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The Pólis

The Pólis

Os anti-ventura dão jeito a quem?

No dia 12 de dezembro do último ano, André Ventura, presidente do Chega(CH), escrevia no seu perfil pessoal, no Twitter :


"Deus confiou-me a difícil mas honrosa missão de transformar Portugal. E eu não abandonarei os portugueses, por muitas armadilhas que me sejam colocadas no caminho."

Um estilo que agrada à vertente iurdesca do CH e que foi ridicularizada pelos seus antipatizantes, ao longo de comentários, reacções e artigos de opinião. Numa entrevista ao jornal Observador, Miguel Pinheiro perguntou-lhe mesmo "quando?" é que deus tinha falado com o dirigente do CH - pergunta que foi até elogiada por Ricardo Araújo Pereira no Governo Sombra.

Um mês depois eu tenho de admitir que dou parcialmente razão a André Ventura. Acho que escreveu aquela frase, à primeira vista disparatada, com o intuito de apelar aos evangélicos e a alguns católicos impressionáveis, mas acabou por ter um laivo de verdade.

O agora candidato a presidente da república, não tem nenhum missão confiada por deus. Ele tem é motivos para se sentir um deus.

Desde o ínicio da campanha eleitoral, em que fez questão de andar a viajar pelo país num momento completamente desaproriado, André Ventura tem sido seguido pelo seu batalhão de militantes, que estão já bastante documentados para nos podermos referir aos mesmos como fãs, pelos jornalistas e por uma legião de contestadores.

Quando digo que André Ventura se deve sentir como um deus, é por isto mesmo: é amado por uns, que o tratam como um deus do bem, dos "portugueses de bem", e odiado por outros que se dão ao trabalho de o seguir para mostrar o seu desagrado, acreditando ingenuamente que o estão a "combater". A combater o deus do mal, de todos os males, o diabo que invocou o fascismo adormecido.

É normal que quem goste de Ventura o trate muito muito bem e o veja como poço profundíssimo de virtudes. Não é normal que quem não goste de Ventura despenda do seu tempo para o destratar e acusá-lo das maiores barbaridades.

Os primeiros fazem o que é suposto, os segundos ajudam os primeiros e nem se apercebem. Todos ajudam André.
Não sei se, como diz o líder do CH, é o Bloco que está por detrás das manifestações anti-chega ou não. Mas sei de uma coisa: cada manifestação que realizam, acrescentam mais uns minutos ao tempo de antena daquele que querem combater. Acrescentam mais uns argumentos ao discurso de vitimização de Ventura, e mais uns apoiantes que se juntarão a ele nem que seja por detestarem a esquerda.

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Não se percebe qual é o objetivo dos protestantes. Talvez por serem na sua maioria miúdos estejam à espera que André Ventura fique muito desanimado e desista. Uma ideia que só na cabeça não sei de quem, poderá ter cabimento.

De qualquer das formas, continuam a obrigar a que os holofotes estejam sempre centrados no presidente do CH, e o que vemos é um candidato calado a ser ofendido. Não dará bom resultado para quem o pretende combater.  Um endeusamento é sempre um endeusamento. Colocar André Ventura no patamar de deus do Mal é dar-lhe uma importância que não tem, mas que toda a sua equipa tem mérito por a conseguir criar artificialmente. Nós, cidadãos e demais escrutinadores, temos o demérito de não saber decifrar esta estratégia, colocá-lo no seu lugar e obrigá-lo a jogar o jogo dos argumentos para defender aquilo que indefensavelmente defende.

Nisso Marcelo Rebelo de Sousa e Sérgio Sousa Pinto têm toda a razão quando dizem que não é a ameaçar proibir ou a chama-lo a ele e a todos os seus apoiantes de fascistas, que vão conseguir vence-lo.

Isso é lenha para a fogueira onde se aquecem os extremos.

Aquele avô bêbado que temos lá em casa

Foi o tema de muitas conversas ontem, os trechos da intervenção de André Ventura em Portalegre, noticiados na comunicação social. O candidato do Chega (CH), tratou de deixar bem claro que estas eleições presidenciais servem para solidificar a implantação do partido e que o principal objetivo é melhorar o resultado das legislativas.

O pior veio a seguir, quando começou a disparar para todos os lados, de forma infantil e jocosa. Disse que o João Ferreira era um operário "beto", que o Presidente da República parecia um esqueleto, que o batom vermelho da Marisa Matias não é muito bom para a imagem de uma presidente e, finalmente, que o Jerónimo de Sousa é como "aquele avô bêbado que temos lá em casa".

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Não sei que avô é que o André Ventura tinha na sua família para achar que ter um avô bêbado em casa é algo generalizado na população portalegrense. Sei sim que o presidente do CH quer ser o Trump português e estes insultos fazem parte dessa tentativa de o ser.

Essa tentativa, não assumida (no debate presidencial com Ana Gomes, Ventura mostrou-se perplexo pela socialista ter dito que ele era fã de Trump), é confrangedora e até pateta. Quem não tenha o hábito de acompanhar as notícias via TV, acerca da política norte-americana, onde logicamente Donald Trump foi figura pincipal nos últimos quatro anos, talvez não note. Os gestos, (o indicador levantado com a palma da mão virada para a frente p.ex) enquanto fala, muito pouco naturais como é de esperar numa imitação amadora. A roupa, como o sobretudo escuro e comprido com uma gravata enorme no meio. As expressões, "o pior da história", "o mais grave de sempre", cheio adjetivos superlativos, que são também das coisas que mais nos fazem soar o alarme de imitação relativamente ao presidente americano. E por último, o estilo bully, de constante ataque e ofensa infantil aos adversários, com o objetivo de os ridicularizar, que se materializa na criação de alcunhas ou, por exemplo nos debates, com a recorrente interrupção e interpelação chamando-os de mentirosos.

Pego agora numa dessas alcunhas, a do "camarada de plástico", que acho que assenta muito melhor em André Ventura. O plástico a que me refiro não é o plástico útil que utilizamos no nosso dia-a-dia, é o plástico que imaginamos quando falamos na comida fast-food. A estratégia do CH e do seu presidente, é servir-nos política de entretenimento, uma política de plástico para consumo imediato. Ventura vai acabar por conseguir ter o seu lugar na história da política portuguesa, mas sem qualquer traço de autenticidade.

A direita que agora se encanta muito com este partido e este homem, porque confunde ofender a esquerda com combater a esquerda, anda atrás de um imitador, um ator, que se engana a ele e aos outros para existir. Este exercício pode agora ter resultados muito interessantes, ou até não porque as sondagens são o que são, mas a médio longo prazo, trará consequência enormes para o espaço político da direita.

Por andarem embevecidos com um estilo que personifica a caricatura que fazem da direita, os militantes desse espectro ideológico iram cunhar a caricatura como retrato fiel e nunca mais se verá a mesma como uma alternativa sólida, capaz de ocupar o poder em que seja apenas para castigar a esquerda.

A direita que se comporta como o "avô bêbado", destrói aos poucos a sua casa, numa ilusão de afronta aos poderes instalados e de combate ao socialismo. Não se apercebem que o maior favor que fazem à esquerda é exatamente este, o de se comportarem como a esquerda sempre os adjetivou.

