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The Pólis

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  • Eles acham que somos estúpidos e este gráfico prova-o

    O Governo já demonstrou várias vezes que não nos tem em boa conta. Infantiliza-nos, acha-nos uma cambada de pacóvios à espera de subsídios e ordens de Lisboa.
    Se a semana passada isso se consubstanciava na patranha de apresentarem uma proposta de comboio TGV Lisboa-Porto igual à que tinham apresentado no tempo do Guterres, hoje presenteiam-nos com este lindo gráfico.

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    Em legenda, nas redes sociais oficiais do Governo, diz que nos últimos 5 anos houve um aumento de 22 000 profissionais de Saúde.

    "Nos últimos 5 anos" - apresentam um gráfico com 4 barras, omitindo 2017.
    Quanto ao aumento, a desproporção das imagens, ao nível de um gráfico do Chega, é revelador do quão nos acham estúpidos e facilmente enganáveis. Quem olha para estas barras, parece que de 2015 a 2020, o Governo investiu massivamente, mais que o dobro do que havia no ano onde se inicia a contagem. Visualmente querem-nos enfiar pelos olhos a dentro que 147.000 é pelo menos dez vezes mais que 125.000.

    É sabido que o nosso forte não é a matemática, mas não nos ofendam tanto.


    O Governo já instalou a App onde queria

    Stayaway escrutínio

    Gerou-se a indignação geral, as tropas digitais pró-liberdade já se reúnem, as fotos de telemóveis antigos circulam abundantemente pelas timelines das nossas redes sociais: "Não passarão!" proclamam do topo da sua cadeira de escritório IKEA.

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    O Governo lançou, em conjunto com as medidas do mais recente Estado de Calamidade, a ideia de que a aplicação de telemóvel Stayway Covid tem de ser obrigatoriamente instalada por todos nós e, hoje já sairam manchetes de como já estão a mobilizar as forças de segurança para executar a necessária fiscalização.
    Entretanto, já andamos todos a discutir sobre como tudo isto é uma afronta às liberdades de cada um, a Iniciativa Liberal lançou imediatamente uma imagem para se colocar na dianteira da defesa da liberdade e sugere-se em jeito de piada que o Governo vai oferecer smartphones.

    António Costa e a sua equipa sabem muito bem que a regra de obrigatoriedade de instalação de uma aplicação não passa de uma tontice. O plano nunca foi realmente vir a fazê-lo mas caímos que nem tordos. O primeiro-ministro tem alguém muito maquiavélico e criativo na sua equipa, para ter tido esta ideia.

    Era quase indiscutível que se teriam de tomar medidas face ao aumento exponencial de infetados com covid-19, mas há que ver que o mundo, e em específico o país não pára por isso. Estávamos a meio da discussão do Orçamento de Estado, documento esse no qual já foram encontrados vários erros, gralhas e ditos por não ditos. Os parceiros da Geringonça não revelam jogo e, particularmente o Bloco de Esquerda optou por acentuar o seu teatro pré-aprovação, com exigências novas todos os dias e declarações públicas.
    O PSD, ainda que para o Executivo não conte como parceiro para aprovação do Orçamento (a ministra Mariana V Silva disse isso mesmo ontem em entrevista), não por falta de vontade de Rui Rio, também ainda não informou sobre o seu sentido de voto.
    Este é também o primeiro OE sem o toque do Ronaldo das Finanças, ou seja, não usufrui de tanta credibilidade, e é um OE de preparação da crise. Todos sabemos que a crise é uma oportunidade para os partidos da oposição abrirem feridas aos Governos. António Costa não está para isso, e opta por um arriscadíssimmo virar do tabuleiro: A app será obrigatória nos telemóveis de toda a gente!

