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The Pólis

The Pólis

"Inside The World´s Toughest Prisons"

As prisões mais duras do planeta

Inside The World´s Toughest Prisons é uma série documental, adquirida pela Netflix, que nos leva para dentro das prisões ditas mais perigosas do mundo.
A série original foi lançada no Channel 5, do Reino Unido, em 2016 e era apresentado pelo jornalista Paul Connolly. Aqui, não sei o motivo mas contou apenas com a temporada inicial de 4 episódios.

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Dois anos depois, a Netflix, como já é hábito, repescou o programa e lançou-o na sua plataforma de streaming, onde já conta com mais 3 temporadas. O mote permanece o mesmo, entrar nas prisões mais complicadas do mundo, mas agora através do jornalista Raphael Rowe, também ele um ex-condenado no Reino Unido - por um crime que não cometeu - e que esteve encarcerado numa prisão de alta segurança durante 12 anos.

O registo é diferente, não transmitindo tanto a ideia de que estamos a ver um documentário clássico, e para isso foram alterados pequenos pormenores que se revelam determinantes para o efeito. Destaco a não dublagem dos testemunhos dos prisioneiros como um deles, deixo os restantes para quem queira ver a série, descobrir.


Por desatenção minha, que é bastante recorrente, comecei a série de trás para a frente. Isto é, comecei na 4ª temporada e já apresentado por Raphael. Não tem qualquer problema, pois cada episódio conta a estória de uma prisão, não tendo qualquer influência o que se passou em outro episódios. No entanto, devo dizer que chegando à 1ª temporada, há um grande choque de estilos e que prefiro bastante o da Netflix.

Feita esta longuíssima contextualização da série, partilho um pouco do que vi, mais concretamente dois episódios, ou seja, duas prisões. que me mereceram alguma reflexão. Trata-se do Estabelecimento Prisional de Tacumbu, no Paraguai e do Estabelecimento Prisional de Melrose, nas ilhas Maurícias.
Dois países completamente diferentes, duas formas de lidar com criminosos opostas, mas a mesma dureza na vida de todos os prisioneiros, na luta pela sobrevivência.

Das duas, vi primeiro o episódio referente à prisão no Paraguai. É nos apresentada como uma prisão altamente sobrelotada, em que os guardas não chegam à meia centena, para mais de mil prisioneiros. As primeiras imagens são de uma miséria extrema, só descritível como as piores ideias que consigam imaginar de uma das piores favelas que tenham conhecimento existir. Um pátio, repleto de gente com roupa rasgada ou completamente desajustada em termos de tamanho, a drogar-se sem qualquer pudor ou discrição. Todos dormem no chão, marcando o seu lugar no pátio. Autênticos sem-abrigo dentro de uma prisão.

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Mas o apresentador é encaminhado para uma outra seccção e apresentado ao prisioneiro que está encarregue de a gerir (!!). O edifício em questão é uma bolha dentro da prisão, já com camas, casas de banho e algumas atividades de trabalho. O mínimo comum em qualquer prisão. Quem é que vai para esta secção? Quem se compromete em seguir as regras impostas pelo seu proprietário: a Igreja Católica. Os prisioneiros que queriam aceder aos "privilégios" deste bloco, e dormir numa cama, não podem ter vícios, não podem protagonizar qualquer ação de violência e têm obrigatoriamente de assitir à missa. Estas foram algumas das regras apresentadas, não ficamos a saber se existem mais.


Após a visita a esta parte da prisão, Raphael volta à "zona de calamidade", onde somos confrontados com algo que, pelo menos eu nunca tinha visto. Entra na prisão uma espécie de carroça, carregada com lixo doméstico, que é despejada numa parte do pátio. Este lixo, pelo relato de um dos presidiários com quem o jornalista conversa, é ali despejado para que os presos daquela zona possam remexer e procurar comida e outros objetos que considerem de valor. A felicidade com que o recluso amealhava fruta podre era surreal, no entanto revelou ao programa que era ótima para vender dentro da prisão. Acho que isto já passa uma ideia do que ali se vive.

Quando estamos a digerir toda esta informação, todo este degredo humano dentro de uma instituição prisional, eis que nos mostram uma terceira zona da prisão.