"Lá fora", existem bons exemplos dos benefícios de uma direita decente, que se paute por valores morais e éticos, que não se limita a adjetivar negativamente os adversários, apresentando-se com soluções úteis, responsáveis e claras.
Na Alemanha receia-se o fim da liderança de uma internacionalmente consolidada estadista de direita, Angela Merkel (porque a própria não pretende voltar a recandidatar-se). Em Espanha, o Partido Popular, de Pablo Casado, continua a re-conquistar os espanhóis, tendo colocado no lugar a extrema-direita do Vox e fazendo oposição séria aos socialistas de Sanchéz e comunistas de Iglesias.

"Cá dentro", esta direita não está a saber comunicar, a saber vingar, a saber mostrar as diferenças entre ela e a direita trauliteira, entre ela e a esquerda oligarca.  Veremos o que nos reserva o futuro, mas a direita do "avô bêbado" eu dispensava.

O povo tem de ensinar uma lição ao PCP

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A campanha eleitoral para as presidenciais começou ontem (oficialmente) com o PCP a começar tão mal como terminou o ano 2020.

A organização de campanha de João Ferreira, realizou um comício no Coliseu do Porto. Centenas de pessoas num espaço fechado, um "ajuntamento", protagonizado mais uma vez por um partido com responsabilidades sobre as nossas vidas.

Experienciamos o momento mais crítico da crise sanitária no nosso país, com o número de infetados a aumentar a um ritmo de 10 mil casos por dia,  colocando em risco o colapso do sistema de saúde. Os comunistas, que o querem tanto defender, em vez de darem o exemplo, em vez de se solidarizarem com o esforço anunciado que teremos de fazer de novo de confinamento, optam por fazer uma demonstração de força.
Depois do Avante, depois do Congresso, o Partido Comunista Português volta a contribuir para que as pessoas achem que os políticos são uma cambada de privilegiados, irresponsáveis que apenas se interessam por eleições.

Há crianças e jovens que todos os dias têm aulas de janelas e portas abertas, porque cerca 30 pessoas numa sala de aula é demais. Há idosos que não contactam as famílias há meses, para não falar nos que estão internados e a quem apenas permitem visitas se for para se despedirem.
Pais com dificuldades para pagar as contas porque a oscilação dos números de infetados é também a oscilação de abertura e fecho dos seus sustentos.

Nada disto toca o coração dos comunistas, que investiram forte e feio nesta campanha presidencial, e que nos dizem, ao realizar mais um ajuntamento num momento crítico: "Vão-se lixar! Vão-se lixar que nós não orçamentámos 450 mil euros para agora cancelarmos as ações de campanha só porque vocês, as vossas famílias, os vossos amigos e conhecidos andam a sofrer, a endoidecer ou a morrer. Têm de ficar em casa? Problema vosso. Inscrevam-se num partido e venham disfrutar da liberdade de poder fazer tudo o que nos apetece, quando nos apetece, sem consequências."

Por 3 vezes o PCP já nos faltou ao respeito descaradamente. 3 vezes em que se dizem acima dos restantes portugueses, 3 vezes em que se estiveram a lixar para nós.
Este ano existem duas eleições: Presidenciais e Autárquicas. Nós, o povo, temos de de lhes ensinar que a merda que fazem tem consequências. Que sem nós não são ninguém. Antes de lutarem pelos poleiros, lutem por nos conquistar. Nas próximas eleições espero que tenhamos a capacidade de castigar e reeducar os comunistas. De lhes dar uma lição de humildade. Que o desprezo pelos mortos e infetados lhes custe muitos votos, é o meu desejo fora de horas para 2021.


PS: Também ontem foi noticiado que o candidato que realmente vem do povo, o candidato que menos dinheiro tem para gastar em campanha e que tem sido renegado pelo "sistema", teve a humanidade de cancelar as ações de campanha durante o período de confinamento dos portugueses. Este percebe que tem de ser solidário connosco.

Vitorino Silva

O candidato com tino

Numas eleições cada vez mais desprestigiadas como as Presidenciais, que lentamente se assemelham ao concurso Miss Mundo, em que os candidatos propõem tudo e nada, sendo que tudo são as propostas vagas que debitam cada vez que podem, e nada aquelas que sabem que estão fora do alcance de um presidente da República poder exectuar mas que decidem apresentar na mesma, há uma cara familiar que traz algum realismo à disputa.

É mais que sabido que o vencedor é Marcelo Rebelo de Sousa, e por isso mesmo não desce do estatuto de MVP. Está reservado, como se faz em culinária. É só não estragar o que já tem.

A cara familiar de que falo, é a de Vitorino Silva, mais conhecido como Tino de Rans. O candidato penafidelense consegue supreender sempre que volta a aparecer. Há 5 anos atrás surpreendeu no final, com um resultado muito acima do esperado. Surpeendeu tanto que o PCP apanhou um susto - etiveram a 30 mil votos de ser ultrapassados pelo calceteiro.

Este ano, aparece mais experiente, com um discurso muito mais assertivo e repleta de mensagens por entre as suas parábolas e analogias. A importância de Vitorino Silva nas eleições de 2021, duplicou pelo contexto político em que se insere. Estamos na época do pós-verdade, em que para ser basta parecer, e a maioria dos challengers são isso mesmo, vendedores de banha da cobra. Especialmente os que se dizem "representantes do povo".

É especificamente aí, que Vitorino e torna uma ameaça, pois só a sua presença desconstrói a narrativa deles. Se há um candidato que representa o povo ele é com certeza o cidadão que trabalha das 9 às 18, e que decide tentar a sua sorte como mais alta figura do Estado. O candidato que mais se assemelha ao povo é o que andou pelo país, no próprio carro, de norte a sul a recolher assinaturas, dormindo na casa de quem lhe oferecesse guarida.
E melhor que estas frases para o explicar, são as 9 mil assinaturas que conseguiu, muito mais que as suficientes para uma candidatura e muito mais que as que foram apresentadas pelos candidatos empurrados por alguns partidos.

Não há nem pode haver qualquer tipo de condescendência para com a candidatura de Tino de Rans. É um insulto se o houver. Por detrás daquele sorriso embutido num desmazelo próprio de quem trabalha no chão para nos dar chão, há hum homem intensamente esperançoso e perseverante, qualidades que só quem for desatento, não as reconhece como ingredientes principais de todos aqueles a quem chamam de "imortais". 

São esse sorriso e essas qualidades que armam Vitorino Silva e não o deixam desistir ou sequer desmotivar perante as muitas adversidades que se lhe têm apresentado.
Parte como o candidato com menor orçamento e como o mais subvalorizado pela opinião "que conta" para a comunicação social. Tão subvalorizado e menorizado que até há bem pouco tempo nem entrava nos questionários das empresas de sondagens. É assim que tratam os nossos.

Tão desprezado e ridicularizado que nenhuma televisão o convidou para os debates com os restantes convidados. Só após muita pressão, lá fizeram o obséquio de o incluir.
Para primeiro debate, talvez muitos tenham pensado que lhe calhou "a fava" - Vitorino Silva versus André Ventura. Quem ontem teve oportunidade de ver os trinta minutos de debate (pouquíssimo tempo, mas é assunto para outro texto), só pode ter visto que foi a André Ventura que calhou " fava".

