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The Pólis

The Pólis

Os anti-ventura dão jeito a quem?

No dia 12 de dezembro do último ano, André Ventura, presidente do Chega(CH), escrevia no seu perfil pessoal, no Twitter :


"Deus confiou-me a difícil mas honrosa missão de transformar Portugal. E eu não abandonarei os portugueses, por muitas armadilhas que me sejam colocadas no caminho."

Um estilo que agrada à vertente iurdesca do CH e que foi ridicularizada pelos seus antipatizantes, ao longo de comentários, reacções e artigos de opinião. Numa entrevista ao jornal Observador, Miguel Pinheiro perguntou-lhe mesmo "quando?" é que deus tinha falado com o dirigente do CH - pergunta que foi até elogiada por Ricardo Araújo Pereira no Governo Sombra.

Um mês depois eu tenho de admitir que dou parcialmente razão a André Ventura. Acho que escreveu aquela frase, à primeira vista disparatada, com o intuito de apelar aos evangélicos e a alguns católicos impressionáveis, mas acabou por ter um laivo de verdade.

O agora candidato a presidente da república, não tem nenhum missão confiada por deus. Ele tem é motivos para se sentir um deus.

Desde o ínicio da campanha eleitoral, em que fez questão de andar a viajar pelo país num momento completamente desaproriado, André Ventura tem sido seguido pelo seu batalhão de militantes, que estão já bastante documentados para nos podermos referir aos mesmos como fãs, pelos jornalistas e por uma legião de contestadores.

Quando digo que André Ventura se deve sentir como um deus, é por isto mesmo: é amado por uns, que o tratam como um deus do bem, dos "portugueses de bem", e odiado por outros que se dão ao trabalho de o seguir para mostrar o seu desagrado, acreditando ingenuamente que o estão a "combater". A combater o deus do mal, de todos os males, o diabo que invocou o fascismo adormecido.

É normal que quem goste de Ventura o trate muito muito bem e o veja como poço profundíssimo de virtudes. Não é normal que quem não goste de Ventura despenda do seu tempo para o destratar e acusá-lo das maiores barbaridades.

Os primeiros fazem o que é suposto, os segundos ajudam os primeiros e nem se apercebem. Todos ajudam André.
Não sei se, como diz o líder do CH, é o Bloco que está por detrás das manifestações anti-chega ou não. Mas sei de uma coisa: cada manifestação que realizam, acrescentam mais uns minutos ao tempo de antena daquele que querem combater. Acrescentam mais uns argumentos ao discurso de vitimização de Ventura, e mais uns apoiantes que se juntarão a ele nem que seja por detestarem a esquerda.

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Não se percebe qual é o objetivo dos protestantes. Talvez por serem na sua maioria miúdos estejam à espera que André Ventura fique muito desanimado e desista. Uma ideia que só na cabeça não sei de quem, poderá ter cabimento.

De qualquer das formas, continuam a obrigar a que os holofotes estejam sempre centrados no presidente do CH, e o que vemos é um candidato calado a ser ofendido. Não dará bom resultado para quem o pretende combater.  Um endeusamento é sempre um endeusamento. Colocar André Ventura no patamar de deus do Mal é dar-lhe uma importância que não tem, mas que toda a sua equipa tem mérito por a conseguir criar artificialmente. Nós, cidadãos e demais escrutinadores, temos o demérito de não saber decifrar esta estratégia, colocá-lo no seu lugar e obrigá-lo a jogar o jogo dos argumentos para defender aquilo que indefensavelmente defende.

Nisso Marcelo Rebelo de Sousa e Sérgio Sousa Pinto têm toda a razão quando dizem que não é a ameaçar proibir ou a chama-lo a ele e a todos os seus apoiantes de fascistas, que vão conseguir vence-lo.

Isso é lenha para a fogueira onde se aquecem os extremos.

Aquele avô bêbado que temos lá em casa

Foi o tema de muitas conversas ontem, os trechos da intervenção de André Ventura em Portalegre, noticiados na comunicação social. O candidato do Chega (CH), tratou de deixar bem claro que estas eleições presidenciais servem para solidificar a implantação do partido e que o principal objetivo é melhorar o resultado das legislativas.

O pior veio a seguir, quando começou a disparar para todos os lados, de forma infantil e jocosa. Disse que o João Ferreira era um operário "beto", que o Presidente da República parecia um esqueleto, que o batom vermelho da Marisa Matias não é muito bom para a imagem de uma presidente e, finalmente, que o Jerónimo de Sousa é como "aquele avô bêbado que temos lá em casa".

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Não sei que avô é que o André Ventura tinha na sua família para achar que ter um avô bêbado em casa é algo generalizado na população portalegrense. Sei sim que o presidente do CH quer ser o Trump português e estes insultos fazem parte dessa tentativa de o ser.

Essa tentativa, não assumida (no debate presidencial com Ana Gomes, Ventura mostrou-se perplexo pela socialista ter dito que ele era fã de Trump), é confrangedora e até pateta. Quem não tenha o hábito de acompanhar as notícias via TV, acerca da política norte-americana, onde logicamente Donald Trump foi figura pincipal nos últimos quatro anos, talvez não note. Os gestos, (o indicador levantado com a palma da mão virada para a frente p.ex) enquanto fala, muito pouco naturais como é de esperar numa imitação amadora. A roupa, como o sobretudo escuro e comprido com uma gravata enorme no meio. As expressões, "o pior da história", "o mais grave de sempre", cheio adjetivos superlativos, que são também das coisas que mais nos fazem soar o alarme de imitação relativamente ao presidente americano. E por último, o estilo bully, de constante ataque e ofensa infantil aos adversários, com o objetivo de os ridicularizar, que se materializa na criação de alcunhas ou, por exemplo nos debates, com a recorrente interrupção e interpelação chamando-os de mentirosos.

Pego agora numa dessas alcunhas, a do "camarada de plástico", que acho que assenta muito melhor em André Ventura. O plástico a que me refiro não é o plástico útil que utilizamos no nosso dia-a-dia, é o plástico que imaginamos quando falamos na comida fast-food. A estratégia do CH e do seu presidente, é servir-nos política de entretenimento, uma política de plástico para consumo imediato. Ventura vai acabar por conseguir ter o seu lugar na história da política portuguesa, mas sem qualquer traço de autenticidade.

A direita que agora se encanta muito com este partido e este homem, porque confunde ofender a esquerda com combater a esquerda, anda atrás de um imitador, um ator, que se engana a ele e aos outros para existir. Este exercício pode agora ter resultados muito interessantes, ou até não porque as sondagens são o que são, mas a médio longo prazo, trará consequência enormes para o espaço político da direita.

Por andarem embevecidos com um estilo que personifica a caricatura que fazem da direita, os militantes desse espectro ideológico iram cunhar a caricatura como retrato fiel e nunca mais se verá a mesma como uma alternativa sólida, capaz de ocupar o poder em que seja apenas para castigar a esquerda.

A direita que se comporta como o "avô bêbado", destrói aos poucos a sua casa, numa ilusão de afronta aos poderes instalados e de combate ao socialismo. Não se apercebem que o maior favor que fazem à esquerda é exatamente este, o de se comportarem como a esquerda sempre os adjetivou.

"Lá fora", existem bons exemplos dos benefícios de uma direita decente, que se paute por valores morais e éticos, que não se limita a adjetivar negativamente os adversários, apresentando-se com soluções úteis, responsáveis e claras.
Na Alemanha receia-se o fim da liderança de uma internacionalmente consolidada estadista de direita, Angela Merkel (porque a própria não pretende voltar a recandidatar-se). Em Espanha, o Partido Popular, de Pablo Casado, continua a re-conquistar os espanhóis, tendo colocado no lugar a extrema-direita do Vox e fazendo oposição séria aos socialistas de Sanchéz e comunistas de Iglesias.

"Cá dentro", esta direita não está a saber comunicar, a saber vingar, a saber mostrar as diferenças entre ela e a direita trauliteira, entre ela e a esquerda oligarca.  Veremos o que nos reserva o futuro, mas a direita do "avô bêbado" eu dispensava.

O povo tem de ensinar uma lição ao PCP

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A campanha eleitoral para as presidenciais começou ontem (oficialmente) com o PCP a começar tão mal como terminou o ano 2020.

A organização de campanha de João Ferreira, realizou um comício no Coliseu do Porto. Centenas de pessoas num espaço fechado, um "ajuntamento", protagonizado mais uma vez por um partido com responsabilidades sobre as nossas vidas.

Experienciamos o momento mais crítico da crise sanitária no nosso país, com o número de infetados a aumentar a um ritmo de 10 mil casos por dia,  colocando em risco o colapso do sistema de saúde. Os comunistas, que o querem tanto defender, em vez de darem o exemplo, em vez de se solidarizarem com o esforço anunciado que teremos de fazer de novo de confinamento, optam por fazer uma demonstração de força.
Depois do Avante, depois do Congresso, o Partido Comunista Português volta a contribuir para que as pessoas achem que os políticos são uma cambada de privilegiados, irresponsáveis que apenas se interessam por eleições.