Se considerarmos que o pátio onde se drogavam, agrediam e catavam lixo era o patamar zero, da condição de sobrevivência da prisão, e se dentro dessa catalogação pudermos ver o bloco patrocinado pela Igreja, como o patamar a seguir, em que já são fornecidos alguns mínimos, então o seguinte será um três que parece quase um quatro. Mas adiante com esta coisa dos números.

O que se vê a seguir é um autêntico mercado, que nos remete para qualquer outro que já vimos na televisão ( para quem não viajou até ao local, claro), em países como a Tailândia ou algo do género. Escuro, com imensas bancas dos mais diversos produtos. O mais incrível é que, dado o desgoverno daquela prisão, isto significa que todos os objetos e mais alguns, conseguem entrar na prisão. Foi nos mostrado desde uma banca de croissants até uma de reparação de computadores e até outra de aluguer de quartos!

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Basicamente aquela zona da prisão era uma mini-sociedade, onde se adquiriam todos os serviços como se se estivesse no exterior, e onde era possível fazer tanto ou mais dinheiro que no "Mundo real". Foi francamente surpreendente, pela negativa e pela positiva. Se por um lado é bom que haja uma mudança na vida daquelas pessoas, e que possam experimentar uma simulação de vida normal, por outro não é suposto e é altamente perigoso para os poucos guardas naquela instituição.

A segunda prisão que, para mim, merece destaque é a de Melrose, como já tinha escrito no início (não bem no início) do texto.
Estão a ver as ideias que temos de uma prisão de alta segurança, ou de prisioneiros de alto risco, em continentes que não a Europa e os EUA? Prisioneiros assustadores, gangues, infraestruturas intimidadoras? Assim mais perto do que foi descrito na prisão do Paraguai, mas com camas para todos.

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A prisão de Melrose é o oposto. O próprio apresentador, quando chega ao estabelecimento prisional constata imediatamente algo que nunca tinha sentido: Silêncio numa prisão.
 Esta constatação tem mais importância se nos relembarmos que Raphael Rowe é, para além de jornalista, ex-recluso numa prisão de alta segurança.


Após este primeiro impacto, há uma segunda evidência com a qual o nosso anfitrião se surpreende, que a limpeza do local. A prisão tem um aspecto asseadíssimo, sem um papel no chão ou uma erva daninha a teimar que também quer ser presa.


 É nos então feita uma breve contextualização acerca da história da prisão. Ao que consta, era um estabelecimento bastante problemático e que gerava bastante interesse mediático por esse mesmo motivo. Ora não sendo as Ilhas Maurícias conhecidas pela sua produção seja do que for, não foge ao clichê de muitas outras ilhas e como tal vive quase exclusivamente do turismo. A seguir a uma catástrofe natural ou uma guerra, a criminalidade e a reputação de local com alta criminalidade devem ser o terceiro principal espanta-turistas de qualquer país.

O governo das Ilhas Maurícias deliberou então que deveria resolver o problema rapidamente, e para isso optou por nomear um novo comissário para gerir o Estabelecimento Prisional de Melrose e reforçar-lhe os poderes, tornando-se praticamente num comissário absoluto.
Esta decisão mudou tudo e a prisão é atualmente gerida com mão de ferro. No pátio, os reclusos não falam, ou falam muito baixo, quase a sussurrar. 


Os cigarros foram proibidos de um dia para o outro, e bem se sabe como os cigarros são a "moeda" de qualquer prisão. Raphael consegue chegar à fala com pelo menos dois prisioneiros, um originário da Ilha e outro Europeu. Pergunta ao primeiro, porque é se sente uma tensão tão grande no ar, e este responde-lhe com um sorriso nervoso. O segundo, europeu, sempre com uma expressão facial de quem não se deixou quebrar apesar de agir de acordo com o que os guardas pretendem, queixa-se da questão dos cigarros e diz que o que se passa na prisão "é política".

À semelhança de qualquer poutro estabelecimento prisional, Melrose também tem espaços de trabalho para os prisioneiros. A especialidade é a fabricação de sapatos. Mas desengane-se quem acha que o trabalho é remunerado, pois não só não é, como os sapatos são feitos apenas para os guardas. Uma outra unidade de trabalho, na qual o recluso europeu trabalha, produz peças de metal para serem utilizadas no estabelecimento - quase que produz as suas próprias grades.

Há uma constante "aura", se assim pudermos chamar, de repressão dentro de Melrose. Uma paz podre. Obviamente que não estou com isto a dizer que uma prisão deveria ser um lugar de liberdade e felicidade.


