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The Pólis

Quem olhe para os jornais, quem ouça alguns políticos, julga que desde domingo houve uma mudança brutal no clima político e que vêm aí tempos de grande fulgor para a Direita portuguesa.

A vitória de Carlos Moedas em Lisboa, contrariando expectativas e sondagens, parece ter subido à cabeça de alguns que agora dizem que os "Novos Tempos" do recém inquilino da Câmara Municipal da capital, serão o íncio de novos tempos para a Direita.

Lamento, mas olhando para o que se passou no domingo, não consigo ver o mesmo. Vejo que o PSD superou as expetativas, que Rui Rio geriu muito bem colocando-as sempre no chão, e conseguiu fazer melhor que há 4 anos. Quando a ambição é pouca, ninguém se desilude.
É claro que Lisboa é a autarquia mais mediática, e era sobre ela que estavam a maioria dos olhos postos (infelizmente). É certo que o PSD/CDS reconquistaram a CML das mãos de Medina. Só que não podemos ignorar, que será uma governação minoritária e na qual os partidos da esquerda vão continuar a ter mais peso.

Outro dado que não podemos ignorar é, já agora, o resto do país. E o que nos diz o resto do país é que o PS venceu estas eleições autárquicas e que a par deste só há um segundo partido que pode cantar vitória: o Chega. Com candidatos e candidaturas que não lembram a ninguém, sem propostas, e completamente ridicularizados em televisão nacional, o CH conseguiu canalizar os votos de protesto e acabou a eleger vereadores, deputados municipais e de freguesia um pouco por todo o país. Para primeira aparição em autárquicas, este partido fez um brilharete em comparação com todos os outros pequenos partidos e até com o Bloco de Esquerda.

Infelizmente, é ingénuo dizer-se que está dado o ponto de partida para o regresso da Direita democrática. Houve um fortalecimento, isso sim, da Direita que vive da destruição e que precisa de caos para respirar.

O PSD e o CDS ainda não demonstraram com firmeza que quem quiser enfraquecer o PS, é neles que tem de votar. A IL não entrar para esta conta, pois demonstraram nestas autárquicas que estão mais preocupados em parecer um partido "diferente" que em enfraquecer o PS. Houve mutias oportunidades pelo país fora, de retirar mandatos ao PS, e até Câmaras Municipais, e que não se concretizaram graças à IL, que serviu de escudo protetor dos socialistas ao não se querer juntar ao CDS e ao PSD.

No final das contas, há um grande perdedor que é o PCP, que perde força no sul, onde há portugueses que acham que eles têm utilidade.

Há dois líderes que se vão fazer valer de um suposto bom resultado nestas autárquicas para continuarem a sobreviver na liderança dos respetivos partidos, que são Rui Rio e Francisco Rodrigues dos Santos.

Uma líder que vai tentar passar pelos pingos da chuva, já que a imprensa continua a ignorar o facto de o Bloco de Esquerda ter ficado reduzido a 4 vereadores a nível nacional. Em 20 anos de existência, o BE não consegue conectar-se com a população numas eleições de proximidade. Porque será...

A IL futuramente começará a ser penalizada por esta tentativa de não ser nem esquerda nem direita, e que por acaso, favoreceu muito a esquerda. No entanto, a par com o PAN, têm um resultado inócuo.

Os dois vencedores são, sem sombra de dúvida, António Costa, que continua a reinar sem dificuldade e Ventura que ganha agora implantação local real para disseminar a sua banha de cobra.

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O Partido Socialista (PS) apresentou no seu último congresso, através do secretário-geral e primeiro-ministro António Costa, propostas de apoio à natalidade e à juventude: nomeadamente o aumento das creches e incremento de benefícios no IRS Jovem.
Acontece que estas mesmas propostas já tinham sido apresentadas pelos seus rivais directos, o PSD, de Rui Rio, e uma delas o PS até votou contra (IRS Jovem).
Os socialistas que têm trabalhado na retórica de que o PSD é um partido sem ideias, sem capacidade para se apresentar como alternativa, arrisca e joga novamente com a memória curta dos portugueses. O PSD não tinha ideias, mas as poucas que tinha ao que parece era tão más que o PS não hesitou em anexá-las ao seu programa.
A surfar nas sondagens, a prometer mundos e fundos, António Costa pega num velho truque político para continuar a cilindrar o PSD - ficar-lhes com as proposta e fazer ouvidos de mercador aos gritos de "eu disse primeiro".