Há crianças e jovens que todos os dias têm aulas de janelas e portas abertas, porque cerca 30 pessoas numa sala de aula é demais. Há idosos que não contactam as famílias há meses, para não falar nos que estão internados e a quem apenas permitem visitas se for para se despedirem.
Pais com dificuldades para pagar as contas porque a oscilação dos números de infetados é também a oscilação de abertura e fecho dos seus sustentos.

Nada disto toca o coração dos comunistas, que investiram forte e feio nesta campanha presidencial, e que nos dizem, ao realizar mais um ajuntamento num momento crítico: "Vão-se lixar! Vão-se lixar que nós não orçamentámos 450 mil euros para agora cancelarmos as ações de campanha só porque vocês, as vossas famílias, os vossos amigos e conhecidos andam a sofrer, a endoidecer ou a morrer. Têm de ficar em casa? Problema vosso. Inscrevam-se num partido e venham disfrutar da liberdade de poder fazer tudo o que nos apetece, quando nos apetece, sem consequências."

Por 3 vezes o PCP já nos faltou ao respeito descaradamente. 3 vezes em que se dizem acima dos restantes portugueses, 3 vezes em que se estiveram a lixar para nós.
Este ano existem duas eleições: Presidenciais e Autárquicas. Nós, o povo, temos de de lhes ensinar que a merda que fazem tem consequências. Que sem nós não são ninguém. Antes de lutarem pelos poleiros, lutem por nos conquistar. Nas próximas eleições espero que tenhamos a capacidade de castigar e reeducar os comunistas. De lhes dar uma lição de humildade. Que o desprezo pelos mortos e infetados lhes custe muitos votos, é o meu desejo fora de horas para 2021.


PS: Também ontem foi noticiado que o candidato que realmente vem do povo, o candidato que menos dinheiro tem para gastar em campanha e que tem sido renegado pelo "sistema", teve a humanidade de cancelar as ações de campanha durante o período de confinamento dos portugueses. Este percebe que tem de ser solidário connosco.

Vitorino Silva

O candidato com tino

Numas eleições cada vez mais desprestigiadas como as Presidenciais, que lentamente se assemelham ao concurso Miss Mundo, em que os candidatos propõem tudo e nada, sendo que tudo são as propostas vagas que debitam cada vez que podem, e nada aquelas que sabem que estão fora do alcance de um presidente da República poder exectuar mas que decidem apresentar na mesma, há uma cara familiar que traz algum realismo à disputa.

É mais que sabido que o vencedor é Marcelo Rebelo de Sousa, e por isso mesmo não desce do estatuto de MVP. Está reservado, como se faz em culinária. É só não estragar o que já tem.

A cara familiar de que falo, é a de Vitorino Silva, mais conhecido como Tino de Rans. O candidato penafidelense consegue supreender sempre que volta a aparecer. Há 5 anos atrás surpreendeu no final, com um resultado muito acima do esperado. Surpeendeu tanto que o PCP apanhou um susto - etiveram a 30 mil votos de ser ultrapassados pelo calceteiro.

Este ano, aparece mais experiente, com um discurso muito mais assertivo e repleta de mensagens por entre as suas parábolas e analogias. A importância de Vitorino Silva nas eleições de 2021, duplicou pelo contexto político em que se insere. Estamos na época do pós-verdade, em que para ser basta parecer, e a maioria dos challengers são isso mesmo, vendedores de banha da cobra. Especialmente os que se dizem "representantes do povo".

É especificamente aí, que Vitorino e torna uma ameaça, pois só a sua presença desconstrói a narrativa deles. Se há um candidato que representa o povo ele é com certeza o cidadão que trabalha das 9 às 18, e que decide tentar a sua sorte como mais alta figura do Estado. O candidato que mais se assemelha ao povo é o que andou pelo país, no próprio carro, de norte a sul a recolher assinaturas, dormindo na casa de quem lhe oferecesse guarida.
E melhor que estas frases para o explicar, são as 9 mil assinaturas que conseguiu, muito mais que as suficientes para uma candidatura e muito mais que as que foram apresentadas pelos candidatos empurrados por alguns partidos.

Não há nem pode haver qualquer tipo de condescendência para com a candidatura de Tino de Rans. É um insulto se o houver. Por detrás daquele sorriso embutido num desmazelo próprio de quem trabalha no chão para nos dar chão, há hum homem intensamente esperançoso e perseverante, qualidades que só quem for desatento, não as reconhece como ingredientes principais de todos aqueles a quem chamam de "imortais". 

São esse sorriso e essas qualidades que armam Vitorino Silva e não o deixam desistir ou sequer desmotivar perante as muitas adversidades que se lhe têm apresentado.
Parte como o candidato com menor orçamento e como o mais subvalorizado pela opinião "que conta" para a comunicação social. Tão subvalorizado e menorizado que até há bem pouco tempo nem entrava nos questionários das empresas de sondagens. É assim que tratam os nossos.

Tão desprezado e ridicularizado que nenhuma televisão o convidou para os debates com os restantes convidados. Só após muita pressão, lá fizeram o obséquio de o incluir.
Para primeiro debate, talvez muitos tenham pensado que lhe calhou "a fava" - Vitorino Silva versus André Ventura. Quem ontem teve oportunidade de ver os trinta minutos de debate (pouquíssimo tempo, mas é assunto para outro texto), só pode ter visto que foi a André Ventura que calhou " fava".

O calceteiro, frente a frente com o doutorado, não só não se intimidou como se fartou de enviar mensagens subtis tanto para o seu adversário, como para outros candidatos e partidos.
Com um ar simpático, sotaque do norte e gesticulação de quem não está habituado a trabalhar de mãos vazias, Tino de Rans conseguiu atirar calhaus, sem receber troco, como:

"Eu concordo com André Ventura, devia haver menos deputados. Por exemplo, sempre que algum faltasse, tomava-se nota e ao fim de umas faltas, o número reduzia"

"Eu ouço dizer que o André falta muito, mas ele só falta porque ainda não tem ninguém para lhe ir marcar as presenças"

"A rua é onde começa a casa de toda a gente."

"Está a ser um debate porreiro. É assim que se deve fazer em democracia, sem interromper o outro."

"Eu tive mais votos que o Chega e o Iniciativa Liberal juntos"

Pelo meio, Vitorino Silva ainda conseguiu fazer uma parábola com uma mão cheia de pedras que apanhou em Peniche, falando nas pedras de todas as cores, e à resposta sobre se é de direita ou de esquerda respondeu que andar direito, "preciso de uma perna esquerda e de uma perna direita" a funcionar bem.
Não fossêmos nós algo preconceituosos, e muito mais pérolas conseguiríamos ouvir por cada intervenção pública do Tino. Infelizmente, tem muito poucas porque as TV´s e os jornais não se interessam por um calceteiro.
Ontem, um falso profeta do povo encontrou um político que realmente veio do povo e só não compreendeu as bocas que lhe foram mandadas porque se notou o desprezo que sentia a ouvir Vitorino Silva. É o chamado ouvir sem escutar. 

Incrivelmente, mesmo após todas as dificuldades conhecidas e reconhecidas no debate, da promoção da candidatura do penafidelense, o jornalista que moderou o debate conseguiu gerir o tempo de forma a que Vitorino tivesse ficado com menos tempo usado. Não basta ser prejudicado desde o primeiro dia, ainda tem de ouvir um jornalista dizer "Vitorino Silva ficou com menos tempo, mas também não pode ser milimétrico". Neste caso, pode e por tudo o que lhe têm feito deve. Pois se há quem demonstra que cada milimetro é aproveitado ao máximo, é o Vitorino!

Talvez por um milímetro desta vez os votos no Vitorino ou no Tino (como diz o candidato há quem queria votar num e há quem queira votar no outro) sejam suficientes para alcançar um lugar nos 5 primeiros.

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Bem-vindos ao mundo do LinkedIn

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Bem vindos ao mundo encantado do LinkedIn
onde há freelancers, managers e accounts
heróis do recrutamento, recém diplomados e muitos gurus
O mundo do empreendedorismo é no LinkedIn
onde todos os estágios são magia
desemprego, desemprego ele é
aqui uma grande alegria!

Sim, era uma tentativa de adaptação da música da Leopoldina para a realidade da rede social dos self-made men, LinkedIn,
Todas as redes sociais criam bolhas, mas esta é a que mais me arrepia. Há todo um ambiente de positividade podre, como se entrássemos num bairro onde todos nos sorriem mas nós notamos que são sorrisos amarelos.