A Direção do estabelecimento no entanto, parece ter alguma noção de que apesar de ter as coisas sob controlo, pode estar a provocar uma situação de efeito "panela de pressão", mas não querendo aliviar nas suas medidas para não ceder, optou por introduzir algo também bastante invulgar.
Pelo que foi dito no episódio, ainda era uma prática recente, restrita a um pequeno número de presidiários, mas que surte efeitos positivos no comportamento destes: são aulas de Tai Chi. A dado momento temos a caricata imagem de um grupo de criminosos a praticar lenta e calmamente, com um sincronismo asiático, os movimentos desta arte marcial.
O professor assegura que tem recebido o feeback positivo dos alunos.

Estes dois sistemas completamente opostos, deram-me que pensar e remeteram-me para uma comparação económica ou política, consoante prefiram.
Diria que o sistema do Paraguai, se assemelha ao sistema capitalista democrático:
Há um claro fosso entre quem vive com dignidade(a possível dentro da prisão) e quem não vive. E há quem esteja no meio. A dificuldade para mudar de estágio é muito alta, especialmente neste ambiente, mas possível. 
Há gente muito infeliz e perdida, mas quem esteja tão bem que nem quer sair. E sobretudo, sem intervenção dos guardas, houve capacidade de organização e para se estabelecerem regras e comércio. Há primeiro vista, é feio? Parece muito mais inseguro? Parece. Mas também me parece mais realista.

O sistema das Ilhas Maurícias, para mim apresenta muitas semelhanças a um sistema ditatorial:
Um local impecavelmente bem tratado, sem incidentes, com prisioneiros disciplinados e bem comportados. Trabalham, cooperam e cumprem as suas sentenças em harmonia. Todo um clima de consenso que soa a utopia, tal e qual uma ditadura. Num regime autoritário tudo aparenta correr às mil maravilhas, até descobrirmos como no caso de Melrose, que as refeições são sempre pão e água ou que um prisioneiro que seja apanhado com 1 cigarro tem direito a 16 dias na solitária (com as condições previamente mencionadas).
Não é normal tanto consenso, tanta harmonia. Não é normal que ninguém conteste nada, não questione nada ou que nunca tenha um acesso de fúria.
  Parece muito mais organizado? Sim. Parece bem mais seguro? Também. Mas completamente irrealista e sufocante.

Colocando-me no lugar de um prisioneiro, e tendo apenas como opção estas duas prisões, tenho que admitir que pela minha segurança talvez preferisse ir para as Ilhas Maurícias, mas pela minha sanidade mental teria de optar pelo Paraguai.

 

Se acha que o RSI é assim tão bom, despeça-se

Este fim-de-semana surgiu nos media, a proposta do Chega de aumentar a fiscalização a quem recebe o Rendimento Social de Inserção (RSI) e obrigar os beneficiários a exercer serviço comunitário.
Apesar da proposta não ser totalmente nova, no meu pouco tempo de observação nas redes sociais pude constatar dezenas de reacções. E são algo surpreendentes.

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Não tinha a noção que tanta gente inveja o RSI ou considera que quem o recebe é um malandro que se quer aproveitar do sistema. É claro que esta proposta, vindo do partido que vem, é apenas um prolongamento natural da sua agenda de assimilação dos ciganos, utilizando um ideia de senso-comum de que todos eles recebem RSI, mantendo paralelamente os seus negócios de comércio ambulante.
Não tenho conhecimento sobre estatísticas onde se tenha aferido tal comportamento, por parte desta comunidade em particular, no entanto fiquei surpreendido com a aparente positividade com que foi recebida a proposta. Ao que parece, através dos comentários que fui lendo, a minha "sondagem" pessoal, indica que há toda uma franja populacional que considera que se tem de fiscalizar mais estas pessoas que recebem centena e meia de euros do Estado, e exigir-lhes trabalho para merecerem o que recebem...


Estas propostas claramente fazem vir ao de cima o portuguesinho mesquinho, que inveja sempre a galinha do vizinho, ainda que esta seja um pinto enfezado. Pergunto-me é, se há tanta gente que acha que receber o RSI é ter "boa vida", porque é que não se despedem e pedem-no também?

