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The Pólis

O que tanto já vinha ameaçando aconteceu: Vladimir Putin, líder incontestável (ditador) da Rússia, iniciou a ofensiva assumida à Ucrânia. 
Ofensiva assumida, sim. Pois já tinha a Ucrânia cercada há algum tempo

Os pretextos: primeiro Putin justificou este cerco, esta ameaça com a presença de milhares de militares na fronteira, com a possibilidade da Ucrânia vir a aderir à NATO. 

Agora as coisas mudaram: depois de várias reuniões com líderes mundiais, cada vez foi ficando mais claro que a Rússia já tinha tomado a sua decisao há algum tempo independentemente da NATO. Como anunciavam,  tanto o presidente dos EUA como o primeiro-ministro do Reino Unido há dias.

A nova opção estratégica da Rússia tomada na segunda-feira, que por acaso foi mencionada no domingo por Paulo Portas na TVI, foi de reconhecer a independência de duas regiões ditas separatistas da Ucrânia. Isto para poderem receber um pedido "oficial" de ajuda destas duas regiões à Rússia, legitimando uma entrada em território ucraniano. Uma Crimeia 2.0 . 

Mas porquê agora?

É claro que os motivos deste tipo de decisões são sempre difíceis de apurar, para o comum mortal que não tem acesso a informação confidencial ainda para mais de um país tão longínquo. 
No entanto podemos sempre tentar ligar alguns pontos. 

A Rússia já não é a potência dominantes de outrora, já não se compara ao estatuto que teve a antiga URSS. Ainda que Putin continue a querer assumir esse papel, não o tem. 

A nova "URSS" é declaradamente a China, que tem de forma subreptiliana, pondo em ação um plano de infiltração em quase todos os países do planeta, seja através de dinheiro, infraestruturas, presença militar ou espionagem. 

É a China que quer substituir os EUA e não a Rússia. Então porque é que a Rússia está tão confiante neste medir de forças com a NATO? 

Talvez isto tenha alguma responsabilidade: 

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No último encontro entre Vladimir Putin e Xi Jiping, que não decorreu assim há tanto tempo, os líderes pronunciaram-se pela cooperação entre ambos os países, dizendo que a sua cooperação e aliança não tem limites e que se apresentam contra a NATO e os Estados Unidos da América. 

Por outras palavras, Putin está com as costas quentes. Resta saber se o que faz na Ucrânia o faz apenas por esse motivo ou se as costas quentes são na verdade por ter um picador por trás, que pretende lançar o caos na Europa, avaliar o poderio militar dos outros e testar o seu. 

A China já é líder mundial tanto no número de efetivos no exército como na tecnologia, e especificamente na inteligência artificial. Porém nunca teve oportunidade de se testar. O acordo de cooperação com a Rússia poderá ajudar nesse sentido. 

Esta possível guerra Ucrânia vs Rússia tem tudo para ser bastante proveitosa para os chineses. Aguardemos para perceber o que farão os líderes europeus e americano, para preservar a continuidade da paz na Europa sem deixar que a invasão da Ucrânia passe em branco.  

A plataforma Esqrever, à semelhança do que elaborou em 2019 e que eu nao sabia que o tinha feito, publicou uma "análise" às propostas dos vários partidos, chamada "Legislativas 2022: O arco íris também vota".

Segundo o redator Diogo Pereira, o critério é simples "quanto mais e melhores medidas tiver o programa do partido, mais arco-íris ganha. Se tiver medidas discriminatórias e desinformação leva uma nuvem cinzenta. ".
Não sabemos que critério adopta o Diogo, para sentenciar uma medida como melhor nem como discriminatória, sabemos apenas que uns vão levar arco-íris e outros nuvens consoante o que ele achar.

Como devem estar a prever, quem ganhou mais arco-íris foram os partidos de esquerda. E digo que estão a prever porque infelizmente, relativamente a este tema, o senso-comum já está tão manipulado que se assume sempre à partida que à Esquerda estão as pessoas que respeitam a diferença e à Direita os que a discrimam e maltratam. Nada mais errado, mas é o que temos.