Daqui em diante, o PS defenderá que a proposta é sua e, quanto muito, dirá "se concordam e até dizem que já apresentaram, votem a favor" quando se der o momento de as apresentar no Parlamento.

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No CDS, acontece algo parecido. O presidente do partido, Francisco Rodrigues dos Santos, reagiu aos anúncios de António Costa, dado que a natalidade é um dos temas mais ligados ao partido desde sempre. Disse que eram "migalhas" e, segundo o Público está a preparar um pacote de medidas para apresentar, afetas à natalidade. Ora também aqui, houve um repescar. "Chicão" que tem, tal como os seus apoiantes, calcado na tecla de "o tempo da Assunção arruinou o CDS",  sabe-se já que inclui neste pacote que vai ser apresentado, uma boa dose de copy/paste das propostas anteriormente apresentadas por Cristas no Parlamento e chumbadas pela esquerda.

No entanto, o caso da réplica de propostas no CDS é muito menos grave, pois o que está dentro de casa é para consumo interno.

Por uma confluência de fatores que davam para muitos, muitos textos, a atividade nuclear da direita portuguesa no presente e passado recente, tem sido apenas contrariar e tentar irritar a esquerda. Começou num processo lento, mas que agora arrasta todos os partidos à direita do PS para um lamaçal de nenhures, onde a competição entre si se limita em chamar à atenção.

Há quem goste deste ambiente e há quem goste apenas de sentir que alguém contraria e afronta a esquerda, só que por muito apelativo que seja, é uma forma de atuação que acrescenta zero ao país. Para somas zero já tínhamos toda a esquerda, agora se também a direita se alinha pela bitola da inutilidade, o PS tendo o ónus do poder, fica com a faca e o queijo na mão e passa facilmente a impressão de adulto na sala.

Ficamos assim presos num vórtex de socialistas, independentemente dos familygates, da corrupção ou das bancarrotas, estamos presos com eles, por incapacidade de todos os outros.

Ontem fizeram-se 42 anos da assinatura da AD, um projecto de coligação inovador, de ímpeto reformista do PSD, CDS e PPM. Do tempo em que a direita começou a limpar as asneiras da esquerda. Do tempo em que os partidos à direita tinham gente com propostas sérias e úteis para o país e não apenas respostas para as manchetes dos jornais.

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Direita com falta de imaginação

De repente querem todos mostrar-se durões com os políticos

Já perdi a conta ao número de notícias acerca de propostas dos partidos ditos de Direita, para aumentar penas ou períodos de impedimento do exercício de cargos públicos para políticos.
Não acho que as propostas sejam más, pelo contrário, só que é triste vê-los todos a ceder a uma agenda populista. Isto são propostas "clickbait". Como aquelas pessoas que quando o/a cônjugue diz que gosta de fazer X na cama, passam a fazer sempre X para agradar. Na cabeça delas, não há que enganar, se disse que gostava daquilo, então a satisfação vai ser 100% garantida!

Os partidos da direita começam a entrar em pânicos com as sondagens e, em desespero, querem agradar os eleitores fazendo tudo o que estes pedirem. Como é de senso comum que 9 em cada 10 portugueses considera os políticos uns aldrabões que deviam apodrecer a ver o sol aos quadradinhos, este ano o PSD, o CDS, a IL e o CH sucedem-se nas propostas anti-políticos. Acham que quanto mais severa a proposta, mais satisfação por parte do eleitor. Uma espécie de leilão "quem bate mais no político?".  Só que esse caminho se no CH seria natural, pois tal como o BE, é populista, nos restantes 3 é apenas confrangedor. Temos o maior partido da Oposição, o seu antigo parceiro de Governo e uns supostos moderninhos de Lisboa, todos a apresentar o mesmo.
Não há um proposta inovadora, uma nesga que demonstre visão estratégica para o país. Pensamento a médio-longo prazo, nada. Vão ao sabor da comunicação social, das sondagens e das caixas de comentários das redes sociais.