O calceteiro, frente a frente com o doutorado, não só não se intimidou como se fartou de enviar mensagens subtis tanto para o seu adversário, como para outros candidatos e partidos.
Com um ar simpático, sotaque do norte e gesticulação de quem não está habituado a trabalhar de mãos vazias, Tino de Rans conseguiu atirar calhaus, sem receber troco, como:

"Eu concordo com André Ventura, devia haver menos deputados. Por exemplo, sempre que algum faltasse, tomava-se nota e ao fim de umas faltas, o número reduzia"

"Eu ouço dizer que o André falta muito, mas ele só falta porque ainda não tem ninguém para lhe ir marcar as presenças"

"A rua é onde começa a casa de toda a gente."

"Está a ser um debate porreiro. É assim que se deve fazer em democracia, sem interromper o outro."

"Eu tive mais votos que o Chega e o Iniciativa Liberal juntos"

Pelo meio, Vitorino Silva ainda conseguiu fazer uma parábola com uma mão cheia de pedras que apanhou em Peniche, falando nas pedras de todas as cores, e à resposta sobre se é de direita ou de esquerda respondeu que andar direito, "preciso de uma perna esquerda e de uma perna direita" a funcionar bem.
Não fossêmos nós algo preconceituosos, e muito mais pérolas conseguiríamos ouvir por cada intervenção pública do Tino. Infelizmente, tem muito poucas porque as TV´s e os jornais não se interessam por um calceteiro.
Ontem, um falso profeta do povo encontrou um político que realmente veio do povo e só não compreendeu as bocas que lhe foram mandadas porque se notou o desprezo que sentia a ouvir Vitorino Silva. É o chamado ouvir sem escutar. 

Incrivelmente, mesmo após todas as dificuldades conhecidas e reconhecidas no debate, da promoção da candidatura do penafidelense, o jornalista que moderou o debate conseguiu gerir o tempo de forma a que Vitorino tivesse ficado com menos tempo usado. Não basta ser prejudicado desde o primeiro dia, ainda tem de ouvir um jornalista dizer "Vitorino Silva ficou com menos tempo, mas também não pode ser milimétrico". Neste caso, pode e por tudo o que lhe têm feito deve. Pois se há quem demonstra que cada milimetro é aproveitado ao máximo, é o Vitorino!

Talvez por um milímetro desta vez os votos no Vitorino ou no Tino (como diz o candidato há quem queria votar num e há quem queira votar no outro) sejam suficientes para alcançar um lugar nos 5 primeiros.

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Não desperdicem votos

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Esta é a mais recente patetice da deputada ex-PAN, eleita pelo círculo de Setúbal. Acredite-se ou não, esta personagem conseguiu roubar o lugar ao ex-líder parlamentar do CDS-PP.

Felizmente tem vindo a provar o quão má foi a escolha dos eleitores do distrito setubalense. Pode ser que para a próxima interpretem de forma mais séria, o facto de uma candidata não conhecer o programa do partido pelo qual concorre...

Eleger Cristina Rodrigues foi queimar um voto.

"Chicão" esteve bem, os manifestantes nem tanto

Ontem o presidente do CDS-PP decidiu ir ter com os manifestantes do movimento "a Pão e água", que se instalaram em frente à Assembleia da República há dias, e que alegadamente estão em greve de fome.

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Sobre o episódio não há, na minha opinião, muito a dizer. Um representante de um partido contactou com população descontente. Contado assim, qualquer pessoa poderá ter um de dois pensamentos imediatos: 1 - se os manifestantes queriam falar com alguém com responsabiliade política, tiveram ali uma oportunidade. O pólítico fez o que era suposto e foi ouvir as suas justas reclamações. 2 - o político quer aproveitar a manifestação para retirar dividendos políticos, "pontos" junto do eleitorado (ainda para mais vem do partido que aparece sempre mais prejudicado nas oraculares sondagens).

Eu tenho ambos, misturados, porque acho que é o mais sensato. É óbvio que qualque político que vá falar com a população, ainda para mais população descontente com o partido adversário, pretende ganhar pontos com isso. E não é igualmente óbvio que os políticos têm (idealmente) obrigação de nos ouvir?

Houve quem achasse muita graça, e até criticasse o líder do CDS, por ter tentado falar com os manifestantes e Ljubomir tê-lo aconselhado a parar de falar em partidos ou corria o risco de ser expulso.

Portanto, ignorando as intenções estratégicas das críticas de alguns dirigentes partidários, parece que há gente que prefere políticos que ganham pontos junto do eleitorado sem contactar com este.
E se formos atrás das sondagens, instrumento pelo qual nutro algum desprezo, quase que comprovamos esta tendência. É surpreendente que por exemplo, um partido como o PAN suba nas sondagens, sem nunca sairem dos gabinetes. Sem nunca contactarem com população. Fazendo política apenas para os lisboetas.
É surpreendente que Rui Rio e o PSD se aguentem há tanto tempo na melhor posição das sondagens, sem se mexerem, fazendo política no Twitter.
Em sentido contrário, o líder do CDS, que vai falar com os manifestantes, ou que tem percorrido o país em contacto com a população, é o mais prejudicado em sondagens.

Mas recuperando o foco no episódio da manifestação, reprovo o discurso mal preparado para os manifestantes, reprovo a notória falta de pragmatismo e deficiente assessoria do centrista, pois só isso justifica a indumentária tão desajustada ao momento - não te apresentas junto de gente cansada, frustrada e revoltada, de fatinho aprumado e esperas que alguém se identifique contigo.
Quanto isto, se me mencionarem, alinho nas críticas.

Já relativamente à atitude, só podemos reconhecer-lhe a coragem e saber ver que foi o único representante partidário a deslocar-se ao local para conversar com estes manifestantes. Mal ou bem, foi o mais próximo que estas pessoas estiveram do poder central, e não souberam aproveitar.

Ljubomir preferiu comportar-se como chefe da tribo e fazer uma exibição de poder alicerçado na sua notoriedade e nas dezenas de telemóveis que registaram o momento: "Meu querido, não sei qual é o teu partido, mas se voltas a falar em partidos convido-te a saires".

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Com a simpatia forçada que não deixou esconder a sua arrogância, Ljubomir e os manifestantes que ali se encontravam, deram mote aos partidos para brincarem com o assunto ao invés de discutirem os problemas que supostamente ali se reivindicavam.

Fica a dúvida sobre o que afinal querem aquelas pessoas que se manifestam em frente à Assembleia da República, queixando-se de que ninguém fala com eles, mas que desprezam e repudiam os partidos quando estes vão ao seu encontro.



Uma criança e um idoso

Uns desmarcam o que nunca esteve marcado, outros recusam-se a desmarcar o que nunca devia ter sido m

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Há quem diga que quando se chega à idade anciã, ao estuto de idoso, à imagem de avô, mais tarde ou mais cedo nos reencontramos com a criança que há em nós. Quem dedica parte do seu tempo a cuidar dos idosos também muitas vezes apresenta o lugar-comum de que a velhice é uma segunda infância.

A criança e o idoso partilham, nos seus piores dias uma teimosia injustificada de mão dada com a rabujice proporcionalmente inversa à sua paciência. Ambos querem o que querem agora e não daqui a dois minutos. E sabem muito bem o que querem e para quê. Só não sabem justificar quando são confrontados com um possível comportamento avesso ao que seria de esperar de alguém com plena racionalidade.

Depois de ficar a achar que este texto é sobre idosos e crianças, vou agora encaminhá-lo ao objetivo do texto: transpor esta pequena divagação para a nossa criança e idoso do sistema partidário português.