Outro pormenor, ou pormaior se me perguntarem, é o facto de a proposta vir do partido cujo líder proclama deitar abaixo o sistema, destruir a corrupção e "fazer das tormentas boa esperança". Ora ligando estas suas vontades, por exemplo, a esta proposta, a coisa parece-me contraditória e algo caricata.

Apresenta-se então o grande destruidor da corrupção, que faz tremer o PS e os interesses instalados... e começa pelos desempregados! Não vão estas pessoas, esta cambada de sanguessugas querer aproveitar-se do sistema para receber 200€, o salvador André já está no seu encalce.

Os outros, os grandes, os Ricardos, os Joes e os Escárnias, ficam para o fim. Afinal até o povo concorda não é verdade? Não hão de dizer que somos mansos...

Galambing, a arte da soberba

Lembram-se há "muito muito tempo" de um ministro chamado João Soares, reza a lenda, ministro da cultura? Talvez tenha sido o último membro do Governo de António Costa, com alguma decência e sentido de Estado. Talvez, calma.

Corria o longínquo mês de abril, do ano de dois mil e dezasseis. João Soares demitia-se no seguimento de um post no Facebook, onde oferecia umas "salutares bofetadas" a Augusto Seabra e a Vasco Pulido Valente. Na altura, o primeiro-ministro referiu que os ministros tinham de ter consciência do lugar que ocupam.

Podia discorrer se, agora passados 4 anos, a sua demissão nos seguimento desse post fez sentido, tendo em conta tudo o que veio a acontecer até hoje, com os membros do Governo.
Mas gostava de me cingir a um caso particular, tão particular que diria até especial. E não no bom sentido.

João Galambra é Secretário de Estado Adjunto e da Energia, mas já era conhecido da maior parte dos portugueses atentos a política. Um aficionado de José Sócrates, João foi escalando a hierarquia do PS com uns spins e algum mediatismo. No entanto, umas das características que o governante nunca fez questão de esconder foi a sua arrogância e má criação.

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Antes de ser nomeado para o Governo de António Costa, era já um hábito identificado pelos internautas, o de ofender quem o criticava ou de mandar estudar gente que, em muitos casos, tinha um currículo bastante superior ao seu.

Houve aliás uma brincadeira de um dirigente da IL, Ricardo Pais Oliveira, que fez uma lista de gente a quem o agora Sec.de Estado mandou estudar antes de falar. Na lista, que é ilustrada para que não sobrem dúvidas, encontramos nomes como Miguel Poiares Maduro, Ricardo Costa (irmão de António Costa), Jorge Moreira da Silva ou Camilo Lourenço.

A bazófia do socialista era bastante reputada. Recentemente esta postura fermentou novamente no meio mediático devido ao projeto do Hidrogénio em Sines, que o Sr. Secretário de Estado diz ser muito positivo, mas que dezenas de pessoas que estudaram o tema, dizem ser um embuste. João Galamba não tem tido qualquer pudor em chamar de mentirosos todos os que criticam a estratégia do Hidrogénio, tal como aconteceu com Clemente Pedro Nunes, um professor universitário jubilado e especialista em energia. O-bvi-a-mente que tem de ir estudar!

A situação aliás, levou a que Jorge Barreto Xavier dedicasse uma das suas crónicas ao assunto, considerando que este não tem tido a atenção devida. Subscrevo e posso dizer que vale a pena ler - é muito melhor que o meu.

O que surpreende é que não só já era expectável que João Galambra destilasse a sua arrogância para cima de tudo e todos, pois o seu percurso assim o fazia prever, enquanto governante, foi ainda assim nomeado para Secretário de Estado. E, igualmente supreendente e caricato, tem sido o silêncio do governo face ao comportamento de João Galamba. Os Secretários de Estado também não têm "de ter consciência dos lugares que ocupam"?

Poço de Tristeza

Desde a saída de Passos Coelho que o PSD foi invadido por desconhecidos, afetos a Rui Rio, tornando um partido onde outrora se reconheciam vários potenciais futuros líderes, numa organização partidária de amigos do líder, onde que recorrentemente tem necessidade de "bater" nos oposicionistas. Este é um pequeníssimo resumo, visto de fora, do alegado maior partido da oposição.

