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The Pólis

The Pólis

Subvalorização da positividade

Ainda há alguém ou algo que nos inspire? Que nos mobilize? Que nos faça fantasiar e encher de coragem, motivação, adrenalina...?

Ainda seguimos ideias e causas "a favor" ou já só nos juntamos para ser contra?
Olhando à nossa volta, vemos um mundo tumultuoso e em devir acelerado. Cada minuto perdido necessita de horas para o recuperar. Quem quiser deixar a sua marca no mundo, no país, na localidade, na rua, consegue fazê-lo através de ações positivas? Mobilizando qualidades que agora parecem banais - a solidariedade, a compaixão, o altruísmo -?

E os exemplos, onde estão? Os grandes líderes. De causas monumentais, que nos ponham o sangue a ferver com um discurso de abalo mental. Há algum, que não seja uma repetição personalizada do que se vê por todo o lado?
Só vemos as mesmas formas de falar, de agir, de reagir e de ver. As mesmas banalidades que não aquecem nem arrefecem. Até os extremistas já se tornam ruidosamente enfadonhos. Gritos repetidos e gestos copiados para se passarem por diferentes. No fundo, movem-se contra isto e aquilo tal como todos os outros. Acabar com aquilo e aqueloutro.
Um deserto de ideias e um desesperante vazio de esperança. Agora só se movem multidões para contestar. Só se tornam aguerridos os que têm muita vontade de destruir algo ou alguém.
É com esta gente, com esta forma de pensar, com este espírito de accionistas do contra, que devemos contar para que nos tornem o fardo menos pesado? São estes profetas do pugilismo verbal, que vão fazer com que o nosso ponto de partida não seja um fatal spoiler do ponto de chegada?

Que motivação tem um ser humano, num contexto mais primeiro-mundista, para fazer algo para além de acordar, cumprir com seu horário de trabalho (ou doação de vida), voltar a casa para esperar que comece o dia seguinte e repetir este ritual até ser incapaz de o fazer? Como é que alguém se pode sentir insipirado e querer inspirar outros?
Isso ainda exisitirá?

"Com todas as medidas de segurança"

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Se na semana passada até elogiei o CDS-PP, desta vez já não posso fazer o mesmo.
Depois de terem criticado o PCP, a CGTP, Bloco e Chega pela organização de eventos que resultavam em ajuntamentos de pessoas, o PP e a Jota do PP decidiram também realizar os seus próprios eventos de ajuntamento.
Os mais velhos primeiro, com um Conselho Nacional em Santarém que disseram não poder ser adiado porque tinham de aprovar as contas. Como é amplamente sabido, aprovações de contas só cara a cara!
E no próximo fim-de-semana, teremos a JP, com o seu Conselho Nacional em Ponte de Lima, o bunker autárquico do CDS. Os jovens vão ainda mais longe que o partido, e organizam até um jantar com estadia...E o presidente do CDS-PP presta-se a ir participar. Um pontapézinho na coerência.

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Mas porque é que estas duas organizações partidárias acharam que organizariam estes eventos, e que isso não teria qualquer incoveniente? Porque, curiosamente, se escudam nas mesmas desculpas que os outros que antes tinham criticado : "Cumprindo todas as normas de segurança".

Começo a notar um padrão aqui. Sempre que alguém organiza alguma coisa, só tem de anunciar que vai cumprir com todas as normas de seguranças e já pode quebrar a regra do número limitado de pessoas em ajuntamento. É só perder 2 minutos a pensar no quão rídiculo é esta tentativa de contornar as medidas impostas, e o quão patético é quererem fazer os outros de parvos, e dizer-lhes que é possível ter centenas de pessoas a cumprir escrupulosamente todas as normas de segurança.