E porquê? Porque encaixa perfeitamente no que aconteceu a semana passada e ainda está para a acontecer.
O Chega e o Partido Comunista, fazem as honras de vestir os papéis de criança e idoso, respetivamente. Um partido com cerca de 3 anos e outro com, alegadamente, quase 100, decidiram que deviam organizar os seus Conselhos e Congressos presenciais, nesta altura.

Agora, que estamos a bater recordes diariamente, de infetados e mortos, ambos os partidos acharam por bem reunir vários militantes no mesmo espaço.
Tal e qual uma escolha irrefletida de uma criança ou de um idoso, estes dois partidos com assento parlamentar, escolhem marimbar-se para os mortos e infetados e arrepiar caminho entre as mais básicas recomendações de combate à covid-19: se puder evitar ajuntamentos, evite.

A criança (Chega), na realidade, ainda se está a perceber se realmente tinha alguma coisa organizada, ou se apenas quis fazer a figura de partido que responsavelmente cancelou o seu Conselho Nacional. Já vimos anteriormente que há alguém naquele partido que orquestra habilmente os meios de comunicação social a favor do Chega. Não são de todo descabidas as suspeitas de que apenas, mais uma vez, jogaram com uma situação séria, para sairem bem na fotografia. Só que para azar deles, os Bombeiros de Sintra, proprietários do local onde supostamente aconteceria o ajuntamento do Chega, decidiram intervir e revelar que nunca foram contactados para a realização de nenhum evento.

Se já tinha ficado mal a ideia de que tinham criticado o Congresso do PCP, mas iam ao mesmo tempo realizar o seu próprio evento, ainda pior fica, sabermos que mentiram deliberadamente apenas para obterem atenção da comunicação social. Infelizmente, há público para tudo, e há de haver quem tenha achado muito bem este cancelamento do Conselho Nacional, ainda que haja esta hipótese de nunca ter sido sequer marcado.

Já o nosso idoso, capricha mais na rabujice. Depois da irresponsabilidade do 1º de maio e do desplante do Avante, os nossos comunistas de bolso insistem em realizar o seu Congresso.
Chegam mesmo os militantes e dirigentes do PCP a defender-se com argumentos patéticos como "os direitos políticos não estão suspensos", "com os milhares de pessoas que andam nos tranportes ninguém se preocupa" ou "querem cancelar a atividade política do PC desde a sua fundação".

O PCP, com cerca de 100 anos, não consegue ainda lavar a ideologia da cara, e ver o que se passa à sua volta. Ver que isto não é sobre eles, que ninguém está a engendrar nenhum plano maquiavélico para que não possam juntar-se num pavilhão a repetir o que já dizem desde que foram fundados como se fosse ontem.
Ver que é exatamente pelas pessoas que todos os dias, por necessidade, têm de se colocar em perigo para garantir o sustento da sua família, que eles deviam adiar o Congresso. Pois estas pessoas colocam-se em perigo porque precisam, eles estão a colocar-se em perigo por teimosia.

Os nossos comunistas continuam a não perceber o que se passou no Avante e continuam a invocar outros eventos - Fórmula 1, Teatros, Concertos - para justificar a sua afronta ao sofrimento dos portugueses. Primeiro, não se justifica uma má ação com outra má ação. Segundo, os organizadores da Fórmula 1, dos Teatros e dos concertos, não foram eleitos pelos portugueses para terem uma palavra a dizer na governação do país.
A gravidade entre uma empresa querer ignorar as recomendações de combate à pandemia não é sequer comparável à de um partido político fazer o mesmo. Porque não partilham das mesmas respnsabilidades, do mesmo papel, na sociedade. Mais caricato é que seja o partido comunista, que tanto combate a influência das empresas, a querer colocar-se no mesmo patamar que estas (Fossem mais espertos e tinham um excelente argumento para vilipendiar ainda mais os privados). Isto é tão simples, que só um velho senil, como o PCP não consegue compreender.

Miguel "Posta" Matos

Cruzei-me há pouco tempo, virtualmente, com um trecho de vídeo de campanha do candidato a Secretário-Geral da Juventude Socialista, Miguel Costa Matos. Fazendo a minha própria pesquisa pessoal, dentro das limitações de um usuário normal de internet, posso resumir a conversa deste jovem em uma palavra: embuste.

É o mais jovem deputado na Assembleia da República e agora quer liderar a juventude partidária do Partido Socialista. Porquê? Porque diz que é "Tempo de Agir", porque considera que os sonhos dos jovens estão novamente em perigo.

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Novamente? Mas deixaram de estar em algum momento, Miguel?
Ele acha que sim, e explica no trecho que vi, que em 2015 "virámos a página da austeridade". Como assim, virámos? Está o Miguel a copiar a retórica do Primeiro-Ministro e a querer dar a entender que o PS nos salvou do malvado Passos Coelho, personificação da austeridade?

Tão jovem e tão bem alinhadinho, o Miguel na verdadade pode referir-se ao que quiser quando diz "Virámos", menos a ele próprio. É que o candidato a secretário-geral da JS, não estava em Portugal nessa altura...

Pois é, Miguel Matos conta, no seu blogue pessoal, que entre 2013 e 2015 andou a brincar aos clubes de política no Reino Unido, junto do Partido Trabalhista de Jeremy Corbyn. Ele na verdade não faz ideia do que foi viver a crise.

Mas se ao ler isto acha que estou a ser injusto, explico-me melhor : Ele não faz ideia do que é viver em crise, nem faz ideia do que é viver no mundo real de um jovem português.
Não sou apologista de que nascer num ambiente familiar privilegiado tenha de ser um handicap para se poder fazer algo pelos que não tiveram a mesma sorte, mas com o Miguel torna-se difícil contornar alguns factos da sua vida e contrapô-los com o seu discurso.

O jovem prodígido do PS, que chegou ao Parlamento tão novo e não quer ver corrompidas as expetativas dos jovens, seja de que contexto for, passou a maioria da sua idade juvenil numa autêntica bolha anti-pobres.

Entrou aos 4 anos para o colégio mais caro do país, o St.Julians, onde um ano de matrícula ronda os 10,000,00€, e saiu apenas aos 18.
É portanto compreensível, que tendo passado a juventude a observar tanta miséria e dificuldade à sua volta, tenha decidido fazer algo! E esse algo passava somente por se inscrever no partido mais parasita do sistema.

É portanto compreesível, que tenhamos de gramar com o Miguel a falar de oportunidades para os jovens, pois ele sempre teve imensas dificuldades para singrar. Deve ser mera coincidência, ter conseguido ir parar ao Parlamento tão novo.

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Por último, detetei um laivo de honestidade no jovem socialista, quando ontem escreveu um tweet e se descaiu. Ele tem o seu público-alvo bem definido: São os jovens cosmopolitas... Tal como diria Mário Lino, o resto é deserto.

O Miguel Costa Matos representa com exímia distinção a esquerda caviar portuguesa. Não são do povo, não têm nada a ver com o povo, não sabem como vive o povo, mas têm imensas postas de pescada para atirar sobre como é que vão salvar o povo.

Este é daqueles socialistas que cheiram a Bloco de Esquerda - bem pensantes, bem falantes, sabem como resolver tudo sem conhecerem nada, a apartir dos seus sofás, num T4 em Lisboa oferecido como prenda de aniversário.