    Não será. É impossível fazê-lo, quer pela impraticabilidade da fiscalização, quer pelos antagonismos que ia gerar, quer pela provável insconstitucionalidade da medida. 
    Mas o Governo já instalou a app onde queria. Instalou-a nas nossas conversas virtuais e reais, nos partidos e nos meios de comunicação social. A app é o hot subject do momento, o que permite uma diminuição pacata do prazo até à data de aprovação do OE. O Bloco já não consegue fazer o seu teatro para animação interna, pois os orgãos de comunicação e a população não estão interessados. Já ninguém quer saber se o PCP vai votar favoravelmente ou não.
    Os partidos da Direita, apesar de já terem sinalizado o voto contra, também agora só estão preocupados com os telemóveis da nação.
    Esta folga permitirá pressionar o Bloco e o PC, que chegarão à data da votação do Orçamento sem ter reivindicado publicamente nada, e terão de aprovar o documento ou serão acusados pelo seu eleitorado de entregar o país à Direita novamente. Os parceiros da Geringonça vão ter de fazer as suas exigências em privado, pois o público está contaminado pela App do momento.

    Está instalada a app e desinstalado o escrutínio. Parabéns aos envolvidos.

    Galambing, a arte da soberba

    Lembram-se há "muito muito tempo" de um ministro chamado João Soares, reza a lenda, ministro da cultura? Talvez tenha sido o último membro do Governo de António Costa, com alguma decência e sentido de Estado. Talvez, calma.

    Corria o longínquo mês de abril, do ano de dois mil e dezasseis. João Soares demitia-se no seguimento de um post no Facebook, onde oferecia umas "salutares bofetadas" a Augusto Seabra e a Vasco Pulido Valente. Na altura, o primeiro-ministro referiu que os ministros tinham de ter consciência do lugar que ocupam.

    Podia discorrer se, agora passados 4 anos, a sua demissão nos seguimento desse post fez sentido, tendo em conta tudo o que veio a acontecer até hoje, com os membros do Governo.
    Mas gostava de me cingir a um caso particular, tão particular que diria até especial. E não no bom sentido.

    João Galambra é Secretário de Estado Adjunto e da Energia, mas já era conhecido da maior parte dos portugueses atentos a política. Um aficionado de José Sócrates, João foi escalando a hierarquia do PS com uns spins e algum mediatismo. No entanto, umas das características que o governante nunca fez questão de esconder foi a sua arrogância e má criação.

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    Antes de ser nomeado para o Governo de António Costa, era já um hábito identificado pelos internautas, o de ofender quem o criticava ou de mandar estudar gente que, em muitos casos, tinha um currículo bastante superior ao seu.

    Houve aliás uma brincadeira de um dirigente da IL, Ricardo Pais Oliveira, que fez uma lista de gente a quem o agora Sec.de Estado mandou estudar antes de falar. Na lista, que é ilustrada para que não sobrem dúvidas, encontramos nomes como Miguel Poiares Maduro, Ricardo Costa (irmão de António Costa), Jorge Moreira da Silva ou Camilo Lourenço.

    A bazófia do socialista era bastante reputada. Recentemente esta postura fermentou novamente no meio mediático devido ao projeto do Hidrogénio em Sines, que o Sr. Secretário de Estado diz ser muito positivo, mas que dezenas de pessoas que estudaram o tema, dizem ser um embuste. João Galamba não tem tido qualquer pudor em chamar de mentirosos todos os que criticam a estratégia do Hidrogénio, tal como aconteceu com Clemente Pedro Nunes, um professor universitário jubilado e especialista em energia. O-bvi-a-mente que tem de ir estudar!

    A situação aliás, levou a que Jorge Barreto Xavier dedicasse uma das suas crónicas ao assunto, considerando que este não tem tido a atenção devida. Subscrevo e posso dizer que vale a pena ler - é muito melhor que o meu.

    O que surpreende é que não só já era expectável que João Galambra destilasse a sua arrogância para cima de tudo e todos, pois o seu percurso assim o fazia prever, enquanto governante, foi ainda assim nomeado para Secretário de Estado. E, igualmente supreendente e caricato, tem sido o silêncio do governo face ao comportamento de João Galamba. Os Secretários de Estado também não têm "de ter consciência dos lugares que ocupam"?