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The Pólis

Direita com falta de imaginação

De repente querem todos mostrar-se durões com os políticos

Já perdi a conta ao número de notícias acerca de propostas dos partidos ditos de Direita, para aumentar penas ou períodos de impedimento do exercício de cargos públicos para políticos.
Não acho que as propostas sejam más, pelo contrário, só que é triste vê-los todos a ceder a uma agenda populista. Isto são propostas "clickbait". Como aquelas pessoas que quando o/a cônjugue diz que gosta de fazer X na cama, passam a fazer sempre X para agradar. Na cabeça delas, não há que enganar, se disse que gostava daquilo, então a satisfação vai ser 100% garantida!

Os partidos da direita começam a entrar em pânicos com as sondagens e, em desespero, querem agradar os eleitores fazendo tudo o que estes pedirem. Como é de senso comum que 9 em cada 10 portugueses considera os políticos uns aldrabões que deviam apodrecer a ver o sol aos quadradinhos, este ano o PSD, o CDS, a IL e o CH sucedem-se nas propostas anti-políticos. Acham que quanto mais severa a proposta, mais satisfação por parte do eleitor. Uma espécie de leilão "quem bate mais no político?".  Só que esse caminho se no CH seria natural, pois tal como o BE, é populista, nos restantes 3 é apenas confrangedor. Temos o maior partido da Oposição, o seu antigo parceiro de Governo e uns supostos moderninhos de Lisboa, todos a apresentar o mesmo.
Não há um proposta inovadora, uma nesga que demonstre visão estratégica para o país. Pensamento a médio-longo prazo, nada. Vão ao sabor da comunicação social, das sondagens e das caixas de comentários das redes sociais.

Humilham-se e sem se aperceberem, caminham numa convergência perigosa que cimenta a imagem da política como atividade de gente criminosa, pois se as pessoas já o diziam agora só podem ler estas enxurradas de propostas punitivas como a confirmação. O caldo perfeito para singrarem os extremos.

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Apesar de a nomeação ter acontecido no passado dia 27 de maio, a polémica com a comissão executiva das comemorações dos 50 anos do 25 de abril só rebentou hoje.
Isto porque o Porto Canal dedicou um editorial ao presidente desta comissão executiva: Pedro Adão e Silva Cardoso Pereira, conhecido como comentador pelo nome Pedro Adão e Silva.

Foi nomeada a estrutura que fará parte da organização das comemorações, no mês passado e só termina mandato em 2026. Até lá, ficámos a saber que o sr. Pedro Adão e Silva terá direito a remuneração, motorista e secretário pessoal. Mas a sua equipa ainda contará com vários entachados, como se pode ver na imagem.

De relembrar que Ramalho Eanes irá presidir às comemorações...mas sabendo disto irá mesmo? Estamos cá para ver os próximos episódios desta triste sitcom socialista, que esfrega na cara da população que faz o que lhe apetece. Há já alguns socialistas nas redes sociais a escrever que o Pedro até devia receber mais!

Podem consultar a nomeação aqui

 

Há uns meses já tinha aqui abordado a viciada relação entre as associações da minha cidade e a Câmara Municipal. (aqui e aqui) É um objetivo assumido da CDU, infiltrar-se nas associações e, ao mesmo tempo, sendo poder conseguir te-las todas no bolso. O vereador Rabaçal já há muitos anos tinha traçado este objetivo como essencial para cimentar o poder autárquico, perpetuando-o ad eternum se possível.

Chegamos a 2021, a novas eleições autárquicas e agora é colher os resultados. A fila de dirigentes associativos que prestam a sua vassalagem à campanha da CDU. A página de campanha do André Martins repleta de fotos de representantes de associações que declaram o seu apoio ao candidato.
Afinal de contas é o favorito a ganhar, acham eles, e estão não só a retribuir o apoio que lhes foi dado como a garantir que as injeções de dinheiro continuam no futuro.
É esta a triste realidade do movimento associativo setubalense. Organizações que deviam ser independentes, acabam numa profunda dependência da torneira autárquica. São comprados, gostam de ser comprados e até preferem porque agiliza muita coisa. Não têm trabalho a angariar financiamento para a associação ou a pedir donativos à sociedade civil, fazendo desta o verdadeio juiz acerca da sua utilidade pública. Optam pela via fácil, da subvenção garantida em troca de apoios partidários.