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Os últimos dias têm sido muito produtivos em criação de notícias, artigos de opinião e reportagens em torno da nova era governativa que se iniciará nos Açores.
O arquipélago terá, finalmente, a oportunidade de experienciar outro estilo de governação tendo mesmo expulsado os comunistas das lides parlamentares da região - recorde-se que até o PPM ficou à frente deles.

Numa outra perspectiva, esta siuação tem gerado jogos de bastidores muito interessantes, para quem gosta. E é sobre eles que me debruço e acerca deles que terei de dar a mão à palmatória relativamente à qualidade de assessoria que o presidente do Chega hipoteticamente terá.

Ainda a procissão ia a meio, e com procissão falo nas conversações entre CDS, PPM e PSD, e já muito se discorria acerca desta pseudo geringonça invertida, porque teria de contar com aprovações no parlamento regional, de outros partidos para que tivesse pernas para andar. Falou-se na IL, no Chega e até no PAN.

Já esbracejavam os putativos arautos da liberdade à esquerda, dizendo que se ia governar com um partido de extrema direita. Como se aquilo que se tem passado no continente à 5 anos fosse muito melhor, com um Governo apoiado por partidos que celebram Che Guevara, Fidel Castro, Mao ou que põem em hipótese que a Coreia do Norte seja uma democracia.

Não acho que sirva de justificação para nada, apontar o mal que outros fazem. Mas é impossível ficar-se calado com tamanha hipocrisia.

Após o entendimento desta nova AD 2.0 , parece que se exigiu ao PSD regional que garantisse a aprovação dos orçamentos no parlamento regional. Para isso, o PSD tentou então conversar com a IL e com o Chega. E a partir da segunda conversa, com o partido de Ventura, é que o PSD nunca mais apanhou o fio à meada.

O CH desde então tem jogado com mestria, e assim que terminou a conversa com o PSD, lançou para a comunicação social a ideia de que se tinha firmado um acordo que incluia a redução do número de deputados, a castração química e uma possível extensão do acordo às autárquicas.

Fazendo lembrar o filme "Wag the Dog", o Chega marcou a agenda e minou a credibilidade do PSD. Costuma-se dizer para não lutarmos com porcos não é...?

O PSD viu-se obrigado a desmentir essas informações, mas o dano estava feito. O primeiro a gritar ouve-se mais pois o segundo já não conta com todos os ouvintes na sala.

Depois de dezenas de reacções nas redes, mais outra dezena de artigos de opinião e manchetes, Rui Rio veio tentar remediar o irremediável: a ideia de que fez um acordo com a extrema direita estava no ar.

Após tudo isto seguiram-se, para além do desmentido, algumas defesas usando a tal questão da geringonça continental. E Rui Rio, que tem um registo patético nas redes sociais, acha boa ideia brincar com o tema.
Ontem, mais uma vez, a assessoria de André Ventura, revelando muita perspicácia, esteve atenta ao que Rui Rio fazia e conseguiu gerar mais uma nódoa no peito do PSD.

O líder dos laranjas faz um tweet infeliz, perguntando se há novidades acerca do "avanço do fascismo nos Açores" e, cerca de uma hora depois, André Ventura escreve outro tweet exatamente sobre o mesmo.

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Resultado: Ventura puxa o PSD para junto de si, demonstrando consonância de pensamento e articulação conjunta na comunicação externa. Para quem leu ambos, fica com a ideia de que combinaram ou que são muito parecidos. De uma cajadada André Ventura conota o PSD com a extrema direita, para quem vê de um lado, e conota o Chega com o centro-direita, para quem vê do lado oposto.

Em pouco dias, o partido de André Ventura, talvez por o terem subestimado, fez gato sapato da reputação do PSD e ainda se serviu da comunicação social como bem quis.

Todo este lodo teria sido evitado de uma forma muito simples: PSD, CDS e PPM não precisavam de falar com ninguém para formar governo. Quem estava com eles estava do lado da direita, quem não estava colocava-se ao lado da esquerda. Este era o argumento único que devia ter sido utilizado, sem direito a conversações.


O que tem João Galamba para ser tão protegido?

Já aqui (post sobre o assunto aqui) tinha discorrido acerca da falta de sentido institucional e má educação do Secretário de Estado João Galamba. Hoje, na comunicação social foi noticiado que ele e o Ministro Siza Vieira estão a ser investigados por corrupção no projeto do Hidrogénio em Sines.

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Relembro mais uma vez, que este Governo já demitiu um Ministro por ter feito um post no Facebook. Relembro agora que o último Ministro investigado por corrupção durante o exercício do cargo, foi Miguel Macedo do PSD. À época, demitiu-se imediatamente para permitir "ser investigado o que tiver de ser investigado»" e permitir a separação de poderes.

Veremos se uma suspeita de corrupção, instiga nestes governantes o mesmo sentido de Estado e os consciencializa de que se devem demitir.
Especialmente o João Galamba, ou será que nem uma suspeita de corrupção é suficiente para o primeiro-ministro o colocar na rua? Se assim for, é legítimo que nos comecemos a indagar o que terá o Secretário de Estado que o torna tão intocável?

Segue, Segue, Segue

Há um sketch dos Gato Fedorento, "Matarruanos dão indicações", em quem uma automobilista se aproxima de um senhor, um matarruano, e lhe pede indicações para o Centro Cultural. O indivíduo, muito prestável, dá-lhe as indicações: "(...)vai recto, apanha um caminho para a direita, não vira! Apanha um caminho para a esquerda, não vira!(...)". Nisto, um segundo matarruano que está a passar e se apercebe de que o seu conterrâneo está a dar direções para o Centro Cultural, decide intervir porque notou que estavam erradas. Ficam então os dois a dar indicações contraditórias sobre como chegar ao mesmo sítio. O sistema repete-se com um terceiro e um quarto matarruano. A automobilista fica a ver os quatro homens a digladiarem-se com diretivas contrárias uns aos outros, tentando superiorizar-se no volume, durante uns minutos até que desiste e decide arrancar com o carro sem querer saber das indicações de ninguém.
 
 Por os Gato Fedorento terem sido uma constante durante a minha adolescência, existem inúmeras situações que me remetem para os seus sketches. Este em particular, surgiu-me à memória quando refleti sobre a panóplia de indicações, contra indicações e falsas indicações que nos têm sido transmitidas até hoje, acerca da pandemia de covid-19. Quem não conhece o vídeo, aconselho a visualização e experimente colocar a população portuguesa no lugar da pobre automobilista e no lugar dos matarruanos o Governo, os partidos, o Presidente da República, a Ordem dos Médicos, a Ordem dos Enfermeiros, os virologistas, os comentadores. Pode imaginar mais uns quantos matarruanos para representar os negacionistas do Qanon, em forma de Médicos e Jornalistas "pela Verdade".
 
E nós, sentados no carro, de olhos trocados e já com pouca paciência para conspirações das máscaras, restrições à circulação que são apenas recomendações ou dos mesmos avisos desde março de que a situação via piorar, acabamos por "arrancar". Uns escolhem ouvir apenas fontes oficiais, outros enveredam pelas conspirações e uns terceiros desistem de ouvir quem quer que seja e decidir tudo à sua vontade.
 
