Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

The Pólis

The Pólis

Reuniões Secretas de Câmara

Aproveitar um Estado de Emergência - que em rigor não vigora aquando da sessão - para experienciar o sonho molhado da esquerda: governar, em segredo, sem prestar contas, sem o povo que dizem representar a chatear , ou pior, a fazer perguntas e sugestões.

Fazem-no sem qualquer despudor, dado que utilizam com grande avidez as redes sociais para publicarem as suas produções propagandísticas - mensagens dos presidentes de junta, vídeos para entreter, ou como já aqui publicado levam a equipa de filmagens para todo o lado.

É impossível que achem que alguém acredita que não permitem a gravação das assembleias e reuniões de câmara, porque acham que estimula a "cidadania passiva" ou porque não têm meios para isso.

Não querem ser escrutinados. E o povo não reclama, porque anda dormente com a sedação da "união" administrada pelo PS, com um tempero de "patriotismo" do PSD. Não há uma única que voz que questione porque raio, agora que ninguém pode testemunhar presencialmente as reuniões, proíbem a presença de comunicação social e não se predispoem a gravar e transmiti-las online.

 

Democracia em segredo não é democracia. A Câmara Municipal não é o Comité Central.

EWTNA_xXQAI8Cx2.jpg

 

 

Comunismo também é traição

 


A Polícia Judiciária apreendeu há pouco tempo uma série de documentos do arquivo da PIDE e da DGS, que estavam à venda na internet. Esta apreensão trouxe de novo ao de cima, a facilidade com que, após o 25 de abril, se alienavam documentos e património de Estado.
Relativamente aos documentos, tendo o Partido Comunista Português praticamente tomado conta de tudo, sempre houve imensos testemunhos de que entregavam documentão à URSS. Acusação que obviamente negam, como de resto negam tudo o que não lhe agrada que se saiba.
Este episódio recente da PJ, só veio reforçar esta tese como diz José Milhazes (https://outline.com/nJysMS)

Parece que naquela altura roubar documentação ao Estado para benefício de uma potência estrangeira, fazia parte de uma "política patriótica e de esquerda"...

"Fazer publicidade de caridade é esquisito para todos"

A frase é de um sacerdote de Oeiras e foi proferida a propósito de uma iniciativa do CHEGA, que ofereceu produtos de higiene básica a um lar mas "esqueceu-se" de informar que o ia fazer em âmbito institucional - ou seja para poder publicar nas redes sociais. Ao que parece o sacerdote mão gostou e declarou sentir-se enganado, proferindo a sábia frase para quem mais tarde o entrevistou.

 

Não é uma prática inédita, muito menos original, no entanto a frase tem-me ecoado na cabeça sempre que, durante este período de crise pandémica, leio uma notícia deste cariz. Alguma universidade que ofereça três pares de alcóol gel e têm alguém de posar sorridente com os frascos na mão. Algum café que decide fazer umas refeições para oferecer aos enfermeiros do Hospital X, e lá vão todos juntar-se na fotogénica meia-lua com as embalagens na mão.Em linguagem adolescente contemporânea, que "cringe"! 

 

Em Setúbal, tenho verificado também, como seria de esperar, este triste fenómeno:

 

autarcasajuda.jpg

Para entregar uma caixa de alimentos, são necessárias três pessoas: uma para tocar a campainha (imagino que seja a pessoa que realmente costuma fazer o trabalho), o presidente da junta para "surpreender" (infelizmente reforçam o preconceito de qe os políticos não fazem nenhum e por isso é que surpreendem) sorridente com a caixinha na mão e, claro, o fotógrafo de serviço, a captar o momento. No fundo, o presidente não vai apenas entregar uma caixa de alimentos a um freguês, vai entregá-la a toda a gente que o segue nas redes sociais.

 

Mas o caricato (cringe) mais desconfortável dos últimos dias, foi para mim este:

93246065_2919837278101560_7215254318058831872_o.jp

92347921_2919836968101591_7599403769335382016_o.jp

92444179_2919836448101643_1180347928808521728_o.jp

 

A Casa Ermelinda Fretias oferece, e bem, uma enorme quantidade de alcóol gel à Câmara Municipal de Setúbal, para que o distribua conforme seja mais necessário. Qual é a primeira coisa a fazer?