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O candidato da CDU à Câmara de Setúbal, oriundo dos Verdes (por fora, vermelhos por dentro), lançou há uns dias oficialmente a sua candidatura. 
Já não era novidade, até porque se tem dado mais um daqueles casos em que de repente o candidato está em todo o lado. André Martins é ainda presidente da Assembleia municipal, mas agora acompanha os membros do executivo para todo o lado. Uma reunião com moradores, uma inauguração de um poste, um café no café mais conhecido da cidade. O André, que nunca se via em lado nenhum, é agora um vai-a-todas!

Não obstante esse comportamento, que a ser rigoroso, é comum em muitas candidaturas de norte a sul do país, o que é caricato é o seu mote de campanha. A CDU tem trabalhado muito a mensagem que agora o candidato apresenta nos seus outdoors: "Continuar Setúbal"
Quem acompanhe a política setubalense, nota que é algo que está sempre no discurso dos membros do executivo, "só por desonestidade não se reconhece o trabalho feito"; "o resultado está à vista"; "os setubalenses notam a diferença". Entre outras tiradas, este mantra tem sido repetido à exaustão, porque uma coisa repetida muitas vezes se torna verdade. 
O objetivo é que paire no ar a ideia de que é unânime que todos os setubalenses reconhecem o excelente trabalho que a CDU tem feito.  E quem critica? Para quem critica, os membros do executivo municipal também têm a resposta mais estapafúrdia, mas que infelizmente encaixa, possível. "São pessoas que nunca fizeram nada pela cidade, e custa-lhes ver a obra feita".  
Quem engole a lenga-lenga da obra feita, é um cidadão de bem, que não engole é um inútil que nunca fez nada pela cidade. O argumento é profundamente desonesto, dado que qualquer Câmara Municipal, como é obvio tem muito mais ferramentas ao dispor para "fazer algo" pelo concelho que governa. Mas mais desonesto é a areia que nos atiram para os olhos. É que obras de embelezamento e alterações de ruas, é o que todas as autarquias fazem, é aliás o mínimo que qualquer autarquia pode fazer com os nossos impostos!

A verdade sobre o trabalho da CDU é este: Passados 20 anos, não temos dinheiro para arrendar casa, temos das águas mais caras do país, o IMI na taxa máxima e não há emprego nesta cidade, o que nos leva a todos os dias fazer 2/3 horas a caminho da capital. Continuam a haver bairros sociais, continuam a haver freguesias periféricas sem transportes, continuam a haver nessas freguesias zonas sem saneamento básico. 
Continua a ser inútil para um estudante do politécnico pensar em fazer vida em Setúbal. Termina o curso e tem de se ir embora, porque aqui só há emprego para jovens em restaurantes, cafés e alojamentos.
20 anos depois, a única coisa que a CDU tem para nos mostrar são edíficios turísticos renovados a peso de ouro, alterações nas vias de circulação e as mais de 1000 medalhas que distribuiu pelos habitantes - até o Joe Berardo recebeu uma. 

Pergunto: o que é que há para continuar aqui, André? A miséria? A falta de possibilidades de construir vida em Setúbal. Se é isso que quer continuar, fique quieto e passe a bola a outro. 

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O deputado Luís Monteiro, do Bloco de Esquerda, foi acusado nas redes sociais pela sua ex-namorada, de violência doméstica. 

O desabafo da rapariga no Twitter tomou proporções inesperadas para muitos quando o tema passou para a comunicação social. 

O deputado que tinha anunciado a candidatura à Câmara Municipal de Gaia, desistiu dessa mesma candidatura por considerar que poderia prejudicar o partido e enviou um infeliz comunicado, onde diz ser ele a vítima. 

Porque é que não desistiu também do lugar de deputado? Não sab€mos... 

Mas acabou por cair no clichê, que é tantas vezes referido por militantes do Bloco, de todos os agressores: descredibilizou a alegada vítima. 

