio ululando até hoje, em que já podemos encontrar algumas peças jornalísticas sobre as faltas dos deputados na Assembleia da República.

Não é que seja uma novidade, os jornais apresentarem estes dados, mas gerou-se alguma atenção por vir tão próxima do acima referido acontecimento. Como era de esperar cada partido e cada político tem pegado nos dados publicados e recortado à sua maneira, para fazer a devida auto-promoção ou acérrimo ataque.

O Bloco de Esquerda insistiu nas faltas do deputado do Chega. O Chega inventou faltas à líder do Bloco de Esquerda. A Iniciativa Liberal aproveitou para propagandear as zero faltas do seu único deputado, Cotrim de Figueiredo.

Depois, isoladamente, nos outros partidos, cada deputado que tem uma ficha de presenças "imaculada", faz a sua publicidade, conotando essas presenças com árduo trabalho em prol da população.

Surpreende que tanta gente se deixe levar por esta conversa de chacha e que continuemos a ter discussões políticas tão infantis. Se os deputados acham que a produtividade se mede pelo tempo que passam no Parlamento, é muito mau sinal. Se nos estão a tentar ludibriar, utilizando estes dados premeditamente mesmo sabendo que não significam nada, é muito mau sinal também.

Encontramo-nos no ano de 2020, e já é mais que certo e sabido que trabalhar mais ou estar mais tempo no local de trabalho, não significa ser-se mais produtivo. Então porque é que há quem ache que isto não se aplica aos deputados da Nação?
Eu, por exemplo, escrevo este texto no meu trabalho, quando devia estar a executar aquilo para o qual me pagam. Estou aqui, mas não estou a trabalhar.

O André Ventura tem cerca de 2 minutos para falar por debate, e no entanto consegue fazer mais barulho que alguns deputados que dispõem de muito mais tempo ou que estão lá há muitos anos, alguma vez vão fazer durante toda a sua carreira. Para os objetivos do partido dele (que passam por dar nas vistas) está a ser muito produtivo.
Já o Ferro Rodrigues, quando foi líder da bancada parlamentar do PS, conseguia ter muito tempo e não acrescentar nada aos debates, entediando toda a gente à sua volta. O Jerónimo de Sousa consegue, há décadas, dizer sempre o mesmo independentemente do tempo que dispõe. (umas vezes mais, outras vezes menos, consoante os resultados das eleições). A deputada Isabel Moreira pinta as unhas nos debates. A produtividade da presença de cada um, depende da vontade e capacidade que têm, não do tempo.

O trabalho de um deputado vai muito mais além do que discutir para entretenimento popular. E o seu trabalho não mensurável pelo número de presenças ou ausências que constam na sua ficha mecanográfica.

É redutor e insultuoso que nos queiram passar um atestado de tolice, sugerindo que o melhor deputado é o que está de corpo presente em todas as reuniões plenárias.

Nós queremos é que apresentem trabalho, não a folha de presenças.

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Rita Rato no Museu do Aljube

É no mínimo ofensivo. Uma comunista a dirigir o "Museu do Aljube Resistência e Liberdade", é o mesmo que dizer que temos alguém que defende ditaduras a dirigir um Museu contra ditaduras.

Não esqueçamos que o Parlamento Europeu, há muito pouco tempo, equiparou oficialmente o Comunismo ao Fascismo. Assim sendo, podemos ir mais longe e dizer que temos um Museu de Resistência ao salazarismo/fascismo dirigido por alguém que se identifica com uma ideologia equiparada ao fascismo.

Na notícia em questão, dizem que a ex-deputada se destacou nas entrevistas com o júri. Gostava de saber os critérios e de ter presenciado à entrevista. 

O Comunismo continua a ter cartão verde para se passear no nosso país, fingindo-se democrático. Alimenta-se destas coisas para se branquear e continuar a enganar os portugueses, falando-lhes em liberdade quando secretamente suspiram pela repressão. Um júri que não vê o que significa ter um comunista a dirigir um Museu deste âmbito, é um júri cúmplice do branqueamento de uma ideologia assassina.

