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The Pólis

É bonita a cultura setubalense, pá!

e mais bonito vê-la reinventada

Não sou muito destas coisas mas deparei-me há dias com esta notícia na versão charroca da NiT, e fiquei de a partilhar aqui, pois achei uma bela ideia. 
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Setúbal tem duas grandes figuras históricas: Bocage e Luisa Todi. No entanto, tal como dizem nesta entrevista e eu concordo, nós setubalenses aprofundamos pouco o conhecimento sobre estas duas individualidades, que são pioneiras na cultura da cidade. 

É muito bom ver, especialmente jovens, a interessarem-se em promover e criar um espírito setubalense unido pela elo da cultura, da Arte,  que como diz o Papa Francisco, é o apostolado da Beleza que alimenta a alegria nas pessoas. 

Precisamos de mais reinvenção das formas de transmitir a marca Setúbal, de transmitir Bocage e Luisa Todi, para que não sejam apenas nomes de placas nas ruas e estimulem um orgulho, nas próximas grações, em pertencer a esta linda cidade. 

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Estes foram os dois modelos que mais gostei, já encomendei o primeiro aliás. Deixo-vos aqui a página para darem uma vista de olhos e apoiarem esta pequena grande ideia. Parabéns e que venham mais "hellmanos".
Link para a página deles ----> https://www.instagram.com/hellmano_sadino/

Depois digam-me o que acharam também.

Tenho feito hiatos relativamente grandes para o que eu gostaria, entre cada publicação que aqui escrevo. Menos tempo para pensar e escrever, também alguma procrastinação quando chega a hora, enfim, desculpas. 

Finalmente encontrei um pouco de espaço para deixar as minhas larachas, e hoje vou escrever sobre duas coisas completamente distintas na mesma publicação. São só uns comentários para partilhar. 

Sobre o Chat GPT, ou sobre os Chat's GPT's , porque desde a última vez que escrevi sobre isto, já apareceram dezenas, senão centenas, de aplicações que permitem o acesso e utilização a Modelos de Linguagem Avançados (LLM em inglês). A Google já tem o Bard, o Bing lançou o BingAI, a Quora tem o Poe, etc. Uma pesquisa rápida e vão encontrar uma panóplica de aplicações semelhantes ao ChatGPT. Tentando não dispersar, eu não sou nenhum especialista no tema, e confesso que apesar de ter experimentado outros, me fiquei pelo ChatGPT.
O que me tem dado que pensar sobre estas aplicações, é que trouxeram ao de cima uma dificuldade sobre algo que aparentemente imaginamos como simples. Trata-se de descrever. Estas aplicações para nos responderem com o que pretendemos, exigem que sejamos claros e específicos no que lhes pedimos. Não há espaço para ambiguidades ou descrições vagas ( a não ser que o objetivo seja mesmo esse). 
A dificuldade está em conseguir descrever, por escrito, o que pretendemos exatamente. O que imaginamos na nossa cabeça.
E se já é difícil descrever que pretendo uma tabela de determinado tamanho, com X conteúdo, posso assegurar que a dificuldade ainda é maior se quiserem testar as aplicações dedicadas a desenho.  Tentem descrever um imagem que imaginaram, escrevam-na e vão sentir a frustração. 

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Aliás a dificuldade para o comum mortal conseguir obter os resultados que pretende destas aplicações é tanta, que a criação de descrições pré-feitas já começa a tornar-se um negócio e quiçá se venha a tornar uma profissão. É verdade, para os arautos do apocalipse que dizem que isto vem destruir empregos, a realidade é que não há destruição que não gere criação. 
A escrita de descrições para estas aplicações, é, em linguarejo tech chamada de "prompt". São bons prompts que puxam pelo melhor que estas aplicações podem dar para auxiliar os humanos. 
Ora já existem pessoas que se dedicam a criar e testar prompts para que outros não tenham de o fazer ( e para ganharem algum dinheiro, claro), naquilo que se vem começando a chamar de Professional Prompt Makers ou Professional Promp Writers.