Existem "influencers", que todos os dia publicam dicas para melhorar alguma coisa, desde a minha aparência ao modo como vejo a vida. Outros, wannabe influencers, enchem-lhes as caixas de comentários a agradecer e também eles a partilharem mais dicas! Isto, quando não carregam no pedal do narcisismo e acham que é boa ideia debitar toda a sua história, porque de algum modo se relaciona com o post (bocejo).

Toda a gente usa blasers e camisas nas fotos onde aparecem. O uniforme universal do sucesso pessoal e profissional.

Mas as publicações mais incríveis são as que se referem ao recrutamento e à procura de emprego. "Tu é que deves escolher o teu chefe!", perdão, queria dizer "líder!". É extasiante ler os episódios detalhados da High Quality Recruitment Manager da empresa All4Us, Sandra Ribeiro (inventei os nomes, calma) a descrever aquele dia em que respondeu a uma candidata, dizendo-lhe que não foi a seleccionada mas que não deve desistir, porque os sonhos devem ser perseguidos sob o mantra de que a esperança é a última a morrer. Quase a roçar aquelas desculpas para quando se pretende terminar um namoro e se diz "Não és tu sou eu. Não desistas do amor só porque te meti um par de palitos".
E prossegue a Sandra dizendo que obteve uma resposta incrível da candidata rejeitada, que agradeceu efusivamente a magnanimidade de quem a rejeitou mas acenou antes de abalar, e que jurou que aquele email lhe deu ânimo para continuar a ser rejeitada, porque agora ela sabe que é esse o caminho para o sucesso. A Sandra acrescenta ainda que no dia anterior à publicação do post, a candidata rejeitada lhe enviou mais um email, desta feita a dizer que conseguiu um estágio não remunerado e que só o conseguiu graças à rejeição da Sandra...
Claro que a nossa High Quality Recruitment Manager só termina o seu post com dicas sobre como rejeitar candidatos. Nunca ignorar e deixar mensagens de motivação são a chave!

Depois o habitual enxorrilho de comentários de situações semelhantes ou de mais gente que foi rejeitada mas adorou a experiência.

No LinkedIn procurar emprego é uma arte, um dom, que só alguns humanos possuem. Os outros têm de ler o livro que a Sandra Ribeiro escreveu sobre o tema, para conseguirem entender. Não basta tirar mestrado ou doutoramento meus meninos. Não basta saber línguas. Não, não... Têm de saber destacar-se!

Segundo os peritos, já ninguém lê currículos. Aliás, já ninguém quer saber da vossa formação! O que interessa é saber destacar-se entre a multidão. O vosso "value" está na diferença.
Vejam a Joaninha, tirou um mestrado na Nova mas está ali a dar no duro para conseguir o seu primeiro estágio não remunerado: fez um vídeo numa cadeira, onde dança e aponta para várias direções e, na ponta do dedo aparecem as suas séries favoritas intercaladas com uma ou outra informação sobre o seu percurso académico.
Vejam o Pedrinho que fez um CV digital, com o template do Instagram, já tem mil "aplausos" no LinkedIn e imensos comentários de recrutadores a deixarem emails de empresas a que não pertencem!

Ah, e o Manelito, ainda tem tanto para aprender! A publicar uma foto com o seu diploma, descrevendo-a "mais uma etapa concluída, agora estou oficialmente à procura de emprego!". Não não estás, Manelito. Estás à procura de uma experiência enriquecedora, produtiva, que te acrescente valor. Emprego é mais para a frente... Quando tiveres a idade do Filipe, CEO da Panipunda, que todos os dias partilha as suas melhores frases para inspirar Manelitos.

O LinkedIn podia também ter uma mascote, como a Leopoldina. E devia ser o burro, do Shrek.

O Bem Maior

Desde José Rodrigues dos Santos a Marisa Matias

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O conhecido pivô e escritor José Rodrigues dos Santos (JRS) foi, durante esta semana, o alvo preferencial dos justiceiros da linguagem, especialmente à esquerda. Numa entrevista que deu na Rtp, JRS cometeu o erro de não ser suficientemente explícito, de não fazer o gesto das aspas enquanto falava, e declarou:
“A certa altura, há alguém que diz: – Eh, pá, estão nos guetos, estão a morrer de fome, não podemos alimentá-los. Se é para morrer, mais vale morrer de uma forma mais humana. E porque não com gás?”, referindo-se claro, a uma das práticas mais horrendas do Holocausto.

Gerou-se o pânicos, e multiplicaram-se as partilhas, as condenações e as injúrias. Até deputados sentiram necessidade de expressar publicamente o seu repúdio pelo que tinha dito o escritor.

Afinal tínhamos durante anos recebido as notícias através de alguém que achava que as câmaras de gás foram uma forma humana de assassinar pessoas. Para JRS a sentença estava lida: é um apologista do nazismo dos tempos modernos.

É assim que funcionam as grandes intelectualidades da esquerda. Mas é mesmo, ou há uma intenção em não querer contextualizar?

José Rodrigues dos Santos viu-se obrigado a defender-se e, com rigor e seriedade, fê-lo no campo de batalha onde é possível sermos derrotados sem nos apercebermos: o Facebook.

Ao que parece, e na verdade era o mais lógico e sensato, pasme-se, ele afinal não estava a dar a sua opinião sobre as câmaras de gás! O que JRS, no excerto de vídeo que circulou um pouco por todo o lado, quis fazer foi explicar de forma simples o que dezenas de documentos e contactos que efetuou para sustentar o que escreve, lhe diziam acerca da prática e causa.

Como disse Michael Seufert na sua página de Twitter, não se conseguem convencer milhões de pessoas a seguir o que defendemos, se defendermos o mal. O que se fez há época foi aparentar fazer o bem - dar uma justificação humanista para as câmaras de gás - para conseguir colocar uma pessoa normal a perpetrar o mal.

Isto não é assim tão difícil de entender. Só que para os partidários da esquerda, para bloquistas e comunistas, não há vontade de entender, e os que entendem, sabem que não é conveniente assumi-lo.

Para algumas destas pessoas, a banalização do mal passa por banalizar o mal, quando na verdade se trata de ter gente banal a praticá-lo, em nome de um "Bem Maior". É mais confortável inventar escapatórias morais para quando fazemos algo que sabemos estar errado. Se quisermos ver a uma escala muito pequena, lembremo-nos das "mentiras piedosas".

O problema é que para as gentes do Bloco e do PCP, há também um "Bem Maior" a seguir, que é o de caricaturar, demonizar e ostracizar quem tenha um pensamento dissonante com aquilo que defendem. O caminho para esse Bem Maior não passa necessariamente pela verdade, e por isso é tão fácil ignorar factos em detrimento de um julgamento público, de apelo ao senso comum.

É até curioso que este diferendo tenha ocorrido no mesmo contexto temporal em que o slogan de campanha de Marisa Matias seja "Força Maior".
A Força Maior da Marisa passa por chegar onde tiver que chegar, independentemente da verdade ou da mentira.

É esta Força que a leva a dizer que é socialista, e mais tarde na televisão intitula-se de social-democrata.

É esta Força que a põe a jogar com meias verdades, como dizer que os hospitais privados recusaram tratar grávidas porque tinham covid - ela sabe que os hospitais privados até há bem pouco tempo, por ordem da DGS, não podiam tratar doentes covid. Fossem grávidas ou não.

É esta Força Maior que a impede de admitir que demora mais tempo, é mais caro e logisticamente ineficaz, estar a contratar mais médicos e enfermeiros a meio de uma pandemia, em vez de recorrer aos hospitais privados para tratar doentes - os hospitais públicos não vão aumentar de tamanho nem vão conseguir fazer as consultas e exames em atraso, por contratarem mais médicos e enfermeiros agora. A Força Maior impede Marisa Matias de admitir que tem preconceitos ideológicos com a iniciativa privada, e que esses preconceitos têm custado vidas.

A Força Maior da Marisa, é a mesma de toda a Esquerda: os fins justificam sempre os meios, sejam eles a mentira, a calúnia, a repressão ou a morte.

 

"Chicão" esteve bem, os manifestantes nem tanto

Ontem o presidente do CDS-PP decidiu ir ter com os manifestantes do movimento "a Pão e água", que se instalaram em frente à Assembleia da República há dias, e que alegadamente estão em greve de fome.

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Sobre o episódio não há, na minha opinião, muito a dizer. Um representante de um partido contactou com população descontente. Contado assim, qualquer pessoa poderá ter um de dois pensamentos imediatos: 1 - se os manifestantes queriam falar com alguém com responsabiliade política, tiveram ali uma oportunidade. O pólítico fez o que era suposto e foi ouvir as suas justas reclamações. 2 - o político quer aproveitar a manifestação para retirar dividendos políticos, "pontos" junto do eleitorado (ainda para mais vem do partido que aparece sempre mais prejudicado nas oraculares sondagens).

Eu tenho ambos, misturados, porque acho que é o mais sensato. É óbvio que qualque político que vá falar com a população, ainda para mais população descontente com o partido adversário, pretende ganhar pontos com isso. E não é igualmente óbvio que os políticos têm (idealmente) obrigação de nos ouvir?