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"Com todas as medidas de segurança"

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Se na semana passada até elogiei o CDS-PP, desta vez já não posso fazer o mesmo.
Depois de terem criticado o PCP, a CGTP, Bloco e Chega pela organização de eventos que resultavam em ajuntamentos de pessoas, o PP e a Jota do PP decidiram também realizar os seus próprios eventos de ajuntamento.
Os mais velhos primeiro, com um Conselho Nacional em Santarém que disseram não poder ser adiado porque tinham de aprovar as contas. Como é amplamente sabido, aprovações de contas só cara a cara!
E no próximo fim-de-semana, teremos a JP, com o seu Conselho Nacional em Ponte de Lima, o bunker autárquico do CDS. Os jovens vão ainda mais longe que o partido, e organizam até um jantar com estadia...E o presidente do CDS-PP presta-se a ir participar. Um pontapézinho na coerência.

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Mas porque é que estas duas organizações partidárias acharam que organizariam estes eventos, e que isso não teria qualquer incoveniente? Porque, curiosamente, se escudam nas mesmas desculpas que os outros que antes tinham criticado : "Cumprindo todas as normas de segurança".

Começo a notar um padrão aqui. Sempre que alguém organiza alguma coisa, só tem de anunciar que vai cumprir com todas as normas de seguranças e já pode quebrar a regra do número limitado de pessoas em ajuntamento. É só perder 2 minutos a pensar no quão rídiculo é esta tentativa de contornar as medidas impostas, e o quão patético é quererem fazer os outros de parvos, e dizer-lhes que é possível ter centenas de pessoas a cumprir escrupulosamente todas as normas de segurança.

Direitas há muitas

Mas nem todas potáveis

O lado direito do parlamento tornou-se mais concorrido e "apertado" que nunca. Passou a contar com mais dois partidos (IL e CH) que passaram a ser vizinhos do CDS.
Mas desde o ínicio da legislatura, que todos eles têm tido registos muito diferentes. Isto, contando com o PSD - não por ser de direita, mas porque é onde direita envergonhada sempre gostou de votar. Com o inevitável devir, observando a atuação de cada um, podemos projetar com que direita se pode contar.

Partindo do princípio de que a estabilidade democrática necessária para o bom e "regular" funcionamento das instituições (não estou a falar de manutenção de vícios nem perpetuação dos erros de sempre), é feito e asegurado por forças políticas moderadas, sensatas disponíveis para o consenso mas com a coragem assertiva de apontar o erro, confrontando-o com soluções, atualmente temos de excluir dois dos quatro partidos que compõem a opção de voto do eleitor de Direita.

O PSD, liderado por Rui Rio, já deu a entender por várias vezes que não quer nada com este espectro político. Não quer conotações com a direita, não quer reformar nem incomodar mais que o que chegue para fazer uma notícia banal de telejornal. Aliás, ainda ontem tivemos (mais) um exemplo disso: São contra a ida de Mário Centeno para o cargo de Governador do Banco de Portugal, no entanto não farão nada para o impedir. Recusam-se a aprovar leis "ad hominem", e dizem-no achando que a patranha passa. Não é isso que impede o PSD de participar na elaboração da lei que poderia impedir a ida de Mário Centeno pata o Bdp. É o comprometimento que o partido tem, com escolhas anteriores, em que também já teria politizado o cargo, especialmente quando reconduziu "à força" Carlos Costa, pouco antes das famosas eleições da Geringonça. Outro motivo é a esperança que o PSD tem de voltar a ser Governo, e como tal não lhe convém a aprovação deste género de leis, reformistas e que melhorariam o funcionamento futuro das instituições.
De resto, Rui Rio não se tem poupado esforços a dizer que é um homem de esquerda, que o partido é de esquerda e que claramente apenas pretende dar a ideia de que o PSD é um PS 2, e que caso se enjoem do cor-de-rosa, podem tê-lo em laranja.

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O Chega! também não constitui qualquer opção viável de futuro para Portugal. É um partido criado pelo ex-militante do PSD que, astuto, aproveitou uma moda política internacional ( populismo de direita) e importou o conceito para Portugal, onde este estava muito mal franchisado através do PNR. Com uma máquina de propaganda eficaz, alguns investidores motivados, tem conseguido imensa notoriedade e projecção nas sondagens. No entanto, um país não se constrói com soundbytes, não se reforma com gritos nem se potencia com despiques nas redes sociais. O Chega! é partido de reclame, que vocifera o que vai nas cabeças de quem se irrita em casa quando abre o telejornal. Infelizmente, acho que é unânime, em nenhuma situação da nossa vida, consideramos que falar e agir de cabeça quente ajuda. Esta é uma direita mal enjeitada, que se alimenta de todos os recalques, ódios e preconceitos e tem como núcleo principal da sua existência, ser uma anti-esquerda. Não dando conta que se coloca na posição de ser o seu espelho.