Quando as autoridades de saúde não conseguem ser a voz que se destaca no meio de todas as outras, quando o governo revela desgoverno nas orientações à população, a tarefa de diminuir o nº de infecções torna-se hercúlea. O Ministério da Saúde está descredibilizado, Marta Temido não inspira confiança a ninguém a não ser à Cristina Ferreira - que dá festas "de arromba" em casa sem uma única máscara à vista.
 
A crise pandémica parece ainda ter muitos episódios por vir. Atrás, como já vem sendo previsto há uns meses, virá a crise económica que afetará com mais intensidade, como sempre, as famílias desfavorecidas, os jovens que pretendiam ingressar no mercado de trabalho, os pequenos empresários.
Felizmente poderão contar com a esquerda que, vendo uma crise à vista, terminou o seu estado de oposição em layoff e aplicou a necessária distância de segurança do Governo. A partir do próximo Orçamento de Estado (OE) já podem fingir (ainda mais), que não tiveram nada a ver com o que não foi feito até hoje, que não têm culpas no desinvestimento do SNS ou da Educação. A proposta de OE para 2021 passa agora a comprometer os objetivos da Geringonça, que eram sorrir e acenar quando apareciam medidas populares, e fingir-se de morta aquando das medidas mais mázinhas.
 
Citando uma célebre deputada do Bloco de Esquerda, eleita pelo distrito de Setúbal, para descrever o comportamento dos parceiros do Governo: "como é que se chamam aqueles animais que rondam a área à espera de uma morte para se alimentarem?". Estes já se estão a colocar em posição. 

 



 

 

Eles acham que somos estúpidos e este gráfico prova-o

O Governo já demonstrou várias vezes que não nos tem em boa conta. Infantiliza-nos, acha-nos uma cambada de pacóvios à espera de subsídios e ordens de Lisboa.
Se a semana passada isso se consubstanciava na patranha de apresentarem uma proposta de comboio TGV Lisboa-Porto igual à que tinham apresentado no tempo do Guterres, hoje presenteiam-nos com este lindo gráfico.

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Em legenda, nas redes sociais oficiais do Governo, diz que nos últimos 5 anos houve um aumento de 22 000 profissionais de Saúde.

"Nos últimos 5 anos" - apresentam um gráfico com 4 barras, omitindo 2017.
Quanto ao aumento, a desproporção das imagens, ao nível de um gráfico do Chega, é revelador do quão nos acham estúpidos e facilmente enganáveis. Quem olha para estas barras, parece que de 2015 a 2020, o Governo investiu massivamente, mais que o dobro do que havia no ano onde se inicia a contagem. Visualmente querem-nos enfiar pelos olhos a dentro que 147.000 é pelo menos dez vezes mais que 125.000.

É sabido que o nosso forte não é a matemática, mas não nos ofendam tanto.


O CDS-PP precisa de um "momento Pablo Casado"

"Vocês é que são a Direita que a Esquerda gosta!"

 


É a primeira página em todos os jornais de referência espanhóis. Pablo Casado, do Partido Popular espanhol, votou ontem contra a moção de censura do VOX (Chega versão espanhola), e apresentou uma brilhante e severíssima intervenção no Parlamento.

Pablo Casado puxou dos galões do seu partido e desconstruiu, uma a uma, todas as fraudes em que a extrema direita se alicerça para crescer. Sem medo de evocar a história do partido, de vincar os valores que guiam o partido e o seu europeísmo convicto, demonstrou como o VOX e quaisquer partidos como este, servem mais os interesses da esquerda, que os da direita.

Considerou o Presidente do PP espanhol, que os eleitores que sairam do PP e se passaram para o VOX, foram enganados, pois este é um partido que não pretende construir ou unir. E não, não combate a esquerda, só a ajuda a reforçar os preconceitos que incute na sociedade, apresentando a caricatura como um retrato fiél.

Quem se senta ao leme destes partidos não pretende representar nada, senão o seu próprio interesse pessoal, à custa da discórdia e do extremar de posições. É triste que por cá não se entenda isto,  que ainda ninguém tenha exposto a extrema direita tal como fez Casado: como uma aliada silenciosa da esquerda.

Dizem que Pablo Casado conseguiu, em 35 minutos, renascer das cinzas, fazer-se líder e novamente dar um ânimo à direita liberal-conservadora.

Este pulsar, pode e deve ser sentido pelo CDS, se quiser voltar a singrar. Francisco Rodrigues dos Santos tem de tirar daqui lições e virar o tabuleiro de jogo a seu favor.
Não há melhor ativo para um partido que a sua história, por muito que os extremistas queiram fazer ver o contrário e até lhes dê jeito que ninguém tenha memória.

Por cá também temos direita impostora, que precisa de ser revelada, ou vai continuar a descascar o espaço moderado e sensato de direita. O CDS não pode continuar a permitir, não só que o colem ao Chega, como que este último lhe roube bandeiras e se auto-intitule pioneiro das mesmas.
Não é a esquerda, cavalgada por extremistas de um lado (BE, PCP) e por oportunistas do outro(PS), que vai combater a extrema-direita em Portugal. Porque essa é a direita que eles queriam há muito ter à frente, para lhes dar razão, para lhes trazer heroísmo à causa.
A extrema-direita tem de ser combatida, como diz Casado, pela liberdade, tolerância e sensatez.

O CDS tem de beber da poção Casado, e puxar também as orelhas ao Chega, usando para isso toda a sua experiência e o papel que desempenha há anos na democracia portuguesa.

O PSD está corrompido pela vontade de não antagonizar o PS, com um líder fraco, que perde mais tempo a fazer oposição à oposição interna e aos meios de comunicação social, que ao Governo.
A Iniciativa Liberal não tem maturidade suficiente para arcar com um papel de representação da Direita.

Sobra um, se quiser e se for capaz de replicar o que os seus partidos irmãos pela Europa fora fazem. Vejam o vídeo e tirem as vossas conclusões:

 



O Governo já instalou a App onde queria

Stayaway escrutínio

Gerou-se a indignação geral, as tropas digitais pró-liberdade já se reúnem, as fotos de telemóveis antigos circulam abundantemente pelas timelines das nossas redes sociais: "Não passarão!" proclamam do topo da sua cadeira de escritório IKEA.

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O Governo lançou, em conjunto com as medidas do mais recente Estado de Calamidade, a ideia de que a aplicação de telemóvel Stayway Covid tem de ser obrigatoriamente instalada por todos nós e, hoje já sairam manchetes de como já estão a mobilizar as forças de segurança para executar a necessária fiscalização.
Entretanto, já andamos todos a discutir sobre como tudo isto é uma afronta às liberdades de cada um, a Iniciativa Liberal lançou imediatamente uma imagem para se colocar na dianteira da defesa da liberdade e sugere-se em jeito de piada que o Governo vai oferecer smartphones.

António Costa e a sua equipa sabem muito bem que a regra de obrigatoriedade de instalação de uma aplicação não passa de uma tontice. O plano nunca foi realmente vir a fazê-lo mas caímos que nem tordos. O primeiro-ministro tem alguém muito maquiavélico e criativo na sua equipa, para ter tido esta ideia.