Houve quem achasse muita graça, e até criticasse o líder do CDS, por ter tentado falar com os manifestantes e Ljubomir tê-lo aconselhado a parar de falar em partidos ou corria o risco de ser expulso.

Portanto, ignorando as intenções estratégicas das críticas de alguns dirigentes partidários, parece que há gente que prefere políticos que ganham pontos junto do eleitorado sem contactar com este.
E se formos atrás das sondagens, instrumento pelo qual nutro algum desprezo, quase que comprovamos esta tendência. É surpreendente que por exemplo, um partido como o PAN suba nas sondagens, sem nunca sairem dos gabinetes. Sem nunca contactarem com população. Fazendo política apenas para os lisboetas.
É surpreendente que Rui Rio e o PSD se aguentem há tanto tempo na melhor posição das sondagens, sem se mexerem, fazendo política no Twitter.
Em sentido contrário, o líder do CDS, que vai falar com os manifestantes, ou que tem percorrido o país em contacto com a população, é o mais prejudicado em sondagens.

Mas recuperando o foco no episódio da manifestação, reprovo o discurso mal preparado para os manifestantes, reprovo a notória falta de pragmatismo e deficiente assessoria do centrista, pois só isso justifica a indumentária tão desajustada ao momento - não te apresentas junto de gente cansada, frustrada e revoltada, de fatinho aprumado e esperas que alguém se identifique contigo.
Quanto isto, se me mencionarem, alinho nas críticas.

Já relativamente à atitude, só podemos reconhecer-lhe a coragem e saber ver que foi o único representante partidário a deslocar-se ao local para conversar com estes manifestantes. Mal ou bem, foi o mais próximo que estas pessoas estiveram do poder central, e não souberam aproveitar.

Ljubomir preferiu comportar-se como chefe da tribo e fazer uma exibição de poder alicerçado na sua notoriedade e nas dezenas de telemóveis que registaram o momento: "Meu querido, não sei qual é o teu partido, mas se voltas a falar em partidos convido-te a saires".

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Com a simpatia forçada que não deixou esconder a sua arrogância, Ljubomir e os manifestantes que ali se encontravam, deram mote aos partidos para brincarem com o assunto ao invés de discutirem os problemas que supostamente ali se reivindicavam.

Fica a dúvida sobre o que afinal querem aquelas pessoas que se manifestam em frente à Assembleia da República, queixando-se de que ninguém fala com eles, mas que desprezam e repudiam os partidos quando estes vão ao seu encontro.



Uma criança e um idoso

Uns desmarcam o que nunca esteve marcado, outros recusam-se a desmarcar o que nunca devia ter sido m

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Há quem diga que quando se chega à idade anciã, ao estuto de idoso, à imagem de avô, mais tarde ou mais cedo nos reencontramos com a criança que há em nós. Quem dedica parte do seu tempo a cuidar dos idosos também muitas vezes apresenta o lugar-comum de que a velhice é uma segunda infância.

A criança e o idoso partilham, nos seus piores dias uma teimosia injustificada de mão dada com a rabujice proporcionalmente inversa à sua paciência. Ambos querem o que querem agora e não daqui a dois minutos. E sabem muito bem o que querem e para quê. Só não sabem justificar quando são confrontados com um possível comportamento avesso ao que seria de esperar de alguém com plena racionalidade.

Depois de ficar a achar que este texto é sobre idosos e crianças, vou agora encaminhá-lo ao objetivo do texto: transpor esta pequena divagação para a nossa criança e idoso do sistema partidário português.

E porquê? Porque encaixa perfeitamente no que aconteceu a semana passada e ainda está para a acontecer.
O Chega e o Partido Comunista, fazem as honras de vestir os papéis de criança e idoso, respetivamente. Um partido com cerca de 3 anos e outro com, alegadamente, quase 100, decidiram que deviam organizar os seus Conselhos e Congressos presenciais, nesta altura.

Agora, que estamos a bater recordes diariamente, de infetados e mortos, ambos os partidos acharam por bem reunir vários militantes no mesmo espaço.
Tal e qual uma escolha irrefletida de uma criança ou de um idoso, estes dois partidos com assento parlamentar, escolhem marimbar-se para os mortos e infetados e arrepiar caminho entre as mais básicas recomendações de combate à covid-19: se puder evitar ajuntamentos, evite.

A criança (Chega), na realidade, ainda se está a perceber se realmente tinha alguma coisa organizada, ou se apenas quis fazer a figura de partido que responsavelmente cancelou o seu Conselho Nacional. Já vimos anteriormente que há alguém naquele partido que orquestra habilmente os meios de comunicação social a favor do Chega. Não são de todo descabidas as suspeitas de que apenas, mais uma vez, jogaram com uma situação séria, para sairem bem na fotografia. Só que para azar deles, os Bombeiros de Sintra, proprietários do local onde supostamente aconteceria o ajuntamento do Chega, decidiram intervir e revelar que nunca foram contactados para a realização de nenhum evento.

Se já tinha ficado mal a ideia de que tinham criticado o Congresso do PCP, mas iam ao mesmo tempo realizar o seu próprio evento, ainda pior fica, sabermos que mentiram deliberadamente apenas para obterem atenção da comunicação social. Infelizmente, há público para tudo, e há de haver quem tenha achado muito bem este cancelamento do Conselho Nacional, ainda que haja esta hipótese de nunca ter sido sequer marcado.

Já o nosso idoso, capricha mais na rabujice. Depois da irresponsabilidade do 1º de maio e do desplante do Avante, os nossos comunistas de bolso insistem em realizar o seu Congresso.
Chegam mesmo os militantes e dirigentes do PCP a defender-se com argumentos patéticos como "os direitos políticos não estão suspensos", "com os milhares de pessoas que andam nos tranportes ninguém se preocupa" ou "querem cancelar a atividade política do PC desde a sua fundação".

O PCP, com cerca de 100 anos, não consegue ainda lavar a ideologia da cara, e ver o que se passa à sua volta. Ver que isto não é sobre eles, que ninguém está a engendrar nenhum plano maquiavélico para que não possam juntar-se num pavilhão a repetir o que já dizem desde que foram fundados como se fosse ontem.
Ver que é exatamente pelas pessoas que todos os dias, por necessidade, têm de se colocar em perigo para garantir o sustento da sua família, que eles deviam adiar o Congresso. Pois estas pessoas colocam-se em perigo porque precisam, eles estão a colocar-se em perigo por teimosia.

Os nossos comunistas continuam a não perceber o que se passou no Avante e continuam a invocar outros eventos - Fórmula 1, Teatros, Concertos - para justificar a sua afronta ao sofrimento dos portugueses. Primeiro, não se justifica uma má ação com outra má ação. Segundo, os organizadores da Fórmula 1, dos Teatros e dos concertos, não foram eleitos pelos portugueses para terem uma palavra a dizer na governação do país.
A gravidade entre uma empresa querer ignorar as recomendações de combate à pandemia não é sequer comparável à de um partido político fazer o mesmo. Porque não partilham das mesmas respnsabilidades, do mesmo papel, na sociedade. Mais caricato é que seja o partido comunista, que tanto combate a influência das empresas, a querer colocar-se no mesmo patamar que estas (Fossem mais espertos e tinham um excelente argumento para vilipendiar ainda mais os privados). Isto é tão simples, que só um velho senil, como o PCP não consegue compreender.

Miguel "Posta" Matos

Cruzei-me há pouco tempo, virtualmente, com um trecho de vídeo de campanha do candidato a Secretário-Geral da Juventude Socialista, Miguel Costa Matos. Fazendo a minha própria pesquisa pessoal, dentro das limitações de um usuário normal de internet, posso resumir a conversa deste jovem em uma palavra: embuste.

É o mais jovem deputado na Assembleia da República e agora quer liderar a juventude partidária do Partido Socialista. Porquê? Porque diz que é "Tempo de Agir", porque considera que os sonhos dos jovens estão novamente em perigo.

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Novamente? Mas deixaram de estar em algum momento, Miguel?
Ele acha que sim, e explica no trecho que vi, que em 2015 "virámos a página da austeridade". Como assim, virámos? Está o Miguel a copiar a retórica do Primeiro-Ministro e a querer dar a entender que o PS nos salvou do malvado Passos Coelho, personificação da austeridade?

Tão jovem e tão bem alinhadinho, o Miguel na verdadade pode referir-se ao que quiser quando diz "Virámos", menos a ele próprio. É que o candidato a secretário-geral da JS, não estava em Portugal nessa altura...

Pois é, Miguel Matos conta, no seu blogue pessoal, que entre 2013 e 2015 andou a brincar aos clubes de política no Reino Unido, junto do Partido Trabalhista de Jeremy Corbyn. Ele na verdade não faz ideia do que foi viver a crise.