Assim sendo, o ranking ficou assim:

1º - BE
2º - PAN
3º - Livre
4º - PS
5º - CDU

a partir daqui já nenhum partido teve arco-íris. IL, PSD E CH não tiveram nada, o CDS teve uma nuvem negra sendo até acusado de "queerfobia".

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Não me irei alongar muito sobre esta avaliação, venho apenas escrever que infelizmente o que chamam de comunidade de pessoas LGBTQI+ , são pessoas que estão a ser instrumentalizadas através de uma política mais impulsionada por uns partidos do que outros, nos quais se destaca o BE, que as faz acreditar que as suas principais características, que as definem enquanto ser humano, são coisas como o género, a preferência sexual e noutros casos a etnia.

A Esqrever aqui, tal como em 2019, "pontua" positivamente esta atitude, para que se subentenda, propositadamente ou não, que as pessoas LGBTQI+, só têm propostas nestes partidos. Incentivando a que se desliguem de todo o seu papel na sociedade e que afunilem a sua atenção para propostas muitas delas meramente redundantes e sem significado prático.

Os restantes partidos, como não alinham na atribuição de um valor empolado ao genero e à preferência sexual de cada um, como tomam as pessoas por pessoas, levam uma recriminação. Porque propostas sobre finanças, economia, ambiente ou educação não são propostas para pessoas LGBTQI+ . Faz sentido, não faz?

 



Por último deixo uma citação do psicólogo Jordan Peterson acerca do tema, que me parece resumir bem o problema deste tipo de abordagem:

(...)Your identity is not the clothes you wear, or the fashionable sexual preference or behaviour you adopt and flaunt, or the causes driving your activism, or your moral outrage at ideas that differ from yours: properly understood, it’s a set of complex compromises between the individual and society as to how the former and the latter might mutually support one another in a sustainable, long-term manner. It’s nothing to alter lightly, as such compromise is very difficult to attain, constituting as it does the essence of civilization itself, which took eons to establish, and understanding, as we should, that the alternative to the adoption of socially-acceptable roles is conflict — plain, simple and continual, as well as simultaneously psychological and social.

The continually expanded plethora of “identities” recently constructed and provided with legal status thus consist of empty terms which (1) do not provide those who claim them with any real social role or direction; (2) confuse all who must deal with the narcissism of the claimant, as the only rule that can exist in the absence of painstakingly, voluntarily and mutually negotiated social role is “it’s morally wrong to say or do anything that hurts my feelings”; (...)



Tradução:

"(...)A sua identidade não são as roupas que veste, nem a preferência sexual ou comportamento elegante que adota e exibe, ou as causas que impulsionam o seu ativismo, ou a sua indignação moral com ideias que diferem das suas: devidamente compreendidas, é um conjunto de compromissos complexos entre o indivíduo e a sociedade sobre como o primeiro e o segundo podem apoiar-se mutuamente numa sustentável, maneira a longo prazo.
Não é nada que altere de ânimo leve, pois tal compromisso é muito difícil de alcançar, constituindo como faz a essência da própria civilização, que demorou a estabelecer, e compreender, como deveríamos, que a alternativa à adoção de papéis socialmente aceitáveis é o conflito simples, simples e contínuo, bem como simultaneamente psicológico e social.
A pletora continuamente alargada de "identidades" recentemente construídas e dotados de estatuto jurídico consiste, portanto, em termos vazios que (1) não conferem àqueles que as reclamam qualquer papel ou direção social real; (2) confundir todos os que têm de lidar com o narcisismo do requerente, pois a única regra que pode existir na ausência de um papel social meticuloso, voluntariamente e mutuamente negociado é moralmente errado dizer ou fazer qualquer coisa que magoe os meus sentimentos (...)"
 
 
 
 
 
 

Os socialistas são do pior, têm destruído o país e permitido um lastro de corrupção. Por estes e outros motivos, é necessário afastar o PS do poder o mais rapidamente possível.
O PSD é o PS-2, por isso não merece a confiança dos portugueses. Dito isto, estou disponível para integrar um Governo do PSD, se tiver 4 ministérios. Porque o PSD é o PS-2, e o PS é terrível.