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Ficamos então, por exclusão de partes, com as duas últimas opções que, na minha opinião, são as mais consistentes, coerentes e capazes de representar um futuro para a Direita em Portugal. O PP e a IL.

A IL, apesar de ser uma análise precoce, tem feito um percurso coerente e moderado, encabeçado pelo seu presidente e deputado Cotrim Figueiredo. Aposta no combate ideológico mas com recurso a argumentação sustentada em factos e não em impulsos e emoções. Apresenta soluções que vão ao encontro da sua índole liberal (ainda que não totalemente liberal) e já definiu o seu público alvo: os jovens. Aliás, quem estiver mais atento pode notar que é rara a posição pública do partido que não mencione os jovens. Pode ser fogo de vista, querendo aproveitar o target, ou pode mesmo querer dizer que querem apostar nesta franja da sociedade, com propostas concretas. O tempo o dirá.
Cotrim Figueiredo não caiu na individualização, comum em partido micro, com que Joacine caiu em desgraça ou com que Ventura tem caído em graça. Mantém-se com o destaque q.b. confrontando quem tem de confrontar e perguntando o que tem de perguntar. A mensagem vai passando de forma relativamente eficaz nas redes sociais e em outdoors criativos pelo país. Não se recusam a entrar em campos liderados pela esquerda, como a luta dos direitos lgbt ou a legalização de drogas leves, ainda que coincidam com posições do Bloco de Esquerda, o que não agrada propriamente ao eleitor de Direita conservador ou pouco habituado a este espírito tão liberal. 
Transmitem uma imagem responsável, serena e acima de tudo não socialista.

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Por fim, o CDS-PP, agora presidido por Francisco Rodrigues dos Santos. Este jovem líder, apontado pela Forbes como um dos 30 jovens mais promissores da Europa, deu o salto da Juventude Popular para o a "equipa A". Trouxe consigo muitos dos seus colegas da jota, mas soube conjugar também experiência colocando na sua equipa membros mais experientes e conhecidos do partido. Foi inicialmente conotado com André Ventura, por serem famosos os seus discursos inflamados e as suas posições enquanto líder da JP, acerca por exemplo, do casamento homossexual. A comunicação social não foi meiga com o recém chegado à "política dos graúdos" como diria MST, e começaram por acusá-lo de ter poucas mulheres na comissão executiva, tentando mais uma vez colá-lo a um lugar de machista. Isto num partido, que vinha sendo liderado por uma mulher até então. Também houve o caso de Abel, o polémico centrista bafiento era nitidamente uma nódoa na equipa de FRS e por pressão da comunicação social, saiu.
Passados estes primeiros episódios, o CDS-PP tem mantido uma linha de oposição responsável e moderada. No Parlamento, com as prestações de qualidade especialmente de João Almeida, Cecília Meireles e Telmo Correia, mas também na rua. Francisco R Santos tem levado à letra o mote de Portugal ser o seu escritório, como diria durante a campanha para liderança do partido. Apesar de ser o mais novo, dos líderes à direita, tem-se revelado o mais ponderado nas posições. Tome-se como exemplo a questão do racismo onde, Rui Rio e Ventura tiveram a triste ideia de dizer que não há racismo em Portugal. O líder do CDS-PP não cavalgou a mesma onda, ainda que em setores menos aconselháveis do partido, isso agradasse. Por agora, há um jovem líder que se tenta aproximar do país real. Outra vantagem do PP é que tem quadros que garantem a continuação de boas lideranças - João Almeida não desistiu de querer liderar o partido e Adolfo Mesquita Nunes tem dado claros sinais de se preparar para assumir essa vontade.
Fosse Portugal outro e não tivesse os preconceitos que tem com a Direita, e este seria o partido que naturalmente rivalizaria com o PS, como acontece em países como a Alemanha, Espanha ou Reino Unido.

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Logicamente que estas divagações, são leituras próprias e que não terão, provavelmente, ligação ao que estará por vir politicamente em Portugal, e muito menos ao que a maioria pensa. No entanto, é a visão que tenho.
A Direita em que se pode confiar, no momento em que vivemos, está na Iniciativa Liberal e no CDS-PP. Vivemos tempos de insegurança e incerteza, precisamos de serenidade e responsabilidade. Não de gritaria e show-off ou de mais socialismo.