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Já testaram estas aplicações? Também tiveram dificuldades em descrever o que queriam? Partilhem!

PS: Eu sei que no ínicio do texto disse que ia misturar dois assuntos, e que até indiquei no título o segundo assunto. Porém, entusiasmei-me aqui com isto dos prompts e fiquei sem tempo. Na próxima publicação dou a minha review da série Rabo de Peixe! 

Descoberta Aleatória do Dia

O chamado "sabias que...?"

Hoje a navegar pelo Twitter tropecei num post antigo, que por eu me lembro de o ter visto na altura em que saiu mas limitei-me a comentar verbalmente com alguém, acerca de um facto histórico, digamos... estranho? 

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A jornalista Maria José Oliveira tem uma thread com textos escritos por velhos conhecidos aqui do burgo, vulgo Portugal, durante a sua juventude no então suplemento juvenil "Juvenil " (chamava-se mesmo assim), do Diário de Notícias. 

Tem poemas do Pacheco Pereira, Durão Barroso, etc
No entanto o que me chamou a atenção, e a autora do Twitter também se disse supreendida, foi com o poema escrito por Adelino Amaro da Costa, em 1960...
Ora vejam 

 

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Para quem tiver achado confusa a leitura através destas imagens, tentei juntar o puzzle e colocar aqui o texto corrido: 



"O avião que está voando

está roncando.

E ronca

o carro que não está andando.

E foi-se o avião que voava

e o carro que roncava

e não andava 

também se foi.

Para além,

(O travesseiro dobrado,

a caixa dos sapatos,

o travesseiro estendido.

O pijama,

a tampa (a tampa?) da caneta

o copo de água (de?).)

Esses marcham

na sua agitação inerte.

E trepam,

os degraus da imobilidade.

E agitam-se

nas convulsões da velocidade

per-di-da

e não achada.

E choram, aflitos,

em angústia sofrida

da marcha parada

do ritmo pesado,

da estabilidade.

Pobres!

Não gritem mais

e calem-se.

- Não sois avião ou carro,

que roncam

Vu-u-u-u...Aquela tola mosca disse um dia que se ia casar. Mais tarde vim a saber que o não fizera. Declarou incompatível o casamento com a sua dignidade feminina. Foi a partir de então que eu passei a designá-la por tola mosca. Oh, mosca, que tola tu és! Pobre!"

Ora sabendo nós a forma como morreu o jovem fundador do CDS-PP, não deixa de ser uma coincidência algo arrepiante. 

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O ChatGPT é uma ferramenta de intelgiência artificial que permite "conversar" com um computador de forma natural, como se estivéssemos a conversar com uma pessoa. Foi criado pela OpenAI, uma empresa de inteligência artificial sediada nos Estados Unidos com o objetivo de ser capaz de conversar sobre qualquer assunto de forma natural e coerente.

O ChatGPT também pode ser usado para criar histórias, redigir emails e mensagens, e até mesmo para criar conteúdo para redes sociais. Ele é capaz de aprender com as interações que tem com as pessoas, o que significa que quanto mais ele é usado, mais ele se torna capaz de conversar de forma natural.

Podem-se fazer perguntas sobre qualquer assunto e o ChatGPT tentará responder de forma lógica e coerente, baseado no seu vasto conhecimento de informações gerais e na sua capacidade de apredner com as conversas que tem. É uma boa opção para quem pretender uma forma divertida e desafiadora de passar o tempo. 

Além desta vertente de entretenimento a verdade é que é uma ferramenta muito útil para trabalhar e que pode assustar alguns profissionais de determinadas áreas. Por exemplo, nas suas capacidades de resposta está a correção e explicação de código infomático, em qualquer linguagem. Ou seja, se fores um programador muito iniciante, o ChatGPT pode ser útil para te ajudar a identificar erros e, o mais incrível, explica porque é que está errado!
Passando para o mundo das letras, esta alminha artifical consegue escrever textos em qualquer língua, adaptados à necessidade de quem lhos pediu. Por exemplo, um gestor de redes sociais que queria poupar tempo pode pedr que lhe seja escrito um copy (descrição de uma foto) sobre o tema X, em tom informativo e com hashtags adequadas - sim também podemos perguntar quais as hashtagas adequadas. Ele cumprirá com o pedido de forma bastante competente. 