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Não, não estou maluco. Estou a resumir a lógica com que André Ventura nos brindou na última semana e meia. É líder partidário mais fléxivel alguma vez ja visto. Ou mais troca-tintas. Diria até que deve ser o líder que mais toma por parvos os seus eleitores.
O presidente do Chega! diz tudo e o seu contrário, várias vezes, sem que ninguém o confronte com isso. Aí, a culpa é de uma comunicação social que, como já natural, se demonstra amadora quando tem de escrutinar políticos. Findo o Congresso do partido de Ventura, e correram imediatamente a morder todos os iscos que ele lançou: por exemplo, falar em "Deus, Pátria, Família e Trabalho" para a seguir dizer que representa Sá Carneiro ou lançar para o ar a ideia de que há um deputado do CDS que poderia vir a migrar para o CH. Os jornalistas lambuzaram-se com estas declarações e esqueceram-se e fazer o seu trabalho.

Só é lamentável que, por inércia do PSD, CDS e IL, a caricatura da direita esteja a tomar forma de real representação. Será prejudicial que futuramente, nem à direita nem à esquerda, exista seriedade e atitude reformista.

Na outra ponta do espectro, o irmão gémeo do CH, tambem teve mais um clássico momento em que revelou aquilo que é. Um projecto que assenta na infantilização do eleitorado, com vista à polarização. Por outras palavras,  "o que defendemos tem objetivo de melhorar a tua vida, o que os outros defendem tem o objetivo de prejudicar a tua vida".

Os "Jovens do Bloco" brindaram-nos com uns belíssimos panfletos, de layout igual aos da Iniciativa Liberal, ao quais tiro o chapéu pelo esforço, mas que unicamente tinham como mensagem dizer que a IL vinha aí para nos fazer mal.
Não se pode esperar muito de um partido trotskista, que vê nos projetos alternativos um alvo a abater (literalmente), no entanto confesso que ainda me surpreenderam, talvez porque já não faziam uma destas desde o tempo da troika, em que queriam que acreditássemos que o Passos Coelho se levantava de manhã e bebia um cocktail com o sangue das nossas carteiras.

"Slogans coloridos, promessas de amor ao "mérito" e ódio à esquerda. Os liberais vestem-se de novo com ideias velhas. O seu programa encontra-se na IL, CH e direita tradicional. Não querem saber do teu emprego, da tua vida, do mundo em que vivemos.Os liberais declararam-te guerra." - a descrição que juntam à divulgação nas redes sociais, dos seus magníficos panfletos.

 

O cúmulo dos cúmulos, é mesmo dizerem que os liberais são "os melhores amigos dos ditadores". Tal como no Chega, o Bloco também quer passar atestados de estupidez aos portugueses. Felizmente está bem documentado o apoio dos militantes do Bloco de Esquerda a ditadores e a ditaduras, ou não fosse este um partido comunista.
Produzir panfletos para pura difamação e tentativa de degradação de imagem de outros partidos é um degrau importantíssimo rumo à lama política. São estes senhores que depois fingem ser contra a polarização da política, atribuindo-a à postura dos partidos da direita.


Foram estes os flagrantes momentos de política rasteira que pudemos observar só nesta última semana e meia, por parte dos nosso dois partidos mais rasteiros (desculpem a repetição) em atividade.

Quem não se revê nesta forma de exercer a política, no reduzir daquela que devia ser uma atividade nobre,à ofensa gratuita e à mentira, tem um papel a desempenhar. Esse papel passa por não ceder, por muito tentador e fácil que seja agir desta forma, a este nível baixo de política. Passa por exigir dos partidos a maturidade e a postura institucionalista que devem ter. Que apresentem propostas e que andem na rua sim, mas para nos ouvir. Exigir que não deixem o país enredar-se num lamaçal improdutivo. Que se foquem em não atrapalhar a vida a quem quer produzir e procurar a sua felicidade em Portugal.



Os partidos alicerce do Governo do Partido Socialista, percebendo a sua trajetória descendente de eleição em eleição, desde que aceitaram integrar a Geringonça, bater com a mão na mesa.