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Já quanto à sua juventude partidária, o calvário tem sido muito mais longo.  A JSD tornou-se numa juventude partidária irrelevante, de lideranças medíocres que apenas procuram cimentar o seu lugar no parlamento. A que considero mais inócua, nos tempos mais recentes, é a de Cristovão Simão Ribeiro (quem é esse, devem estar a perguntar), cujo ponto mais mediático da sua liderança foi o adiantamento das eleições na JSD para que ainda pudesse concorrer a mais um mandato antes de perfazer os 30 anos de idade. De seguida veio Margarida Balseio Lopes, que no mês passado disse sair com um sentido de dever cumprido, apesar de não se perceber muito bem em quê.

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Com a saída da deputada Margarida, aparece então o deputado Alexandre Poço. Este jovem que aparenta tudo menos juventude, tem conseguido bastante mediatismo no último mês. Aquando das votações para o fim dos debates qunizenais, recebeu toda uma avalanche de elogios por ter sido um dos poucos deputados do PSD a votar contra. Aí, leram-se bela toadas de como este representava o futuro e a esperança do partido laranja. O então declarado candidato à liderança da JSD, saltou assim para a ribalta fazendo algumas manchetes.

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Infelizmente, esse foi o último ato elogiável de Alexandre, O Poço. Desde a sua eleição, o recém eleito líder da juventude social democrata tem-nos presenciado com belíssimos tiros no pé - vamos acreditar que são erros e não escolhas ponderadas.


O primeiro, o lançamento de um concurso para renovar a sua imagem. Este concurso, é direccionado, segundo o texto da JSD, para jovens designers e tem como objetivo alertar para as dificuldades dos jovens na procura de emprego.


A JSD irá então receber propostas de alteração da sua imagem até uma determinada data, escolhe a que mais gosta e entregará um prémio de 1500€ ao vencedor.
Agora trocado por miúdos: Uma juventude partidária quer alertar para as dificuldades dos jovens em movimentarem-se no mercado de trabalho, lançando um concurso onde pede um trabalho especializado a vários jovens, para depois pagar a apenas um, que recebido o pagamento, afloreado de "prémio", pode muito bem continuar desempregado e seguir a sua vida.


Um dos estratagemas mais utilizados pelas empresas para se aproveitarem dos jovens, é repetido por uma organização que se diz defensora dos interesses dos jovens. A JSD promove uma estratégia de precariedade, para alertar para a precariedade. Mais caricato e confrangedor : a campanha que lançaram no Dia Internacional da Juventude com posts ilustrados por frases que representam situações comuns de precariedade jovem. Ou há muita falta de noção na JSD ou muito descaramento.
Claro que esta situação foi notada por várias pessoas, entre as quais os responsáveis pela plataforma de denúncias de abusos laborais, "TENHAM VERGONHA", que denunciou de imediato na sua página esta situação, enquadrando-a num caso de trabalho especulativo. A resposta da JSD? nenhuma. As perguntas dos jornalistas? Zero.

A segunda bigorna que lhe cai no pé (a ele ou a nós?), trata-se de parte de uma entrevista que concedeu à Revista Visão. Alexandre, um jovem, a "esperança" do PSD, que parecia demonstrar alguma irreverência positiva, com a recusa em aprovar a tonta medida de reduzir os debates quinzenais, faz um frete tremendo a Rui Rio e demonstra toda a cobardia perante as sondagens.


Na entrevista, quando questionado sobre uma possível relação com o Chega, o líder da JSD, acaba por, muito atabalhoadamente dizer o mesmo que Rui Rio. Refere que não pode colocar de parte o Chega, tendo em contra as sondagens, justifica que o PS também fez acordos com a extrema esquerda e logo de seguida diz que não se está a justificar nem a arranjar uma desculpa para essa nova intenção de relacionamento com partido de Ventura.

Quando menos se esperava, temos um jovem a prontificar-se para validar e dar entrada à extrem-direita no arco da governação. Mas claro, só e apenas se não ultrapassarem "linhas vermelhas". São estes os modelos que os jovens portugueses podem encontrar no PSD. Alexandre Poço demonstra ter a capacidade de percepção das preocupações juvenis de um seixo, e já vem deixando bem claro que com ele não contamos para nada além do mesmo.

A JSD continua nas ruas da irrelevância política e social, fortalecendo a sua posição, a par com a Juventude Socialista, de centro de emprego para caciques.

