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The Pólis

A morte de Otelo Saraiva de Carvalho tem suscitado, como seria natural, muitas reacções. Uma personagem incontornável da nossa história recente e inequivocamente não consensual.

Não sou apologista de santificações aquando da morte de ninguém, mas o maníqueismo com que se tem falado de Otelo após a sua morte também já dá náuseas. Começando nos partidos e terminando nas caixas de comentários das redes sociais, será que perdemos a capacidade de olhar para alguém sem ter de o carimbar intransponivelmente como "herói ou vilão"?

Qual é a dificuldade de dizer que Otelo teve um papel importantíssimo na preparação e execução do 25 abril e que posteriormente pertenceu ao grupo terrorista assassino FP-25?

São os dois momentos mais conhecidos da sua vida. Um não apaga o outro. Para além desses, houveram outros tantos que fizeram com que se tornasse numa figura que estávamos habituados a receber em nossa casa pela TV, imprensa ou rádio.

Encerra-se, com a morte de Otelo Saraiva de Carvalho, mais um capítulo ligado ao 25A para os portugueses no geral, e para aqueles a quem a vida foi afetada pelas ações de Otelo, no particular.

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Hoje deparei-me com duas informações de municípios diferentes, que me suscitaram questões que gostaria de ver respondidas. Infelizmente, ninguém as põe, ou por outra que as devia lançar não o faz. Como é de notar pelo título, refiro-me aos jornalistas.

Passou-me pelo facebook mais um anúncio de atividade de campanha da atual presidente da Câmara Municipal de Setúbal, à Câmara Municipal de Almada. Numa sexta-feira qualquer, à tarde, lá vai Maria Dores Meira passear a Almada para continuar a tentar recuperar a autarquia aos socialistas.

Isto levanta-me algumas questões, especialmente por ser Setúbal a minha terra.
Anda a presidente a receber um vencimento pago, também, mas especialmente, pelos sadinos para andar a fazer campanha em Almada? Não devia já ter suspenso o seu mandato? O seu vencimento?
E com que viatura faz estas deslocações a Almada? Sabemos todos que tem um motorista e carro pago com os nossos impostos, mas são para serviço em nome da Câmara Muncipal de Setúbal.

Gostava de obter resposta para estas questões, e sei que não estou errado ao considerar que deviam ser colocadas por jornalistas. Investigadas por jornalistas.

O que me leva à segunda informação, com que me cruzei: A Câmara Municipal do Seixal pagou 5mil euros para ter no jornal Semmais o presidente entrevistado, com perguntas de tanga, e umas quantas páginas de promoção ao trabalho da Câmara. Uma descarada propaganda eleitoralista com, paga com os impostos dos seixalenses, com a cumplicidade de um jornal.

Talvez isso explique, no geral, a ausência de escrutínio das autarquias neste distrito. A sobrevivência financeira dos jornais sobrepoem-se aos seus deveres enquanto bastiões de defesa do interesse público. É mais fácil ganhar 5000 euros e publicar o que a Câmara XPTO precisa, do que gastar 5000 a investigar o que fazem com o nosso dinheiro e arriscarem-se perder o valioso patrocínio dessa autarquia.

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É em momentos de crise que as desigualdades hipertrofiam e ganham o destaque que, feliz ou infelizmente, não tiveram até se chegar ao momento em questão. Os mais vulneráveis são notoriamente mais afetados aquando da rabanada de ventos da fome e do desemprego. Esse "fenómeno" ganha proporções golianas quando aquela que devia ser, pelo menos, uma franja minoritária da população, não é.

Hoje acordámos todos com as notícias oriundas da zona caribenha, de que em Cuba a população saiu às ruas para se manifestar contra o Governo, na sua segunda grande manifestação desde 1994. Escrevem os jornais, que o que potenciou este grito coletivo de ajuda, foi a crise pandémica, que tal como em todos os países do mundo apertou com os mais fracos.
Acontece que Cuba é um desses casos, em que a franja mais vulnerável da população é na verdade, a maioria. À semelhança do que acontece noutras ditaduras, por vezes são necessários apertos excepcionais para, por desespero, dar coragem ao povo para enfrentar o ditador e os seus cúmplices.
Anos de miséria do povo cubano que foram mantidos sempre num lume brando de estabilidade passivo-agressiva entre governo ditatorial e população, podem ter encontrado finalmente um ponto de ebulição.
Os cubanos sairam hoje à rua, disseram Basta!, pediram liberdade, pediram normalidade. Espero sinceramente que daí surja uma viragem pacífica de regime. As pessoas querem ser donas de si, estão fartas de estar subjugadas aos desvarios de uns tiranos que fingem falar em nome do povo.

Este género de acontecimentos devem servir de exemplo e de lição, deviam ser mostrados à nossa juventude, para que entendam de uma vez por todas que o comunismo não é uma ideologia "cool" de libertação dos pobres e oprimidos. É uma patranha contada vezes e vezes sem conta, e que tem gerado muito sofrimento e miséria. Ser comunista não é ser democrata. É preciso que também o povo português que confia as suas terras aos comunistas (na qual a minha terra também se inclui), perceba isso.

Somos afinal apologistas de Cubas ou de liberdade?

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Por uma confluência de fatores que davam para muitos, muitos textos, a atividade nuclear da direita portuguesa no presente e passado recente, tem sido apenas contrariar e tentar irritar a esquerda. Começou num processo lento, mas que agora arrasta todos os partidos à direita do PS para um lamaçal de nenhures, onde a competição entre si se limita em chamar à atenção.

Há quem goste deste ambiente e há quem goste apenas de sentir que alguém contraria e afronta a esquerda, só que por muito apelativo que seja, é uma forma de atuação que acrescenta zero ao país. Para somas zero já tínhamos toda a esquerda, agora se também a direita se alinha pela bitola da inutilidade, o PS tendo o ónus do poder, fica com a faca e o queijo na mão e passa facilmente a impressão de adulto na sala.

Ficamos assim presos num vórtex de socialistas, independentemente dos familygates, da corrupção ou das bancarrotas, estamos presos com eles, por incapacidade de todos os outros.

Ontem fizeram-se 42 anos da assinatura da AD, um projecto de coligação inovador, de ímpeto reformista do PSD, CDS e PPM. Do tempo em que a direita começou a limpar as asneiras da esquerda. Do tempo em que os partidos à direita tinham gente com propostas sérias e úteis para o país e não apenas respostas para as manchetes dos jornais.

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