Só que nota-se à distância que o fazem apenas porque acham que desse modo recuperam a credibilidade e a "utilidade" que alguns eleitores lhes reconheciam. Eleitores esses que têm migrado para o PS, como seria de esperar neste "abraço de urso". O PCP e o BE sempre serviram para que os eleitores de esquerda pudessem ter escolha entre a esquerda do sistema (PS) e a esquerda "pura", revolucionária, de protesto contra a direita e às vezes contra a esquerda do sistema.

Essa função dissipou-se quando as esquerdas acordaram em apoiar-se. Para quê votar Bloco ou PCP se agora são parceiros do Governo socialista? Porque não votar PS se até já o Bloco e o PCP lhes reconhecem méritos ao ponto de os ajudarem?
O PS tornou-se assim o partido presidente da Federação das Esquerdas. O partido mais sensato, que leva realmente à letra "a união faz a força" e por isso diz publicamente que só quer conversar com a esquerda. Foi assim que o Partido Socialista se voltou a erguer e conseguiu conquistar eleitorado muito mais à esquerda do que o habitual. Consolidou-se no coração de socialistas, comunistas e simpatizantes.

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6 anos depois, há consequências a retirar. Toda a gente acha que quaisquer eleições estão no papo para o PS de António Costa. Enquanto os seus parceiros começam a ter dificuldades até onde estavam mais confortáveis, como aconteceu com o PCP nas Autárquicas.
Jerónimo de Sousa e Catarina Martins, sem quererem, colocaram-se num beco sem saída: prosseguindo a parceria com o PS, vão emagrecer muito eleitoralmente. Rompendo, como parece que vai acontecer com este chumbo Orçamento de Estado, vão ficar com o ónus de destruição das pontes que uniam a esquerda.

Pensam agora, os dirigentes bloquista e comunista, que ainda vão a tempo de recuperar o que queimaram, queimando-se ainda mais. Optaram por se juntar à direita no voto contra, cometendo um acto que será interpretado por muitos como traição para com a esquerda. Abandonaram o PS que mais lhes deu espaço para influenciarem as políticas nacionais de sempre, porque acham que vão voltar a ganhar os pontos do tempo em que eram apenas partidos de protesto.

O Partido Socialista vai continuar a cimentar a sua posição de único partido em que vale a pena votar à esquerda. Isto porque fica para a história que lutaram pela existência de um entendimento alargado de esquerda, que permitisse evitar pelo máximo tempo possível o regresso da direita, e esse entendimento só não continuou porque Bloco e Partido Comunista não estiveram à altura da responsabilidade.

Nas próximas eleições, o único partido que vai poder utilizar o argumento de "senão votarem em nós terão que levar com a Direita" com eficácia, é o PS, que tem caminho aberto para fazer de calimero e pode agora dizer que é mesmo melhor que o eleitorado de esquerda lhes confira uma maioria, pois com o PCP e o Bloco não se pode contar.

Não é por acaso que o primeiro-ministro não se cansa de dizer que não lhe interessa um bloco central, não lhe interessa conversar com o PSD nem com ninguém para lá do PSD. Ele quer uma clara fronteira entre esquerda e direita, porque sabe que está a ficar com o monopólio dos votos da Esquerda. António Costa sugou a vida dos seus parceiros de Geringonça e não tem intenção de parar.


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Mais uma greve climática à sexta-feira. Mais uma volta no carrossel da manipulação de miúdos.

Continuam a encher os jovens de ideais alienados da realidade - "o capitalismo não é verde", "combate às alterações climáticas", "tudo deve mudar menos o clima" (novo da JS).

Os partidos e partidários de esquerda prosseguem o seu objetivo de cultivar em mentes pouco experimentadas, ideias que lhes são bastante favoráveis mas que em nada ajudam a resolver as questões ambientais que se apresentam.

"o capitalismo não é verde" é das patranhas mais tontas e no entanto das que melhor colam. É nos países de cariz capitalista que se criam as soluções para os pequenos, médios e grandes problemas das pessoas. O ambiente não é exceção. Aliás, o objetivo de qualquer capitalista é conseguir tirar o máximo proveito, com mínimo gasto de recursos. Os capitalistas são os mais interessados em encontrar alternativas à exploração de recursos finitos.