Era quase indiscutível que se teriam de tomar medidas face ao aumento exponencial de infetados com covid-19, mas há que ver que o mundo, e em específico o país não pára por isso. Estávamos a meio da discussão do Orçamento de Estado, documento esse no qual já foram encontrados vários erros, gralhas e ditos por não ditos. Os parceiros da Geringonça não revelam jogo e, particularmente o Bloco de Esquerda optou por acentuar o seu teatro pré-aprovação, com exigências novas todos os dias e declarações públicas.
O PSD, ainda que para o Executivo não conte como parceiro para aprovação do Orçamento (a ministra Mariana V Silva disse isso mesmo ontem em entrevista), não por falta de vontade de Rui Rio, também ainda não informou sobre o seu sentido de voto.
Este é também o primeiro OE sem o toque do Ronaldo das Finanças, ou seja, não usufrui de tanta credibilidade, e é um OE de preparação da crise. Todos sabemos que a crise é uma oportunidade para os partidos da oposição abrirem feridas aos Governos. António Costa não está para isso, e opta por um arriscadíssimmo virar do tabuleiro: A app será obrigatória nos telemóveis de toda a gente!

Não será. É impossível fazê-lo, quer pela impraticabilidade da fiscalização, quer pelos antagonismos que ia gerar, quer pela provável insconstitucionalidade da medida. 
Mas o Governo já instalou a app onde queria. Instalou-a nas nossas conversas virtuais e reais, nos partidos e nos meios de comunicação social. A app é o hot subject do momento, o que permite uma diminuição pacata do prazo até à data de aprovação do OE. O Bloco já não consegue fazer o seu teatro para animação interna, pois os orgãos de comunicação e a população não estão interessados. Já ninguém quer saber se o PCP vai votar favoravelmente ou não.
Os partidos da Direita, apesar de já terem sinalizado o voto contra, também agora só estão preocupados com os telemóveis da nação.
Esta folga permitirá pressionar o Bloco e o PC, que chegarão à data da votação do Orçamento sem ter reivindicado publicamente nada, e terão de aprovar o documento ou serão acusados pelo seu eleitorado de entregar o país à Direita novamente. Os parceiros da Geringonça vão ter de fazer as suas exigências em privado, pois o público está contaminado pela App do momento.

Está instalada a app e desinstalado o escrutínio. Parabéns aos envolvidos.

Vídeo - Sérgio Sousa Pinto, o último representante digno do PS

(No Parlamento)

Ontem a Sic Notícias proporcionou-nos um belo momento televisivo: um debate entre Daniel Oliveira e Sérgio Sousa Pinto, acerca das famosas aulas de Cidadania.

Recomendo vivamente a visualização deste debate, primeiro porque concordo em absoluto com a ideal definição de "Aulas de Cidadania" que Sérgio Sousa Pinto apresenta, e segundo, porque se vê como balbucia um (ex)bloquista quando tem contraditório.

A democracia no nosso país perdeu muito quando deixou de ter um PS que promovia militantes como o Sérgio Sousa Pinto, para passar a  ter um PS de Pedros Nunos Santos e Joões Galambas.

 

Ou Assis tem razão ou Poço é tonto

Ontem fomos presenteados com A CARTA DE ALEXANDRE .
Nada mais é que um artigo de opinião, escrito pelo presidente da JSD, em que defende uma coligação a três para as Autárquicas que aí vêm. A proposta do petiz passa por PSD, CDS e IL se organizarem em conjunto, num acordo autárquico pré-eleitoral, para, diz ele, "oferecer uma alternativa moderada aos portugueses".

Ignorado o facto de o PSD provavelmente temer outro trambolhão autárquico, pois começam a notar que o partido não está a inspirar ou motivar ninguém para nada, e colocando de parte que a Iniciativa Liberal seria o maior beneficiário desta proposta, há algo de profundamente incoerente nesta carta e que me incomoda.

Então o Alexandre, que há bem pouco tempo deu uma entrevista em que disse taxativamente que não se podia colocar de parte um entendimento com o Chega! , fazendo eco do que Rui Rio disse, vem agora escrever um texto dizendo vivemos num ambiente em que " prevalece quem grita mais alto ou quem insulta com mais intensidade os adversários" e que "não podemos permitir que o extremismo se torne mainstream" ?

O que será que o Alexandre Poço achava que estava a fazer, quando deu continuidade ao discurso de entendimento com o Chega!? Que estava a combater o extremismo? Iam convidar o André Ventura para uma reunião na São Caetano e amordaçá-lo na cave?

Esta carta só me vem aumentar as suspeitas quanto ao quão Francisco Assis pode estar certo, quando diz que Rui Rio está a fermentar um plano Geringonça de Direita (PSD+CDS+CH+IL), porque isso explicaria, por exemplo, esta bipolaridade do deputado Alexandre. Ou isso, ou o rapaz é apenas tonto.

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Não Chega de loucura?

Terão os partidos mais antigos feito assim tanto mal, para que os portugueses deem carta branca a todas as loucuras de um partido "anti-sistema"?

Este fim de semana tivemos a convenção do Chega, amplamente acompanhada pela comunicação social, até demais se me perguntarem, tendo em conta que é um partido de 1 só deputado, e ontem ficámos a saber algumas das propostas mais chocantes, propostas pelos militantes.

Veio a público uma das moções apresentadas na convenção, da autoria de Rui Roque, ex membro do PNR e do Aliança. A moção certamente deve ter sido apenas alterada visualmente, pois as propostas encaixam na perfeição no programa político do PNR.
A  que mais está a dar de falar, é a proposta de retirar os ovários às mulheres que interrompam voluntariamente a gravidez, isto é, que abortem. Esta medida, para o Sr. Roque, deve ser aplicada se o aborto não for efetuado nas situações que este considera aceitáveis - violação, risco de vida para a mulher e malformações.

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O Sr. Roque coloca todo o ónus do aborto na mulher, castigando-a pelo que fez. Sendo o Chega uma religião, que se fundou com religiosos evangélicos e outros, ou o Sr. Roque acredita que as mulheres engravidam por obra do espírito santo, ou é um pulha que quer apenas castigar mulheres.
Caso contrário, teria toda a capacidade para propor algo do mesmo tom para o homem, co-responsável pela gravidez da mulher que aborta.
Ser contra o aborto é uma posição com a qual se pode ou não concordar. Isto é so abjecto. Não é de um partido cujo líder se diz inspirado em Sá Carneiro.

Depois de discutirem a pena de morte, serem anti-máscaras, proporem a castração química, agora temos a remoção forçada dos ovários às mulheres. O Chega tem um forte lobby interno afecto ou às agências funerárias ou ao Hannibal Lecter. Ou se mata ou se mutila.
E mesmo com estas provas de que o partido está a conseguir reunir um grande grupo de gente bárbara, que só propõe violência nas suas mais variadas formas, o partido vai de vento em popa. Estão os portugueses a querer castigar tanto os partidos habituais, que cegaram e não conseguem ver o monstro que criam? Ou devemos temer a sociedade que temos e dexar a abstenção como está, cuidando que poderá estar pejada destes monstros?

Campanha "anti-democrática", dizem eles.

O PCP que tem acusado todos os que se opõem à realização da Festa do Avante!, de reaccionarismo, fascismo e comportament anti-democrático, deu ontem mais um tiro no pé.
Se já por si é uma piada ter um partido Comunista a queixar-se de comportamentos anti-democráticos, reforçaram a piada quando no próprio dia em que falam no "ódio fascizante" de que são alvos, alguns dos seus fiéis devotos foram destruir o outdoor da Juventude Popular.

