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The Pólis

A palavra "eurodeputado" sempre me trouxe uma carga diferente, como se fosse um super deputado.
Ainda que os nossos eurodeputados de "super", à primeira vista possam ter apenas o vencimento, se comparados com grande parte dos portugueses. Ou talvez o super até se adequasse quando relativo ao desconhecimento que a maioria de nós tem sobre o que fazem em Bruxelas - atenção aos mais precipitados, pois dizer que há desconhecimento sobre o que fazem é (muito) diferente de dizer que não fazem nada.

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No último par de semanas, anunciaram intenção de candidatura às presidências do CDS e PSD, respetivamente e por ordem cronológica, Nuno Melo e Paulo Rangel. Os veteranos eurodeputados, querem voltar de vez e apontam para a liderança das suas casas.

Nuno Melo já putativo candidato à vários anos, assume finalmente o "desígnio" que muitos antecipavam. Paulo Rangel, que já tinha tentado vencer a presidência do PSD, retorna dez anos depois, com mais capital político e muito mais tempo de presença na comunicação social.

São ambos personagens políticas mais próximas dos duas últimas figuras que colocaram PSD e CDS na governação do país,Pedro Passos Coelho e Paulo Portas. Ainda que essa aproximação seja muito mais nítida em Nuno Melo que em Paulo Rangel, se tivermos em conta que este último perdeu a sua primeira incursão à liderança do partido precisamente para Pedro Passos Coelho. No entanto, tal como Melo reúne apoios de "portistas" , Rangel agrega os "passistas".

Se isto só por si conta como vantagem ou desvantagem para estes candidatos, é difícil de saber, mas que pode conquistar muitos saudosos da PáF, pode.
No CDS, caso a vitória sorria a Nuno Melo, nunca chegaremos a saber que valor tem Francisco Rodrigues dos Santos em Legislativas, e se seria capaz de obter um resultado melhor que Assunção Cristas (mesmo que em coligação, como parece ser a intenção) sendo que essa é uma das principais críticas dos seus apoiantes à antecessora de "Chicão". 
No PSD, em caso de vitória do challenger Paulo Rangel, este terá daí a pouco tempo, o momento para demonstrar se valeu ou não a pena a aposta dos seus correligonários na mudança de presidência, tendo que fazer melhor que Rui Rio nas eleições que acontecem dentro de pouco mais de um ano.

Caso tudo fique na mesma, e a dupla Francisco Rodrigues dos Santos/Rui Rio sobreviva às eleições internas dos dois históricos partidos, ficarão ambos com mais uma "medalha" de combate interno (a contagem ficará em duas e meia para "Chicão, três para Rio), com mais dois potenciais predadores das suas presidências postos de lado, pelo menos temporariamente. Teremos, nesse caso, em 2023, a estreia de Rodrigues dos Santos em legislativas enquanto presidente do partido e aquela que será certamente a última eleição de Rui Rio à frente do PSD, caso perca novamente as eleições - "fool me once, shame on you, fool me twice, shame on me.”

Seja como for, os próximos dois meses são decisivos para os dois partidos, com os seus militantes a serem chamados a pronunciar-se sobre quem querem que enfrente António Costa em 2023. Serão também, certamente, momentos interessantíssimos de acompanhar para todos os "viciados" em política.

O Partido Socialista (PS) apresentou no seu último congresso, através do secretário-geral e primeiro-ministro António Costa, propostas de apoio à natalidade e à juventude: nomeadamente o aumento das creches e incremento de benefícios no IRS Jovem.
Acontece que estas mesmas propostas já tinham sido apresentadas pelos seus rivais directos, o PSD, de Rui Rio, e uma delas o PS até votou contra (IRS Jovem).
Os socialistas que têm trabalhado na retórica de que o PSD é um partido sem ideias, sem capacidade para se apresentar como alternativa, arrisca e joga novamente com a memória curta dos portugueses. O PSD não tinha ideias, mas as poucas que tinha ao que parece era tão más que o PS não hesitou em anexá-las ao seu programa.
A surfar nas sondagens, a prometer mundos e fundos, António Costa pega num velho truque político para continuar a cilindrar o PSD - ficar-lhes com as proposta e fazer ouvidos de mercador aos gritos de "eu disse primeiro".

Daqui em diante, o PS defenderá que a proposta é sua e, quanto muito, dirá "se concordam e até dizem que já apresentaram, votem a favor" quando se der o momento de as apresentar no Parlamento.

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No CDS, acontece algo parecido. O presidente do partido, Francisco Rodrigues dos Santos, reagiu aos anúncios de António Costa, dado que a natalidade é um dos temas mais ligados ao partido desde sempre. Disse que eram "migalhas" e, segundo o Público está a preparar um pacote de medidas para apresentar, afetas à natalidade. Ora também aqui, houve um repescar. "Chicão" que tem, tal como os seus apoiantes, calcado na tecla de "o tempo da Assunção arruinou o CDS",  sabe-se já que inclui neste pacote que vai ser apresentado, uma boa dose de copy/paste das propostas anteriormente apresentadas por Cristas no Parlamento e chumbadas pela esquerda.

No entanto, o caso da réplica de propostas no CDS é muito menos grave, pois o que está dentro de casa é para consumo interno.

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