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O único partido português do lado de Lukashenko

Provavelmente bastou-lhe ler o título para perceber de que partido se trata. É verdade, é o Partido Comunista Português.
A nossa anta, reconheceu e validou as eleições na Bierlorrússia, dizendo mesmo que até foram congratuladas por Vladimir Putin e Xi Jiping - dois arautos da liberdade.

A notícia, escrita no orgão de comunicação oficial do partido, dá ainda nota de que as eleições foram validadas pela comunidade independente de estados (CES) da qual fazem parte 9 países, na sua maioria ex-satélites da URSS.

O tempo vai avançando e em Portugal vamos continuando com um partido que aplaude ditaduras, no Parlamente. Um partido que não acredita em eleições, no Parlamento. Um partido que é apologista de um dos mais brutais regimes da História da Humanidade, e que o festeja alegremtente.

São tão desprezáveis quanto os regimes que ridiculamente defendem. E nós somos cúmplices desta podridão moral.

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Geração Ghost

Dia internacional da juventude

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Quem tiver andado distraído relativamente a novas terminologias utilizadas pelos jovens, pode não estar familizarizado com o termo ghost ou ghosting. Simplificando a explicação, trata-se de ignorar propositadamente alguém, até que esse alguém desista de tentar interpelar-nos.

Vamos a caminho de mais uma crise económica gravíssima, tudo indica. Para muitos, apenas mais uma, mas para uma franja da nossa sociedade em particular, este "mais uma" tem um outro peso. Não tendo qualquer pretensiosimo em querer escrever um texto em representação dos jovens, porque nem estou mandatado para isso (como se isso fosse possível), nem teria essa capacidade por múltiplos factores que só para os elencar seria necessário não um texto, mas vários. Escrevo então enquanto pertencente a esta faixa etária, a que airosamente a sociedade chama de jovens.

Para muitos outros como eu, confirmando-se esta pesadíssima crise, é a segunda que experienciamos em menos de 15 anos. Certo é que não é o mesmo que viver um período de guerra ou que viver em período ditatorial, mas também não me parece correto que se comparem situações. Esta é a nossa realidade, e a aspereza do que não vivemos não a amacia, por muito que o queiram.

Os jovens são atualmente "a geração mais bem informada e preparada de sempre", "o futuro do país" , a "esperança do mundo" e outros clichês românticos. Porém quando o cenário não está para romantismos, como por exemplo quando a abstenção sobe ou agora mais recentemente, quando os números de infetados pelo covid-19 sobem, a culpa recai nos suspeitos do costume, os jovens.

O clichê mais paradoxal, na minha opinião, é o de considerarem que os jovens são os mais bem preparados e informados de sempre. Porque quando um jovem chega a um lugar de responsabilidade, na política, na ciência, na gestão ou em qualquer outra área, todos apontam para a sua idade como factor predominante para avaliar e prever a sua alegada incapacidade. São bem preparados e muitíssimo bem informados, mas não se estiquem.

Quanto ao ónus de nos considerarem o futuro e a esperança da nação, é francamente a base de nos tornarmos a geração ghost. Quando chega o momento de demonstrarem o quão nos consideram realmente, dão-nos ghost. Somos muito importantes, mas oferecem-nos maioritariamente condições precárias de trabalho, ou estágios porque quando se trata de uma pessoa com menos de 30 anos não há qualquer pudor em lhe oferecer magnanimamente um pouco de "experiência". Uns mesinhos a trabalhar sem receber nunca fizeram mal a ninguém. Mais tarde chegam as surpreendentes estatísticas de que os jovens não saem de casa dos pais - imagine-se porque será.

Somos o futuro, mas não gostam de nos consultar. Um mero orgão consultivo como o Conselho Municipal de Juventude, ainda continua a ser recusado em muitos munícipios pelo país fora. Já lá vão 10 anos desde a sua obrigatoriedade.

Consideram-nos a esperança, mas continuamos com um sistema de ensino praticamente igual há décadas. Explicam-nos tudo, menos o funcionamento das instituições que nos vão marcar o resto da vida - bancos, finanças, segurança social, câmaras municipais etc.

Facilitam-nos o acesso ao ensino superior, com bolsas (poucas ainda) e reduções de propinas, mas não há uma comunicação eficaz com o mercado de trabalho para que se evitem licenciaturas em desemprego. Investimos tempo e dinheiro em sonhos que, quem tem responsabilidades executivas já sabe à partida, que não se vão cumprir. Pelo menos não em Portugal.