Logicamente que negam o feito e até chegam a supor que foi a própria JP que o destruiu. Mas bem sabemos, porque foi amplamente noticiado, que as finanças no Caldas não estão para campanhas "reaccionárias" tão maquiavélicas e dispendiosas. Para além disso, a ideia só tem cabimento na cabeça de comunistas,  que vivem diariamente a falar em conspirações imperialistas. É disso que se alimentam.

Ficam os registos do seu comportamento muito democrático, ao estilo Soviético.

ANTES

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DEPOIS

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Coisas que o Avante conseguiu até agora

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O famigerado festival comunista Avante! tem estado na ribalta, com maior intensidade de há uns dias para cá, mas praticamente desde que os comunistas anunciaram que o iam manter apesar da pandemia.
Há semelhança do que fizeram com as celebrações do 1º de maio, o PCP justificou dizendo que a luta não para durante a pandemia e como tal, mais que nunca estas celebrações são necessárias.
Desde aí, por teimosia, orgulho ou fanatismo cego o PCP tem insistido em marrar contra a parede. Esta habitual firmeza na sua posição, colocou-os numa posição de "lose-lose". Tanto insistiram em esticar a corda, que agora qualquer que seja o desfecho, será sempre negativo para o PCP. A sua rigidez é característica da forma como encaram a atividade política, no entanto este foi um caso em que essa rigidez foi a sua pior inimiga.

Um partido dito "normal" não poderia tapar os ouvidos, ignorar a população e avançar com posições que demonstram que olham para o país através do partido em vez de olharem para o partido através do país.

Com isto, a Festa ainda nem se realizou e o Partido Comunista já conseguiu bastantes feitos, não propriamente agradáveis para os objetivos do partido.

- Depois de nas últimas Autárquicas ter perdido Câmaras Municipais no distrito de Setúbal, conseguiu colocar mais uma na corda bamba, tendo a população do Seixal a manifestar-se publicamente contra o partido e o "Avante!". As eleições são já em 2021;


- Aumentando mais o alcance geográfico da indignação, pode-se mesmo dizer que em todo o distrito, que tanto foi afetado pelas medidas escíficas do Governo ao longo da pandemia, não há grande apoio ao PCP nesta matéria. Se se fizessem aquelas sondagens de popularidade, aposto que seriam o partido a perder mais pontos;

-A tal situação "lose-lose" de que falei: Neste momento, se cancelassem a festa, seria uma derrota e demonstraria fraqueza ao mesmo tempo que passavam a imagem de que não tinham razão quanto aos motivos para a realizarem. Ao prosseguirem com a usa realização, demonstram-se frios perante crise sanitária envolvente e que afeta bastante o Seixal, passando a imagem de casmurrice e cegueira ideológica - cenário que só tende a piorar se os casos aumentarem a seguir ao evento;

-Conseguiu lançar uma bomba de oxigénio aos partidos à direita e até mesmo ao PS a nível local. A política não é para meninos, e estes partidos sentiram o "cheiro a sangue" vindo do partido que não desgruda das câmaras do distrito. Têm estado unidos e focados em não deixar cair este tema, pois já se aperceberam de que deste modo conseguem fragilizar seriamente a imagem do PCP junto do eleitorado. Esta semana a direita só compete pela liderança da luta contra o PCP e o "Avante!", pois quem a liderar ganha um maior ímpeto para as Autárquicas;

- Reforçam a ideia de que à esquerda do PS, há uma alternativa responsável e ponderada chamada Bloco de Esquerda. O BE durante muito tempo esteve atrás do PCP por não usufruir do seu prestígio, mas agora cada vez mais se distancia dos clássicos comunistas, passando uma imagem de Esquerda Moderna vs Esquerda Retrógada (Não esquecer que a defesa do PCP face às críticas do Avante se têm limitado às mesmas acusações de anticomunismo e fascismo de sempre) O Partido Comunista se voltar a apanhar o BE em termos de resultados eleitorais, será única e exclusivamente por demérito do Bloco.

Futuramente, o PCP poderá ainda vir a conseguir abraçar a imagem de oportunista, se aprovar o Orçamento de Estado ao Partido Socialista, pois este último tem sido estranhamente brando quanto à Festa do "Avante!" e às caricatas posições dos comunistas durante esta pandemia. Toda a gente já suspeita de uma operação de charme de António Costa. Só o tempo o dirá.

Galambing, a arte da soberba

Lembram-se há "muito muito tempo" de um ministro chamado João Soares, reza a lenda, ministro da cultura? Talvez tenha sido o último membro do Governo de António Costa, com alguma decência e sentido de Estado. Talvez, calma.

Corria o longínquo mês de abril, do ano de dois mil e dezasseis. João Soares demitia-se no seguimento de um post no Facebook, onde oferecia umas "salutares bofetadas" a Augusto Seabra e a Vasco Pulido Valente. Na altura, o primeiro-ministro referiu que os ministros tinham de ter consciência do lugar que ocupam.

Podia discorrer se, agora passados 4 anos, a sua demissão nos seguimento desse post fez sentido, tendo em conta tudo o que veio a acontecer até hoje, com os membros do Governo.
Mas gostava de me cingir a um caso particular, tão particular que diria até especial. E não no bom sentido.

João Galambra é Secretário de Estado Adjunto e da Energia, mas já era conhecido da maior parte dos portugueses atentos a política. Um aficionado de José Sócrates, João foi escalando a hierarquia do PS com uns spins e algum mediatismo. No entanto, umas das características que o governante nunca fez questão de esconder foi a sua arrogância e má criação.

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Antes de ser nomeado para o Governo de António Costa, era já um hábito identificado pelos internautas, o de ofender quem o criticava ou de mandar estudar gente que, em muitos casos, tinha um currículo bastante superior ao seu.

Houve aliás uma brincadeira de um dirigente da IL, Ricardo Pais Oliveira, que fez uma lista de gente a quem o agora Sec.de Estado mandou estudar antes de falar. Na lista, que é ilustrada para que não sobrem dúvidas, encontramos nomes como Miguel Poiares Maduro, Ricardo Costa (irmão de António Costa), Jorge Moreira da Silva ou Camilo Lourenço.

A bazófia do socialista era bastante reputada. Recentemente esta postura fermentou novamente no meio mediático devido ao projeto do Hidrogénio em Sines, que o Sr. Secretário de Estado diz ser muito positivo, mas que dezenas de pessoas que estudaram o tema, dizem ser um embuste. João Galamba não tem tido qualquer pudor em chamar de mentirosos todos os que criticam a estratégia do Hidrogénio, tal como aconteceu com Clemente Pedro Nunes, um professor universitário jubilado e especialista em energia. O-bvi-a-mente que tem de ir estudar!

A situação aliás, levou a que Jorge Barreto Xavier dedicasse uma das suas crónicas ao assunto, considerando que este não tem tido a atenção devida. Subscrevo e posso dizer que vale a pena ler - é muito melhor que o meu.

O que surpreende é que não só já era expectável que João Galambra destilasse a sua arrogância para cima de tudo e todos, pois o seu percurso assim o fazia prever, enquanto governante, foi ainda assim nomeado para Secretário de Estado. E, igualmente supreendente e caricato, tem sido o silêncio do governo face ao comportamento de João Galamba. Os Secretários de Estado também não têm "de ter consciência dos lugares que ocupam"?