Mas se ao ler isto acha que estou a ser injusto, explico-me melhor : Ele não faz ideia do que é viver em crise, nem faz ideia do que é viver no mundo real de um jovem português.
Não sou apologista de que nascer num ambiente familiar privilegiado tenha de ser um handicap para se poder fazer algo pelos que não tiveram a mesma sorte, mas com o Miguel torna-se difícil contornar alguns factos da sua vida e contrapô-los com o seu discurso.

O jovem prodígido do PS, que chegou ao Parlamento tão novo e não quer ver corrompidas as expetativas dos jovens, seja de que contexto for, passou a maioria da sua idade juvenil numa autêntica bolha anti-pobres.

Entrou aos 4 anos para o colégio mais caro do país, o St.Julians, onde um ano de matrícula ronda os 10,000,00€, e saiu apenas aos 18.
É portanto compreensível, que tendo passado a juventude a observar tanta miséria e dificuldade à sua volta, tenha decidido fazer algo! E esse algo passava somente por se inscrever no partido mais parasita do sistema.

É portanto compreesível, que tenhamos de gramar com o Miguel a falar de oportunidades para os jovens, pois ele sempre teve imensas dificuldades para singrar. Deve ser mera coincidência, ter conseguido ir parar ao Parlamento tão novo.

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Por último, detetei um laivo de honestidade no jovem socialista, quando ontem escreveu um tweet e se descaiu. Ele tem o seu público-alvo bem definido: São os jovens cosmopolitas... Tal como diria Mário Lino, o resto é deserto.

O Miguel Costa Matos representa com exímia distinção a esquerda caviar portuguesa. Não são do povo, não têm nada a ver com o povo, não sabem como vive o povo, mas têm imensas postas de pescada para atirar sobre como é que vão salvar o povo.

Este é daqueles socialistas que cheiram a Bloco de Esquerda - bem pensantes, bem falantes, sabem como resolver tudo sem conhecerem nada, a apartir dos seus sofás, num T4 em Lisboa oferecido como prenda de aniversário.

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Os últimos dias têm sido muito produtivos em criação de notícias, artigos de opinião e reportagens em torno da nova era governativa que se iniciará nos Açores.
O arquipélago terá, finalmente, a oportunidade de experienciar outro estilo de governação tendo mesmo expulsado os comunistas das lides parlamentares da região - recorde-se que até o PPM ficou à frente deles.

Numa outra perspectiva, esta siuação tem gerado jogos de bastidores muito interessantes, para quem gosta. E é sobre eles que me debruço e acerca deles que terei de dar a mão à palmatória relativamente à qualidade de assessoria que o presidente do Chega hipoteticamente terá.

Ainda a procissão ia a meio, e com procissão falo nas conversações entre CDS, PPM e PSD, e já muito se discorria acerca desta pseudo geringonça invertida, porque teria de contar com aprovações no parlamento regional, de outros partidos para que tivesse pernas para andar. Falou-se na IL, no Chega e até no PAN.

Já esbracejavam os putativos arautos da liberdade à esquerda, dizendo que se ia governar com um partido de extrema direita. Como se aquilo que se tem passado no continente à 5 anos fosse muito melhor, com um Governo apoiado por partidos que celebram Che Guevara, Fidel Castro, Mao ou que põem em hipótese que a Coreia do Norte seja uma democracia.

Não acho que sirva de justificação para nada, apontar o mal que outros fazem. Mas é impossível ficar-se calado com tamanha hipocrisia.

Após o entendimento desta nova AD 2.0 , parece que se exigiu ao PSD regional que garantisse a aprovação dos orçamentos no parlamento regional. Para isso, o PSD tentou então conversar com a IL e com o Chega. E a partir da segunda conversa, com o partido de Ventura, é que o PSD nunca mais apanhou o fio à meada.

O CH desde então tem jogado com mestria, e assim que terminou a conversa com o PSD, lançou para a comunicação social a ideia de que se tinha firmado um acordo que incluia a redução do número de deputados, a castração química e uma possível extensão do acordo às autárquicas.

Fazendo lembrar o filme "Wag the Dog", o Chega marcou a agenda e minou a credibilidade do PSD. Costuma-se dizer para não lutarmos com porcos não é...?

O PSD viu-se obrigado a desmentir essas informações, mas o dano estava feito. O primeiro a gritar ouve-se mais pois o segundo já não conta com todos os ouvintes na sala.

Depois de dezenas de reacções nas redes, mais outra dezena de artigos de opinião e manchetes, Rui Rio veio tentar remediar o irremediável: a ideia de que fez um acordo com a extrema direita estava no ar.

Após tudo isto seguiram-se, para além do desmentido, algumas defesas usando a tal questão da geringonça continental. E Rui Rio, que tem um registo patético nas redes sociais, acha boa ideia brincar com o tema.
Ontem, mais uma vez, a assessoria de André Ventura, revelando muita perspicácia, esteve atenta ao que Rui Rio fazia e conseguiu gerar mais uma nódoa no peito do PSD.

O líder dos laranjas faz um tweet infeliz, perguntando se há novidades acerca do "avanço do fascismo nos Açores" e, cerca de uma hora depois, André Ventura escreve outro tweet exatamente sobre o mesmo.

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Resultado: Ventura puxa o PSD para junto de si, demonstrando consonância de pensamento e articulação conjunta na comunicação externa. Para quem leu ambos, fica com a ideia de que combinaram ou que são muito parecidos. De uma cajadada André Ventura conota o PSD com a extrema direita, para quem vê de um lado, e conota o Chega com o centro-direita, para quem vê do lado oposto.

Em pouco dias, o partido de André Ventura, talvez por o terem subestimado, fez gato sapato da reputação do PSD e ainda se serviu da comunicação social como bem quis.

Todo este lodo teria sido evitado de uma forma muito simples: PSD, CDS e PPM não precisavam de falar com ninguém para formar governo. Quem estava com eles estava do lado da direita, quem não estava colocava-se ao lado da esquerda. Este era o argumento único que devia ter sido utilizado, sem direito a conversações.


O que tem João Galamba para ser tão protegido?

Já aqui (post sobre o assunto aqui) tinha discorrido acerca da falta de sentido institucional e má educação do Secretário de Estado João Galamba. Hoje, na comunicação social foi noticiado que ele e o Ministro Siza Vieira estão a ser investigados por corrupção no projeto do Hidrogénio em Sines.

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Relembro mais uma vez, que este Governo já demitiu um Ministro por ter feito um post no Facebook. Relembro agora que o último Ministro investigado por corrupção durante o exercício do cargo, foi Miguel Macedo do PSD. À época, demitiu-se imediatamente para permitir "ser investigado o que tiver de ser investigado»" e permitir a separação de poderes.

Veremos se uma suspeita de corrupção, instiga nestes governantes o mesmo sentido de Estado e os consciencializa de que se devem demitir.
Especialmente o João Galamba, ou será que nem uma suspeita de corrupção é suficiente para o primeiro-ministro o colocar na rua? Se assim for, é legítimo que nos comecemos a indagar o que terá o Secretário de Estado que o torna tão intocável?

Segue, Segue, Segue

Há um sketch dos Gato Fedorento, "Matarruanos dão indicações", em quem uma automobilista se aproxima de um senhor, um matarruano, e lhe pede indicações para o Centro Cultural. O indivíduo, muito prestável, dá-lhe as indicações: "(...)vai recto, apanha um caminho para a direita, não vira! Apanha um caminho para a esquerda, não vira!(...)". Nisto, um segundo matarruano que está a passar e se apercebe de que o seu conterrâneo está a dar direções para o Centro Cultural, decide intervir porque notou que estavam erradas. Ficam então os dois a dar indicações contraditórias sobre como chegar ao mesmo sítio. O sistema repete-se com um terceiro e um quarto matarruano. A automobilista fica a ver os quatro homens a digladiarem-se com diretivas contrárias uns aos outros, tentando superiorizar-se no volume, durante uns minutos até que desiste e decide arrancar com o carro sem querer saber das indicações de ninguém.
 
 Por os Gato Fedorento terem sido uma constante durante a minha adolescência, existem inúmeras situações que me remetem para os seus sketches. Este em particular, surgiu-me à memória quando refleti sobre a panóplia de indicações, contra indicações e falsas indicações que nos têm sido transmitidas até hoje, acerca da pandemia de covid-19. Quem não conhece o vídeo, aconselho a visualização e experimente colocar a população portuguesa no lugar da pobre automobilista e no lugar dos matarruanos o Governo, os partidos, o Presidente da República, a Ordem dos Médicos, a Ordem dos Enfermeiros, os virologistas, os comentadores. Pode imaginar mais uns quantos matarruanos para representar os negacionistas do Qanon, em forma de Médicos e Jornalistas "pela Verdade".
 