Saímos à rua para nos manifestarmos, pedimos para falar, para ser ouvidos. Sorriem, tiram fotos e elogiam. E a seguir? Ghost.

Podemos dar de barato que esta é a geração mais bem preparada e informada de sempre, no entanto, e seguindo esse raciocínio, esta também é a geração onde é mais notória a ausência de planeamento para a juventude por parte dos governantes e em que é mais ofensiva a condescêndencia com que a sociedade trata os jovens.

Ficaremos marcados por termos sido a geração na qual mais recairam os erros do passado, a geração mas encurralada em falta de soluções e onde as expetativas, nossas e dos outros, mais se tornaram em sonhos não concretizados.

Geração mais bem preparada, informada e ignorada. Assim é que ficaria completa a descrição.

O protótipo ideal

Voltou à baila, não sei por quem, nem se foi propositado, a notícia de 2014, do Correio da Manhã, acerca da presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria Dores Meira, em que se referem os 14 imóveis do quais era proprietária à data ( não sei se agora são menos ou mais), assim como a sua declaração de rendimentos.

Rapidamente esta velha notícia foi espalhada por vários grupos do Distrito, nos quais para uns foi novidade, para outros não. Incluo-me nos que já conheciam a notícia, assim como a resposta da edil à epóca.

Acontece que, Maria das Dores Meira anunciou há relativamente pouco tempo a sua putativa candidatura à Câmara Municipal de Almada. Isto é, como já não tem possibilidade de continuar em Setúbal, já veio dizer publicamente que não se importa nada de saltar para outra Câmara.

Ora tendo a presidente ambições de se candidatar a uma Câmara, na qual não tem a certeza que consegue ganhar, não podia deixar que andasse novamente a circular a notícia de 2014. Prontamente, já se pronunciou sobre o tema no seu Facebook, recuperando também o post que publicou naquele ano, para responder à notícia.

A presidente começa o seu novo texto sobre o sucedido, dizendo que "o povo não é estúpido". Não é mesmo, e por isso é que gostaria de dizer que os esclarecimentos de Maria Dores Meira são uma, passo a expressão, "chachada".  Vem dar um ar de ofendida, negando aquilo que lhe interessa e rebatendo que os imóveis foram adquiridos "ANTES" de ser autarca.

Isso é completamente irrelevante. Maria Dores Meira quer desviar as atenções de algo que considero, se não mais, pelo menos tão grave como aquilo que a acusam. Esta incoerência entre o que se é e aquilo pelo qual se diz mover.

A presidente da Câmara de Setúbal é, na verdade o protótipo ideal do comunista português. Um burguês refastelado que para atingir o poder, se faz de defensor dos pobres e oprimidos.
O PCP, sendo o partido que mais vomita contra os monopólios, o lucro desmedido e a acumulação de capital, é também o partido que mais põe mais em prática aquilo que critica. E os seus dirigentes fazem também jus a essa regra.

O que é espantoso é que "o povo não é estúpido" mas acha que alguém com 14 imóveis está com ele, no mesmo barco, na luta contra o grande capital. Ache que alguém que diz que gostava de "ter dinheiro para tanto [colocar em contas nas ilhas Caimão]", é uma lutadora pelos direitos do proletariado e que se interessa pelas dificuldades dos trabalhadores. Que alguém que acumula capital é contra quem acumula capital.

Não há problema nenhum em um comunista ter dinheiro, podem é de vez, abandonar a retórica hipócrita e assumir que não se importam de enriquecer ilimitadamente, e que não se importam de cavar um fosso entre o seu dinheiro e os que têm falta dele, e que tanto juram defender.

Os pseudo comunistas, dirigentes do PCP, quando estão na mó de cima, ou quando como neste caso já vêm da mó de cima, estão se marimbando para a distribuição de riqueza. Estão, assim como o seu partido, interessados na acumulação de riqueza. O PCP, aqui personificado em Maria Dores Meira, é rico, gordo e capitalista. A presidente sabe, o partido sabe, e o povo que "não é estúpido" tem de começar a saber.

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Onde anda a Responsabilidade?

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 "expresso curto" (sem querer usurpar a rúbrica do Expresso) :

Acho caricato e sobretudo perigoso que, depois de sabermos que vamos claramente ter uma crise (mais uma) fortíssima sobre as nossas vidas, a comunicação social e a população em geral estejam mais interessados em andar atrás de quem não apresenta uma única solução, um único traço de planeamento para não nos vermos todos na miséria daqui a uns meses.