Mais surpreendente, o silêncio do partido, e a postura de Catarina Martins. A líder bloquista andou anos a querer apoderar-se do tema, dizendo ser uma bandeira do partido. Fazia apelos para não se ignorarem os sinais, para se fazer queixa, mas quando confrontada com o caso de Luís Monteiro, usou da figura da presunção de inocência. Para a Catarina não devemos ignorar os sinais, a não ser que esses sinais firam os interesses do seu partido. 

Fosse toda esta situação num partido de direita e o escândalo que não seria. Assim, como são os "bonzinhos" do Bloco, o assunto muito pouco ou nada tem sido escrutinado. 

Só há #MeToo ou #NemMaisUma quando os agressores não são de esquerda. 

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O nosso governo socialista é perito no clientelismo e na criação de dependência perante o Estado. Têm uma base fixa de potenciais eleitores - os funcionários públicos - que mimam e aumentam sempre que podem. 

Há sempre mais contratações e mais privilégios para este segmento da população com o Partido Socialista. É pura estratégia eleitoralista. Quando se aproximarem as eleições, verão os ordenados da função pública a aumentar. Para já, continuam os "rebuçados". 

 

Como escreveu Bastiat: "Todos querem viver às custas do Estado. Esquecem-se que o Estado vive às custas de toda a gente"

 

O Instituto Mais Liberdade

Educação para quem tem interesse no espectro político da direita

A 12 de fevereiro deste ano, foi lançado oficialmente o Instituto + Liberdade. Uma fundação sem fins lucrativos, que visa promover uma visão do mundo assente nas liberdades individuais e na economia de mercado.

imagem(1).pngAlgumas semanas antes do seu lançamento, esta plataforma já vinha a ser noticiada pelos nomes que se anunciaram vir a integrar o projeto. À cabeça estavam Adolfo Mesquita Nunes e Carlos Guimarães Pinto. O primeiro é o atual presidente da Mesa da Assembleia Geral , o segundo o presidente da Direção.
A fundação, durante a sua promoção pré-lançamento permitiu a quem quisesse que se inscrevesse como membro fundador, e acabou por conseguir cerca de 5000 fundadores (!). Claro está que nomes sonantes atraem nomes sonantes, e fazendo uma passagem rápida pelos nomes podemos encontrar, por exemplo, Ana Rita Bessa (Deputada CDS), Lídia Pereira (Eurodeputada PSD) ou António Nogueira Leite (ex-secretário de estado).

 

Mas passando ao site, no que diz respeito à forma, eu acho que tem um design apelativo, harmonioso e sobretudo uma interação intuitiva. Vê-se onde estão os menus, e os títulos destes não deixam dúvidas quanto ao que vamos encontrar ao clicar. Eu sei que podem parecer características básicas, mas há muitos sites, de instituições com obrigação para fazer muito melhor, que não conseguem ter sucesso nestes pequenos detalhes. Ou falta de interesse ou outra coisa qulquer...

Como se costuma dizer "o conteúdo é rei", e é pelo conteúdo que aconselho a visita ao site da fundação Mais Liberdade. Especialmente para quem tem interesse em explorar mais sobre a perspetiva política de quem defende a economia de mercado (capitalismo) e as liberdades individuais, desde a liberdade de expressão à propriedade. No fundo, o que considero ser o âmago de uma Direita que se pretende reformista.
Uma das primeiras novidades que a fundação anunciou imediatamente a seguir ao lançamento, foi a sua biblioteca virtual. Anunciavam-se à data mais de 300 obras. Atualmente devem ser mais, mas fiquemos com a referência das 300. 

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Aqui encontramos obras de referência, de Mises, Hayek, George Orwell e até de Fernando Pessoa (aposto que há muita gente que não sabe que Pessoa tinha uma obra extensa de intervenção política). Nem todas as obras estão traduzidas, pelo que a barra de pesquisa já permite fazer essa destrinça. Algumas obras ficam disponíveis com um clique no título, a verde, noutros casos o clique remete para outro site onde aí sim, podemos obter a obra para leitura online ou com disponibilização de download, ou por vezes ambas.
Pontos fracos: Alguns links já não funcionam, ou remetem para sites que só disponibilizam a obra mediante um pagamento ou um registo. Claro que isto não é responsabilidade da Fundação Mais Liberdade, mas fica o reparo.