E nós, sentados no carro, de olhos trocados e já com pouca paciência para conspirações das máscaras, restrições à circulação que são apenas recomendações ou dos mesmos avisos desde março de que a situação via piorar, acabamos por "arrancar". Uns escolhem ouvir apenas fontes oficiais, outros enveredam pelas conspirações e uns terceiros desistem de ouvir quem quer que seja e decidir tudo à sua vontade.
 
Quando as autoridades de saúde não conseguem ser a voz que se destaca no meio de todas as outras, quando o governo revela desgoverno nas orientações à população, a tarefa de diminuir o nº de infecções torna-se hercúlea. O Ministério da Saúde está descredibilizado, Marta Temido não inspira confiança a ninguém a não ser à Cristina Ferreira - que dá festas "de arromba" em casa sem uma única máscara à vista.
 
A crise pandémica parece ainda ter muitos episódios por vir. Atrás, como já vem sendo previsto há uns meses, virá a crise económica que afetará com mais intensidade, como sempre, as famílias desfavorecidas, os jovens que pretendiam ingressar no mercado de trabalho, os pequenos empresários.
Felizmente poderão contar com a esquerda que, vendo uma crise à vista, terminou o seu estado de oposição em layoff e aplicou a necessária distância de segurança do Governo. A partir do próximo Orçamento de Estado (OE) já podem fingir (ainda mais), que não tiveram nada a ver com o que não foi feito até hoje, que não têm culpas no desinvestimento do SNS ou da Educação. A proposta de OE para 2021 passa agora a comprometer os objetivos da Geringonça, que eram sorrir e acenar quando apareciam medidas populares, e fingir-se de morta aquando das medidas mais mázinhas.
 
Citando uma célebre deputada do Bloco de Esquerda, eleita pelo distrito de Setúbal, para descrever o comportamento dos parceiros do Governo: "como é que se chamam aqueles animais que rondam a área à espera de uma morte para se alimentarem?". Estes já se estão a colocar em posição. 

 



 

 

Eles acham que somos estúpidos e este gráfico prova-o

O Governo já demonstrou várias vezes que não nos tem em boa conta. Infantiliza-nos, acha-nos uma cambada de pacóvios à espera de subsídios e ordens de Lisboa.
Se a semana passada isso se consubstanciava na patranha de apresentarem uma proposta de comboio TGV Lisboa-Porto igual à que tinham apresentado no tempo do Guterres, hoje presenteiam-nos com este lindo gráfico.

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Em legenda, nas redes sociais oficiais do Governo, diz que nos últimos 5 anos houve um aumento de 22 000 profissionais de Saúde.

"Nos últimos 5 anos" - apresentam um gráfico com 4 barras, omitindo 2017.
Quanto ao aumento, a desproporção das imagens, ao nível de um gráfico do Chega, é revelador do quão nos acham estúpidos e facilmente enganáveis. Quem olha para estas barras, parece que de 2015 a 2020, o Governo investiu massivamente, mais que o dobro do que havia no ano onde se inicia a contagem. Visualmente querem-nos enfiar pelos olhos a dentro que 147.000 é pelo menos dez vezes mais que 125.000.

É sabido que o nosso forte não é a matemática, mas não nos ofendam tanto.


#SomosTodosBerardo

A semana passada foi trazido ao de cima pela comunicação social, mais um feito de Joe Berardo, desta feita em Setúbal.
Consta que o empresário, apesar de apenas possuir uma garagem com ele gosta de dizer, está a fazer obras na antiga estação rodoviária de Azeitão, transformando-a num palacete. Tudo estaria certo, não fosse a falta de licenciamento da Câmara Municipal e as aprovações de várias entidades com poder na matéria, como a Direção Geral do Património Cultura ou a das Conservação da Natureza.

Como o assunto estava a ganhar alguma relevância, não fosse o protagonista ser quem é,  a presidente da Câmara Municipal de Setúbal achou por bem "reagir" e, na minha humilde opinião, passar mais um atestado aos setubalenses.
Tendo as entidades acima referidas chumbado a viabilidade da obra de Joe Berardo, estas também acrescentaram que só a Câmara teria competência para embargar a obra, que já vem de 2019. Mas a Câmara nunca o fez. Terá sido por esquecimento? Por desconhecimento?

O jornal setubalense reporta que já em 2019 o Executivo terá dado como desculpa que o licenciamento está "em processo". Até à data de hoje, continua por processar, ao contrário das obras que avançam de vento em popa.

Este ano, Maria Dores Meira justifica-se, se é que assim se pode chamar, no seu Facebook dizendo que a situação se deve a um Plano Diretor Municipal antigo, mal feito, criado na época de governação autárquica do PS. E desata com um rol de acusações e referências a outros locais onde o mesmo sucedeu.

Não responde a presidente, porque é que fechou os olhos ao desenrolar da obra, porque é que o Sr. Joe Berardo não esperou como qualquer cidadão, pelas licenças de construção?
Porque é que a Câmara não exerceu a sua autoridade e o fez esperar? E também se esqueceu de responder se vai ter em conta os chumbos de viabilidade do ICNF e da DGPC, ou se vai licenciar na mesma o palacete do Sr. Berardo.

A presidente preferiu atirar areia para os olhos dos setubalenses, descrevendo ao pormenor os erros do PS em mil novecentos e troca o passo, ao invés de incomodar o Sr. Embaixador da Cidade de Setúbal, prémio que lhe foi atribuído por Maria das Dores. Aliás já foi anunciado que um novo PDM está em curso, no qual a obra em questão já não incorrerá em nenhuma ilegalidade, para descansar os Sr. Embaixador. Até lá, continua ilegal mas tudo bem.

Ao eco de defensores do pobre milionário, veio juntar-se a da Presidente da Junta de Azeitão, Celestina Neves. A ex-CDU, simplificou o assunto com todo o requinte demagógico que o momento pede: Quem é contra a obra, é contra Azeitão!
As infelizes declarações da autarca, em entrevista ao Setubalense, não se ficam por aqui, pois ainda acrescenta que todos deveriam agradecer a Joe Berardo, sendo que " Graças a si [Joe Berardo], a paisagem de Azeitão está mais bonita e encantável”.

Temo que, não fosse a obra ter já garantida licença, e Celestina Neves inciaria uma campanha digital #SomosTodosBerardo , que seria complementada com uma marcha dos lesados de Azeitão, dada a desgraça em que caíria a freguesia sem aquela obra, e a injustiça que seria para tão honorável benfeitor.

2020 é realmente um ano surpreendente. Nunca esperei ver comunistas a defender as ilegalidades de milionários. Outrora quereriam quase a cabeça de Joe Berardo, ainda para mais tendo este deixado um buraco nos bancos onde passou, que o povo está a pagar.
Já não se fazem comunistas como antigamente.

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O CDS-PP precisa de um "momento Pablo Casado"

"Vocês é que são a Direita que a Esquerda gosta!"

 


É a primeira página em todos os jornais de referência espanhóis. Pablo Casado, do Partido Popular espanhol, votou ontem contra a moção de censura do VOX (Chega versão espanhola), e apresentou uma brilhante e severíssima intervenção no Parlamento.

Pablo Casado puxou dos galões do seu partido e desconstruiu, uma a uma, todas as fraudes em que a extrema direita se alicerça para crescer. Sem medo de evocar a história do partido, de vincar os valores que guiam o partido e o seu europeísmo convicto, demonstrou como o VOX e quaisquer partidos como este, servem mais os interesses da esquerda, que os da direita.

Considerou o Presidente do PP espanhol, que os eleitores que sairam do PP e se passaram para o VOX, foram enganados, pois este é um partido que não pretende construir ou unir. E não, não combate a esquerda, só a ajuda a reforçar os preconceitos que incute na sociedade, apresentando a caricatura como um retrato fiél.

Quem se senta ao leme destes partidos não pretende representar nada, senão o seu próprio interesse pessoal, à custa da discórdia e do extremar de posições. É triste que por cá não se entenda isto,  que ainda ninguém tenha exposto a extrema direita tal como fez Casado: como uma aliada silenciosa da esquerda.

Dizem que Pablo Casado conseguiu, em 35 minutos, renascer das cinzas, fazer-se líder e novamente dar um ânimo à direita liberal-conservadora.

Este pulsar, pode e deve ser sentido pelo CDS, se quiser voltar a singrar. Francisco Rodrigues dos Santos tem de tirar daqui lições e virar o tabuleiro de jogo a seu favor.
Não há melhor ativo para um partido que a sua história, por muito que os extremistas queiram fazer ver o contrário e até lhes dê jeito que ninguém tenha memória.

Por cá também temos direita impostora, que precisa de ser revelada, ou vai continuar a descascar o espaço moderado e sensato de direita. O CDS não pode continuar a permitir, não só que o colem ao Chega, como que este último lhe roube bandeiras e se auto-intitule pioneiro das mesmas.
Não é a esquerda, cavalgada por extremistas de um lado (BE, PCP) e por oportunistas do outro(PS), que vai combater a extrema-direita em Portugal. Porque essa é a direita que eles queriam há muito ter à frente, para lhes dar razão, para lhes trazer heroísmo à causa.
A extrema-direita tem de ser combatida, como diz Casado, pela liberdade, tolerância e sensatez.