Blue could be the warmest color.


Volta, André

Depois de algumas pérolas do deputado Rui Rio, a verberar contra a comunicação social e, mais recentemente, a negar a existência de racismo no nosso Portugal, o seu vice-presidente no partido tangerina, não se quis ficar atrás. Parece que a ponte 25 de abril deveria manter o seu antigo nome, homenageando Salazar. Opiniões são como os chapéus, não é?

Só me intrigo sobre o porquê de André Ventura ter saído do PSD. Afinal podia ter partilhado, tranquilamente, as suas ideias com os companheiros que ia certamente encontrar quem pensasse da mesma forma, em abundância.

Ou isto ou há uma estratégia de Rui Rio - sim eu acredito que ele é capaz de montar uma estratégia - para além daquela em que se tenta confundir com o PS para que as pessoas se enganem e votem nele, de tentar trazer de volta o André.
Mostrando-lhe que na sua antiga casa, há espaço para as suas ideias, talvez achem que ele feche a tenda da sua seita de evangélicos e volte atrás como um bom filho.

"Volta, André. Também não acreditamos em racismo, nem na comunicação social e temos um fraquinho pelo Salazar. Anda, filho."

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Vade Retro, Política!

Certamente todos nós, se tivermos Facebook, já nos deparámos com grupos com o nome da nossa localidade de residência ou de trabalho.

Grupos onde se vão juntando pessoas da nossa terra, outras nem tanto e ainda há os que planeiam ir para lá viver e acham que o grupo lhes dará alguma informação acerca do que podem encontrar. Há quem resista ao ímpeto de aderir ao grupo, mas o mais comum é entrarmos, nem que seja para "cuscar".
Nestas macro comunidades virtuais, dentro da comunidade virtual do Facebook, encontramos um pouco de tudo, à semelhança da realidade. E isso, por vezes, não é agradável. É por isso que não conhecemos nem nos damos com todas as pessoas da nossa terra, no mundo "real".
Da minha localidade há vários, mas tendo já mudado de cidade, já estive noutros. Faço-o por curiosidade, mas também para saber "do que se fala", tendo consciência de que, como é lógico, nem todos têm facebook e nem todos estão nos grupos: portanto "o que se fala" acaba por ser mais limitado apenas à rede social que outra coisa.
Mas há uma característica que tenho notado, e que é claramente semelhante à tendência no mundo fora da internet. A fuga à política. Há N grupos em que, se na descrição refere que "o grupo serve para a partilha de tudo o que é relativo à localidade X", há sempre uma ressalva : Política aqui, não.

Os administradores dos grupos, concebem com naturalidade que se possa falar de tudo sobre a localidade, excepto política. Como se fosse possível separar as coisas, como se fosse saudável que se o fizesse.
Em outros grupos em que essa indicação prévia não é dada, é comum quando alguém partilha algo relativo a política, ler uns comentários do género "então mas isto é um grupo de propaganda política? os administradores não fazem nada? assim vou sai do grupo". Nunca ninguém contesta este tipo de comentários.
Ou seja, as pessoas querem juntar-se, trocar ideias e informações entre si sobre todo e qualquer assunto da sua cidade/localidade mas... nada que tenha que ver com política. Preferem ignorar, fugir, evitar debater a governação, trocar ideias, saber o que pensam os seus pares relativamente ao que se faz/fez/fará na sua terra a nível político que é como quem diz, ao nível da administração de assuntos que nos tocam a todos.
E eu não consigo entender esta vontade de enfiar a cabeça na areia.

Infelizmente, é um sintoma que sai apenas do local, e se destaca a nível nacional: basta ver os níveis de abstenção, eleição após eleição. Ou estar atento ao que nos rodeia. Ninguém quer conversar de política. Uns porque a acham suja, outros porque se sentem ignorantes no assunto (como se isso fosse possível), outros por medo de conflito ou represálias no seu dia-a-dia. Mas é comum ouvir a recusa, ou o pedir escusa para não tocar no tema.