 

A plataforma tem também, no separador Vídeos, todo o conteúdo das conferências e outras conversas informais que organiza online, para revermos. Mas o que destaco desta secção são os vídeos educativos. Alguns dedicados a grandes pensadores de época, como é o caso dos vídeos acerca do pensamento de David Hume e de John Locke. Num registo mais descontraído e simplificado, temos "As Palestras do Bob", em que a personagem principal, o Bob, no seu dia-a-dia se depara com situações que o levam a construir ideias e pressupostos que estão errados. Por exemplo, que para salvar o ambiente é necessário acabar com a economia de mercado. São vídeos curtos, de linguagem acessível e aprendizagem rápida.

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O Instituto Mais Liberdade tem também um segmento que intitula de Análise, onde compila dados estatísticos e produz comaparações entre Portugal e outros países no que ao índice de liberdade concerne, por exemplo. São estatísticas interessantes que nos fazem refletir sobre o país.
Recentemente também foi lançado um concuros de ensaios, sobre economia de mercado e ambiente.
Esta novidade vai ao encontro de outra particularidade da Fundação, que é o envolvimento com os seus membros. A plataforma não se limita a produzir e publicar conteúdo. Qualquer pessoa pode participar e ajudar a fundação, seja com o seu conhecimento académico, seja simlesmente a dar voz aos vídeos publicados.
Destaco também a disponibilização da Mais Liberdade, para ajudar estudantes a encontrar financiamento para as suas bolsas de estudo.

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Para quem é um entusiasta da democracia assente na liberdade individual e na economia de mercado, o lançamento desta fundação, desde que se mantenha ativa, é uma lufada de ar fresco. Diria mesmo que são necessárias mais organizações como esta.

Aponto apenas como dois handicaps  a sensação que por vezes transmite, de ser um think thank associado à Iniciativa Liberal. Sendo que nos seus membros se encontram várias personalidades de outros partidos e gente que nada tem a ver com partidos, isto acontece pelo presidente ser o fundador da IL, e por o projeto contar com o apoio do ECO - jornal que é notoriamente "fã" da IL.
Se quisermos ser mais rebuscados, acho até que se contram algumas semelhanças nos grafismos da Mais Liberdade e da IL. Querendo manter uma postura otimista, quero acreditar que quando se declararam uma fundação apartidária estavam a ser honestos.


Se assim o for, acho-a um espaço necessário de divulgação de conhecimento e que acrescenta diversidade de pensamento, num país em que as cabeças estão demasiado cativadas para perspetivas socialistas.


Na passada sexta-feira, eu (e acredito que muitos outros milhares de portugueses) tive a minha atenção dividida, entre o decorrer da minha vida pessoal e profissional e as palavras que saiam da boca de um outro português, em direto, durante cerca de três horas. Essas palavras, conforme iam saindo geravam cada vez mais expectativa e crescente indignação.Isto claro, à medida da minha capacidade de decifrar alguns termos judiciais e de ir lendo os rodapés do noticiário onde já se traduziam outros. 

No final de uma longuíssima leitura, o juíz Ivo Rosa terminava de dar a decisão instrutória acerca da Operação Marquês, que envolvia o ex-primeiro-ministro socialista José Sócrates. Após sete anos desde o ínicio da mediatização deste processo, ouvimos então críticas à investigação do Ministério Público e uma palavra que encheu as redes sociais e que provavelmente invadiu as conversas de muita gente: Prescrição.
À saída do tribunal aparecia um José Sócrates sorridente, após lhe terem sido retiradas quase todas as acusações, que dizia aos jornalistas que só faltam cair as restantes.

Depois de tudo isto, e tendo-se gerado uma onda de indiganção geral, líderes partidários e não só, apressaram-se a produzir uma reacção ao acontecimento, tendo em conta o sentimento geral do país. Críticas e juras de amor à justiça ou de guerra à corrupção. Tudo isto soa muito bem, mas no ponto em que estamos torna-se insuficiente. Os partidos não se podem ficar pelas declarações inflamadas para a comunicação social. Têm de propor algo concreto e saber comunicar à população o que propuseram e em que é que essas propostas vão melhorar o panorama da Justiça neste país.