Humilham-se e sem se aperceberem, caminham numa convergência perigosa que cimenta a imagem da política como atividade de gente criminosa, pois se as pessoas já o diziam agora só podem ler estas enxurradas de propostas punitivas como a confirmação. O caldo perfeito para singrarem os extremos.

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O candidato da CDU à Câmara de Setúbal, oriundo dos Verdes (por fora, vermelhos por dentro), lançou há uns dias oficialmente a sua candidatura. 
Já não era novidade, até porque se tem dado mais um daqueles casos em que de repente o candidato está em todo o lado. André Martins é ainda presidente da Assembleia municipal, mas agora acompanha os membros do executivo para todo o lado. Uma reunião com moradores, uma inauguração de um poste, um café no café mais conhecido da cidade. O André, que nunca se via em lado nenhum, é agora um vai-a-todas!

Não obstante esse comportamento, que a ser rigoroso, é comum em muitas candidaturas de norte a sul do país, o que é caricato é o seu mote de campanha. A CDU tem trabalhado muito a mensagem que agora o candidato apresenta nos seus outdoors: "Continuar Setúbal"
Quem acompanhe a política setubalense, nota que é algo que está sempre no discurso dos membros do executivo, "só por desonestidade não se reconhece o trabalho feito"; "o resultado está à vista"; "os setubalenses notam a diferença". Entre outras tiradas, este mantra tem sido repetido à exaustão, porque uma coisa repetida muitas vezes se torna verdade. 
O objetivo é que paire no ar a ideia de que é unânime que todos os setubalenses reconhecem o excelente trabalho que a CDU tem feito.  E quem critica? Para quem critica, os membros do executivo municipal também têm a resposta mais estapafúrdia, mas que infelizmente encaixa, possível. "São pessoas que nunca fizeram nada pela cidade, e custa-lhes ver a obra feita".  
Quem engole a lenga-lenga da obra feita, é um cidadão de bem, que não engole é um inútil que nunca fez nada pela cidade. O argumento é profundamente desonesto, dado que qualquer Câmara Municipal, como é obvio tem muito mais ferramentas ao dispor para "fazer algo" pelo concelho que governa. Mas mais desonesto é a areia que nos atiram para os olhos. É que obras de embelezamento e alterações de ruas, é o que todas as autarquias fazem, é aliás o mínimo que qualquer autarquia pode fazer com os nossos impostos!

A verdade sobre o trabalho da CDU é este: Passados 20 anos, não temos dinheiro para arrendar casa, temos das águas mais caras do país, o IMI na taxa máxima e não há emprego nesta cidade, o que nos leva a todos os dias fazer 2/3 horas a caminho da capital. Continuam a haver bairros sociais, continuam a haver freguesias periféricas sem transportes, continuam a haver nessas freguesias zonas sem saneamento básico. 
Continua a ser inútil para um estudante do politécnico pensar em fazer vida em Setúbal. Termina o curso e tem de se ir embora, porque aqui só há emprego para jovens em restaurantes, cafés e alojamentos.
20 anos depois, a única coisa que a CDU tem para nos mostrar são edíficios turísticos renovados a peso de ouro, alterações nas vias de circulação e as mais de 1000 medalhas que distribuiu pelos habitantes - até o Joe Berardo recebeu uma. 

Pergunto: o que é que há para continuar aqui, André? A miséria? A falta de possibilidades de construir vida em Setúbal. Se é isso que quer continuar, fique quieto e passe a bola a outro. 

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O deputado Luís Monteiro, do Bloco de Esquerda, foi acusado nas redes sociais pela sua ex-namorada, de violência doméstica. 

O desabafo da rapariga no Twitter tomou proporções inesperadas para muitos quando o tema passou para a comunicação social. 

O deputado que tinha anunciado a candidatura à Câmara Municipal de Gaia, desistiu dessa mesma candidatura por considerar que poderia prejudicar o partido e enviou um infeliz comunicado, onde diz ser ele a vítima. 

Porque é que não desistiu também do lugar de deputado? Não sab€mos... 

Mas acabou por cair no clichê, que é tantas vezes referido por militantes do Bloco, de todos os agressores: descredibilizou a alegada vítima. 