Também é capaz de gerar guiões imaginários, artigos de opinião, refutar argumentos, etc. É muito interessante explorar as suas capacidades. 
Posso-vos dizer que os primeiros 3 parágrafos deste post foram escritos pelo ChatGPT, notaram muita diferença? 

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Experimentem e depois digam alguma coisa! 

Os seres humanos são muito bons a adaptar-se a novas dinâmicas, graças há sua habilidade única de colocar a imaginação em prática. Desenvolvem novas soluções para novos problemas, constantemente há milhões de anos.

Interessante também é o reverso desta moeda. A nossa excelente capacidade para criar problemas. Li hoje um artigo da revista The Wired que me despertou para esse grande pormenor da nossa existência. Tanto quanto tenho noção, o tema do efeito sono, da qualidade deste, na nossa saúde e consequentemente nas nossas ações ao longo do dia, é um tema júnior no ambiente da comunicação social generalista.

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Há dois ou três pares de anos que começámos a ouvir falar nos ciclos de sono, nas pessoas noctívagas, na redução da esperança média de vida quando não respeitamos os horários de sono que os cientistas aconselham. Lentamente esta preocupação acabou por penetrar nas nossas mentes e de certeza que quase toda a gente, em algum momento, já deu dois dedos de conversa sobre o sono - “se não dormir 8 horas não aguento o dia”, “está provado que dormir pouco nos põe doentes”, “dizem que na minha idade devia dormir X horas, ando a dormir Y, por isso vê lá…”.

Voltando ao artigo da revista de teconologia, este indicava que nos começámos a preocupar com a nossa qualidade de sono, e bem. No entanto, influenciados pela narrativa de que há quantidades de sono tabeladas para cada idade da nossa vida, acabámos a preocupar-nos demais et voilá: temos um novo problema.

Agora há um número significativo de pessoas que passaram a ter insónias porque se tornaram ansiosas com o objetivo de atingir uma qualidade de sono “certificada cientificamente”. Senão conseguirem ir para a cama ou adormecer no momento que planearam, estas pessoas trocam a tentativa de relaxar para dormir com os pensamentos sobre as consequências de se terem deitado vinte minutos mais tarde do que queriam.

Ou seja, há gente que não consegue dormir por estar demasiado preocupada por estar acordada. Se isto não é o exemplo perfeito da nossa capacidade de criar algo a partir do nada, nem que seja um problema, então não sei.

Já não era sem tempo de Manuel Luis Goucha começar a responder à letra, às barbaridades que lhe atiram a propósito dos seus convidados ou das suas escolhas políticas.

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Infelizmente há muitos portugueses que não conseguem distinguir o padeiro do papo-seco. Achar-se que tem algum cabimento considerar o Goucha um nazi ou um fascista porque convida a pessoa X,Y ou Z, é de uma impressionante falta de bom senso.

Ninguém pensou que ele fosse comunista por convidar o João Ferrerira, nem certamente ninguém pensará que ele é sportinguista se convidar o Rúben Amorim. Estas tolices só acontecem quando o convidado é detestado pela trupe da Esquerda. 

 

Porém, temos pena. O Manuel Luis Goucha continuará a convidar quem bem lhe apetecer, já explicou por várias vezes que tenta levar gente que pense diferente dele porque considera que so percebendo o que os outros dizem é que se podem formar opiniões decentes. Por muito que custe aos wokes deste país, ele é um comunicador de coragem, firme das suas convicções e sem receio dos ridículos "cancelamentos".