Até hoje continua a haver um comportamento de "Pedro e o Lobo", que afeta muitas áreas mas que certamente na Justiça se torna mais polémico. Ouvem-se deputados e outros que tais, a proclamar-se contra a corrupção vezes sem conta, no entanto continuam a aparecer casos como o de sexta-feira, em que a prescrição é o cocktail de vitória dos acusados.
A corrupção é um crime muito difícil de provar, ainda para mais quando a nossa Justiça não o consegue identificar as provas e julgá-las em tempo útil. Por isso é necessário trabalhar na melhor forma conhecida de combater este crime, que é apostar na prevenção.

O desgaste da confiança das pessoas nas instituições democráticas é cada vez mais notório, mas parece que a grande maioria dos nossos eleitos não se incomoda a não ser quando o mediatismo de algum acontecimento lhes possibilita uma boa oportunidade de brilhar.

Esse mediatismo de algo tão delicado como a justiça, também não ajuda num país que não confere ferramentas educativas à sociedade para compreender tudo o que a rodeia. Não temos todos de ser advogados e juízes, mas ajudava muito que não fosse necessário saber “juridiquês” para compreender decisões como a de sexta-feira. Ajudava que a população não estivesse dependente de títulos muitas vezes confeccionados em clickbait, ou de comentadores, para poder compreender o que foi dito pelo juíz Ivo Rosa. Essa dependência e falta de conhecimento ajuda quem se lança imediatamente nas redes sociais a pedir prisões perpétuas e perseguições a juizes.

Quanto mais informada e esclarecida está a sociedade, melhor funciona e mais eficazmente consegue canalizar a sua indignação. Até que haja um verdadeiro empenho numa reforma da Justiça e também da Educação, a corrupção continuará a minar a confiança dos portugueses, a queimar-lhes dinheiro e a roubar-lhes oportunidades. Sem um esforço real no nosso país para acabar com a corrupção, vai ser a corrupção a acabar com o país.

As pessoas estão cansadas de conseguir prever as absolvições destes grandes processos, cansadas de um sistema de justiça que parece prescrever sempre que bate de frente com os poderosos. Vale a pena continuar a lutar contra corrupção, mas é cada vez mais dificíl neste clima apelar à razão, e ninguém parece estar com vontade de evitar as consequências disso.

Ao longo das últimas semanas têm sido levantados os véus acerca do que os partidos se preparam para fazer relativamente às autárquicas em Setúbal. Quando falo em partidos, cinjo-me exclusivamente aos tradicionais, porque as autárquicas são normalmente dominadas por eles.

Sem qualquer outra informação disponível que demonstre o contrários, estas não serão diferentes.

O PSD foi o primeiro a revelar que o candidato escolhido é o repetente Fernando Negrão. O juiz, ex-deputado, ex-ministro que poderia ter sido presidente da Assembleia da República na legislatura passada caso a Geringonça não rompesse com todas as convenções informais até então, volta a atacar no meu concelho.

Posso dizer que foi uma escolha surpreendente, pois o deputado Nuno Carvalho parecia-me o mais encaminhado para tal. Não que participe muito na vida da cidade mas, têm investido significativamente na sua carreira política. É um dos novos "deputados premium" no Facebook (um artigo que hei de escrever), ou seja paga para que os seus posts cheguem a mais gente. Uma nova dinâmica de democracia a que ainda não me habituei. Para além disso ainda é, alegadamente, vereador na Câmara Municipal de Setúbal - conseguiu o lugar apesar de ter levado o PSD ao pior resultado eleitoral em autárquicas, no concelho, desde há 40 anos.

Com a aposta em Fernando Negrão, e com o anúncio antecipado da aposta, o PSD demonstra que quer apostar forte e encurrala o CDS. Os centristas em Setúbal não têm opção senão negociar uma coligação, primeiro porque tem sido essa a conduta do seu presidente (um erro crasso em Lisboa), segundo porque não têm protagonistas à altura para contrabalancear com Fernando Negrão. A única pessoa que o poderia fazer era Nuno Magalhães, que é sabido ser desalinhado com as atuais estruturas apoiantes de Chicão.