Mais surpreendente, o silêncio do partido, e a postura de Catarina Martins. A líder bloquista andou anos a querer apoderar-se do tema, dizendo ser uma bandeira do partido. Fazia apelos para não se ignorarem os sinais, para se fazer queixa, mas quando confrontada com o caso de Luís Monteiro, usou da figura da presunção de inocência. Para a Catarina não devemos ignorar os sinais, a não ser que esses sinais firam os interesses do seu partido. 

Fosse toda esta situação num partido de direita e o escândalo que não seria. Assim, como são os "bonzinhos" do Bloco, o assunto muito pouco ou nada tem sido escrutinado. 

Só há #MeToo ou #NemMaisUma quando os agressores não são de esquerda. 

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O nosso governo socialista é perito no clientelismo e na criação de dependência perante o Estado. Têm uma base fixa de potenciais eleitores - os funcionários públicos - que mimam e aumentam sempre que podem. 

Há sempre mais contratações e mais privilégios para este segmento da população com o Partido Socialista. É pura estratégia eleitoralista. Quando se aproximarem as eleições, verão os ordenados da função pública a aumentar. Para já, continuam os "rebuçados". 

 

Como escreveu Bastiat: "Todos querem viver às custas do Estado. Esquecem-se que o Estado vive às custas de toda a gente"

 


Na passada sexta-feira, eu (e acredito que muitos outros milhares de portugueses) tive a minha atenção dividida, entre o decorrer da minha vida pessoal e profissional e as palavras que saiam da boca de um outro português, em direto, durante cerca de três horas. Essas palavras, conforme iam saindo geravam cada vez mais expectativa e crescente indignação.Isto claro, à medida da minha capacidade de decifrar alguns termos judiciais e de ir lendo os rodapés do noticiário onde já se traduziam outros. 

No final de uma longuíssima leitura, o juíz Ivo Rosa terminava de dar a decisão instrutória acerca da Operação Marquês, que envolvia o ex-primeiro-ministro socialista José Sócrates. Após sete anos desde o ínicio da mediatização deste processo, ouvimos então críticas à investigação do Ministério Público e uma palavra que encheu as redes sociais e que provavelmente invadiu as conversas de muita gente: Prescrição.
À saída do tribunal aparecia um José Sócrates sorridente, após lhe terem sido retiradas quase todas as acusações, que dizia aos jornalistas que só faltam cair as restantes.

Depois de tudo isto, e tendo-se gerado uma onda de indiganção geral, líderes partidários e não só, apressaram-se a produzir uma reacção ao acontecimento, tendo em conta o sentimento geral do país. Críticas e juras de amor à justiça ou de guerra à corrupção. Tudo isto soa muito bem, mas no ponto em que estamos torna-se insuficiente. Os partidos não se podem ficar pelas declarações inflamadas para a comunicação social. Têm de propor algo concreto e saber comunicar à população o que propuseram e em que é que essas propostas vão melhorar o panorama da Justiça neste país.

Até hoje continua a haver um comportamento de "Pedro e o Lobo", que afeta muitas áreas mas que certamente na Justiça se torna mais polémico. Ouvem-se deputados e outros que tais, a proclamar-se contra a corrupção vezes sem conta, no entanto continuam a aparecer casos como o de sexta-feira, em que a prescrição é o cocktail de vitória dos acusados.
A corrupção é um crime muito difícil de provar, ainda para mais quando a nossa Justiça não o consegue identificar as provas e julgá-las em tempo útil. Por isso é necessário trabalhar na melhor forma conhecida de combater este crime, que é apostar na prevenção.

O desgaste da confiança das pessoas nas instituições democráticas é cada vez mais notório, mas parece que a grande maioria dos nossos eleitos não se incomoda a não ser quando o mediatismo de algum acontecimento lhes possibilita uma boa oportunidade de brilhar.

Esse mediatismo de algo tão delicado como a justiça, também não ajuda num país que não confere ferramentas educativas à sociedade para compreender tudo o que a rodeia. Não temos todos de ser advogados e juízes, mas ajudava muito que não fosse necessário saber “juridiquês” para compreender decisões como a de sexta-feira. Ajudava que a população não estivesse dependente de títulos muitas vezes confeccionados em clickbait, ou de comentadores, para poder compreender o que foi dito pelo juíz Ivo Rosa. Essa dependência e falta de conhecimento ajuda quem se lança imediatamente nas redes sociais a pedir prisões perpétuas e perseguições a juizes.