Só em ambiente competitivo, próprio de economias de mercado, é que se geram possibilidades de investimento em novas ideias, novas experiências, em suma, em inovação. Só da inovação se ultrapassam obstáculos que à partida parecem não ter resolução. A opção não passa por parar ou voltar para trás, mas sim por encontrar formas de seguir em frente.


A conversa do "combate às alterações climáticas" ainda mais ignobilmente traduzido no slogan da "cimeira do clima" da Juvente Socialista - Tudo deve mudar menos o clima - começa a ser ridiculamente infantil.
Não vai haver nenhum acordo mundial, que permita reverter as alterações climáticas antropogénicas. O que se deve começar a fazer, caso se queira ser sério no assunto, é em tentar corrigir o que é possível corrigir e trabalhar num modelo realista de adaptação às alterações climáticas.

Infelizmente, a maioria das pessoas anda embriagada na ilusão de uma adolescente abastada, que as convenceu de que a solução é tão simples quanto desligar um interruptor. Basta que os governantes de todos os países queiram e o planeta fica salvo. Basta que mandem parar as indústrias, proibam plásticos, ponham toda a gente a andar de bicicleta e pronto, assunto encerrado.

O mundo é assim, visto pelos olhos dos adolescentes. Há quem se aproveite da sua inocência e há quem se esqueça de que não é suposto governar com base em fantasias juvenis.

Por uma confluência de fatores que davam para muitos, muitos textos, a atividade nuclear da direita portuguesa no presente e passado recente, tem sido apenas contrariar e tentar irritar a esquerda. Começou num processo lento, mas que agora arrasta todos os partidos à direita do PS para um lamaçal de nenhures, onde a competição entre si se limita em chamar à atenção.

Há quem goste deste ambiente e há quem goste apenas de sentir que alguém contraria e afronta a esquerda, só que por muito apelativo que seja, é uma forma de atuação que acrescenta zero ao país. Para somas zero já tínhamos toda a esquerda, agora se também a direita se alinha pela bitola da inutilidade, o PS tendo o ónus do poder, fica com a faca e o queijo na mão e passa facilmente a impressão de adulto na sala.

Ficamos assim presos num vórtex de socialistas, independentemente dos familygates, da corrupção ou das bancarrotas, estamos presos com eles, por incapacidade de todos os outros.

Ontem fizeram-se 42 anos da assinatura da AD, um projecto de coligação inovador, de ímpeto reformista do PSD, CDS e PPM. Do tempo em que a direita começou a limpar as asneiras da esquerda. Do tempo em que os partidos à direita tinham gente com propostas sérias e úteis para o país e não apenas respostas para as manchetes dos jornais.

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O Instituto Mais Liberdade

Educação para quem tem interesse no espectro político da direita

A 12 de fevereiro deste ano, foi lançado oficialmente o Instituto + Liberdade. Uma fundação sem fins lucrativos, que visa promover uma visão do mundo assente nas liberdades individuais e na economia de mercado.

imagem(1).pngAlgumas semanas antes do seu lançamento, esta plataforma já vinha a ser noticiada pelos nomes que se anunciaram vir a integrar o projeto. À cabeça estavam Adolfo Mesquita Nunes e Carlos Guimarães Pinto. O primeiro é o atual presidente da Mesa da Assembleia Geral , o segundo o presidente da Direção.
A fundação, durante a sua promoção pré-lançamento permitiu a quem quisesse que se inscrevesse como membro fundador, e acabou por conseguir cerca de 5000 fundadores (!). Claro está que nomes sonantes atraem nomes sonantes, e fazendo uma passagem rápida pelos nomes podemos encontrar, por exemplo, Ana Rita Bessa (Deputada CDS), Lídia Pereira (Eurodeputada PSD) ou António Nogueira Leite (ex-secretário de estado).

 

Mas passando ao site, no que diz respeito à forma, eu acho que tem um design apelativo, harmonioso e sobretudo uma interação intuitiva. Vê-se onde estão os menus, e os títulos destes não deixam dúvidas quanto ao que vamos encontrar ao clicar. Eu sei que podem parecer características básicas, mas há muitos sites, de instituições com obrigação para fazer muito melhor, que não conseguem ter sucesso nestes pequenos detalhes. Ou falta de interesse ou outra coisa qulquer...

