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The Pólis

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Mais uma greve climática à sexta-feira. Mais uma volta no carrossel da manipulação de miúdos.

Continuam a encher os jovens de ideais alienados da realidade - "o capitalismo não é verde", "combate às alterações climáticas", "tudo deve mudar menos o clima" (novo da JS).

Os partidos e partidários de esquerda prosseguem o seu objetivo de cultivar em mentes pouco experimentadas, ideias que lhes são bastante favoráveis mas que em nada ajudam a resolver as questões ambientais que se apresentam.

"o capitalismo não é verde" é das patranhas mais tontas e no entanto das que melhor colam. É nos países de cariz capitalista que se criam as soluções para os pequenos, médios e grandes problemas das pessoas. O ambiente não é exceção. Aliás, o objetivo de qualquer capitalista é conseguir tirar o máximo proveito, com mínimo gasto de recursos. Os capitalistas são os mais interessados em encontrar alternativas à exploração de recursos finitos.

Só em ambiente competitivo, próprio de economias de mercado, é que se geram possibilidades de investimento em novas ideias, novas experiências, em suma, em inovação. Só da inovação se ultrapassam obstáculos que à partida parecem não ter resolução. A opção não passa por parar ou voltar para trás, mas sim por encontrar formas de seguir em frente.


A conversa do "combate às alterações climáticas" ainda mais ignobilmente traduzido no slogan da "cimeira do clima" da Juvente Socialista - Tudo deve mudar menos o clima - começa a ser ridiculamente infantil.
Não vai haver nenhum acordo mundial, que permita reverter as alterações climáticas antropogénicas. O que se deve começar a fazer, caso se queira ser sério no assunto, é em tentar corrigir o que é possível corrigir e trabalhar num modelo realista de adaptação às alterações climáticas.

Infelizmente, a maioria das pessoas anda embriagada na ilusão de uma adolescente abastada, que as convenceu de que a solução é tão simples quanto desligar um interruptor. Basta que os governantes de todos os países queiram e o planeta fica salvo. Basta que mandem parar as indústrias, proibam plásticos, ponham toda a gente a andar de bicicleta e pronto, assunto encerrado.

O mundo é assim, visto pelos olhos dos adolescentes. Há quem se aproveite da sua inocência e há quem se esqueça de que não é suposto governar com base em fantasias juvenis.

Ontem o presidente do CDS-PP decidiu ir ter com os manifestantes do movimento "a Pão e água", que se instalaram em frente à Assembleia da República há dias, e que alegadamente estão em greve de fome.

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Sobre o episódio não há, na minha opinião, muito a dizer. Um representante de um partido contactou com população descontente. Contado assim, qualquer pessoa poderá ter um de dois pensamentos imediatos: 1 - se os manifestantes queriam falar com alguém com responsabiliade política, tiveram ali uma oportunidade. O pólítico fez o que era suposto e foi ouvir as suas justas reclamações. 2 - o político quer aproveitar a manifestação para retirar dividendos políticos, "pontos" junto do eleitorado (ainda para mais vem do partido que aparece sempre mais prejudicado nas oraculares sondagens).

Eu tenho ambos, misturados, porque acho que é o mais sensato. É óbvio que qualque político que vá falar com a população, ainda para mais população descontente com o partido adversário, pretende ganhar pontos com isso. E não é igualmente óbvio que os políticos têm (idealmente) obrigação de nos ouvir?

Houve quem achasse muita graça, e até criticasse o líder do CDS, por ter tentado falar com os manifestantes e Ljubomir tê-lo aconselhado a parar de falar em partidos ou corria o risco de ser expulso.

Portanto, ignorando as intenções estratégicas das críticas de alguns dirigentes partidários, parece que há gente que prefere políticos que ganham pontos junto do eleitorado sem contactar com este.
E se formos atrás das sondagens, instrumento pelo qual nutro algum desprezo, quase que comprovamos esta tendência. É surpreendente que por exemplo, um partido como o PAN suba nas sondagens, sem nunca sairem dos gabinetes. Sem nunca contactarem com população. Fazendo política apenas para os lisboetas.
É surpreendente que Rui Rio e o PSD se aguentem há tanto tempo na melhor posição das sondagens, sem se mexerem, fazendo política no Twitter.
Em sentido contrário, o líder do CDS, que vai falar com os manifestantes, ou que tem percorrido o país em contacto com a população, é o mais prejudicado em sondagens.

Mas recuperando o foco no episódio da manifestação, reprovo o discurso mal preparado para os manifestantes, reprovo a notória falta de pragmatismo e deficiente assessoria do centrista, pois só isso justifica a indumentária tão desajustada ao momento - não te apresentas junto de gente cansada, frustrada e revoltada, de fatinho aprumado e esperas que alguém se identifique contigo.
Quanto isto, se me mencionarem, alinho nas críticas.

Já relativamente à atitude, só podemos reconhecer-lhe a coragem e saber ver que foi o único representante partidário a deslocar-se ao local para conversar com estes manifestantes. Mal ou bem, foi o mais próximo que estas pessoas estiveram do poder central, e não souberam aproveitar.

Ljubomir preferiu comportar-se como chefe da tribo e fazer uma exibição de poder alicerçado na sua notoriedade e nas dezenas de telemóveis que registaram o momento: "Meu querido, não sei qual é o teu partido, mas se voltas a falar em partidos convido-te a saires".

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Com a simpatia forçada que não deixou esconder a sua arrogância, Ljubomir e os manifestantes que ali se encontravam, deram mote aos partidos para brincarem com o assunto ao invés de discutirem os problemas que supostamente ali se reivindicavam.

Fica a dúvida sobre o que afinal querem aquelas pessoas que se manifestam em frente à Assembleia da República, queixando-se de que ninguém fala com eles, mas que desprezam e repudiam os partidos quando estes vão ao seu encontro.



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