Quanto mais informada e esclarecida está a sociedade, melhor funciona e mais eficazmente consegue canalizar a sua indignação. Até que haja um verdadeiro empenho numa reforma da Justiça e também da Educação, a corrupção continuará a minar a confiança dos portugueses, a queimar-lhes dinheiro e a roubar-lhes oportunidades. Sem um esforço real no nosso país para acabar com a corrupção, vai ser a corrupção a acabar com o país.

As pessoas estão cansadas de conseguir prever as absolvições destes grandes processos, cansadas de um sistema de justiça que parece prescrever sempre que bate de frente com os poderosos. Vale a pena continuar a lutar contra corrupção, mas é cada vez mais dificíl neste clima apelar à razão, e ninguém parece estar com vontade de evitar as consequências disso.

O CDS não sabe o que quer. O Conselho Nacional do CDS-PP, marcado por pressão de Adolfo Mesquita Nunes, terminou ontem já para lá das cinco da manhã. 

Foram quase 24 horas de discussão e debate sobre o estado do partido. No final, ficou tudo relativamente na mesma. 

Digo relativamente na mesma porque a moção de confiança de "Chicão" foi aprovada sim, mas com uma vantagem de apenas 30 votos. 

É pelo resultado da moção que declaro que os militantes centristas, ou pelo menos os que estavam mandatado para se pronunciar naquele órgão, estão às aranhas. 

Todos os dirigentes que usufruem de palco mediático, seja pelas funções que ainda desempenham como é caso dos deputados, seja por serem figuras destacadas do tempo da PaF, fizeram valer bem o seu ponto de vista: o partido está mal, a direção não tem imaginação para mais e Adolfo Mesquita Nunes pode ser a solução. 

Do outro lado, Francisco Rodrigues dos Santos teve o seu momento de "chefe", ao gosto da Direita, e dirigir-se aos adversários num tom áspero e irritado. A acompanhá-lo todo um eco de membros dos órgãos internos do CDS e demais conselheiros que o apoiaram no Congresso de Aveiro. A estratégia era apontar as falhas da Direção a que AMN pertenceu e fazer crer que mudar de presidente a meio de um mandato não era benéfico para o trabalho que se pretende ver realizado nas Autárquicas.

Acontece que, o argumento das Autárquicas servia ambos os grupos. Pois se uns diziam que um congresso eletivo seria prejudicial, os outros alegavam que não o realizar é que levaria o partido ao precipício. 

No final, nem "Chicão" conseguiu ser suficientemente convincente para conseguir uma verdadeira aprovação da sua moção de confiança, nem os mais reconhecidos membros do CDS foram suficientes para influenciar o voto dos conselheiros ao ponto de pedirem uma viragem no rumo. 

Francisco teve uma vitória pífia, um "num". Dentro do partido talvez tenha sido motivo de festejo para os seus, mas o que sobra, o que o país viu, foi um CDS-PP profundamente dividido, em que players fundamentais como Cecília Meireles ou Telmo Correia não acreditam no líder do partido e não se inibem de o dizer. 

O pior é que, no final, Francisco Rodrigues dos Santos declarou aos jornalistas que teve uma grande vitória, que o que lhe interessava era legitimar a sua liderança e que ouviu atentamente as críticas. 

Não legitimou a liderança, longe disso (até porque quase toda a sua direção já se demitiu) e ainda repetiu a mesma frase com que terminou o último Conselho Nacional. Desde esse até ao de ontem muito pouco mudou. Até quando irá dizer que ouve as críticas sem que mude absolutamente nada, só ele e quem o aguenta na presidência do partido o podem dizer. 

 

 

 

 

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No dia da memória das vítimas do Holocausto, tivemos, ironicamente, nas bocas de muita gente (que se interesse por política) o nome Adolfo.

Não o Adolfo do Holocausto, mas o Adolfo do CDS-PP. O ex-secretário de estado do Turismo escreveu um artigo no Observador, intitulado "Uma nova força para o CDS", um dia depois de se assinalar 1 ano de mandato de "Chicão" , em que parece anunciar a sua vontade de se candidatar a presidente do CDS.