O CDS tem de beber da poção Casado, e puxar também as orelhas ao Chega, usando para isso toda a sua experiência e o papel que desempenha há anos na democracia portuguesa.

O PSD está corrompido pela vontade de não antagonizar o PS, com um líder fraco, que perde mais tempo a fazer oposição à oposição interna e aos meios de comunicação social, que ao Governo.
A Iniciativa Liberal não tem maturidade suficiente para arcar com um papel de representação da Direita.

Sobra um, se quiser e se for capaz de replicar o que os seus partidos irmãos pela Europa fora fazem. Vejam o vídeo e tirem as vossas conclusões:

 



Crónica para setubalenses enjoados e setubalenses enjoativos

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Quem é de Setúbal e anda pelas redes sociais, está familiarizado com os 40 grupos de Facebook que existem, alegadamente para e sobre Setúbal.
A quantidade de grupos é muita porque as motivações também são distintas: há grupos criados por gente do PS, do PSD, do PCP e do Bloco. Depois há outros criados por coligação, em que os administradores são PS+PSD, PS+PCP, PS+PCP+Bloco, etc. Também há dos anti-política, dos vitorianos, dos que se fingem imparciais em todos os assuntos, enfim, há mesmo para todos os gostos. Mas há um género de publicação que atravessa todos estes grupos com o mesmo sucesso. São aqueles posts a que chamo, "post violino". Este género caracteriza-se pela masturbação do alegado orgulho em ser de Setúbal, com recurso a desmedidos elogios, ainda que soem ao mais falso possível.
Têm centenas, às vezes quase milhares de "gostos" e quase o mesmo número de partilhas. Os autores são também aclamados pela excelência dos seus textos, candidatos a Prémio Nobel da Graxa, perdão, da Literatura.

"setubalense é também um sentimento de que ela nos pertence e um verdadeiro setubalense defende-a sempre com unhas e dentes. E claro é do Vitória de Setúbal."

"De repente tudo menciona as ofertas turísticas, as praias paradisíacas e riqueza cultural que Setúbal oferece, o nosso Vitória de Setúbal…"

"São as pessoas desta cidade, que me apaixonam todos os dias, a sua vontade de viver e desfrutar a vida e de tudo o que ela tem para oferecer."

"Há gentes humildes e simpáticas em cada esquina, que nunca deixam de ter histórias para contar — se o fizerem com o sotaque inconfundível, ai que delícia de conversa.Para não falar da união de cada vez que joga o Vitória. Antes da partida, as rodadas de imperial são pagas até a quem não se conhece e os amendoins ou pevides dividem-se por todos os que estão presentes."

"Setúbal, que posso mais dizer sobre ti? Muita coisa certamente, mas o meu amor por ti é sem dúvida o mais importante. Obrigada, Setúbal."

"Dos almoços de domingo, dos encontros no café da Barreira para tomar o pequeno-almoço e de dizer ao meu padrasto para ele ir à lota comprar pelins para fazer com arroz de tomate.Quero voltar a ligar à minha mãe para lhe contar dos salmonetes que comprei na praça e para lhe dizer que marquei almoço para a uma nas enguias do Faralhão."

Estas pérolas sadinas, felizmente estão quase todas compiladas no mesmo sítio. Há muitas mais mas não quero revelar já tudo, fica para o leitor descobrir. 
Estas pessoas descobriram uma fórmula para ter sempre sucesso naquilo que escrevem, e fazem-no sem conta, peso ou medida.
Quem lê estas crónicas, mesmo que seja de Setúbal, fica a achar que algo de errado não está certo consigo próprio. Estes concidadãos, pelo que nos dão a entender, comem sandes de choco ao pequeno almoço acompanhado de moscatel. Para os filhos, desde pequenos que lhes servem umas papas de sardinha e ensinam o hino do Vitória.
Depois, aquando dos seus 5/6 anos, tentam perceber se os putos falam com sotaque, se não o fizerem contratam um explicador de charroco pois seria uma desonra não falarem assim... Aos 18 anos, se ainda não tiverem carta de barco, são expulsos da família.
Estes verdadeiros setubalenses, têm casa forrada a verde e decorada com pinturas da arrábida entre os golfinhos em cerâmica que compram todo os meses na Feira de Velharias.

Os outros, ou se contentam em aplaudir, concordar e partilhar ou, não sendo como os protagonistas dos textos devem remeter-se à sua insignificância pois apenas só são setubalenses porque o acaso os fez nascer no hospital S.Bernardo.

 Estas crónicas amplamente divulgadas no Facebook (particularmente), para mim, são enjoativas e não há pachorra para estas tangas do amor a Setúbal. Acho que aquelas rotinas que descrevem são tão verosímeis quanto a imparcialidade jornalística do jornal "Setubalense" ou quanto o comunismo da presidente da Câmara.
E quanto a mim, "ser setubalense" é o que eu quiser, se é que "ser setubalense" significa alguma coisa. Ninguém tem de ser vitoriano, comer choco e dizer que Setúbal é a sua cidade preferida para ser um "verdadeiro setubalense".
Podem colocar os atestados de autenticidade setubalense no sítio onde colocam a espinha quando escrevem estes textos. 

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O Governo já instalou a App onde queria

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Gerou-se a indignação geral, as tropas digitais pró-liberdade já se reúnem, as fotos de telemóveis antigos circulam abundantemente pelas timelines das nossas redes sociais: "Não passarão!" proclamam do topo da sua cadeira de escritório IKEA.

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O Governo lançou, em conjunto com as medidas do mais recente Estado de Calamidade, a ideia de que a aplicação de telemóvel Stayway Covid tem de ser obrigatoriamente instalada por todos nós e, hoje já sairam manchetes de como já estão a mobilizar as forças de segurança para executar a necessária fiscalização.
Entretanto, já andamos todos a discutir sobre como tudo isto é uma afronta às liberdades de cada um, a Iniciativa Liberal lançou imediatamente uma imagem para se colocar na dianteira da defesa da liberdade e sugere-se em jeito de piada que o Governo vai oferecer smartphones.

António Costa e a sua equipa sabem muito bem que a regra de obrigatoriedade de instalação de uma aplicação não passa de uma tontice. O plano nunca foi realmente vir a fazê-lo mas caímos que nem tordos. O primeiro-ministro tem alguém muito maquiavélico e criativo na sua equipa, para ter tido esta ideia.

Era quase indiscutível que se teriam de tomar medidas face ao aumento exponencial de infetados com covid-19, mas há que ver que o mundo, e em específico o país não pára por isso. Estávamos a meio da discussão do Orçamento de Estado, documento esse no qual já foram encontrados vários erros, gralhas e ditos por não ditos. Os parceiros da Geringonça não revelam jogo e, particularmente o Bloco de Esquerda optou por acentuar o seu teatro pré-aprovação, com exigências novas todos os dias e declarações públicas.
O PSD, ainda que para o Executivo não conte como parceiro para aprovação do Orçamento (a ministra Mariana V Silva disse isso mesmo ontem em entrevista), não por falta de vontade de Rui Rio, também ainda não informou sobre o seu sentido de voto.
Este é também o primeiro OE sem o toque do Ronaldo das Finanças, ou seja, não usufrui de tanta credibilidade, e é um OE de preparação da crise. Todos sabemos que a crise é uma oportunidade para os partidos da oposição abrirem feridas aos Governos. António Costa não está para isso, e opta por um arriscadíssimmo virar do tabuleiro: A app será obrigatória nos telemóveis de toda a gente!

Não será. É impossível fazê-lo, quer pela impraticabilidade da fiscalização, quer pelos antagonismos que ia gerar, quer pela provável insconstitucionalidade da medida. 
Mas o Governo já instalou a app onde queria. Instalou-a nas nossas conversas virtuais e reais, nos partidos e nos meios de comunicação social. A app é o hot subject do momento, o que permite uma diminuição pacata do prazo até à data de aprovação do OE. O Bloco já não consegue fazer o seu teatro para animação interna, pois os orgãos de comunicação e a população não estão interessados. Já ninguém quer saber se o PCP vai votar favoravelmente ou não.
Os partidos da Direita, apesar de já terem sinalizado o voto contra, também agora só estão preocupados com os telemóveis da nação.
Esta folga permitirá pressionar o Bloco e o PC, que chegarão à data da votação do Orçamento sem ter reivindicado publicamente nada, e terão de aprovar o documento ou serão acusados pelo seu eleitorado de entregar o país à Direita novamente. Os parceiros da Geringonça vão ter de fazer as suas exigências em privado, pois o público está contaminado pela App do momento.

Está instalada a app e desinstalado o escrutínio. Parabéns aos envolvidos.