Espero que continue a responder à letra aos frustrados de esquerda, até porque é divertido. E que permaneça sem qualquer problema em participar civicamente na política, como fez na candidatura de Suzana Garcia.

E se forem espertos, CDS, PSD ou IL, devem começar a tentar beneficiar destas posições do Goucha. Partilhando-as, comentando-as e através de convites para iniciativas feitas à medida dele. 

 

A propósito da COP26, que todos os noticiários e respetivos comentadores dão como falhada, uma das teorias que mais sucesso tem tido a passar para fora é a de que a COP26 não funciona porque capitalismo. Como já referi anteriormente, uma tese absurda mas que cola. Deixo mais uns pequenos contributos para essa reflexão.

Bom fim-de-semana!

 

Capitalismo ou economia de mercado

"A essência do capitalismo é a comunidade, é a livre associação e cooperação que se dá entre homens e mulheres para atingir objectivos comuns. Para se ser um bom capitalista, tem que se ter bom senso e talento para inspirar e mobilizar os outros e para os organizar de forma voluntária. O fenómeno social não é produto do individualismo, mas tão pouco é sinónimo de colectivismo (...)
O verdadeiro empresário é aquele que, de forma criativa e espontânea, responde às necessidades dos outros e produz, com benefício, novos bens e serviços de que os outros necessitam, e, ao mesmo tempo, procura expandir os seus negócios, alargando os seus mercados a novos clientes, tornando assim possível uma economia próspera e progressiva. (...) "

José Manuel Moreira
Fonte: Instituto Mais Liberdade



Ambientalismo de Mercado


"Enquanto outros utilizam uma nova causa, o ambientalismo, para fins antigos (a destruição do capitalismo e da nossa forma de vida), estas organizações
[que assinaram a Delcaração Internacional pelo Ambientalismo de Mercado] comprometem-se com uma visão realista em que desenvolvimento e ambientalismo não só não se contradizem como são complementares. (...) 
Chegou a hora de mudar a narrativa e focá-la nas soluções. Chegou a hora de derrotar no campo das ideias aqueles cuja preocupação com o ambiente é apenas instrumental. Chegou a hora de ter uma alternativa consistente àqueles cujo único objetivo é a reciclagem de ideologias consecutivamente derrotadas pela história.(...)"

Carlos G. Pinto
Fonte: Instituto Mais Liberdade

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Mais uma greve climática à sexta-feira. Mais uma volta no carrossel da manipulação de miúdos.

Continuam a encher os jovens de ideais alienados da realidade - "o capitalismo não é verde", "combate às alterações climáticas", "tudo deve mudar menos o clima" (novo da JS).

Os partidos e partidários de esquerda prosseguem o seu objetivo de cultivar em mentes pouco experimentadas, ideias que lhes são bastante favoráveis mas que em nada ajudam a resolver as questões ambientais que se apresentam.

"o capitalismo não é verde" é das patranhas mais tontas e no entanto das que melhor colam. É nos países de cariz capitalista que se criam as soluções para os pequenos, médios e grandes problemas das pessoas. O ambiente não é exceção. Aliás, o objetivo de qualquer capitalista é conseguir tirar o máximo proveito, com mínimo gasto de recursos. Os capitalistas são os mais interessados em encontrar alternativas à exploração de recursos finitos.

Só em ambiente competitivo, próprio de economias de mercado, é que se geram possibilidades de investimento em novas ideias, novas experiências, em suma, em inovação. Só da inovação se ultrapassam obstáculos que à partida parecem não ter resolução. A opção não passa por parar ou voltar para trás, mas sim por encontrar formas de seguir em frente.


A conversa do "combate às alterações climáticas" ainda mais ignobilmente traduzido no slogan da "cimeira do clima" da Juvente Socialista - Tudo deve mudar menos o clima - começa a ser ridiculamente infantil.
Não vai haver nenhum acordo mundial, que permita reverter as alterações climáticas antropogénicas. O que se deve começar a fazer, caso se queira ser sério no assunto, é em tentar corrigir o que é possível corrigir e trabalhar num modelo realista de adaptação às alterações climáticas.