Muitos viram isto como a possibilidade de ter um Adolfo a salvar o CDS do Holocausto político que atravessa, outros como mais uma enorme contribuição para esse mesmo Holocausto. A verdade é que a existir esta candidatura e a efetuarem-se as eleições antecipadas que Adolfo Mesquita Nunes (AMN) pede no seu artigo, pode ser um de dois: ou representará mais uma cisão, mais um cavar de trincheiras entre os militantes centristas ou funcionará como uma última injecção de adrenalina no histórico partido do Caldas.

Por um lado achei uma retirada brusca do tapete, dos pés de Francisco Rodrigues dos Santos (FRS), com uma série de demissões seguidas em poucos dias. Pareceram combinadas, ou enquadradas no momento em que AMN se lança para a candidatura e desafia o presidente do CDS-PP a marcar um congresso eletivo.

Entre essas demissões destacam-se a de Filipe Lobo Dávila, que já fez questão de explica no seu Facebook que a carta de demissão foi escrita muito antes do anúncio de Adolfo, e a de Raúl Almeida, conhecido amigo de AMN e que não explicou nada, pelo menos que me tenha apercebido.
O que é certo é que logo no artigo que serviu de tiro de partida para a candidatura de Adolfo, este avança vários nomes que, na sua opinião, necessitam de ser "recuperados" (entre aspas porque muitos estão no ativo). Nessa lista já consta o nome de Lobo Dávila. Coincidência? Aceito que sim.

Há também uma outra versão acerca das demissões e do momento de rutura da Direção de Chicão, que aponta como fator desencadeador para este momento, os problemas financeiros do partido.
Não tem sido propriamente segredo, já que até aquando da última vez que se batalhava pela presidência do CDS, batalha da qual FRS saiu vencedor, o estado das finanças do Caldas foi um dos temas quentes, com acusações de má gestão à Direção de Assunção Cristas.
Assim, diz-se, os vices de Chicão que se demitiram no dia da candidatura de AMN, fizeram-no não pelo anúncio do ex-secretário de Estado, mas porque este dia foi também coincidente com uma tentativa de capitalização do partido que saiu frustrada - Holocausto financeiro?.

Diga-se de passagem que não abona muito em favor de um partido de direita, ter tão pouco controlo na informação interna e especialmente quando esta afeta uma das suas principais bandeiras políticas. Falo do rigor financeiro.

GUERRA DE AUDIÊNCIAS e GUERRA DAS "BASES"

Desde que Adolfo Mesquita Nunes anunciou a sua candidatua, que o CDS tem saltado para as primeiras páginas de jornais, tem sido tema de muitos artigos de opinião e é notório um combate nas redes sociais, pela audiência dos militantes mas também uma medição pública de notoriedade.
Aos mais desatentos, peço que atentem para quando FRS fizer algum "live" no Facebook, e reparem que assim que termina, Adolfo fará outro.
Do que pude constatar até agora, Mesquita Nunes leva vantagem na audiência das redes sociais. Diria que isso é fruto da sua notoriedade mas também por ser uma forma de comunicação a que tem recorrido frequentemente há vários meses, o que o levou a fidelizar uma audiência.

IMG_20210205_175922.jpgAinda nas redes sociais, tem sido notória a agitação entre as bases, com concelhias e distritais a precipitarem-se nas juras de amor ao líder ou nos incentivos ao challenger. Por ser a minha terra natal, naturalmente estou mais atento às estruturas partidárias daqui, e onde tem sido notório o apoio de algumas concelhias e da distrital do CDS em Setúbal, ao atual presidente.

No entanto já me deparei também com grupos de apoio a Adolfo Mesquita Nunes e a Francisco Rodrigues dos Santos, criados por militantes anónimos, ou pelo menos que não reconheço
O Facebook tem sido a rede mais quente, onde se podem encontrar mais comentários de ataque e contra ataque, e no qual me deparei com uma colisão de "notáveis", neste caso Francisco Mendes da Silva, a criticar publicamente um post de Joana Bento Rodrigues (não tão notável mas herdeira do movimento de Abel Matos Santos, o psicológo que curava homossexuais). A visada refere no seu post que o partido deve livrar-se dos liberais, Francisco Mendes da Silva repudia essa atitude que considera ser destrutiva para o partido.