Ao PS, cheirou-lhes a sangue. É o partido que está de melhor saúde em Portugal, que é Governo e que se contarmos apenas com autárquicas, vem com um balanço poderosíssimo na reconquista de câmaras aos comunistas.
Os socialistas empurram uma peso-pesada do partido: Ana Catarina Mendes.

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A política mais arguta do aparelho socialista, e uma das mais reconhecidas caras do Costismo.
Esta aposta pode ser observada de vários prismas:

- A saída de Maria Dores Meira (o sangue de que falei), é vista no PS com uma excelente oportunidade de recuperar a câmara e decidiram simplesmente não facilitar, daí enviarem uma superstar.

-
Enviar Ana Catarina Mendes para o plano autárquico poderá ser uma forma de afastar das lides aparelhistas e de uma futura liderança do PS. Algo que agradará e muito a Pedro Nuno Santos e a Fernando Medina. Estes dois serão os que mais desejarão que sua camarada vença as eleições em Setúbal.

-Apostar em Ana Catarina Mendes é uma situação win-win, se visto de um prisma em que se pretende alavancar a socialista: Se ganhar, ganha a câmara mais importante do distrito e torna-se num dos maiores "desfalques" efetuados aos bastiões comunistas. Seria um ganho importantíssimo para a imagem do PS.
Se perder, teve cobertura mediática extra (já tem imensa), de certeza absoluta que enfraquece a posição da CDU em Setúbal e ainda se consolida como protagonista chave no panorama nacional, e como mais uma potencial líder do Partido Socialista.


Já a CDU, deu um tiro no pé ao não seguir a indicação de Maria Dores Meira. A atual presidente, que já agora convém referir tinha dito no ínicio do mandato que seria o seu último e depois voltaria à sua vida particular normal, já está confirmada como candidata a Almada (Inês de Medeiros que se cuide!). Ainda que não saiba oficialmente, toda a gente sabe que Maria das Dores estava num processo de promoção da sua indicação e escolha para a suceder. Falo do vereador do Desporto e Juventude, Pedro Pina.
Todos o que acompanham a atividade política em Setúbal já tinham notado que o Vereador substituia a presidente em inúmeras situações, fazendo a representação que se poderia considerar pertencer ao âmbito de um vice-presidente.
No entanto o Partido Comunista não seguiu o que a presidente quis, e optou por um protagonista que tem tudo menos de protagonista. André Martins, o atual presidente da Assembleia Municipal, é uma nulidade política, muitas vezes gozado pelos seus parceiros e adversários, assim como pela população atenta ao que este senhor diz e faz. Só com muita dificuldade e um fervoroso apoio dos militantes comunistas, André Martins conseguirá evitar sucumbir à avalanche que o PS e o PSD se preparam para lançar.
André Martins tem o carisma de uma porta e o reconhecimento público de chefe dos escuteiros. Colocado junto de Ana Catarina Mendes e de Fernando Negrão, estes handicaps apenas serão realçados. Avizinham-se umas excelentes autárquicas para socialistas e coligação social-democrata/centristas... Com ajuda do excesso de confiança da CDU.

Portugal Digital 2021 - dados estatísticos

Os dados de utilização digital dos portugueses, lançado pela Hootesuite

A Hootesuite disponibilizou o anuário de dados estatísticos de Portugal, relativamente à utilização de internet e dispositivos TIC.

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Encontrei dados muito curiosos, relativamente aos sites mais procurados ou as apps em que mais gastamos dinheiro (Tinder, por exemplo, está no Top 3).

Para quem gosta de comunicação, redes sociais, tech e tem um "fetiche" por estatísticas, acedam ao slideshare aqui.

Do lado direito encontram relatórios similares, para outros países!

Outra plataforma que lançou conteúdo interessante, especialmente para quem gere redes sociais, foi a Social Bakers. Partilharam um calendário de efemérides que pode ser muito útil para planeamento de publicações ou simplesmente para alimentar a curiosidade e desbloquear conversas ;)

Acedam ao calendário aqui

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