E isto não apenas em Portugal. Hoje saiu uma notícia, que relata que o Facebook vai criar uma opção para que as pessoas escolham não receber anúncios relativos a política. Ou seja, de toda a panóplia de anúncios que nos aparecem, de cuecas com animais a drones, os que Mark Zuckerberg diz ter "ouvido" que as pessoas mais se queixam, são, alegadamente, os de política. Ofercendo-lhes assim, mais uma hipótese de se alhearem da vida política. Ficando o Facebook a ser cada vez mais, uma rede fechada (recordemos o que o algoritmo faz com as notícias), de entretenimento e conversa de circunstância. E aqui, apesar de reconhecer algum enviesamento, em parte acredito que haja realmente mais gente a queixar-se de propaganda política do que de publicidade a objetos.
No período histórico em que temos mais informação ao nosso alcance, mais possibilidade para a discutir entre nós, maior chance de exigir trabalho aos nossos representantes e facilidade em nos envolvermos na classe representante, se assim o desejarmos, "toda" a gente foge. Evita-se e foge-se da política. Evita-se e foge-se da "coisa pública". Na Grécia Antiga, os cidadãos que não discutiam política, era tidos como inúteis. Mais de um milénio depois, os cidadãos que discutem política são tidos como incovenientes.

Como é que chegámos até aqui? Que tipo de sociedade é esta, que se demite das suas funções básicas de cidadania, tendo em conta que tem a sua vida a ser representada por outros?
Terão os políticos que se tornar (ainda mais) em entertainers, para que nos voltemos a interessar? Queremos ser bem governados ou bem entretidos e enganados? De que fogem as pessoas?

 

Associações? Junto todas e construo um castelo

Mais uma associação domesticada com sucesso, em Setúbal

Ontem, a Câmara Municipal de Setúbal publicou na sua página oficial de Facebook, mais uma cerimónia de estabelecimento de protocolo, entre a autarquia e uma associação.
Mais uma operação de charme e compra de apoio, bem sucedida. Maria Dores Meira revela-se, mais uma vez, uma belíssima estratega que não deixa para mais tarde o cimentar da CDU nos Paços do Concelho.

E demontra-se, mais uma vez, algo para o qual já tinha questionado num post anterior. Que independência têm estas coletividades, quando as câmaras lá injetam dinheiro, ano após ano? Quando se tornam a principal fonte de receita das associações?

Neste caso, foi a Associação das Coletividades do Concelho de Setúbal, uma associação criada há menos de 4 anos. Já a sua criação, o intuito da mesma, desconfio que tenha sido exatamente para chamar a si o apoio da Câmara: Uma associação que representa as outras associações. Coisas à portuguesa. Mas obviamente que a CDU não podia, como de resto não o faz com nenhuma outra coletividade, deixá-la à deriva, sem que se tornasse em mais um pólo de propaganda à presidente.

É longa a lista das associações que recebem subsídios municipais e das juntas de freguesia. Estes subsídios não são inocentes, são a compra destas coletividades, que deixam de ser independentes e passam, em tudo o que fazem a publicitar a Câmara. Exemplo disso, a imagem da página do São Domingos Futebol Clubes, onde sem qualquer pudor se escreve "Obrigado à Ganda Presidente Maria das Dores Meira!" - claro está, mais uma coletividade que sobrevive graças ao dinheiro que a "ganda presidente" generosamente oferece, para incentivar e apoiar o movimento associativo, obviamente.
Diz muito, não só em Setúbal, do que é o espírito associativo português: juntar um grupo de amigos, dar um nome ao grupo, pedir apoio financeiro à autarquia e organizar um ou outro evento de quando a quando. Entidades que deveriam ser uma prova de valor da sociedade civil, da entreajuda e da capacidade de, em união, se construir algo independente e útil, em Portugal são, na sua grande maioria grupos subservientes ao poder político local, sem qualquer capacidade de representar nada senão a patuscada mensal no bairro.

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Para recordar - a visão de João Galambra acerca do Banco Alimentar contra a Fome

Quando raspas um socialista, também sai um velhaco

Da próxima vez que levarem o saquinho do Banco Alimentar, ajudarem um velhote a passar a estrada ou pensarem em dar uma moeda a um mendigo pensem no quão prejudicial é o vosso ato para a construção de extraordinário Estado Social.
É assim que se distinguem os grandes vultos da História: pensar mais além, propormo-nos a objetivos maiores. Alguns mortos por fome não podem ser impedimento para o objetivo final - O Estado Social que se pretende atingir. Que chegue a todos e para todos. 

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