Bloco de Esquerda e Chega, sendo coerentes com a sua natureza radicalista, monopilzam a atenção nos últimos dias com a pífia discussão sobre se somos todos racistas ou não.

É com certeza a conclusão desse debate que nos vai proteger os rendimentos, os empregos e o futuro dos nossos jovens.
Como é possível que andemos tão alheados da realidade?

Impressionante e assustador

Sebastião Bugalho escreveu há uns dias um artigo de opinião no Observador, em que a ideia principal era a de que Rui Rio estava a cumprir escrupulosamente o seu plano, traçado algures na sua mente, para chegar à cadeira do poder. Nesse artigo, alude a um outro, de Francisco Assis. É sobre essa que escrevo.

Francisco Assis é um destacado militante do PS, que beneficia de uma admiração intelectual tanto à esquerda como à direita, e que no caso destes último, o consideram como o que seria o socialista ideal para se conversar - conversar no sentido de encontrar posições conjuntas com partidos à direita.
Não sei, nem tenho capacidade para tecer considerações acerca da inteligência do Francisco Assis.

O artigo, intitulado "Uma geringonça de direita", começa por parabenizar o livro "Linhas Direitas" (que reocmendo, já agora) por ser uma antologia do pensamento conservador e liberal português contemporâneo, de qualidade. Escreve o autor que  "(...)Vale a pena ler para se superar definitivamente a representação caricatural de uma direita obtusa que alguns sectores da extrema-esquerda procuram sistematicamente promover. ". Não podia concordar mais.

O que me impressionou no artigo, o qual desconhecia a existência, e que já é datado de fevereiro deste ano, foi a tese escrita a seguir. Francisco Assis colocou uma hipótese, que se alguma vez a mim me passou pela cabeça tal cenário, sempre o considerei uma divagação sem fundamento. No entanto, a realidade parece querer fazer-me engolir tal descrédito.


O ex-eurodeputado fala-nos da hipótese de Rui Rio querer efetivamente estabelecer pontes à direita, e replicar o que o PS fez à esquerda. Isto, se a estratégia de revelar que no fundo partilha muito mais valores com a esquerda do que com a direita ( e que o autor também acredita ser verdade) falhar. Diz Assis que "se não conseguir alcançar este objectivo o país continuará a contar com uma maioria de esquerda no Parlamento." e que como tal Rui Rio, terá de optar por outra via para alcançar o Governo.

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Essa via, não podendo ser pré-eleitoral, nas palavras do autor, apenas será tida em consideração depois de terminadas as eleições e contabilizado o peso de cada um. Francisco Assis considera que, se se verificar que toda a direita conjunta, mais o PSD, formarem conabilisticamente uma maioria, Rui Rio não hesitará em propôr um Governo apoiado pelo CDS, Iniciativa Liberal e Chega, replicando a ideia pioneira de António Costa.


Se esta ideia, em fevereiro, me parecia quase conspirativa, agora já não sei que diga. Assis chega mesmo a prever que o argumento que será utilizado então, quando acusarem o PSD de dar a mão à extrem-direita populista, passará por relembrar que "António Costa não hesitou em negociar com um partido que nunca condenou o totalitarismo soviético, que continua a falar da “alegada queda do Muro de Berlim” e que não esconde alguma simpatia pelo regime norte-coreano." .

Não só foi bem previsto, como até já acontece mais cedo que o pensávamos. O PSD já piscou o olho ao Chega, e há quem veja a possibilidade com bons olhos, correndo já nas redes imagens como a que ilustra este texto, ou posts escritos que consideram exatamente o mesmo.

Impressionou-me a capacidade de previsão de Francisco Assis, mas agora assusta-me que esta venha a ser uma realidade. O pior que poderia acontecer à Direita, e ao país, era acrescentar mais um radical a molhar os dedos no poder. Se, como diz o ex-eurodeputado, já existe uma representação caricatural da Direita em Portugal, aqui a caricatura passa a misturar-se com a realidade e perdemos de vez a esperança e a oportunidade de um dia termos uma Direita construtiva e democrática, à semelhança do Reino Unido ou da Alemanha, a contrabalancear com os socialistas.