Tão comunista que dói

Esta semana deparei-me com dois casos flagrantes de contradição ideológica e falta de coragem por parte da Presidente da Câmara Municipal de Setúbal.

O primeiro, por si só, até não me levaria a escrever nada sobre o assunto. O segundo, acumulado com o primeiro já me "obrigou" a torturar o teclado e os olhos de quem lê este blogue.

Este fim de semana foi re-inaugurado o Convento de Jesus, com todo um espetáculo, na minha opinião desnecessário e contraproducente tendo em conta a situação que vivemos (hoje já estamos em Estado de Calamidade), de projecção de imagens, concerto e atores contratados para interpretar figuras históricas, etc.
O hábito faz o monge, e aqui por terras sadinas já estamos habituados às megalomanias da Excelentíssima Sra. Presidente. Alguns apreciam, não é o meu caso.
Acontece que a Presidente, não satisfeita com o status quo de que já ususfrui e faz questão de vincar publicamente, seja através de indumentária, seja através da alimentação de uma corte à sua volta, a Sra. Presidente decidiu que desta vez queria ser mais: Queria ser realeza.

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Qual não é o meu espanto quando, circulando por publicações de Facebook e fotos da inauguração do Convento, me deparo com os Convidados de Honra da autarquia: Os Duques de Bragança!
Dizem uns, que foram representar os originais mandatários da obra do Convento. Ou estão toldados pela ingenuidade ou são pequenos candidatos a spin.

A verdade é que em Portugal, os republicanos apesar de terem conseguido abolir a Monarquia, com alguma violência até, nunca aboliram o sentimento de inferioridade e fascínio com a aura de poder natural que os monarcas, um pouco por toda a Europa, conseguiram cultivar. Não é por acaso que, no filme-documentário "The Crown", o fotógrafo da família real, quando confrontado com os protestos da irmã da rainha por pretender ser fotografada num registo mais natural, ligado ao país real, este lhe tenha respondido que ninguém quer ver o mundo real. O povo quer fantasiar, quer ter uns minutos a imaginar como será estar na pele de uma princesa, com toda a reverência e excentricidade que isso acompanha. 
Claro que, não se sabe se este diálogo tem algum fundo de verdade, mas que faz sentido, faz.

A presidente decidiu então convidar os Duques de Bragança, herdeiros de um regime morto, para ela própria ter os seus minutos de realeza. Mesmo que zombie. Deparamo-nos então com o rídiculo de ter um Monárquico e uma Comunista a descerrar a placa comemorativa da inauguração.
A Sra. Presidente, candidata a Condessa, não se importou de pisar nos valores republicanos que lhe foram conferidos pelos eleitores, nem nos valores ideológicos do seu partido, para criar o seu momento de Nobreza.
Ao que parece, a terra "é de quem a trabalha", mas os conventos mandados construir por reis, já não.


O segundo momento da semana, foi a notícia de que Joe Berardo comprou e tem alterado à sua vontade, a antiga estação rodoviária em Azeitão, para criar um palacete. Tudo muito certo, excepto a falta da licença necessária para o fazer.

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Quando confrontada com o caso, a edil respondeu que está a decorrer o processo de licenciamento.
Portanto, acrescendo ao facto de termos um dos maiores devedores à Caixa Geral de Depósitos, ou seja a nós todos, que andou nas comissões parlamentares a dizer que não tinha nada em seu nome, a gastar 2000 milhões num edíficio, ainda temos a complacência da Presidente da Câmara.
Talvez esta primeira parte não a afecte, dado que foi uma fervorosa apoiante do banqueiro Tomás Correia - mais um atropelo ao que o partido defende - e portanto gente que arruína bancos com dinheiro público não a incomoda. Mas então que dizer da falta de mão, num tipo que compra e reconstrói sem licenças, faz e desfaz a seu bel-prazer, sem que ninguém se imponha? Estamos a testemunhar um privilégio com o patrocínio de Maria Dores Meira? Também já não há problema para a autarca do PCP, que um milionário se sinta privilegiado e acima da lei?


Na minha ótica, nem que fosse por uma questão de justiça para com o gozo deste senhor a todo o povo português, a Câmara tinha era que encontrar forma de não lhe atribuir licença nenhuma e pô-lo no sítio.

Mas tal como disse anteriormente, num artigo algures aqui, esta Presidente é tão comunista como... Joe Berardo.


Praxes

e as vantagens da pandemia

Este ano, como consequência do estado pandémico em que vivemos, no ínicio do ano letivo do ensino superior surgiram várias notícias de que as praxes seriam suspensas, como forma de não se correr riscos de incumprimento das normas da DGS.


Não sei se o foram em todo o lado ou não, ou se suspenderam ou modificaram apenas algumas atividades. É impossível aferir a veracidade destas afirmações, pois antes da pandemia tanto as instituições de ensino superior (IES), tanto os estudantes, mentiram e arranjaram estratagemas para que as praxes decorressem mas de forma a que os reitores e presidentes pudessem, caso necessário, aparecer nas notícias de "mãos limpas". Sempre houve um elevado nível de hipocrisia para defender uma atividade sem nexo.

Mas partindo do princípio de que somos todos muito honestos e portanto é mesmo verdade que foram suspensas, só tenho a dizer : sorte a dos novos estudantes!

Não me considero anti-praxe, como gostam as associações académicas e comissões de praxe catalogar, pois nunca fiz nenhuma apologia junto de nenhum colega para que deixasse a praxe, quando frequentei o ensino superior. Mas sempre tive a minha opinião quando me perguntavam, e não é favorável.

Parte logo da retórica de "nós vs eles" que se incute nos caloiros, sendo que "nós" são os que alinham nas praxes e supostamente têm mais "espírito académico" (ainda não se sabe muito bem o que isto é), e o "eles" que são todos os que não alinham e portanto são automaticamente rotulados de anti, chegando-se ao rídiculo de se lhes querer vedar o uso do traje académico - cada vez mais traje de praxe.

A partir daí, é sempre a descer. São dadas as justificações mais patéticas possíveis para defenderem o triste regabofe. O que mais gosto é o das "pessoas incríveis" que se conhecem na praxe, evocando um suposto estreitamento de laços que acontece algures entre o ovo na cabeça e o rebolar no chão. A maioria das pessoas que chega ao ensino superior teve, no mínimo, de fazer 12 anos de escolaridade. Se nunca precisou de dar cambalhotas para fazer amigos, conhcer "pessoas incríveis" e integrar-se, duvido imenso que precise de o fazer quando chega ou está a chegar à maioridade.


Veem-se estudantes a dar ordens a outros estudantes, submetendo-os a uma hierarquia onde quem mais chumba mais importante é. Desde o Meco, que gostam sempre de dizer várias vezes que "Só faz quem quer", colocando o ónus da decisão no caloiro, muitas vezes de 17 anos, que acabou de chegar ao ensino superior e recebe toda uma lavagem sobre os efeitos nocivos de não fazer a praxe - não usar o traje, não viver o "espírito académico", não ficar integrado na turma e, como diz em alguns manuais de praxe, não participar nas atividades académicas. Mas a escolha é simples, só fazem porque querem...

Os que a fizeram, não suportam a ideia de que novos estudantes possam usufruir de tudo, em especial do traje, sem cumprir a "recruta", e muitos esforçam-se para que seja uma recruta memorável, muitas vezes pelos piores motivos.

Outro argumento é o da tradição académica ou espírito académico. A tradição cai por terra, especialmente quando falamos em politécnicos e universidades privadas. Não é tradição, é imitação.
O espírito académico, ninguém sabe muito bem definir o que é, mas a única coisa que a praxe tem de académico é ser feita (e às vezes nem isso) no mesmo espaço físico da academia. Mas por essa lógica de ideias, almoçar no refeitório é uma atividade de cariz académico. O tal espírito, dizem que se prende com a entreajuda e a animação. Ou seja, algo que se encontra em qualquer grupo, mas aqui é feito com pessoas vestidas de preto.

Os estudantes que praxam nunca sabem justificar decentemente porque é que se submetem a ordens rídiculas, que muitas vezes implicam esforço físico e falta de higiene. Quando os argumentos são atirados por terra, um a um, carregam no botão "não fizeste, não percebes".
Eles é que ainda não se aperceberam que colaboram com uma alegada tradição de alívio de frustrações, que é patrocinada por N marcas, e que esses sim são os grandes interessados em manter as praxes.

Acabem com as praxes e os seus rituais inventados, com as tradições saídas da cabeça de um grupo de estudantes bebâdos há uns anos atrás, e há muita gente que perde dinheiro. Por isso é que é tão importante que se mantenha vivo espírito académico, pela saúde das contas bancárias de associações, lojas de trajes, de cervejarias e demais materiais, alguns que trabalham especificamente só nesse âmbito.

Se os novos estudantes não fizerem as praxes, ainda bem para eles. Não perdem nada.

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