Na comunicação social, tal como disse, o CDS tem sido tema quente também, com notícias diárias acerca de demissões ou reportagens sobre o challenger Adolfo Mesquita Nunes. Os espaços de comentário também se tornaram num campo de batalha dos centristas, que têm aproveitado para enviar recados. Os apoiantes de Adolfo largam bombas opinativas à presidência de FRS e vice versa. Ribeiro e Castro tem sido um dos destacados neste combate virtual, tomando as dores de Francisco, pois reconhece-se no papel deste aquando das movimentações de Paulo Portas para o retirar da presidência do partido. Ribeiro e Castro considera que o desafio de Adolfo se trata de mais uma "golpada".


UM PARTIDO DE DIREITA QUE NÃO GOSTA DE COMPETIÇÃO?


O CDS-PP atravessa um momento muito difícil, com muitas dificuldades financeiras, dificuldades de afirmação no espaço mediático e dificuldades em demonstrar aos eleitores que continua a ser fulcral para o espectro centro-direita português.

Eu considero que este é um partido fundamental para a nossa democracia e que é urgente que se reencontre. Não acredito em direitas histéricas, que funcionam como seitas de evangélicos e não apresentam soluções para nada, como é o caso do Chega. Não acredito em iniciativas de riquinhos,  capitalistas selvagens com tiques de superioridade por se considerarem cosmopolitas iluminados, que é o que para mim representa a IL.

Penso que o CDS reunia e ainda pode continuar a reunir o equilíbrio saudável da direita, tal e qual o que acontece na Alemanha, na Áustria ou no Reino Unido, onde partidos que partilham da mesma ideologia do CDS-PP são governo e, no caso da Alemanha, o trabalho é reconhecido internacionalmente, pela positiva. Aliás, cruzei-me há pouco tempo com uma citação partilhada pela página de Instagram da Juventude Popular de Setúbal, da Chanceller Angela Merkel em que esta assume ser por vezes liberal, por vezes conservadora e por vezes democrata-cristã. É esta partilha de valores funciona e não a sua divisão.

Daí que me parece que os centristas cometem o erro ao não terem capacidade de se distanciar dos seus egos, de se distanciar de líderes e de olharem para o partido como um tudo, avaliando: "O que é o melhor para o partido neste momento?"
Prosseguir com o trabalho que tem sido efetuado pelo Francisco Rodrigues dos Santos, ou assumir a sua inviabilidade e arriscar rapidamente noutro projeto, neste caso apresentado por Adolfo Mesquita Nunes.
Devem insistir com a Direção de FRS, defendendo-o e cerrando fileiras contra os apoiantes de Adolfo ou pressioná-lo a fazer algo de diferente já que agora tem competição interna?

Pelo que se tem visto, os militantes andam confusos, nervosos e vão agir de cabeça quente preparando uma "luta" entre democratas-cristão e liberais.
Repare-se que no início do mandato Chicão era tido como um líder conservador. Agora ao que parece é o expoente máximo da democracia-cristã. Já o Adolfo, como tem boas relações com membros da IL, é visto como um demónio que irá tornar o CDS numa segunda iniciativa liberal. O que é certo é que só mesmo no CDS é que se considera AMN um perigoso liberal. Se assim fosse, duvido muito que se tivesse aguentado tantos anos no partido.

Por incrível que pareça, o partido centrista está a despender imensa energia, de cabeça enfiada no rabo, e a ver problemas onde não existem.
Um partido capitalista, de direita, que defende que a competitividade é o motor da criação de riqueza não pode achar que o mesmo não funciona para dentro do partido. São comunistas internamente e capitalistas externamente?

A competição é boa, é desejável, está a colocar o CDS novamente no centro mediático (por muito supérfluo que pareça também é importante) e devia ser recebida com alegria por todos os militantes daquele partido. Se o Cristiano Ronaldo não se superasse diariamente, não faltariam excelentes jogadores para ocupar o seu lugar de melhor do mundo. 

Ou o atual líder se empenha mais ou a competição engole-o. É o mercado.



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