Colocar cuidadosamente, garrafão a garrafão, quiçá sobre orientação do decorador-môr do reino João Maria, em grupos de formação triangular e com os respetivos selos todos virados na mesma direção. Depois, toda uma comitiva dos bombeiros e da Protecção Civil têm de aguardar que a Sra. Presidente vista o seu brilhante colete (dá um ar de maior preocupação e envolvimento) e dê umas palavras para a câmara de filmar que um funcionário trazido para o efeito manobra. Findo o registo, há que iniciar todo um Book fotográfico, com todos os presidentes de junta, em pose junto aos garrafões - como se o mérito de terem aquele material fosse de alguma forma daquela gente - e depois claro, o carregar dos garrafões e repare-se que, na galeria publicada no Facebook oficial, cada presidente de Junta tem uma foto em que aparece sozinho, a carregar garrafões (mais uma vez têm de dar um ar de que fazem alguma coisa e mais uma vez é tão forçado que só reforça preconceitos) para que possam também eles publicar nas suas redes sociais. 

 

Agora imagine-se todo este arraial cada vez que ha uma doação de material neste país. O tempo que perde e se desaproveita, com Bombeiros, Protecção Civil e outros funcionários acionados para colaborar nesta fanfarronice. Triste fadinho e triste (para não dizer ofensiva) gestão de prioridades em tempo de crise.

 

 

Faz o que eu digo, não faças o que eu faço

 


“Há uma grande maioria neste Parlamento que quer celebrar o 25 de abril e vamos celebrar o 25 de abril”. Foi este o contributo deplorável do Presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, no úlitmo debate parlamentar, depois da intervenção do deputado João Almeida que apontou o quão errado era fazer a celebração do 25 de abril em pleno Estado de Emergência.

Tem-se observado durante a gestão desta crise pandémica, um esforço de membros do Governo, deputados e militantes socialistas, para passar a ideia de que é indigno querer “fazer política” em tempo de crise. Não é uma estratégia nova, mas atualmente tem sido recorrente. Depois da tragédia de Pedrogão, também era indigno “fazer política” criticando o Governo pela gestão do problema. E era comum ouvir, antes da pandemia, respostas de membros do Governo a críticas, dizendo que quem criticava estava a tentar desestabilizar os portugueses, que alegadamente viviam um período de recuperação de qualidade de vida e estabilidade política.
No fundo, tem-nos sido lentamente administrada uma subtil dose de “não se deve criticar o Governo”, e portanto o PS.

Agora, durante o Estado de Emergência, querem-nos fazer crer que não criticar a governação, é ser superior, é estar acima da intriga mesquinha, é ser patriota, como o deputado Rui Rio diz. Foi pena só nos ter informado agora, que quando se candidatou a líder do PSD pretendia iniciar um longo período de exercício de patriotismo.

O Partido Socialista, se há coisa que faz bem, é a “politiquice”, e como especialista tem-nos dado uma MasterClass em como fazer política dizendo que não se deve fazer política.
Aprovar as comemorações do 25 de abril e permitir as manifestações que a sindicalista de nascença, Sra. Isabel Camarinha considera que “têm de ser feitas”, no dia 1 de maio, é da mais subtil arte da politiquice.

Numa teatral demonstração de amor à liberdade e aos direitos dos trabalhadores, está em curso uma ratoeira de se lhe tirar o chapéu. Era óbvio que alguém se iria opor. Não há uma justificação séria e de bom senso para se dizer aos portugueses que não se podem juntar nem sequer para enterrar condignamente um familiar, mas que não há vírus que pare uma bela grandolada no Parlamento.

O PS sabe disso, e as bancadas à querda, onde o PSD de Rui Rio não se importa de se incluir de vez em quando, sabem disso. A Ministra de sangue ministerial, Mariana Vieira da Silva, quando disse que as ações de rua da CGTP seriam feitas cumprindo todas as normas de segurança da DGS

 

(que hoje são uma coisa e amanhã outra), sabe isso. E era óbvio que a direita, apesar de ter toda a razão para criticar, como de resto já o fez, ia escorregar.

Que melhor presente podiam dar a toda à esquerda que lhe oferecer mais uma vez a oportunidade de poderem, demagogicamente como habitual, gritar que a direita está contra o 25 de abril? Que melhor soundbyte se poderia dar à Sra. Isabel Camarinha que poder dizer “ao contrário do que alguns queriam, estamos aqui a celebrar as conquistas dos trabalhadores” ?
Que melhor demonstração de como fazer política rasteira nos podia dar o PS, que por puro jogo, ignora tudo aquilo a que os portugueses se tem sujeitado nas últimas semanas?

Não se trata de estar contra a celebração do 25 de abril ou do 1º de maio, trata-se do esforço que todos temos feito, colocando a nossa vida em suspenso por um bem maior. No 25 de abril vão celebrar a Liberdade os mesmo que nos têm dito que devemos estar privados dela.