Como se costuma dizer "o conteúdo é rei", e é pelo conteúdo que aconselho a visita ao site da fundação Mais Liberdade. Especialmente para quem tem interesse em explorar mais sobre a perspetiva política de quem defende a economia de mercado (capitalismo) e as liberdades individuais, desde a liberdade de expressão à propriedade. No fundo, o que considero ser o âmago de uma Direita que se pretende reformista.
Uma das primeiras novidades que a fundação anunciou imediatamente a seguir ao lançamento, foi a sua biblioteca virtual. Anunciavam-se à data mais de 300 obras. Atualmente devem ser mais, mas fiquemos com a referência das 300. 

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Aqui encontramos obras de referência, de Mises, Hayek, George Orwell e até de Fernando Pessoa (aposto que há muita gente que não sabe que Pessoa tinha uma obra extensa de intervenção política). Nem todas as obras estão traduzidas, pelo que a barra de pesquisa já permite fazer essa destrinça. Algumas obras ficam disponíveis com um clique no título, a verde, noutros casos o clique remete para outro site onde aí sim, podemos obter a obra para leitura online ou com disponibilização de download, ou por vezes ambas.
Pontos fracos: Alguns links já não funcionam, ou remetem para sites que só disponibilizam a obra mediante um pagamento ou um registo. Claro que isto não é responsabilidade da Fundação Mais Liberdade, mas fica o reparo.

 

A plataforma tem também, no separador Vídeos, todo o conteúdo das conferências e outras conversas informais que organiza online, para revermos. Mas o que destaco desta secção são os vídeos educativos. Alguns dedicados a grandes pensadores de época, como é o caso dos vídeos acerca do pensamento de David Hume e de John Locke. Num registo mais descontraído e simplificado, temos "As Palestras do Bob", em que a personagem principal, o Bob, no seu dia-a-dia se depara com situações que o levam a construir ideias e pressupostos que estão errados. Por exemplo, que para salvar o ambiente é necessário acabar com a economia de mercado. São vídeos curtos, de linguagem acessível e aprendizagem rápida.

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O Instituto Mais Liberdade tem também um segmento que intitula de Análise, onde compila dados estatísticos e produz comaparações entre Portugal e outros países no que ao índice de liberdade concerne, por exemplo. São estatísticas interessantes que nos fazem refletir sobre o país.
Recentemente também foi lançado um concuros de ensaios, sobre economia de mercado e ambiente.
Esta novidade vai ao encontro de outra particularidade da Fundação, que é o envolvimento com os seus membros. A plataforma não se limita a produzir e publicar conteúdo. Qualquer pessoa pode participar e ajudar a fundação, seja com o seu conhecimento académico, seja simlesmente a dar voz aos vídeos publicados.
Destaco também a disponibilização da Mais Liberdade, para ajudar estudantes a encontrar financiamento para as suas bolsas de estudo.

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Para quem é um entusiasta da democracia assente na liberdade individual e na economia de mercado, o lançamento desta fundação, desde que se mantenha ativa, é uma lufada de ar fresco. Diria mesmo que são necessárias mais organizações como esta.

Aponto apenas como dois handicaps  a sensação que por vezes transmite, de ser um think thank associado à Iniciativa Liberal. Sendo que nos seus membros se encontram várias personalidades de outros partidos e gente que nada tem a ver com partidos, isto acontece pelo presidente ser o fundador da IL, e por o projeto contar com o apoio do ECO - jornal que é notoriamente "fã" da IL.
Se quisermos ser mais rebuscados, acho até que se contram algumas semelhanças nos grafismos da Mais Liberdade e da IL. Querendo manter uma postura otimista, quero acreditar que quando se declararam uma fundação apartidária estavam a ser honestos.


Se assim o for, acho-a um espaço necessário de divulgação de conhecimento e que acrescenta diversidade de pensamento, num país em que as cabeças estão demasiado cativadas para perspetivas socialistas.

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