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The Pólis

The Pólis

Não Chega de loucura?

Terão os partidos mais antigos feito assim tanto mal, para que os portugueses deem carta branca a todas as loucuras de um partido "anti-sistema"?

Este fim de semana tivemos a convenção do Chega, amplamente acompanhada pela comunicação social, até demais se me perguntarem, tendo em conta que é um partido de 1 só deputado, e ontem ficámos a saber algumas das propostas mais chocantes, propostas pelos militantes.

Veio a público uma das moções apresentadas na convenção, da autoria de Rui Roque, ex membro do PNR e do Aliança. A moção certamente deve ter sido apenas alterada visualmente, pois as propostas encaixam na perfeição no programa político do PNR.
A  que mais está a dar de falar, é a proposta de retirar os ovários às mulheres que interrompam voluntariamente a gravidez, isto é, que abortem. Esta medida, para o Sr. Roque, deve ser aplicada se o aborto não for efetuado nas situações que este considera aceitáveis - violação, risco de vida para a mulher e malformações.

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O Sr. Roque coloca todo o ónus do aborto na mulher, castigando-a pelo que fez. Sendo o Chega uma religião, que se fundou com religiosos evangélicos e outros, ou o Sr. Roque acredita que as mulheres engravidam por obra do espírito santo, ou é um pulha que quer apenas castigar mulheres.
Caso contrário, teria toda a capacidade para propor algo do mesmo tom para o homem, co-responsável pela gravidez da mulher que aborta.
Ser contra o aborto é uma posição com a qual se pode ou não concordar. Isto é so abjecto. Não é de um partido cujo líder se diz inspirado em Sá Carneiro.

Depois de discutirem a pena de morte, serem anti-máscaras, proporem a castração química, agora temos a remoção forçada dos ovários às mulheres. O Chega tem um forte lobby interno afecto ou às agências funerárias ou ao Hannibal Lecter. Ou se mata ou se mutila.
E mesmo com estas provas de que o partido está a conseguir reunir um grande grupo de gente bárbara, que só propõe violência nas suas mais variadas formas, o partido vai de vento em popa. Estão os portugueses a querer castigar tanto os partidos habituais, que cegaram e não conseguem ver o monstro que criam? Ou devemos temer a sociedade que temos e dexar a abstenção como está, cuidando que poderá estar pejada destes monstros?