Infelizmente, a maioria das pessoas anda embriagada na ilusão de uma adolescente abastada, que as convenceu de que a solução é tão simples quanto desligar um interruptor. Basta que os governantes de todos os países queiram e o planeta fica salvo. Basta que mandem parar as indústrias, proibam plásticos, ponham toda a gente a andar de bicicleta e pronto, assunto encerrado.

O mundo é assim, visto pelos olhos dos adolescentes. Há quem se aproveite da sua inocência e há quem se esqueça de que não é suposto governar com base em fantasias juvenis.

Sim, fui caramelo e fui a correr ver um filme no seu dia de estreia.

Sou grande fã da saga James Bond e acho que os filmes melhoraram consideravelmente na era Daniel Craig (2006-2021). Um pouco mais realistas, mas mantendo os pormenores que definem um clássico James Bond.

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O filme "No time to Die", é o ponto final nesta era, e avancei para ele com uma expetativa enorme. Culpa do Sam Mendes que nos trouxe um trabalho extraordinário com Skyfall (2012) e Spectre (2015), envolvido num elenco de luxo onde figuraram Javier Bardem e Christpoh Waltz. Acontece que o nosso amigo Sam não quis realizar mais nenhum 007. Daniel Boyle, premiado com Óscar pelo Slumdog Millionaire (2008), seria o homem que se seguia nas rédeas de Bond, James Bond. Na minha opinião, ficava em boas mãos. Não ficou, porque, Boyle acabou por abandonar o projecto alegando "divergência criativa" - coisas de artista.

Ficámos então com Cary Joji Fukunaga. Conhecem? Eu também não. É o primeiro americano a dirigir um filme da saga James Bond. Não quero fazer do senhor, bode expiatório mas tenho que assumir que saí da sala 8 com alguma frustração. Talvez tenha colocado as expectativas muito elevadas, talvez a culpa seja do Sam Mendes por ter conseguido que os dois filmes anteriores fossem muito bons. Talvez esta história de também o James Bond ter de cumprir os requisitos exigidos pelo movimento MeToo tenha deturpado a magia.
A linha guião do filme parece apressada e confusa como se estivessem com pressa para ir de fim de semana. Temos um novo vilão (pessoalmente não aprecio o ator que o interpreta) que é simultaneamente sicário, cérebro e multimilionário, que aparece e dá a entender que existe, além da Spectre - que já era uma organização super, hiper, mega-poderosa - uma outra, que ele lidera e que faz frente à Spectre e ao mundo.

Temos outro 007 que é uma mulher, pela força dos tempos e um "Q" que é gay provavelmente pelos mesmos motivos. Obviamente que nada contra, mas quase pareceu um remake feito pela Netflix.
Não consegui notar com tanta veemência os traços de "novos tempos" que a Melanie McDonagh apresenta na sua crítica no Spectator, mas não posso negar que marquei presença na sala de cinema algo influenciado por ela. 
Acho que a música, apesar de agradável, muito morta e com uma intérprete que pouco ou nada se associa a um filme fetiche de gentlemans, armas e galanteio.

E o final... não vou spoilar, mas declaradamente não gostei e não concordei. Finalizando, só posso acrescentar que o Daniel Craig vai deixar saudades enquanto Bond...James Bond

 




O que se passou no Afeganistão foi novamente a história, não a repetir-se, mas a gaguejar. Tal como quando os soviéticos abandonaram o país, há mais de 20 anos atrás, os taliban aproveitaram para dominar com mão de ferro.

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Em 2001, após os atentados de 11 de setembro, o mundo nunca mais foi o mesmo. A segurança que ainda hoje é asfixiante nos aviões, deve-se a isso mesmo. Em conjunto com essa mudança, eu apontaria mais duas, que considero serem as que mais se destacaram até hoje. Uma guerra iniciada em nome de sabe-se lá o quê -  alegadamente levar a democracia ao médio oriente, controlar pontos estratégicos etc - porque na realidade só a presidência Bush (filho) saberá ao certo. A terceira alteração, a mais significativa das três, são a quantidade de vidas humanas que se perderam por "sabe-se lá o quê". Falo dos soldados de tantos e tantos países, que abandonaram as suas famílias para cumprir ordens num país infernal, e que lá perderam a vida. Falo também das muitíssimas vítimas que nada tinham que ver com terrorismo ou extresmismo, ou qualquer outro ismo que as colocasse na mira das espingardas estrangeiras.

Talvez estes dois últimos factos não devessem ser referidos em separado, mas eu julgo que sendo um consequência do outro, ainda assim tiveram repercussões diferentes em momentos diferentes.

Estamos em 2021, os militares norte-americanos abandonaram o Afeganistão depois de 20 anos de guerra e de promessas de ajuda na construção de um país democráticos. Treinaram-se forças de segurança do afegãs para que pudessem vir a ser autónomas na defesa do se país, e construiu-se um governo fantoche ( soube-se que o presidente entretanto fugiu carregado de dinheiro).

O trabalho foi tão bem feito, que ao sairem, o regime inventado pelos americanos e pela NATO se tornou num gigante recém-nascido que não sobrevive sem os pais por perto. Para trás ficaram quantidades enormes de armamento, algum de tecnologia que nem em Portugal encontramos, que ficou à mercê dos taliban. Ficou também o futuro de muitas crianças, que ficarão agora reféns do sistema repressor que os taliban imporão.

Bastou uma semana para os fanáticos guerrilheiros islâmicos tomarem conta do país, embalados pela China, que se comprometeu a ajudar, e pelo desmazelo dos americanos que não preparam uma transição e ainda lhes deixaram brinquedos.

E85Gh6pWEAAqjlP.jpgA história gaguejou e os taliban estão novamente no poder. É lamentável, do ponto de vista de quem vive, por exemplo, na Europa, que isso aconteça. Sabemos em que tipo de vida estas pessoas acreditam. Quem rouba fica sem mãos, execuções na praça pública e as mulheres passam novamente ao estatuto de seres sencientes. A nova liderança taliban já veio dizer que não. Pode ser verdade ou podem apenas querer gerir esta entrada de forma a não atrair a interferência de nenhum país estrangeiro.

Não me chocam estas revoluções ou contra-revoluções. Cada país tem passar pelas convulsões que forem precisas até encontrar um ponto de estabilização. Se um povo se sentir reprimido, mais tarde ou mais cedo satura e reage. O que se passa até esse momento é que pode chocar. 

Em Portugal sucederam-se as reacções do Governo, partidos, bem-pensantes, comentadores e outros demais. Para a dimensão da influência que este país tem no mundo, se alguem tiver dois dedos de testa só pode considerar que ouvir políticos com ou sem responsabilidades governativas, despender mais do que um minuto de tempo com a situação do Afeganistão, é patético.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros podia-se ter limitado a emitir uma nota, para não se dizer que andam à nora sobre o que se passa no mundo e, já agora, que consideram a possibilidade de limitação dos direitos humanos no Afeganistão lamentável.
Era suficiente, mas como é obvio os nossos políticos estão preocupados com os likes e com a posição em que vão aparecer no jornal. Não destrinçam o trigo do joio, e começaram a divagar ridiculamente até chegarmos à conversa da adoção de refugiados. Estão convencidos ou querem convencer-nos que os refugiados de um país a mais de 6000km deste retângulo, terão como primeira hipótese vir para Portugal!
Nem os refugiados querem vir para Portugal, como vimos com os sírios.

O Afeganistão é um tema de "gente grande", nós ainda temos de comer muito pão até termos alguma voz que se ouça para nos darmos ao luxo de perder dias a falar disso. Temos muitos problemas por resolver, não encontrem desculpas para os continuar a empurrar com a barriga.

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